Deuses pagãos necessitam de rituais de sacrifício para seu sustento e para a manutenção de seu poder, que diminuiria sem tais rituais.
O objeto do sacrifício é utilizado para realizar uma troca com esses deuses profanos, que distribuiriam favores em retribuição à saciedade de sua sede de sangue.
A vítima a ser sacrifícada é oferecida de forma a aplacar a ira de deuses vingativos, redimindo, de forma simbólica, os pecados dos homens.
Em verdade, trata-se de uma forma de se poder continuar pecando sob a crença de que depois poder-se-á imolar um dentre o próprio grupo e purgar aqueles pecados.
A teologia do sacrifício também tem origem na covardia, no medo de trilhar o caminho virtuoso, buscando atalho para expiar a culpa de muitos através do objeto expiatório.
Nenhum homem deixará de ter pecado ao sacrificar um semelhante que pecou da mesma forma. Pelo contrário, agravará os próprios pecados.
Os que crêem que oferendas a deuses furiosos podem trazer segurança, ignoram que segurança nenhuma advém das fugas, pois ninguém pode fugir eternamente.
Nas cerimônias hebraicas do Yom Kippur, um bode era apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como oferenda aos deuses. Era o bode expiatório.
Algumas invenções do homem nunca deixarão de ser usadas, por sua interminável serventia.
Todo abuso será julgado
Atingiu as raias do absurdo esse processo censor e antidemocrático nesses grandes meios de comunicação que atingem milhões de pessoas de uma só vez e em curtíssimo espaço de tempo. Aos que discordam desse impedimento à livre expressão de quem se opõe às teses da oposição ao governo Lula, restou apenas a internet.
A televisão, uma concessão pública, foi apropriada por grupos empresariais ligados ao PSDB e ao DEM. Ao menos as Organizações Globo, o Grupo Sílvio Santos, a rede Bandeirantes, a TV Gazeta, o Grupo Folha de São Paulo, a Editora Abril, o Grupo Estado e outros afiliados a estes conseguiram esmagar qualquer dissonância de seus discursos políticos.
Nesse processo, a derrubada do senador José Sarney da Presidência do Senado tornou-se um ponto de “honra” para a mídia oposicionista, que não pára de bater nessa tecla um só dia, assustando a classe política, inclusive aquele PT dos aloprados de São Paulo e outros parlamentares petistas que sempre se acovardam diante do dragão midiático em momentos como este.
Restou um presidente Lula solitário, há quase sete anos sustentando seu governo à revelia das besteiras que comete o PT, e que, ciente de que a mídia e a oposição nem estão pensando mais em causar dificuldades ao seu governo na aliança com o PMDB, mas na exibição de poder que poderá ser usada em momentos chave para inibir a adoção de políticas públicas, tenta resistir de todas as formas para não ceder vitória tão grande.
É um poder de chantagem e de retaliação acima da democracia o que a mídia e a oposição querem consolidar. O poder de mudar o comando das instituições, até da Presidência da República. É um poder que, se lhes for devolvido, poderá tornar o Brasil um feudo – ou mantê-lo como o feudo que sempre foi.
Mas tudo isso tem um limite, pois há um momento-chave para esse processo de auto-afirmação de poder da mídia ser julgado. Nesse momento, poderá sair vencedor ou ser fragorosamente derrotado, e esse momento será a eleição presidencial de 2010.
Haverá uma prévia da tendência das coisas, porém. Cedo ou tarde, terá que sair uma pesquisa sobre a popularidade de Lula e de Dilma Rousseff, e se as tendências dos últimos tempos de ambos se fortalecerem a cada pesquisa mudarem ou se mantiverem, é esse resultado que dirá se o poder da mídia está se consolidando ou agonizando.
Para a mídia e para a oposição, é vital que haja uma queda da popularidade de Lula e de Dilma. E, do jeito que vão as coisas, não duvido de que tentem fabricar essa queda, mesmo correndo o risco de alguma pesquisa independente mostrar o contrário.
Nesse jogo, se o governo Lula e o PT tiverem juízo ficarão muito atentos a pesquisas e encomendarão também as suas. Se estiverem atentos...
Daqui a um ano e pouco, o Brasil poderá ser entregue a meia dúzia de grupos empresariais donos de grandes meios de comunicação ou poderá se manter no rumo de evolução política e social em que ingressou em 2002. Se a mídia perder, o Brasil se tornará, por fim, um país independente de fato.
