Sim, você leu direito: a mídia está procurando o PUM. Todavia, explico que não me refiro à flatulência fétida de seus barões opulentos, aspirada como perfume francês pelos seus cachorrinhos-colonistas, mas à sigla que significa Pesquisas Unidas na Mentira.
Foram despejados belo bombardeiro midiático alguns balões de ensaio, ou seja, pesquisas, primeiro, sem identificação e, agora, já com alguma referência a nomes de institutos e a metodologias desconhecidos.
São Pesquisas falsas contra Lula e Dilma Rousseff que apontariam perda de popularidade deles por conta do affair Sarney, as quais denunciei via Twitter no dia 24 de julho – há quase dez dias – que seriam lançadas para tentar desencadear um efeito manada na sociedade.
Agora, o próximo passo serão as pesquisas dos grandes institutos. Mas, para isso, está sendo montado pelas famílias Frias, Marinho, Civita e Mesquita e por José Serra e FHC um grande acordo que reuniria Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi.
Contudo, tenho informações de que os institutos Sensus e Vox Populi estão criando problemas para a mídia encontrar o PUM pelo qual tanto anseia.
O que está em jogo é a vitória ou a derrota da flatulência moral da direita e de sua imprensa golpista. Espera-se que o governo Lula e sua base de apoio político não fiquem esperando o fedor moral se disseminar e tratem de borrifar a verdade no ambiente social.
O leitor Arruda, comerciante de São Paulo, em comentário neste blog fez uma observação que me permitirá explicar um fato importantíssimo. Para resumir o comentário em questão, ele pontuou que os blogs estariam “sempre correndo atrás” de desmentir a grande imprensa, quando o correto seria não se deixarem pautar por ela.
Entendo a preocupação do leitor, mas ele não entendeu ainda o valor da blogosfera. Ela existe justamente para se contrapor à propaganda política, ideológica, econômica, de costumes e de valores que existe hoje para esmagar idéias divergentes.
Com efeito, os blogs constituem uma arma social nova e inédita na história que já permite o combate frontal ao que sempre houve de mais nefasto na comunicação no Brasil, ou seja, o combate a uma máquina de dominação social e econômica baseada, fundamentalmente, na censura.
Os blogs – e, de forma cada vez mais importante, o Twitter – conformaram-se em ferramentas com um poder ainda não mensurado adequadamente, o poder de literalmente destruir a Teoria da Censura, que é a de impedir a difusão da verdade mesmo quando é dita pelos que têm só a própria voz e jamais os meios de amplificá-la ao volume da voz dos que detêm o monopólio da comunicação de massas.
Por atingirem contingentes populacionais muito menores do que conseguem atingir os meios de comunicação corporativos, os blogs ainda são vistos pelos controladores daqueles meios como incapazes de lhes provocar maiores problemas para venderem seus interesses políticos, ideológicos, econômicos, sociais e comerciais, e para venderem tais interesses sobretudo àqueles aos quais esses interesses são danosos, pois são maioria.
Estão enganados. Acredito nisso e tenho até provado isso com este blog. Acho que as novas mídias populares destroem a teoria que fundamenta as ações dos grandes impérios de mídia que infelicitam este país, este continente e grande parte do mundo, que é a Teoria da Censura.
Essa teoria se baseia em não permitir que ninguém fale, ao menos de forma pública e para maiores contingentes de pessoas, porque a mínima capacidade de reunir muitos – ainda que menos do que aqueles que assistem aos grandes meios de comunicação – em torno de algum idéia pode produzir um efeito de amplificação capilar na sociedade que, cedo ou tarde, terminaria por envolvê-la toda naquele conhecimento que se quer sufocar.
É por isso que acredito que os blogs repercutirem o grande noticiário de forma diametralmente oposta à forma que aquele noticiário pretendeu vender à sociedade, isso estaria fazendo o que realmente importa fazer neste momento, que é difundir o “vírus” benigno do contraditório, que se infiltra na sociedade e atua com impacto crescente, ainda que muito mais lentamente do que o impacto da pandemia maligna e avassaladora da censura.
É preciso dar resposta e argumentos àqueles que verão suas opiniões esmagadas pelo grande noticiário e que não saberiam formular por si mesmos muitos dos argumentos para reagirem devido, unicamente, à falta de informação contrária, mas que agora os blogs estão provendo num processo que acho convictamente que é possível que culmine com a morte definitiva da censura no Brasil.
O que me estimula a acreditar que a estratégia política da imprensa, do PSDB e do PFL contra o governo Lula não dará certo é um atributo dessa gente que Lula bem definiu ontem (sexta-feira), segundo notícias que infestaram jornais, telejornais, rádios, sites e blogs corporativos.
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou nesta sexta-feira de imbecis e ignorantes aqueles que classificam o Bolsa Família como um programa eleitoreiro ou assistencialista”, diz a Folha Online.
A mesma notícia deu conta de que a afirmação de Lula foi feita “na cerimônia de formatura de turmas do Plano Setorial de Qualificação e Inserção Profissional para o Bolsa Família, em Belo Horizonte”.
