Quem não é de São Paulo, visita o Estado e constata a catástrofe paulista não consegue entender por que o povo do Estado mantém a direita tucano-pefelista no poder há tantos e tantos anos (quase duas décadas). A cada ano, o Estado vem perdendo, perdendo e perdendo. Perde qualidade de vida, investimento e pujança econômica, empregos etc. E o povo aplaude.
Basta olhar para os números da crise econômica para ver como em São Paulo ela é mais grave do que no resto do Brasil. E depois olhar para a Saúde, para a Educação, para o transporte público, para a Habitação ou para a Segurança pública.
Hoje, temos, os paulistas, indicadores entre os piores do país em todos esses quesitos apesar de sermos o Estado mais rico e industrializado.
Na economia, o desemprego resiste em São Paulo enquanto melhora rapidamente no resto do país. A produção industrial paulista, idem. Agora, apesar da isenção de impostos do governo federal, a famigerada “substituição tributária” do governo paulista anula a queda nos preços da “linha branca” (geladeiras, fogões etc), por exemplo.
Na Saúde, bem, na Saúde uma visita a um hospital público da capital mostra como em quase vinte anos de governos tucanos o paulista acabou tendo atendimento proporcionalmente pior do que o de Estados paupérrimos do Norte e do Nordeste, que vêm melhorando a cada ano enquanto o de São Paulo, no mínimo, fica estagnado.
Na Educação, São Paulo fica sempre nos últimos lugares nas avaliações nacionais. Os professores da rede pública paulista estão entre os mais mal pagos. Vivem em greve e levando “borrachada” da polícia do governador. Os alunos da rede estadual de ensino são verdadeiros analfabetos funcionais.
O transporte público é uma desgraça. O trânsito de São Paulo é o pior do país e um dos piores do mundo. Proporcionalmente, temos a menor rede metroviária. Uma cidade como Santiago do Chile, que tem a metade da população de São Paulo, dispõe de uma rede de metrô duas vezes maior. O povo da periferia passa duas, três horas espremido em ônibus lotados para ir ao trabalho ou voltar. No metrô, a situação é igualmente caótica. Nos horários de pico, a cena é surreal, com milhões de pessoas espremidas e se empurrando nas estações saturadas.
Na Habitação, sugiro a quem não acredita no que digo que dê uma volta pela capital de São Paulo para ver as favelas crescendo sem parar, os cortiços proliferando, os moradores de rua aumentando. Como se não bastasse, o governo do Estado ainda boicota o programa de moradias do governo federal. E como a imprensa paulista não informa a população, ela não sabe o que está perdendo.
A Segurança pública está em um nível de calamidade jamais visto. Os policiais ganham menos do que os do Piauí. Apesar da propaganda oficial, que a imprensa daqui abraça, o paulista vive cada vez mais apavorado com a criminalidade. Basta dar uma volta pelo centro velho da capital (pela Cracolândia, por exemplo) para comprovar. E se você, não-paulista, perguntar a qualquer paulista se acredita que a criminalidade está diminuindo, ele rirá na sua cara.
Paradoxalmente, há pouco o instituto Datafolha fez uma pesquisa sobre a avaliação do governo de José Serra e ele aparece com a mesma popularidade de quando foi eleito. E nas pesquisas sobre a sucessão presidencial, com o peso eleitoral de São Paulo Serra aparece isolado na liderança, ainda que tal liderança esteja caindo mês a mês. E só não cai mais rápido por conta dos paulistas, que são muitos e, portanto, influem fortemente no resultado das pesquisas.
Aparentemente, é um mistério o que acontece com o povo de São Paulo. Parece não haver explicação lógica. Mas há: ao perguntar a um paulista por que a Segurança Pública de seu Estado piorou tanto, via de regra ele dirá que a culpa é de Lula. E dirá o mesmo sobre todo o resto – Saúde, Educação, Habitação, Transporte...
O paulista não se lembra nunca do governo do Estado na hora de reclamar dos problemas locais porque o governo estadual deixou de ser fiscalizado e criticado pela imprensa de São Paulo há quase vinte anos. Vai daí que, para o paulista, tudo é responsabilidade do governo federal. E, como São Paulo só faz piorar, o povo desse Estado fica insatisfeito com o governo Lula em vez do governo Serra.
Se você que não é de São Paulo não acredita no que digo, pergunte a um paulista típico se a Saúde, a Educação, o Transporte, a Segurança etc estão bons. Ele responderá que está tudo horrível. Daí, pergunte de quem é a culpa e ouvirá só criticas a Lula.
Isso acontece porque a classe social esclarecida, que sabe de quem é a responsabilidade por cada quesito supra mencionado, é de direita, abastada e acha que, para manter seus privilégios, é preciso haver desigualdade social. E as camadas sociais que mais sofrem – ainda que todas sofram com problemas que não se resumem aos pobres – são incultas e não sabem que a vida em São Paulo é proporcionalmente pior do que no resto do país por conta do governo do Estado. E não sabem simplesmente porque este governo é invisível na mídia.