A mídia canta de galo, tripudia sobre os que tem o poder de calar, mas sabe que, ao lado da grande vitória que poderá obter no ano que vem ao recuperar o controle do Estado para a elite étnica de direita, jaz a maior derrota que poderá ter sofrido em toda a história. Sabe que todo o abuso que está praticando, será julgado.
Denúncia!
Fonte que tenho dentro do jornal Folha de São Paulo acaba de me informar de que está sendo preparada pesquisa forjada mostrando queda da popularidade de Lula e de Dilma.
Luis Fernando Veríssimo e eu
Só que, ele, depois de mim - e com mais talento:
E o mito cristão não é cíclico. Ele rompe a reincidência protelatória do mito judaico e a dos eternos retornos do mito grego. Seu herói venceu, expiou a culpa coletiva transformando-se por nós no seu próprio pai sem precisar matá-lo, e em vez de um acordo como o de Isaac com Abrahão com a benção de Jeová ou a submissão a um destino trágico como a de Édipo, trouxe uma novidade que nenhum mito, antes, oferecera: a salvação.
Você está indignado com José Sarney porque ele conseguiu um emprego no Senado para o namorado de sua neta? Ok, pode ficar indignado. O que se depreende do fato, claro, é que Sarney e sua família tratam cargos públicos como se fossem de sua propriedade.
O que você não tem direito de aceitar, porém, é que todos os outros homens públicos que usam a mesma prática, bem como a imprensa que só faz alarde desse tipo de caso quando lhe interessa, apontem o dedo única e exclusivamente para Sarney. Isso é hipocrisia do pior tipo.
No fim de março, por exemplo, descobriu-se que, tanto quanto o namorado da neta de Sarney, a filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Luciana Cardoso, recebia proventos do gabinete do senador pefelista Heráclito Fortes sem aparecer no Senado para trabalhar, e ainda recebendo mais de R$ 7 mil mensais por isso, fora os benefícios.
O assunto, porém, ficou nas páginas internas dos jornais por dois ou três dias e nem deu as caras na tevê. Pergunte-se por que...
Alguns expoentes da imprensa oposicionista tais como o colunista e blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, por exemplo, “explicaram” a situação da filha de FHC dizendo que não viam nada demais no caso, pois quando se trabalha em casa acabar-se-ia “trabalhando mais” do que no local de trabalho de fato.
Diante disso, a rebenta de FHC pediu “demissão” do emprego no qual não trabalhava, e foi só. O caso ficou por ali, ao menos na imprensa, o que suscita várias questões:
Por que, com o namorado da neta de Sarney, está sendo feito todo esse auê na imprensa se com caso até pior da filha de FHC (porque ela não aparecia para trabalhar) não aconteceu o mesmo? Aliás, por que Sarney está pagando sozinho pelo que atinge quase todo o Senado e os partidos de oposição e governistas?
Repito a questão: por que grandes jornais, tevês, rádios e blogueiros (Noblat, Josias, Esgoto etc) ligados a essa mídia aliada do PSDB e do PFL vêm dedicando 80% dos espaços que controlam a desancar Sarney se quando se descobriu fato tão grave quanto sobre a filha de FHC eles todos mal noticiaram o assunto?
E quando o PSDB, o PFL e a imprensa associam Sarney a Lula por este se revoltar contra o massacre seletivo àquele, será que partidos e meios de comunicação oposicionistas acham que conseguirão com isso abalar agora a popularidade do presidente apesar de que ataques muito piores a ele nos últimos 6 anos só fizeram sua popularidade subir?
Claro que não. O objetivo é derrubar Sarney e pôr o tucano Marconi Perillo no lugar dele para travar os projetos do governo no Senado, pois a Presidência da Casa tem esse poder. Daí, entraríamos no ano eleitoral de 2010 com o governo sem conseguir aprovar mais nada no Congresso, pois tudo que a Câmara baixa votar tem que ser ratificado pela Câmara alta.
Se não fosse assim, o noticiário falaria de todo nepotismo, de todos os desvios de que acusam Sarney, mas frisando que começam pelo presidente do Senado e se estendem a este, àquele e aquele senadores, citando um a um, o partido de cada um e ressaltando que, indiferentemente de partido político, região do país, ideologia etc., ninguém tem moral para criticar ninguém.