Apesar disso, o maior dos jornais impressos do mesmo grupo empresarial (Grupo Folha), em consonância com praticamente todos os outros grandes jornais e telejornais, diz, em editorial deste sábado, que o governo Lula “já demonstrou que essas contrapartidas educacionais [a tal “porta de saída” do Bolsa Família que a direita tucana cobra] não constituem sua principal preocupação”
Como se não bastasse a reverberação inconseqüente e mentirosa de que o Bolsa Família não prevê contrapartidas que obriguem os beneficiários a estudarem ou a fazerem cursos profissionalizantes de forma a, mais adiante, não precisarem do programa social, outras mentiras são difundidas numa tentativa de conseguir agora, com esse discurso surrado, o que jamais foi obtido em termos de desmoralização do governo Lula.
O mesmo editorial do jornal impresso do grupo empresarial de comunicação da família Frias, num recorrente espasmo pavloviano que vitima essa corrente política, volta à mais surrada das teorias da direita contra o principal programa social do governo Lula, dizendo, de forma leviana, que “estudos já demonstraram a correlação entre transferência de renda e resultados eleitorais”
Traduzindo a insinuação: Lula só se reelegeu e se mantém popular devido ao Bolsa Família.
Sobre os tais “estudos” que provariam que o programa social é que sustentaria a popularidade de Lula e o apoio da sociedade ao seu governo, houve ligeira citação de um dado isolado que pretendeu enganar o leitor.
O braço jornalístico da oposição aludiu a estudo do pesquisador Maurício Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que mostrou que “o programa Bolsa Família foi responsável por um aumento de cerca de três pontos percentuais na votação do presidente Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2006”
Eu achava que fosse bem maior a influência do programa social na aprovação de Lula e de seu governo. Ora, se Lula venceu Geraldo Alckmin, em 2006, por 60,83% contra 39,17%, e se o peso do Bolsa Família em sua votação foi só de 3%, mesmo sem o programa social ele teria dado a surra eleitoral que deu no tucano.
O mais grave nessa afirmação estapafúrdia que infestou TODOS os grandes jornais e os telejornais, além de várias outras mídias corporativas, é que existem dados sólidos e irrefutáveis que mostram ser impossível afirmar que Lula deve sua popularidade ao Bolsa Família.
A pesquisa foi divulgada em 1º de junho último. Vejam, abaixo, como ela mostrou que é composta a popularidade presidencial.
Região do país
Sudeste – apoio de 67%.
Norte e Centro-Oeste – apoio de 71%
Sul – apoio de 59%
Nordeste – apoio de 77%
Regiões metropolitanas – apoio de 67%
Interior – apoio de 71%
Grau de instrução
Ensino fundamental – apoio de 72%
Ensino Médio – apoio de 67%
Ensino superior – apoio de 64%
Nível de renda
Até 5 salários mínimos – apoio de 71%
De 5 a 10 salários mínimos – apoio de 67%
Acima de 10 salários mínimos – apoio de 51%
Perceberam? O segmento em que Lula tem menor aprovação é entre os mais ricos, mas não entre os mais instruídos. E, ainda assim, a maioria dos mais ricos também aprova o presidente e seu governo.
Apesar dos fatos, o âncora do Jornal da Band, Bóris Casoy, mentiu descaradamente aos incautos que o assistiam na sexta-feira à noite dizendo que Lula só se mantém popular graças ao Bolsa Família.
Como se vê, esses que, a mando de José Serra e de FHC, vivem dizendo que o Bolsa Família seria “esmola”, não são apenas “imbecis”, como diz Lula. São, também, mentirosos compulsivos.
No último dia 24, disparei, via Twitter, denúncia sobre pesquisas falsificadas que seriam divulgadas contra Lula e Dilma Rousseff dizendo que teriam perdido popularidade por conta de apoio a José Sarney. No sábado, dia 25, publiquei aqui o post “Pesquisas Frias no forno”, dizendo que fonte que tenho na Folha de São Paulo informou-me de que dentro de poucos dias a mídia divulgaria as tais pesquisas “frias”.
Leiam, abaixo, uma semana depois de minha denúncia, a confirmação dela através de post do blogueiro da Globo Ricardo Noblat. Vejam como ele fala da tal pesquisa sem identificá-la. Somem essa afirmação com minha denúncia feita tanto tempo antes e obtenham o único resultado possível, de que, aqui, a gente mata a cobra e mostra o pau.
Impacto Zero
Da coluna de Maurício Dias no site da Carta Capital
Impacto zero I
Pesquisa telefônica feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), entre os dias 22 e 23 de julho, é o primeiro sinal de que a rede armada por Lula para proteger politicamente o presidente do Senado, José Sarney, ainda não teve reflexo negativo na opinião pública.
Malgrado o esforço da oposição, com a cobertura dos jornais, a avaliação do governo Lula conseguiu 64% de ótimo e bom. Houve 27% de avaliação regular e 7% de péssimo.
Esse resultado da sondagem por telefone não se distancia das pesquisas frente a frente feitas, anteriormente, pelos institutos Sensus, Ibope e Vox Populi.
Impacto zero II
Segundo Márcia Montenegro, diretora do Ipespe, foram feitas mil entrevistas com integrantes das classes A, B, C e da classe D+ e, posteriormente, houve exercícios de ponderação considerando as faixas de instrução e renda. Fora do alcance dessa pesquisa ficaram os brasileiros mais pobres das zonas rurais e das pequenas cidades.