O mistério paulista está explicado. Agora, falta explicar como combater tal fenômeno.
Ano que vem, haverá que fazer uma campanha massiva em São Paulo explicando as responsabilidades de cada esfera de governo. Haverá que dizer, por exemplo, que São Paulo não tem metrô porque a esfera de governo encarregada de implantar a rede metroviária é a estadual e não investiu. E denunciar que a imprensa não discute o governo de São Paulo porque é aliada dele.
Parece-lhe uma tática óbvia? Sim, é óbvia. Contudo, nas eleições anteriores nada disso foi feito no âmbito do governo paulista.
Twitter, você ainda terá o seu
No começo, eu não gostava. É que tem muita gente que usa o Twitter para dizer que está com fome ou acaba de lavar o cabelo.
Aliás, como a pergunta que fundamentou a criação da ferramenta é “What are you doing?” (O que você está fazendo?), era isso que as pessoas (sobretudo os jovens) informavam no Twitter. Depois, começou a ser usado muito bem por gente que tem informações a difundir.
É preciso selecionar bem quem você quer seguir, porque, senão, ficará lendo qualquer bobagem que passar pela cabeça de qualquer um. Mas haverá que entrar no Twitter, meus caros.
De uns tempos para cá, estou selecionando criteriosamente aqueles que sigo – inclusive do exterior – e, devido à simplicidade da ferramenta, descobri que informações sobre tudo acabam saindo no Twitter em primeira mão.
Todavia – e este assunto mereceria um post só seu, que ainda farei –, a maioria dos internautas ainda não descobriu esse “universo” que matérias do portal Vermelho revelam que, no Brasil, é mais acessado do mundo, superando inclusive os Estados Unidos, e que o Twitter seria “o futuro” da internet.
Apesar disso, é perceptível que a esmagadora maioria dos internautas ainda não se deu conta da importância que o Twitter está assumindo. No Congresso, por exemplo, há uma disputa renhida entre deputados e senadores para ver quem tem mais seguidores.
Qual é a vantagem do Twitter? É que, selecionando bem quem você segue, você consegue um grande número de informações em pouquíssimo tempo. Numa página só há chamadas para montes de outras páginas que podem lhe interessar. E, muitas vezes, só o título do Twit (post) já diz tudo.
Você ainda terá seu próprio Twitter. É inevitável. Melhor que crie seu perfil lá mais cedo. Deixará de perder muita coisa que está perdendo.
Eventualmente farei um post instrutivo sobre como usar a ferramenta, ou alguém fará antes de mim. Mas é preciso fazer. Blogueiros com milhares ou até dezenas de milhares de leitores têm apenas algumas centenas ou poucos milhares de seguidores, o que revela ainda alto grau de desconhecimento dos internautas sobre o Twitter.
Para otimizar o uso da ferramenta, adicione apenas amigos chegados e perfis informativos. Nem precisa ser de alguém famoso. Basta que o “twitteiro” se dedique a difundir assuntos interessantes.
O meu perfil no Twitter você pode acessar clicando aquiou na lista de sites indicados por este blog, ao lado. Vá até lá conhecer e aproveite para criar o seu perfil.
O Brasil vive hoje uma guerra política e uma disputa entre dois projetos de país. É isso que está em jogo neste momento, ou seja, se mudaremos ou não de projeto no ano que vem. É uma guerra na qual um dos lados decidiu apelar até para a sabotagem para retomar o controle do Estado.
Um desses projetos considera que o Bolsa Família é “esmola”, que em um país com mais da metade da população negra ou descendente de negros estava correto essa população não ter nem um por cento de universitários, que numa crise como esta deve-se cortar gastos públicos em vez de investir dinheiro público para fazer a economia funcionar, que deveríamos continuar fazendo negócios exclusivamente com os EUA e com a Europa etc. E o outro projeto prevê exatamente o oposto.
Nessa guerra política em curso, o projeto que o país rejeitou em 2002 e em 2006 usa seus jornais, tevês, rádios e alguns paus-mandados na internet para tentar pregar no presidente Lula, em seu partido e em seu governo a pecha de corruptos.
Para esse fim, o projeto derrotado nas duas últimas eleições presidenciais cria, através dos seus meios de comunicação, crises políticas e escândalos forjados, alarma a população com epidemias inexistentes que seriam culpa do governo, acusa o projeto de país vigente de se aliar a políticos e a partidos acusados de corrupção enquanto esconde suas alianças com políticos acusados da mesma coisa, diz que tudo que acontece de bom no país é mérito dele pelo que fez no passado e tudo que está ruim é culpa do projeto a que se opõe, tem histórico em seu período de vigência de ter sido favorável a privatizações e a supressão de direitos trabalhistas etc.