Mas não, o noticiário faz crer que a derrubada de Sarney terá o condão de pôr as coisas nos seus devidos lugares. Enquanto isso, essa mesma imprensa não cobra investigação do caso da filha de FHC, um dos mais críticos em relação a Sarney.
Para atingir esse objetivo, a coalizão formada por PSDB, PFL, Grupo Folha, Grupo Estado, Editora Abril, Organizações Globo, Rede Bandeirantes, TV Gazeta e todos os outros jornais, rádios e tevês afiliadas que gravitam em torno dos veículos nominados tratam de promover uma guerra psicológica contra a família Sarney.
O objetivo é abalar moralmente inclusive os membros mais frágeis dessa família para que pressionem o patriarca para que desista e eles sejam todos deixados em paz, pois a família deve estar no limite da exaustão mental, o que pode explicar, inclusive, a esposa do presidente do Senado, dona Marli, ter rolado de uma escada e fraturado a clavícula em cinco lugares nesta quinta-feira.
A neta de Sarney cuja voz aparece nas gravações divulgadas na quarta-feira é obviamente bastante jovem e provavelmente deve estar desmoralizada junto aos amigos, colegas de escola, vizinhos etc. É quase possível vê-la aos prantos junto da avó e do pai (este também alvo dos ataques) por ter participado de uma prática comum a tantos pares do avô que, apesar de terem usado tais expedientes, agora o acusam “indignados”.
A mesma guerra psicológica e hipócrita já foi desencadeada contra outros políticos acusados exclusivamente por práticas que, na verdade, são comuns a grande parte de seus acusadores na classe política, os quais, por integrarem os partidos aliados à imprensa que denuncia, são sempre poupados.
É uma guerra política. Se Lula ceder seu governo acabou, no que depender do Legislativo. Só poderá governar com o que não depender daquele Poder. O Senado barrará todas as iniciativas da Câmara, onde o governo federal tem maioria.
Essa é a razão para só estarem acusando Sarney por práticas que envolvem praticamente todos os seus pares, independentemente se de partido do governo ou da oposição. E aí cabe a cada cidadão decidir se é isso o que quer para o país, que seu governo fique manietado até 2011 num mundo que atravessa a pior crise econômica dos últimos 80 anos.
Vale lembrar que, se o governo não puder funcionar normalmente, o prejuízo será da população, sobretudo da população mais pobre, mas com efeitos nefastos em todas as classes sociais.
O que fazer, então? Deixar tudo como está para Sarney?
Bem, por mim, podem malhá-lo feito Judas, contanto que façam o mesmo com cada um dos que têm o mesmo tipo de supostos passivos “éticos” pesando contra si, a começar pela filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Domingo, 19 de julho, caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo:
Gripe suína pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas
Difícil o cidadão comum ler essas manchetes, e não se apavorar. Quem ainda tem na memória a epidemia midiática de febre amarela de 2008, é impossível não se indignar. Um verdadeiro crime contra a saúde pública foi cometido pela mídia corporativa. O pânico desencadeado pela combinação de má-fe e incompetência de grande parte da imprensa levou milhões de pessoas a se vacinar inutilmente e a correr riscos desnecessários devido aos efeitos colaterais. Duas morreram estupidamente.
Nem bem cheguei ao Brasil – passei onze dias na África – e, antes de poder sequer sonhar em descansar, já encontro uma nova situação que me afasta da família, do descanso e da serenidade.Vamos, então, ao trabalho. Afinal, o cidadão que tem um pingo de consciência não consegue se abster de fazer sua parte quando vê seu país, a ordem pública e a paz social ameaçados por bandidos ligados a escroques do porte de um Daniel Dantas como são os jagunços midiáticos.
Só que, desta vez, vejo-me obrigado a abordar o assunto por outro ângulo.
Nos três anos e tanto que tem este blog, leitores entusiastas de partidos e de políticos de direita me pedem que critique o governo Lula. Finalmente chegou a vez deles. Vou criticar, e é agora.
Vocês acham que a mídia extrapola, que pratica moralismo seletivo, que promove alarmismo? Bem, tenho elementos mais do que suficientes para concluir que o maior culpado disso tudo é o governo que tem sido vitimado (junto com a sociedade) pela irresponsabilidade, pela corrupção e pela manipulação midiáticas.