Uma faixa da população potencialmente mais beneficiada pelo Programa Bolsa Família. Com a opinião deles o resultado certamente seria ainda melhor para o governo.
Nesta sexta-feira, 31 de julho, em auditório improvisado no saguão do prédio da Fiesp/Sesi, na avenida Paulista, em São Paulo, à partir das 15 horas, teve lugar um debate público com o ministro da Cultura, Juca Ferreira.
A convite da jornalista Lia Rangel (ex-Roda Viva, da TV Cultura, onde fazia excelentes entrevistas de “bastidores” com entrevistados e entrevistadores e a quem conheci quando me convidou para participar de um dos programas) participei desse evento e nele pude fazer minhas colocações e um questionamento importantíssimo ao ministro por conta da Conferência Nacional de Comunicação, que terá lugar no fim deste ano, quando serão discutidos temas candentes como a concentração da propriedade midiática, sobretudo da eletrônica, e, acima de tudo, para onde continuarão indo as verbas oficiais que irrigam a comunicação brasileira.
O vídeo acima é longo, porém de excelente qualidade. Minha participação, mais correlata aos assuntos dos quais tratamos aqui, acontece aos 38 minutos do vídeo e se estende por cerca de três minutos. À minha manifestação seguem-se duas questões correlatas de outros dois blogueiros, que, como eu e mais umas duas dezenas, foram convidados pela jornalista para o evento. Em seguida, um membro do ministério da Cultura responde, sendo novamente aparteado por mim (porém, sem que, desta vez, minha voz e imagem apareçam no vídeo) sugerindo-lhe uma campanha publicitária anunciando a Conferência Nacional de Comunicação, sugestão à qual acedeu. Por fim, aos 50 minutos de vídeo, o próprio ministro da Cultura aborda minha questão e, fora do vídeo, faço alguns apartes que ele responde depois de concordar com suas premissas.
Contudo, quem tiver coragem e paciência para assistir às mais de duas horas totais do vídeo, com certeza entenderá o que se quer dizer com Cultura Digital, tema de uma importância e de uma abrangência que, como o vídeo mostrará a quem assisti-lo atentamente, são muito maiores do que pode supor nossa vã filosofia.
Para localizar algum ponto específico do vídeo, há que clicar com o cursor do mouse pelos diversos pontos da barra de progresso e atentar para o contador de tempo no canto inferior direito da tela. Como exemplo, para localizar minha fala, aos 38 minutos, há que localizar, no contador, a posição 00:38:00. Demora alguns segundos para aparecer a nova contagem.
Espero que assistam. Travaram-se ali discussões importantíssimas para o futuro da comunicação no Brasil.
Dizem que se conselho fosse bom não seria dado, mas vendido. Eu, porém, dou um ao presidente Lula: denuncie publicamente, pelo amor de Deus, que a imprensa tem lado. E diga qual é o lado.
Não direi mais nada. A passividade do presidente parece patológica. Será que ele não vê tevê, ao menos? A imprensa e a oposição fazendo essa campanha nojenta e Lula com suas meias palavras...
Quem quer falar está amordaçado pela mídia, e quem pode falar não fala. Falta um político de coragem no Brasil. E eu estou ficando farto.
Esta semana tive uma grata notícia. A jornalista Lia Rangel, que fazia os bastidores do programa Roda Viva, na TV Cultura, telefonou-me para me convidar para um evento muito interessante que terá lugar nesta sexta-feira na sede da Fiesp/Sesi, na avenida Paulista, em São Paulo.
Fiquei contente com o convite para um evento que, inclusive, contará com a participação do ministro da Cultura, Juca Ferreira, para discutir com blogueiros convidados o tema do Fórum, mas fiquei ainda mais contente de saber que essa bela jornalista (em todos os sentidos) que é a Lia Rangel, sobretudo depois de presenciar aquela entrevista do senador tucano Alvaro Dias ao Roda Viva, percebeu que não havia mais lugar para ela na tevê tucana de São Paulo.
Abaixo, os detalhes do convite que recebi por email da cara Lia - o qual estendo aos leitores ao menos para que assistam via Web o evento ou, se possível, fisicamente - e que atenderei com prazer.
Escrevo para reiterar a importância de sua presença no lançamento do Fórum da Cultura Digital Brasileira, que acontecerá amanhã, 31, a partir das 15h, na sede da Fiesp/Sesi, em São Paulo.
A roda de conversa da qual esperamos que você participe marca o início do Fórum, um processo planejado para ser horizontal, coletivo, democrático, que reconhece a blogosfera e as articulações em rede como espaços fundamentais para a promoção e realização da cidadania.
Como já explicado em convite encaminhado pelo Ministério da Cultura, o Fórum é um processo que pretende produzir de forma colaborativa uma política pública para a cultura digital no País. Para tanto, foi criado utilizando tecnologias livres, o site www.culturadigital.br (um misto de rede social e portal colaborativo sobre cultura digital).
No evento de amanhã, separamos um espaço especial para pessoas que, como você, apropriaram-se da internet para produzir informação de relevância e promover articulações/discussões na rede. A idéia é que o ministro Juca Ferreira e seus assessores possam responder a perguntas, mas também possam questioná-lo.
Esta conversa vai acontecer no saguão em frente ao auditório principal da Fiesp.