O projeto derrotado tenta sabotar o projeto vigente diuturnamente, via imprensa. Com um discurso moralista, acusa o projeto vigente de abrigar políticos e partidos acusados de corrupção. Neste momento, usa essa estratégia para tentar controlar o Senado derrubando o presidente da Casa, que é aliado do governo, visando pôr no lugar dele o segundo senador na linha de comando da Casa, um político contra o qual pesam acusações tão ou mais graves do que as que pesam contra aquele que se pretende derrubar.
Ao cair nas mãos da oposição, a Presidência do Senado permitiria aos oposicionistas dificultarem a vida do governo e impor obstáculos a um projeto de país apoiado por 80% dos brasileiros.
É isso o que está em jogo neste momento, o projeto de país vencedor que manteve o Brasil acima da crise mundial, que está fazendo deste país um player global e que melhorou a vida dos brasileiros como jamais vi em meus 49 anos de vida.
Não contém comigo para sabotar o projeto de país que aprovo. Até porque, hoje vemos gente que votou em Collor em 1989 e meios de comunicação que o apoiaram durante sua disputa com Lula naquele ano cobrando que este não poderia se aliar a um partido que abriga o ex-presidente. Vemos meios de comunicação e pessoas que se calam sobre a aliança de José Serra com Oréstes Quércia cobrar de Lula sua aliança com José Sarney...
É óbvio que, para entoar tal discurso, esses meios de comunicação e essas pessoas têm que se apresentar como apartidários, e dizendo que não é porque o projeto de país derrotado tem um Quércia em suas fileiras que o projeto vigente pode ter um Collor, e que não é porque o senador oposicionista que querem colocar no lugar do atual presidente do Senado sofre tantas acusações quanto este que não se deve fazer a troca.
Bem, se for para falar de quem é mais corrupto, os que acusam o governo de se aliar a corruptos não têm moral para abrir suas bocas. E, para comprovar o que estou dizendo, basta analisarmos o gráfico lá em cima, que mostra o ranking dos 623 políticos cassados em 339 processos julgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entre 2000 e 2006. Nesse gráfico, fica claro que os moralistas não têm moral para dizerem um A quando o assunto é ética na política.
O projeto de país que apóio é responsável por êxitos enormes na economia. E nem vou falar dos avanços sociais, na redução da pobreza, da miséria e da desigualdade. Vou me ater ao que interessa de fato hoje à esmagadora maioria dos brasileiros e que os neo moralistas querem destruir, e que faz com que essa maioria ignore as campanhas difamatórias do projeto derrotado e de seus jornais, rádios, tevês, revistas semanais e paus-mandados na internet, entre outros.
Retirei os dados que vocês lerão abaixo do site do jornalista Luiz Carlos Azenha. Eles mostram por que o Brasil deve travar uma guerra contra aqueles que tentam substituir projeto de país tão exitoso e por que todos devem se lembrar de que no amor e na guerra vale tudo, e por que, estando cercado pelo inimigo, o combatente deve aceitar apoios que, em situações normais, dispensaria.
Números do 2º Trimestre mostram PIB em expansão
Até os especialistas mais pessimistas calculam que haverá um crescimento no PIB de 0,5% no segundo trimestre, e os menos pessimistas falam em mais de 2%.
Com forte impulso do consumo, PIB deixa recessão para trás
Os números de vendas no varejo de maio reforçaram a avaliação de que o consumo das famílias - o principal motor da demanda - avança a um ritmo razoável, impulsionado pela massa salarial que nos 12 meses até maio cresceu 6,6%, descontada a inflação.
Consumidor retoma confiança, quita dívidas e a inadimplência cai
O consumidor começa a recuperar a confiança na economia, decidiu quitar dívidas e planeja comprar mais, embora recorrendo menos ao crediário. Como resultado, a inadimplência no comércio registrou queda de 22,67% no mês de junho em comparação com maio.
PIS injeta R$ 5,2 bi na economia
O pagamento do abono de um salário mínimo (R$ 465) do PIS 2008/2009 alcançou R$ 5,2 bilhões, atendeu o número recorde de 12,7 milhões de trabalhadores e ajudou a movimentar a economia. De acordo com a Caixa Econômica Federal, responsável pelo pagamento, 1,3 milhão de pessoas a mais receberam o benefício em relação ao exercício anterior.
Juros do cheque especial caem para a menor taxa desde 1995
A taxa de juros do cheque especial chegou a 7,54% ao mês em junho, a menor identificada desde 1995, quando se iniciou a apuração das taxas pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Brasil é a bola da vez
O eminente investidor Whitney Tilson está impressionado com a qualidade das empresas brasileiras. Gestor de um fundo hedge americano, Tilson veio ao Brasil para lançar seu livro sobre o problema do mercado de hipotecas de alto risco nos EUA ("subprime") e para conhecer de perto algumas de nossas companhias. Para ele, entre os países emergentes o Brasil é de longe o melhor para investir hoje.