Senão, vejamos:
1 – A mídia acusa Sarney e outros parlamentares, todos da base do governo Lula no Congresso, por corrupção, por nepotismo e por “atos secretos”. Agora, meios de comunicação divulgam ilegalmente – e seletivamente – gravações da Polícia Federal de conversas da família Sarney de um teor que mostra apenas um mal (nepotismo) que envolve praticamente todos os políticos de casas legislativas do país.
2 – Todos os dias, a mídia critica e acusa só o governo Lula e governos e parlamentares de partidos da base de apoio do governo no Congresso. Essa é a condição para criticar e denunciar políticos: serem do governo Lula ou ser o próprio Lula.
3 – Temos uma epidemia mundial de gripe (a dita “gripe suína”) de letalidade igual ou menor do que a da gripe comum, no Brasil o problema é infinitamente menos grave do que na maioria dos outros países e a mídia alarma a população, fazendo congestionar o sistema público e privado de saúde sem a menor razão.
E o que fazem o presidente e seu governo, bem como seus aliados, sobre a seletividade nas denúncias midiáticas? Quando estes ousam fazer alguma crítica tímida à mídia, apesar de terem todo espaço do mundo para ressaltarem que essas denúncias e críticas são seletivas e poupam os partidos e governantes da oposição de direita, não dizem o que deveriam dizer, ou seja, que são denúncias seletivas.
Por que, diabos, Lula ou outras autoridades do governo não denunciam ao país que a mídia poupa o PSDB, o PFL, José Serra e companhia?
Por que não perguntam, publicamente, por que a mídia de São Paulo não pressiona o governo de São Paulo (Serra) a não bloquear os oitenta pedidos de CPI parados na Assembléia Legislativa paulista?
Por que não exigem que a mídia não critique e denuncie apenas Sarney e outros da base do governo, mas os políticos de todos os partidos contra os quais pesam denúncias tão ou mais graves?
Pior ainda – e por isso deixei por último – é essa volta do alarmismo midiático quanto a um surto de doença, como no caso vigente da gripe H1N1.
Em março do ano passado, a ONG que fundei em 2007 – e que presido até o momento –, o Movimento dos Sem Mídia, protocolou uma representação no Ministério Público Federal contra vários jornais, revistas e tevês por crime de alarma social no âmbito de outra campanha alarmista promovida por esses veículos em janeiro de 2008, relativa a um surto sazonal de febre amarela.
E só para ilustrar a questão, informo, abaixo, os veículos representados:
Grupo Folha
Grupo Estado
Organizações Globo
Editora Abril
Revista IstoÉ
Jornal Correio Brasiliense
Jornal do Brasil
O surto de febre amarela de 2008 foi muito menor do que o de 2000, quando o ministro da Saúde era José Serra. Contudo, ano passado o alarmismo da mídia fez o Brasil quadruplicar o número de aplicações de doses de vacina em relação a 2000 e fez com que, ao fim de janeiro, houvesse mais pessoas doentes por conta da vacina contra febre amarela do que pela doença propriamente dita. E ainda fez pessoas morrerem por conta do medicamento, que tomaram sem necessidade movidas apenas pelo noticiário.
Em novembro do ano passado, o Movimento dos Sem Mídia, por meu intermédio, promoveu uma segunda juntada de documentos à denúncia que fez ao MPF. Tratou-se de um estudo conseguido pela jornalista especializada em Saúde Conceição Lemes no Ministério da Saúde.
O estudo, intitulado Auditoria de Imagem, é feito pelo MS periodicamente e versa sobre o comportamento da mídia quanto aquele ministério. E o estudo conseguido por Lemes mostrou comportamento atípico da mídia em 2000 – quando o ministro da pasta era Serra – em relação ao comportamento dela no ano passado. Em 2000, a mídia fez uma cobertura sóbria, e no ano passado, alarmista.
O MPF, ao receber o estudo em tela, pediu ao MS que confirmasse a veracidade daquele estudo, do que se depreende que, se fosse confirmado, haveria elementos suficientes para processar criminalmente os veículos de comunicação representados pelo Movimento dos Sem Mídia.