Blogueiros que não estão em São Paulo foram convidados para participar por meio de um sistema de webconferencia (http://webconf.rnp.br/minc). Também faremos uma transmissão aberta ao público em geral pelo site www.culturadigital.br/aovivo.
Esteja a vontade para divulgar e convidar outras pessoas ou comunidades para acompanhar a transmissão ao vivo do lançamento.
Por mais que, às vezes, possa não parecer, sou uma pessoa altamente moderada. Minhas críticas a qualquer um podem ser veementes, mas sempre se situam acima da linha da cintura. Promovi manifestações públicas que reuniram centenas de pessoas e jamais houve qualquer tipo de queixa sobre a forma como eu e meus pares nos manifestamos.
Também sou um entusiasta da boa estratégia política, sobretudo quando é inteligente como a do presidente Lula, o único político brasileiro que conseguiu se imunizar contra os feitiços da imprensa tucana, mas só depois de ter sido acusado quase que diariamente por ela durante os últimos vinte anos (1989-2009).
Essa estratégia de Lula, porém, funciona para Lula, mas não necessariamente para todos no entorno dele, como se sabe. Na verdade, há dúvidas de que o presidente consiga transferir toda sua popularidade e sua imunidade a alguém.
Em São Paulo, por exemplo, esse poder falhou. Claro que foi em uma eleição regional, do tipo mais paroquial que há, onde a influência da política nacional mal toca a miríade de nuanças ali existentes. Mas, por outro lado, não está testado esse hipotético poder de Lula em qualquer outra esfera de poder.
Assim, apesar da minha moderação, acho que está na hora de as forças políticas que apóio partirem para uma luta política dura e corajosa contra a coalizão tucano-pefelista-midiática, na medida dos ataques que essa coalizão vem fazendo.
A estratégia de Lula para Lula
O presidente Lula é um homem de uma inteligência intuitiva e de um carisma que jamais vi em qualquer outro político. Quanto mais ele apanha da mídia e dos partidos – sempre com aquela serenidade, com aquela compostura, sem jamais perder a linha –, mais forte se torna.
Já disse aqui que acho que Lula se deixa vitimizar pelos adversários. Nem precisa se fazer de vítima, queixar-se ou sequer responder aos ataques que recebe, os quais, de tão baixos, chocam a qualquer um que tenha um mínimo de decência, como quando falam de seu defeito físico ou como quando o acusam de alcoólatra. Basta ele não reagir “à altura” ou se alterar.
É inteligente, esse homem. A sociedade brasileira passou duas décadas inteiras vendo-o ser acusado de tudo. Diziam que confiscaria a poupança em 1989 e foi seu adversário que confiscou; diziam que desvalorizaria o real se vencesse em 1998 e foi seu adversário quem fez; em 2002 diziam que faria o Brasil voltar a ter inflação e a regredir economicamente e ele fez o contrário.
Convenhamos, assim, que, além de sua inteligência política, Lula conta com grande ajuda de seus adversários. A injustiça contra ele é tanta que não dá para não nos solidarizarmos com ele.
A estratégia de Lula para não-Lulas
Porém, o presidente não pode esperar que ficar apanhando sorrindo e sendo cortês funcione também para os que o apóiam. Será preciso mostrar quem são os críticos não só de Dilma Rousseff, mas do partido de Lula e dos seus aliados. Será preciso dizer à sociedade que esses críticos são facciosos. E dizer escandindo cada letra da frase.
A estratégia da base de Lula para si mesma
Essa tem que ser diametralmente diferente da de Lula. Não dá mais para o PT, o PMDB e o resto dos partidos da base governista continuarem apanhando desse jeito. Devem representar contra aquilo que pesa à oposição no Senado, na Câmara, onde for. Devem denunciar seus adversários. E devem dizer que a mídia tem obrigação de fiscalizar os dois lados, inclusive onde a oposição federal é governo, seja estadual ou municipal.
A estratégia da sociedade
Mas não delegaremos os esforços de luta política somente aos políticos profissionais, pois somos todos, como direi?, “animais políticos” – não é assim que dizem os “entendidos”?
No parte que me toca desse latifúndio, digo a vocês que, em nome do Movimento dos Sem Mídia, no próximo mês farei nova manifestação ao Ministério Público Federal no âmbito da representação contra grupos de mídia na questão da epidemia inexistente de febre amarela que disseram que havia em janeiro do ano passado, o que provocou duas mortes e dezenas de internamentos por uso incorreto de vacina contra a moléstia.
Nessa representação, anexarei matéria da Folha de São Paulo publicada recentemente e as reações indignadas de especialistas e do próprio ombudsman do jornal qualificando tal matéria como alarmista, o que mostra que a demora da Justiça em julgar a representação do MSM está incentivando a imprensa a promover novos atos alarmistas, com os resultados que todos vimos recentemente nos hospitais públicos.
Além disso, o MSM está convencido de que o caso da ficha policial falsa da ministra Dilma Rousseff publicada pelo jornal Folha de São Paulo não pode ficar por isso mesmo. Admitir que falsifiquem documentos acusatórios contra qualquer brasileiro e, descoberta a farsa, que os que deram curso àquela difamação não respondam pelo crime que cometeram, é uma ameaça a todos, inclusive àqueles que hoje aplaudem esse tipo de crime.