GM anuncia investimento de R$ 2 bi no Brasil e expansão de fábrica no RS
A General Motors do Brasil anunciou investimento de R$ 2 bilhões no país, o que inclui a expansão da sua fábrica em Gravataí (RS) para produção de uma nova família de veículos. Cerca de R$ 1 bi, 50% do investimento, será feito com recursos próprios da GM do Brasil. O restante virá de empréstimos contraídos juntos as bancos estatais. Já estão no projeto o Banrisul e o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento Econômico) e há negociações com o BNDES.
O projeto de país derrotado pelos brasileiros em 2002 e em 2006, bem como seus entusiastas e formuladores, julga-se muito esperto ao usar a sabotagem e o moralismo para recuperar o poder e mudar a rota do Brasil a partir de 2011. Hoje, aproveita-se do controle de impérios de comunicação para acobertar acusações contra si e inflar as que pesam contra o projeto vigente, mas os dados acima explicam por que esse projeto nefasto e seu formulador principal, José Serra, darão com os burros n’água. De novo.
A imprensa oposicionista de direita deitou falação sobre a recente troca de gentilezas entre Lula e Collor nas Alagoas. A imagem de um cumprimento entre o presidente e o ex-presidente ganhou as primeiras páginas dos jornais e amplo destaque nos telejornais.
Editoriais, colunas de jornalistas e de leitores, como era previsível, ficaram coalhados de críticas a Lula por ter confraternizado com o mesmo político que esses mesmos meios de comunicação e leitores defenderam e elegeram contra o mesmo Lula em 1989.
Basta pesquisar os arquivos desses jornais para saber quanto fizeram para eleger Collor há vinte anos. Ficaria evidente como não foi só Lula quem mudou de opinião. Seus críticos da direita não resistiriam à revelação da maioria de suas opiniões pretéritas.
Querem um exemplo? Na década passada, a mídia, o PSDB e o PFL defenderam ardorosamente a mudança da Constituição que permitiu a FHC se reeleger. Hoje, dizem que seria “antidemocrático” mudar as regras do jogo para Lula se candidatar de novo.
Está mais do que na hora de fazer uma ampla pesquisa nos arquivos dos jornais e trazer à tona o que diziam ontem e dizem hoje. A cada vez que acusarem Lula e o PT de terem mudado de opinião, haverá que esfregar o resultado da pesquisa nas caras deles.
Sobre Lula e Collor, é bom que fique claro o seguinte: a democracia precisa ter regras. Se a Justiça não foi capaz de condenar Collor e se ele foi eleito pela vontade popular, até que haja algo novo que o comprometa será preciso respeitar lei e eleitores. Ponto.
Esta semana, em Joanesburgo, durante uma longa corrida de táxi até uma reunião de negócios – a cidade deve ser uma da mais extensas do mundo, com mais de cem quilômetros de uma ponta a outra e 1.644 km² de área total –, eu e o motorista entabulamos um papo interessante sobre seu país.
O vídeo acima revela apenas a parte divertida da conversa. Divertida porque Rumen, o motorista, revelou-se um grande gozador e um cidadão bem informado. Além disso, divertido mesmo é o meu inglês de aeroporto, com o qual poderão se deleitar no vídeo acima e com o qual garanto que, por incrível que possa parecer, já me virei muito bem em outros países.
Fora do vídeo, porém, eu e o motorista conversamos longamente sobre a realidade do país no pós-Apartheid – sempre digo que motoristas de táxi são os melhores sociólogos que existem em qualquer parte do mundo, e foi por isso que confiei nas informações dele.
Fiquei sabendo que, a partir de 1990, com o desmonte progressivo do Apartheid gerado pela pressão mundial, boa parte da população branca emigrou para países como Austrália ou Inglaterra por não aceitar que a maioria negra tivesse direitos civis como os de votar e de viver em cidades como Joanesburgo, onde negros só iam para trabalhar para os brancos, tendo que residir em guetos como Soweto.
Com o fim do Apartheid, a África do Sul também recebeu expressiva onda imigratória de países vizinhos empobrecidos, tais como Botswana, Zimbabwe ou Suazilândia. Para lhes dar uma idéia do que digo, a população do país, segundo meu eloqüente motorista, teria dobrado de tamanho de 1994 para cá por conta da imigração maciça, estimulada, sobretudo, pela eleição de Nelson Mandela.
Percorrendo a cidade, percebi que, de alguma maneira muito mais branda, ainda persiste ali uma espécie de Apartheid bem parecido com o brasileiro. Porém, agora não mais por força das leis, mas da questão econômica, pois os brancos são donos de quase tudo e vivem nas regiões “nobres” dessa enorme cidade, enquanto que a maior parte dos negros ainda vive em guetos.