Bem, o resumo da ópera é que estamos chegando a agosto e, até agora, o Ministério da Saúde não respondeu ao MPF, apesar de este já ter reiterado três vezes o pedido de informações àquele ministério. Ou seja: o MS sentou em cima do processo. Recusa-se a colaborar com o combate ao mesmo alarmismo que está de volta, incentivando que a mídia volte à prática que chegou a matar algumas poucas pessoas e fazer dezenas de outras irem parar no hospital no ano passado.
Ora, se o próprio governo Lula, por omissão, ajuda a mídia a ser seletiva em suas denúncias e incentiva que promova alarmismo quanto a surtos de doenças que acabam gerando traumas enormes para o sistema público de Saúde do país, a conclusão a que posso chegar é inevitável: a culpa pelo moralismo, pelas denúncias seletivas e pelo alarmismo da mídia é de ninguém mais, ninguém menos do que do próprio governo Lula.
Escrevo do aeroporto Oliver Tambo, em Joanesburgo. São 10h44m, agora. Cinco horas à frente do Brasil.
Achei uma “sala VIP” já na área de embarque, a qual, ao custo absurdo de 40 dólares, oferece um exagerado breakfast e o tão desejado acesso à internet.
Daqui a uma hora e meia embarco para o Brasil. Serão cerca de 11 horas de vôo.
Antecipei minha “volta” a este blog para deixar à vossa apreciação vídeo que transplantei da câmera para o notebook e editei durante meu exílio da internet.
Amanhã volto com a corda toda, mas só à tarde. Pretendo dormir até cansar, quando chegar aí.
PS: minha filhota pré-jornalista continuará a mediação dos comentários até amanhã
O último sábado foi do jornalista Luis Nassif. Publicou em seu blog um post intitulado “O último suspiro de Serra” e tocou fogo na Blogosfera. Até a última vez em que olhei, havia quase OITOCENTOS comentários, um número absurdo num país como o Brasil. Coisa de blog americano.
A tese dele sobre a derrocada da candidatura do governador paulista à Presidência foi construída por alguém que conhece a mídia corporativa por dentro. Sobretudo por isso, pareceu para lá de convincente. Nassif disse, para resumir, que os métodos de Serra, seu domínio sobre a mídia e a sofreguidão com que esta se lança contra o governo assustaram a sociedade, as elites empresariais e políticas. Haveria desespero de causa da mídia e de seu chefe.
Contudo, vimos coisa igual em 2005 e 2006. Esse fato não poderia solapar a teoria de Nassif? Essa guerra contra o governo, agora com a tática de paralisar o Congresso, não poderia estar decorrendo de a mídia achar que o que não deu certo com Lula em 2006 poderia funcionar com Dilma no ano que vem porque ela não é Lula?
A favor da teoria de Nassif, alguns dirão que há uma diferença básica: em 2005 e em 2006 havia um fato real a explorar, o “mensalão”, e hoje não haveria, pois os tais atos secretos pegam todo mundo, dos senadores do governo aos da oposição.
Aí eu discordo. Tucanos e pefelês meteram-se com Marcos Valério tanto quanto petistas e outros da base aliada. De novo, escondem oposicionistas enroscados e expõem só os governistas, ora.
Forçar a entrega da Presidência do Senado ao PSDB e a desmoralização da Petrobrás poderiam objetivar apenas a paralisação dos projetos governamentais e a definição do marco regulatório do pré-sal, de forma a diminuir os ativos eleitorais do governo ano que vem. Não se trataria, pois, de desespero de causa...
Nassif, porém, levantou a teoria do desespero de Serra com a rápida ascensão e aceitação da candidatura Dilma e com uma rejeição crescente a si e aos próprios métodos fascistóides, o que o estaria levando a acionar suas armas mais poderosas tão antes do período eleitoral.
Contudo, colunistas da imprensa serrista já andaram corroborando a teoria de Nassif de que o tucano poderia estar querendo desistir.
Além disso, Nassif vem de dentro do sistema midiático. Ele sabe o que rola ali dentro. É bem possível que a resistência a Serra esteja realmente crescendo fora de controle.
Vejam o caso do PMDB. Outrora aliado de Serra, está vendo que alimentar a máquina midiática como fez quando esteve aliado ao PSDB durante o governo FHC pode servir hoje, mas, amanhã, ela pode se voltar contra aqueles aos quais serviu ontem.