Em algum boteco em Sampa
Jornal da Band. O homem que apresenta fala de Sarney. Ao meu lado, um mecânico em um macacão imundo, rasgado na altura do ombro e faltando botões na barrigona. Do lado dele, um senhor franzino, cabelos totalmente brancos, óculos pequenos na ponta do nariz. Bebem cachaça e olham para a tevê. Ficam quietos durante toda a reportagem. Quando entram os comerciais, comentam.
-- Não entendi o que o Sarney fez.
-- Acho que ele empregou a família toda.
-- Mas isso não tá cheio, lá? Por que falam dele toda hora, agora?
-- É que ele tinha uma mansão – explica o velhinho franzino.
-- Mas então...
-- Sei lá, nem presto mais atenção nisso. É tudo filho da puta.
-- Só não entendi por que tão falando tanto do Sarney...
-- É que ele tá com o Lula, parece.
-- Já tá enchendo o saco, esse negócio. E eu não entendo nada.
-- Põe na Gazeta pra ver de futebol...
Postscriptum
Nesta quinta-feira, estarei em viagem pelo interior de São Paulo e, portanto, a liberação de comentários poderá sofrer atrasos durante o dia.
Criou-se uma situação deveras interessante hoje no Brasil. Confesso que devo reconhecer a criatividade e a esperteza desse pessoal, o que não quer dizer que tais “atributos” redundem, necessariamente, no resultado pretendido por seus detentores.
A estratégia é muito simples: pegam-se políticos que estão sempre à disposição da governabilidade. Num sistema político como o nosso, governo nenhum faz nada sem maioria no Legislativo, ou seja, sem eles.
Chega a ser piada que alguns digam que, para não se aproximar desse tipo de político, deve-se manter distância dos partidos deles e dar um jeito de governar em minoria. Fico a imaginar o PSDB governando sem o PMDB, deixando ele se aliar à oposição agora petista.
Então, pega-se esse monte de gente enrolada do PMDB e coloca-se à luz do dia – aparece tudo e mais um pouco. Em seguida, expõe-se a deformidade, sob holofotes, à execração pública, como foi feito com o deputado que “se lixou”, com o do “castelo” e, agora, com o senador do bigode.
Ora, como ficar ao lado de gente assim, pensam os autores da esperteza. Enquanto iluminam o lixo do lado de lá, o do lado de cá fica confortável, refestelado no refúgio em que a oposição a Lula se tornou para os canalhas de todas as cepas.
O mais curioso dessa estratégia tão aparentemente avassaladora é que ela não tem impedido que o lixo que escolhe o lado (vamos dizer assim) “errado”, acabe se reelegendo, até por conta da banalização das denúncias e da seletividade delas.
E, no fim das contas, é bom que o lixo se acumule todo nesse refúgio para canalhas em que se converteu a oposição ao governo Lula. Ao dizer aos canalhas que se ficarem do lado “certo” não serão incomodados, a mídia acaba limpando o outro lado.
Pesquisas Frias no forno
Mais um indício de que é correta a denúncia que fiz aqui no fim de semana passado de que PSDB, PFL, Folha, Globo e Abril preparam pesquisa falsa contra Lula e Dilma.
Coluna Painel - Folha de São Paulo - 29 de julho de 2009
Picadeiro.
Alheio às ameaças do PMDB, o comando tucano avalia que o simples circo que se formará no Conselho de Ética na semana que vem já basta para desgastar Lula e Dilma Rousseff, que, segundo pesquisas em poder do partido, teriam se queimado ao blindar Sarney.
O PT ‘aloprado’
Não acreditem quando a mídia diz que o ataque dela e da oposição a Sarney – e, agora, ao PMDB, que, como partido, ensaia reação contra o PSDB – “colocará em risco” o apoio peemedebista a Dilma Rousseff no ano que vem.
Se o PT tiver juízo e ficar na dele, se parar de ficar se oferecendo em sacrifício à mídia ao dar a ela e à oposição um controle oposicionista do Senado que a própria mídia já diz que haveria se Sarney caísse, a aliança do governo Lula com o PMDB ficará cada vez mais forte.
Ou vocês acham que, se a oposição conseguir convencer Sarney a renunciar valendo-se do controle oposicionista da mídia, o PMDB, ainda por cima, trabalhará para consolidar a vitória de quem o atacou ao romper com Lula?
Uma coisa os peemedebistas, em enorme maioria, já entenderam: o lado em que devem ficar no ano que vem. Ao se tornar alvo do velho esquema anti-Lula e anti-PT simplesmente por estar do lado deles, o PMDB já enxerga a necessidade de derrotar esse esquema.
Claro que sempre haverá a possibilidade de os peemedebistas sentirem-se tão acuados que julguem a rendição a melhor saída. Contudo, também abririam mão dos tão desejados cargos na administração federal até 2011.
E tudo isso para que? Por um esquema que não se sabe se será forte o suficiente para eleger Serra contra a candidata de um presidente que conduz o país que primeiro está saindo da crise no mundo? Parece-me uma aposta daquelas que o PMDB não faz.
O jogo é intrincado. Ambos os lados (mídia e oposição contra o governo Lula e o PT) estão apostando todas as suas fichas na questão da Presidência do Senado. E ambos podem colher uma grande vitória ou uma grave derrota.