Contudo, os bairros pobres de Joanesburgo pelos quais passei não abrigam favelas como as que conhecemos. Lembraram-me, digamos, o Harlem nova-iorquino, pelo que vi dele nos filmes.
O resultado da forte imigração oriunda dos países vizinhos foi o acirramento da violência e da criminalidade em altos níveis, segundo meu interlocutor e motorista. Ao ponto de ele não ter me deixado sair do seu Mercedez Benz branco novinho em folha quando fizemos uma parada durante a travessia dessas regiões empobrecidas e habitadas exclusivamente por negros.
De fato, percebe-se que a pobreza e o desemprego produzem na África do Sul o que produzem em qualquer parte do mundo. Suponho que teria um certo temor de andar sozinho pelos bairros mais pobres de Joanesburgo tanto quanto teria, por exemplo, de ir a uma favela paulistana ou carioca controlada pelo tráfico.
Contudo, pode-se ver uma classe média negra emergente mesmo nos bairros mais ricos. Governada por sucessivos presidentes negros de 1994 para cá, agora a África do Sul realmente parece oferecer oportunidades à maioria de sua população, ainda que a riqueza continue, em enorme parte, concentrada nas mãos da minoria branca. Mas, hoje, você entra num bom restaurante e vê famílias negras inteiras.
Um fato alentador: como vocês podem ver no vídeo, o motorista Rumen é caucasiano. Por conta disso, enquanto me falava da criminalidade entre a população negra, cheguei a pensar que se tratava de um racista, mas só até que ele me mostrasse a foto de sua namorada, uma negra belíssima.
Essa é uma das melhores partes do que vi em Joanesburgo. Apesar de o racismo, segundo Rumen, ainda persistir em larga medida na África do Sul, percebe-se que a mentalidade da minoria branca está mudando, ao menos a mentalidade da parte menos abastada dessa população.
Aliás, a desigualdade e o racismo reinantes hoje no país, aparentemente – e apenas aparentemente, porque vi muito pouco dele – lembram os mesmos fenômenos no Brasil.
É claro que, na África do Sul, o racismo explícito é bem menor, porque se pode ver, por exemplo, uma expressiva maioria de negros na publicidade, nas tevês etc. Fiquei encantado com os vídeo-clipes na tevê cantados nas línguas Bantu. A música deles é excitante, agradável aos ouvidos e até um tanto quanto comovente.
Nesse quesito, Apartheid mesmo parece haver no Brasil, um país de maioria negra (mais da metade da população) no qual na publicidade, por exemplo, quase que só se vê gente que deixa a impressão de que vivemos em algum país nórdico.
Estas informações e imagens são apenas parte do que tenho para lhes contar e mostrar sobre a África. Mas esses são assuntos para posts futuros, porque ainda tenho muito o que fazer neste continente até a semana que vem.
A presente tem a finalidade de apelar ao seu bom senso, que acredito que ainda resista, em alguma medida, em sua mente intoxicada por ambições políticas desmedidas, antidemocráticas e autoritárias.
A CPI da Petrobrás foi instalada, como o senhor queria. Aliás, ainda bem. Quanto antes começar – e terminar –, menos os brasileiros perderão. Afinal, devido aos seus interesses político-eleitorais, senhor Serra, a maior empresa brasileira, respeitada internacionalmente, auditada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Controladoria Geral da União (CGU), pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Securities and Exchange Commission (SEC), dos Estados Unidos, perdeu, nos últimos dois meses, 5% de seu valor na Bovespa.
Mas não é só esse o prejuízo que o povo brasileiro está amargando para o senhor tentar aumentar suas chances eleitorais no ano que vem. A CPI está postergando a definição do marco regulatório da exploração do pré-sal, que, aliás, é um dos cavalos-de-batalha dos senhores privatistas tucanos, os quais, a serviço de interesses corporativos na riqueza imensa que jaz no litoral sudeste do país, esperam que o show que estão dando no Congresso dificulte que esse marco regulatório defina um modelo de exploração de tal riqueza que contemple o conjunto da sociedade em vez dos grupelhos de sempre.
Nem lhe peço que segure seus cachorros loucos na mídia, governador. Na verdade, começo a achar que eles, ao praticarem tudo o que praticam a seu mando, acabam mostrando ao país quem é o senhor, haja vista em que as pesquisas de opinião mostram que, quanto mais o senhor manda latirem acusações ao presidente Lula e à ministra Dilma Roussef, mais populares eles se tornam. Peço apenas, portanto, que o senhor reflita sobre o caso específico da Petrobrás.
Sua “estratégia”, governador, pode se converter num tiro em seu pé. Ao fim da CPI, que terminará como todas as outras nos últimos seis anos, o que restará será o prejuízo causado à maior e mais conceituada empresa brasileira. Aí, porém, tenha certeza de que os responsáveis serão apontados, em plena campanha eleitoral, como os sabotadores do país que são.