Até no próprio PSDB e no PFL parece que os métodos de Serra e seu controle sobre a mídia começam a assustar, pois, como se sabe, políticos que estão hoje do lado de cá amanhã podem estar do lado de lá.
A tendência de Serra querer destruir seus adversários, de vencê-los fora das urnas, porém, não é nova. Em 2002, ele destruiu as candidaturas Roseana Sarney e Ciro Gomes. E note-se que, apesar de haver o que escandalizar no que diz respeito à filha do presidente atual do Senado, Serra destruiu a candidatura Ciro com bobagens.
Ora, se não é de agora que se sabe quem é Serra e o que a mídia pode fazer pelos políticos que a subornam suficientemente, a teoria de Nassif de que a candidatura tucana preferida da direita estaria ferida de morte não estaria prejudicada?
Em 2002 e em 2006, Serra já era Serra e a mídia já era a mídia. O que mudou agora? Talvez que, de lá para cá, o tucano e seus jornais, revistas e tevês vieram atacando com virulência cada vez maior, desconhecendo limites, mostrando que qualquer discordância do tucano equivale a uma sentença de morte política.
Que político pode gostar desses métodos, mesmo não sendo o alvo no momento? E os empresários, será que querem se submeter a alguém capaz de ir até onde Serra mostra que é capaz de ir?
Só não acho, com todo respeito ao Nassif, que se possa subestimar dessa forma as armas à disposição do tucano e o peso eleitoral que ele tem devido ao recall (lembrança do eleitorado de seu nome) que detém.
É claro que essa posição de Serra nas pesquisas não significa muita coisa há mais de um ano das eleições. Metade do eleitorado brasileiro não conhece a candidata de um presidente que tem 80% de aprovação. Sem um fato novo muito grave, realmente é bem possível que Serra despenque como fruta podre quando a eleição estiver no clímax.
Além disso, é impossível que, fora da raia da ultra-direita, pessoas normais e politizadas não achem estranho que um governo como o de São Paulo não seja alvo de crítica nenhuma, de acusação nenhuma de sua oposição. Vasculhe-se os jornais, digamos, de um ano para cá e não se encontrará absoltamente nada que incomode Serra.
Quem, em seu juízo perfeito, pode acreditar que algum governo seja tão impecável e que ninguém tenha ao menos uma acusação ou crítica a lhe fazer?
Só que a mídia não está pensando no eleitorado e, sim, em paralisar o Congresso e Petrobrás para impedir que Lula tenha ainda mais força quando a eleição estiver nas ruas. Contudo, vejam que a economia está prestes a começar a bombar de novo. Chegará ao ano que vem a todo vapor, com salários subindo, desemprego despencando etc. Mesmo com o Congresso paralisado.
Ora, Serra já deu para trás em 2006 com o mensalão e as imagens do dinheiro dos “aloprados”. De fato, Nassif está certo nesse ponto: agora, com os brasileiros encantados com a economia, valerá a pena, com mídia e tudo, trocar uma reeleição certa para o governo do Estado?
E não podemos nos esquecer da dependência que essa meia dúzia de grupos midiáticos tem hoje de Serra. Toda essa loucura que temos visto pode ser apenas para mostrar serviço.
Com tudo isso, com ou sem Serra a mídia só se emendará se PSDB e PFL entenderem que, através da escandalização do nada, não recuperará o poder. Ao fim do processo eleitoral do ano que vem, é bem possível que eles se convençam de que a sociedade viu e entendeu que tentaram sabotar o país. Aí, sim, o Brasil mudará de patamar na política.
Subtítulo do post anterior sugeriu aos leitores que criassem seu perfil no Twitter devido ao fato de que a ferramenta está ganhando grande importância mundial. Leitores disseram que não sabem fazê-lo. Outras duas dezenas de leitores criaram perfis lá desde então, atendendo ao meu convite, mas percebi que vários não souberam fazer o processo completo.
Conforme prometi, passo agora as instruções para criação de perfil no Twitter. Lá, conforme você for adicionando perfis para seguir, terá links e informações importantes. Só como exemplo, a morte de Michael Jackson foi anunciada primeiro nessa ferramenta revolucionária da qual, inicialmente, eu não gostava, mas que agora reconheço a importância.
Acima, você vê meu perfil no Twitter. Para começar a me seguir por lá, acompanhe os passos que detalho a seguir. Ao fim, ensino como buscar pessoas e passar a segui-las.
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