O PT tem que escolher entre ser deixado em paz por algum tempo pela mídia e a manutenção do governo brasileiro. Entregar a cabeça de Sarney não lhe renderá nada mais do que alguns dias de sossego, até a nova crise.
Se não ceder e ajudar o PMDB a reagir, coloca o PSDB no banco dos réus contiguo ao de Sarney. A maioria governista pode dar um belo troco nessa aliança inaceitável entre mídia e oposição.
O grande problema é fazer gente como os petistas aloprados de São Paulo entenderem que precisam parar de ajudar a oposição e que não precisam fazer nada mais além de não atrapalharem mais o Brasil do que vêm atrapalhando nesses anos todos, com “mensalões”, dólares na cueca etc.
Esse grupo do senador Mercadante é o mais tonto do PT. Aliás, o PT paulista é completamente tonto. Ano passado, inventaram de tentar vencer os preconceituosos usando o preconceito contra Kassab. No ano anterior, o PT de São Paulo tentou vencer os denuncistas tucano-pefelês-midiáticos com denúncia forjada como as deles.
A maioria esmagadora do PT é formada de gente séria, idealista, mas essa turma aloprada é um peso insuportável para o partido, que deveria discutir com seriedade uma forma de impedi-la de continuar praticando suicídio coletivo.
A economia dos Estados Unidos teve em junho uma perda de 467 mil postos de trabalho, o que elevou a taxa de desemprego no país para 9,5%, o nível mais alto em mais de 25 anos.
A economia do Chile dá novos sinais de recessão com o forte declínio na produção industrial e o aumento do desemprego. A produção da indústria sofreu queda interanual de 10,5% em maio de 2009 e somou oito meses de retração consecutiva, enquanto a taxa de desemprego subiu para 10,2% no trimestre móvel março-maio.
Agora, o Brasil: vide imagem acima, da manchete desta terça-feira do jornal mais oposicionista da atualidade.
A economia se recupera em todo país. Nos últimos meses, centenas de milhares de empregos foram criados. A confiança do brasileiro na economia atingiu o nível pré-crise. Os investimentos estão chegando, o dólar cai, a bolsa também já retornou ao patamar pré-crise, em suma, a economia brasileira, pode-se dizer, não sofreu mais do que uma marolinha diante dos problemas que o resto do mundo está enfrentando.
Aliás, quem me lê há mais tempo sabe que, para mim, nada disso é novidade. Em setembro do ano passado eu já dizia aqui – sob uma saraivada de discordâncias – que, ultrapassado aqueles dois trimestres críticos seguintes ao agravamento de uma crise que já vinha ensaiando recrudescer há, então, cerca de um ano antes, o país resistiria àquela crise que se avizinhava, como de fato acabou ocorrendo.
Aliás, pedi aqui, inúmeras vezes, para que as pessoas se lembrassem de minhas palavras, e fundamentei as razões pelas quais tinha aquela opinião, explicando que um país como este, no estágio de progresso e solidez de sua economia em que fora colocado por políticas de Estado corretas, teria tudo para resistir à crise.
Ora, primeiro que o país reduziu seu endividamento drasticamente de 2003 para cá, invertendo a curva de endividamento ascendente que se verificara na década passada. O comércio exterior, para o bem ou para o mal, no Brasil ainda é pequeno, apesar de ter crescido muito nesta década.
Além disso, o alargamento das fronteiras econômicas do Brasil para a África e para a Ásia, deixando para traz as políticas dos governos anteriores de concentração dos esforços comerciais do Brasil nos EUA e na União Européia, política que vigeu até 2002, permitiu-nos ser muito menos afetados pela queda dramática dos negócios com o mundo rico.
Somado a isso tudo, e contrariando a pregação da oposição tucano-pefelista-midiática, o governo Lula pôs o Estado como locomotiva dos investimentos, da normalização do crédito, da redução de impostos, enfim, de adoção de políticas públicas que, contrariando o velho cacoete neoliberal do “Estado mínimo”, deu a ele sua função adequada num momento como este, e o resultado está aí.
E sabem o que é o melhor disso tudo? Por mais que alguns poucos dotados de vozes guturais e amplificadas façam de conta que não vêem isso tudo, todo mundo está vendo e sentindo na pele que aquilo que acabo de escrever é a mais pura verdade.
Lula prevê crescimento ‘surpreendente’
Em Campina Grande, presidente disse que país está saindo da crise. "Oposição torce para Brasil não 'dar certo' para ter chance eleitoral", disse.
Do G1, em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em discurso em Campina Grande nesta terça-feira (28) que o país está saindo da crise e terá um crescimento "surpreendente" no ano que vem. Ele voltou a afirmar que parte da crise foi de pânico e disse que a oposição torce para o Brasil "não dar certo" para ter "chance eleitoral".
"Passamos por uma crise e uma parte dela foi de pânico porque a indústria automobilística não poderia ter desativado a produção como desativou em janeiro e dezembro. Não precisaria ter desativado. E nesse semestre está batendo todos os recordes de produção e venda de carros. Máquinas de lavar roupa estão vendendo 30% a mais por mês. Geladeira, televisão, material de construção civil e tem mais coisa por aí. Anotem: o Brasil está saindo da crise e no ano que vem vamos ter um crescimento surpreendente", afirmou.