É óbvio, senhor Serra, que não estou preocupado com o fato de o senhor estar praticando tiro ao alvo no próprio pé. Por mim, pode despedaçá-lo a tiros que acharei ótimo. Contudo, o problema é que o senhor atira em seu pé e seremos nós, o povo, que pagaremos a conta de sua auto-mutilação.
Depois de o senhor mandar sua tropa de choque no Congresso praticar esse atentado contra o país, sei que não dá para retroceder. Mas será tanto melhor se o senhor segurar seus cães midiáticos e parlamentares. Melhor para o senhor, para seus partidários e para o país. Deixe, pois, que a CPI navegue em águas mornas, governador. A cada factóide, sua dívida com o país crescerá. Prefiro que não cresça. Que o senhor seja derrotado só por sua falta de propostas, pois assim o Brasil perderá bem menos.
Segundo uma “aspone” de José Serra hoje no Painel do Leitor da Folha de São Paulo (vide abaixo), o governador invisível (na mídia) não precisa inflar seu currículo.
Ela mesma (aspone), porém, inflou a premiação fajuta que o tucano recebeu de uma ONG metida em montes de escândalos com dinheiro público e fundada em Curitiba por uma tucana.
A ONG tucana "com sede em Paris" não pode ser comentada com um mínimo de profundidade nem pela Folha nem pela "aspone" serrista, pois os fatos sobre ela (ONG) a desmontam.
Não é surpresa que Serra infle seu currículo com premiações fajutas. Ele já havia se apropriado do programa da aids dos doutores Adib Jatene e Lair Rodrigues e dos genéricos de Jamil Haddad.
Os blogs e sites de "menor repercussão", como diz a "aspone" abaixo, pelo visto não são de repercussão tão pequena. Aliás, como signatário do blog que levantou a bola da premiação fajuta de Serra, sinto-me recompensado pela carta dela.
Enquanto isso, o leitor da Folha fica se remoendo de curiosidade quanto a esse caso. E poderá esperar sentado para saciá-la.
FOLHA DE SÃO PAULO
PAINEL DO LEITOR - 14 DE JULHO DE 2009
"Texto de Ricardo Melo dá curso a boataria que circulou nos últimos dias pela internet, em sites e blogs de menor repercussão. Repete o jornalista que o governador Serra teria atribuído à ONU um prêmio recebido na semana passada, outorgado por uma ONG.
Como consta de todo o material distribuído sobre a homenagem, em momento algum o governador ou sua assessoria disseram diferente: o prêmio é da WFO (World Family Organization), entidade com sede em Paris, filiada à ONU e fundada em 1947. É, ao mesmo tempo, endossado pelo Comitê Econômico e Social (Ecosoc) da ONU.
Durante reunião anual do Ecosoc (entre os dias 6 e 9 últimos) na sede europeia da ONU, em Genebra, o prêmio foi entregue ao governador, como um dos eventos dessa reunião plenária, na presença de jornalistas brasileiros.
Acrescente-se que não é prática do governador ostentar títulos que não tem. Primeiro, porque não seria ético. Segundo, porque seu currículo dispensa maquiagens."
JUNIA NOGUEIRA DE SÁ, coordenadora de Comunicação e Imprensa da Secretaria de Comunicação do Governo de São Paulo (São Paulo, SP)
Sempre ela, a Folha de São Paulo, para “inovar”. Infelizmente, são inovações para lá de ruins para o jornalismo e boas para certos políticos bicudos. Agora, a Folha criou o jornalismo cifrado.
Apesar de estar fora do país, do outro lado do Atlântico, não consigo me desconectar do Brasil. Lendo a Folha deste 13 de julho, deparei com a coluna de alguém chamado Ricardo Melo na página A2 do jornal.
Entre outros casos políticos (além do caso Sarney, do qual ninguém agüenta mais ouvir falar), o colunista destaca um envolvendo a ministra Dilma Rousseff e outro envolvendo o governador José Serra.
Sobre Dilma, Melo requenta a história dos títulos de doutorado e de mestrado que constavam do currículo da ministra no site do governo. Mas, pasmem, o colunista falou também daquela premiação fajuta do Serra... Lembram-se?
Para quem não sabe, na semana passada Serra viajou à Europa (por conta do contribuinte quadrúpede de São Paulo) para receber “da ONU” um “prêmio como melhor ministro da Saúde”. Era uma farsa, o prêmio era de uma ONG brasileira amiga dos tucanos e metida em escândalos com dinheiro público. A ONG picareta apenas usou uma sala emprestada numa instalação da ONU.
Leiam o texto cifrado, abaixo. Comento logo em seguida.
FOLHA DE SÃO PAULO, 13 de julho de 2009
RICARDO MELO
Só depois das cinco
SÃO PAULO - O presidente do Senado, José Sarney, pode tentar o quanto quiser, mas nada apaga a certeza de que, por conivência ou omissão, patrocinou uma rede de compadrio à custa de recursos públicos. Dinheiro este que certamente o Maranhão agradeceria tivesse sido utilizado para mitigar a miséria do Estado que deu fama e fortuna ao senador.