Ele afirmou que a oposição torce para que o país não "dê certo". "A minha oposição, coitada, ficava pedindo a Deus que a crise acabasse com o Brasil. E eu dizia: o Brasil entrou por último e vai sair primeiro da crise." As declarações foram dadas durante discurso na cerimônia de inauguração do campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifet) da Paraíba.
Comento: em novembro do ano passado, pisei e repisei aqui a tese de que o noticiário estava provocando demissões “preventivas”, e, como se vê agora, de fato aquele noticiário agravou um problema na economia que poderia ter sido muito mais ameno.
Não é segredo para ninguém que a direita das três Américas está salivando diante do golpe de Estado em Honduras. Até agora, porém, não foi possível apoiar explicitamente a derrubada ilegal de um governo legalmente constituído dado o amplo consenso internacional que se formou contra o golpe.
Contudo, aos poucos, a direita, através de seus jornais, revistas, rádios e tevês já vai colocando a cabeça para fora da toca. Paulatinamente, vai tentando vender barbaridades como a de que haveria algum resquício de legalidade na derrubada de Manuel Zelaya.
Temos aí uma questão que alenta, de certa forma, porque não me lembro de outro evento dessa natureza na América Latina (um golpe de Estado) que tenha provocado tamanha reação da comunidade internacional.
Penso que ninguém consegue se lembrar de outro momento na história desta parte do mundo em que golpistas não tivessem seu feito reconhecido por ninguém, nem pelos Estados Unidos, que, invariavelmente, sempre apoiaram golpes de Estado em seu quintal, até porque muitos desses golpes foram feitos sob sua inspiração.
Quanto aos golpistas, vejam que, por mais grosso que falem – e sob o coro surdo da ultra-direita latino-americana, que, aqui e ali, vai destilando seu apoio ao golpismo valendo-se de mentiras sobre aquele golpe ter sido “vontade da maioria” –, estão tendo que aceitar até que Zelaya chegue às suas barbas como um alvo-móvel a ser preso ou até abatido a tiros.
Fazem-se de surdos quando se pergunta de onde tiraram a informação de que haveria algum indício real de que a maioria dos hondurenhos apóia o golpe contra Zelaya e de que, mesmo que tal apoio existisse, isso justificaria o estupro de uma decisão eleitoral popular e democrática.
Democracia tem que ter regra e essa regra é a de que não se rompe paradigmas democráticos como o do voto popular para não se criar precedentes que incentivem esse tipo de violação do marco legal, ou seja, do processo legal de cassação de governantes que se tem que fazer obrigatoriamente e sob o mais amplo direito de defesa do detentor de mandato popular que eventualmente tiver esse mandato questionado por outros Poderes de Estado.
Trocando em miúdos: não há Suprema Corte ou Legislativo do mundo que possa depor dessa forma violenta e intempestiva um presidente legalmente eleito em eleições livres, limpas e internacionalmente aceitas. Aceitar tal fato é uma tentativa de se abalar os pilares democráticos da humanidade, o próprio conceito de democracia.
Há, ainda, a desculpa torpe e mentirosa para o golpe, porque é a mentira que omite, que distorce, já que Manuel Zelaya jamais propôs novo mandato para si, sendo essa mera interpretação dos golpistas da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte pelo presidente deposto.
Ou seja: depuseram um presidente sem direito de defesa, deportaram-no intempestivamente em vez de o prenderem pelos tais “crimes” que dizem que ele teria cometido e querem que essa prática seja aceita pela comunidade internacional, que, agindo assim, legitimaria que qualquer de seus países-membros sofresse tal ruptura institucional e todos aceitassem.
Chega-se, pois, ao que de positivo está acontecendo. Ainda que haja quem tente legitimar o golpe de Estado em Honduras – o que sempre aconteceu com facilidade e apoio dos fatos nesta parte do mundo –, hoje está sendo extremamente difícil consolidar tal operação.
Difícil porque simplesmente todos os que controlam o poder de Estado hoje em volta de Honduras estão pressionando de todas as formas, seja na comercial, na diplomática e na forma política, talvez a mais importante das três, pois é da política que nascem as decisões de Estado e algum apoio de alguma parte no exterior a um país pobre daqueles.
Claro que, por outro lado, se um país pobre daqueles consegue resistir por um mês a pressão tão uníssona da Comunidade das Nações, pode-se dizer que essa resistência, de certa forma, desafia o poder dela de retaliar violações ao Direito Internacional.
Todavia, o que está acontecendo no mundo quanto a Honduras hoje pelo menos estabelece um preço pelo golpismo a ser pago por certas elites regionais que acham que seu controle das riquezas e da comunicação pode lhes comprar qualquer coisa que queiram, e essa é uma melhora e tanto.
No sábado, denunciei aqui e via Twitter que fonte que tenho no jornal Folha de São Paulo revelou-me que um grupo de tucanos e barões da mídia se reuniram, planejaram e decidiram divulgar brevemente pesquisas forjadas sobre as popularidades do presidente Lula e de Dilma Rousseff mostrando que teriam perdido apoio.
O assunto bombou na blogosfera e no Twitter. Ganhou o site de Paulo Henrique Amorim e o blog de Luis Nassif tocou no assunto “próximas pesquisas”, porém sem dar maiores detalhes.
Em toda parte, porém, o que me surpreendeu foi o tom de surpresa das pessoas. Por que alguém se surpreenderia que o próximo passo de uma mídia que promove pânico quanto à febre amarela ou a gripe suína ou que publica com alarde uma ficha policial falsa de uma ministra de Estado fosse fraudar pesquisas eleitorais?
Em 2000, aproximei-me da Folha de São Paulo por conta de meu então insistente envio de cartas à coluna de leitores daquele jornal. Segundo o ex-ombudsman da Folha Bernardo Ajzemberg, fui o leitor mais publicado naquela coluna por um bom tempo.
Dali em diante, comecei a ser convidado para eventos no jornal, como no evento comemorativo de seus 80 anos em 2000. Participei de umas duas dezenas de seminários, conferências e sabatinas promovidos por aquele jornal tanto em seu auditório em sua sede como no Teatro Folha, num shopping próximo à residência de Fernando Henrique Cardoso – que ironia – em São Paulo.
Só me afastei da Folha em 2005, quando percebi que o jornal pretendia derrubar o governo Lula com o escândalo do mensalão. Até ali, até Clóvis Rossi chegou a me citar em sua coluna na página A2 do jornal como exemplo de isenção política.
Graças a essa aproximação do veículo, fiz contatos por lá que seus tubarões na direção e no generalato mal suspeitam. E foi graças a essa aproximação que conheci jornalistas que labutam naquele aparato político do PSDB que sentem nojo do que presenciam o tempo todo, ou seja, a ligação escancarada do jornal com o partido político e, sobretudo, com FHC e José Serra.
O fato é que fui informado de que o que a mídia está fazendo com Sarney é só aperitivo. Folha, Globo, Estadão, Veja e apêndices, a mando de FHC e de Serra, farão tudo que for humanamente possível para impedir que Lula faça seu sucessor – ou sucessora.
As pesquisas serão usadas para tentar provocar efeito manada entre o eleitorado, ou seja, vendo que a popularidade do presidente e de sua candidata estão caindo, pessoas hesitantes se uniriam ao movimento forjado.
Apesar de ainda haver dúvida sobre a entrada do Ibope e, sobretudo, do instituto Sensus no esquema supostamente encabeçado pelo Datafolha, as conversas estão acontecendo e, em breve, sairiam ao menos pesquisas Ibope e Datafolha mostrando queda da popularidade de Lula e de Dilma. E uma das pesquisas dirá que a causa da perda de popularidade do presidente e da ministra foi o apoio deles ao senador e ex-presidente José Sarney.
Também existiria a hipótese de o encontro em que a fraude foi discutida ter sido fotografado. Desse encontro teriam participado FHC, Serra, Frias, Civita e um emissário da Globo. Está por se confirmar que o local do encontro teria sido na residência de FHC.
Verdade? Mentira? Pois eu acredito que fariam isso e que a informação que obtive deverá se concretizar na próxima pesquisa sobre Lula e Dilma a ser divulgada. Para mim, nem precisava dessa informação em off para prever que chegariam a esse ponto. Se a próxima pesquisa mostrasse o presidente e a ministra inabaláveis ou crescendo, todo esse esforço para derrubar Sarney seria jogado fora.
Urge que o governo Lula providencie pesquisas confiáveis. O instituto Vox Populi seria uma opção.
Ombudsman denuncia crime de alarma social
No limite da irresponsabilidade
26/07/2009
Ao ler na capa chamada sobre a gripe A, até os menos paranoicos devem ter achado que chances de contrair doença são enormes
Por Carlos Eduardo Lins da Silva - ombudsman da Folha de São Paulo
A REPORTAGEM e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008.
O título da chamada, na parte superior da página, dizia: "Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses". A afirmação é taxativa e o número, impressionante.
Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento.
Mesmo os menos paranoicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica.
O texto da chamada dizia que um modelo matemático do Ministério da Saúde "estima que de 35 milhões a 67 milhões de brasileiros podem [em vez de devem, como no título] ser afetados pela gripe suína em oito semanas (...). O número de hospitalizações iria de 205 mil a 4,4 milhões".
É quase impossível ler isso e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.
Mas não. Quem foi à página C5 (e não C4 para onde erradamente a chamada remetia) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).
Ali, o texto dizia que "por ser um esquema genérico e não um estudo específico para o atual vírus, são necessários alguns cuidados ao extrapolá-lo para o presente surto".
Ora, se era preciso cautela, por que o jornal foi tão imprudente? Ou, como pergunta o leitor Martim Silveira: "já que não tem base em nada nas circunstâncias atuais, qual a relevância de publicar algoque evidentemente só pode causar pânico numa população que já está abarrotando os postos de saúde por causa da gripe, quando os casos mal passam do milhar?"
Muitos leitores se manifestaram ao ombudsman. José Rubens Elias classificou a chamada de "leviana e irresponsável". José Roberto Teixeira Leite disse que "se o objetivo do jornal era espalhar pânico, conseguiu o intento". Para José Clauver de Aguiar Júnior, "trata-se claramente de sensacionalismo".
O pior é que a Redação não admite o erro. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, que tentava restabelecer os fatos, respondeu com firulas formalistas como se o missivista e os leitores não soubessem ver o óbvio. Em resposta ao ombudsman, disse que considera a chamada e a reportagem "adequadas" e que "informar a genealogia do estudo na chamada teria sido interessante, mas não era absolutamente essencial".