Presidencialista, o regime brasileiro descarta a dissolução do Legislativo e convocação de eleições parlamentares em situações de calamidade como a do Senado. Resta, portanto, a alternativa de trocar Sarney... por quem? O tucano Arthur Virgílio, que ora posa de vestal, ainda não conseguiu explicar sua estadia em Paris às expensas da Agacieltur. Marconi Perillo, o vice, ostenta currículo tão embaraçado -e embaraçoso- que o próprio PSDB teme virar a bola da vez caso o posto caia no colo do correligionário.
O PT talvez seja o mais PatéTico. Sai de guarda-chuva no sol e veste sunga em pleno temporal. Seu ex-candidato, Tião Viana, foi pilhado gastando dinheirama alheia para custear o celular da filha. Agora, o partido pede licença a Lula para pedir a licença de Sarney e nem sequer isto consegue. Como último recurso, seus senadores aparentam crise existencial e invocam "a governabilidade" -mantra para disfarçar a acomodação completa aos confortos do poder.
Ah, existe o DEM. Isso mesmo, aquele que apoiou Sarney e, antes disso, todos e qualquer um, e que finge cara de susto diante dos escândalos sem fim...
A má notícia: o que está por vir é desanimador. Num país em que a candidata da situação ao Planalto maquia até o currículo e o rival da oposição recebe mimo de ONG dizendo que é prêmio da ONU - num país assim, a melhor opção continua a ser tocar a vida, vigiar os políticos e, em dia de eleições, sair de casa só depois das cinco.
Nojento, não? O colunista fala sobre uma notícia que o jornal em que escreve não deu. A quase totalidade dos leitores da Folha ficou sem saber quem é o “rival da oposição” que “recebe mimo de ONG dizendo que é prêmio da ONU”. E não entendeu do que se trata.
O leitorado da Folha entendeu a questão do currículo de Dilma, claro, porque o jornal ficou publicando matérias e cartas de leitores sem parar sobre o assunto, mas não sabe quem é o “rival” de Dilma que inventou um prêmio da ONU para si.
Agora, a Folha inventou o jornalismo cifrado, exclusivo para videntes, para aqueles dotados de capacidade mediúnica para adivinhar do que é, diabos, que o jornal está falando quando comenta notícias que não publicou.
Ah, falando nisso, vocês querem saber o que foi que a Folha publicou sobre o prêmio fajuto de Serra? Então tomem:
FOLHA DE SÃO PAULO, 9 de julho de 2009
GOVERNOSERRA RECEBE PRÊMIO POR ATUAÇÃO NA SAÚDE
O governador José Serra foi homenageado ontem pela Organização Mundial da Família pela atuação na área da saúde como ministro do governo FHC. Na sede da ONU em Genebra, Serra lembrou as políticas que implementou, como a quebra de patentes de medicamentos para o tratamento da Aids. A outra escolhida, Cherie Blair, ex-primeira-dama britânica, não compareceu.
Livro de Altamiro Borges
Altamiro Borges, o blogueiro mais simpatico do país e que me apresentou a um nectar dos deuses chamado "Seleta", acaba de lançar seu livro sobre a mídia. Abaixo, a capa da obra do Miro e, a seguir, sua apresentação formal.
A mídia hegemônica vive um paradoxo. Ela nunca foi tão poderosa no mundo e no Brasil, em decorrência dos avanços tecnológicos nos ramos das comunicações e das telecomunicações, do intenso processo de concentração e monopolização do setor nas últimas décadas e da criminosa desregulamentação do mercado que a deixou livre de qualquer controle público. Atualmente, ela exerce a sua brutal ditadura midiática, manipulando informações e deturpando comportamentos. Na crise de hegemonia dos partidos burgueses, a mídia hegemônica confirma uma velha tese do revolucionário italiano Antonio Gramsci e transforma-se num verdadeiro “partido do capital”. Por outro lado, ela nunca esteve tão vulnerável e sofreu tantos questionamentos da sociedade. No mundo todo, cresce a resistência ao poder manipulador da mídia, expresso nas mentiras ditadas pela CNN e Fox para justificar a invasão dos EUA no Iraque, na sua ação golpista na Venezuela ou na cobertura tendenciosa de inúmeros processos eleitorais. Alguns governantes, respaldados pelas urnas, decidem enfrentar, com formas e ritmos diferentes, esse poder que se coloca acima do Estado de Direito. Na América Latina rebelde, as mudanças no setor são as mais sensíveis. No caso do Brasil, a mídia controlada por meia-dúzia de famílias também esbanja poder, mas dá vários sinais de fragilidade. Na acirrada disputa sucessória de 2006, o bombardeio midiático não conseguiu induzir o povo ao retrocesso político. Pesquisas recentes apontam queda de audiência da poderosa TV Globo e da tiragem de jornalões tradicionais. O governo Lula, com todas as suas vacilações, adota medidas para se contrapor à ditadura midiática, como a criação da TV Brasil e a convocação da primeira Conferência Nacional de Comunicação. Este quadro, com seus paradoxos, coloca em novo patamar a luta pela democratização da mídia e pelo fortalecimento de meios alternativos, contra-hegemônicos, de informação. Este desafio se tornou estratégico. Sem enfrentar a ditadura midiática não haverá avanços na democracia, nas lutas dos trabalhadores por uma vida mais digna, na batalha histórica pela superação da barbárie capitalista e nem mesmo na construção do socialismo. Aos poucos, os partidos de esquerda e os movimentos sociais percebem que esta luta estratégica exige o reforço dos veículos alternativos, a denúncia da mídia burguesa e uma plataforma pela efetiva democratização da comunicação. O livro A ditadura da mídia tem o modesto objetivo de contribuir com este debate. Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política. Ela não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação. O livro foi prefaciado pelo professor Venício A. de Lima, um dos maiores especialista no tema no país, e apresenta também um comentário do jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ele reúne cinco capítulos: 1- Poder mundial a serviço do capital e das guerras; 2- A mídia na berlinda na América Latina rebelde; 3- Concentração sui generis e os donos da mídia no Brasil; 4- De Getúlio a Lula, histórias da manipulação da imprensa; 5- Outra mídia é urgente: as brechas da democratização. O exemplar custa R$ 20,00. Na venda de cotas para entidades sindicais e populares (acima de 50 exemplares), o valor unitário é de R$ 10,00. Para adquirir sua cota, escreva para: aaborges1@uol.com.br.
Viajo neste domingo a Luanda, capital de Angola. Passarei a semana que ora começa naquele país. No próximo domingo, deixo Luanda para visitar, pela primeira vez, Joanesburgo, na África do Sul.
Depois de ter ido a Angola no ano passado, passei a pregar que todos façam uma viagem como essa. Mudaria a mentalidade de muita gente...
A estereotipada África, de tantas tristezas humanitárias, é também a melhor possibilidade de negócios ligados à infra-estrutura, atualmente. E é também um exemplo comovente de como povos oprimidos e roubados por mercenários de outros continentes durante séculos estão conseguindo se erguer.
Há tudo por fazer na África para atender a legiões de seres humanos privados de qualquer facilidade da vida moderna, como saneamento básico, estradas, hospitais, escolas, habitações dignas etc.
É por isso que o mundo se voltou à África. Países como China, Alemanha, Estados Unidos e mesmo o Brasil estão investindo e buscando negócios no continente antes esquecido por séculos e séculos, até o começo desta década.
Países como Angola e África do Sul estão vendo surgir uma nova classe média e explodir a demanda por serviços públicos básicos mesmo entre as populações mais carentes, que constituem a grande maioria dos africanos.
Mas o que é mais impressionante hoje na África – e isso eu vi de forma muito clara em Angola no ano passado – é a busca pelo conhecimento e por interligação daquelas culturas com as principais culturas do mundo desenvolvido.
O angolano busca instrução, conhecimento, especialização em montes de áreas nas quais o país ainda emprega mão de obra estrangeira. Os angolanos estão se preparando para formar uma classe educada e preparada para atender às demandas de seu mercado por profissionais em incontáveis áreas profissionais.
O ritmo do crescimento africano é alucinante. Angola, por exemplo, tem chegado a crescer, em média, 20% ao ano, graças ao petróleo, aos diamantes e ao ouro que possui em profusão em seu subsolo.
Mas há também uma vastidão de outras riquezas no subsolo africano. Na viagem anterior, voltei conversando no avião com um jovem engenheiro carioca que estava morando na selva angolana nas obras de extração do subsolo e de industrialização de uma fonte de água que, no dizer do rapaz, seria “a mais pura do mundo”.
Quero tentar mostrar essa África a vocês nas próximas duas semanas. A África que se desenvolve, que anseia, que luta por um futuro melhor. Um continente que se ergue velozmente e que estimo que na próxima década se aproximará, em termos de qualidade de vida, de países como os da Ásia ou da América Latina.
O blog nesse período
A partir deste domingo e durante a próxima semana, postagens e liberações de comentários serão feitos uma vez ao dia.
Em Angola, participarei de uma feira do meu segmento de atividade e também terei algumas restrições quanto a uso de internet.
A partir do próximo domingo, o blog deverá retomar alguma normalidade, pois em Joanesburgo terei maiores facilidades de agenda e com a internet.
Minha visão sobre os assuntos brasileiros e mundiais estará prejudicada. Pretendo aproveitar a viagem para também refletir muito sobre o nosso país...
Acredito que esse desligamento da realidade brasileira favorecerá meu trabalho neste blog.