Análise política

Contra-ataque da Record

 

 

 

 

 

 

Este domingo à noite promete. Depois de dois dias seguidos de ataques da Globo à Record sem revide desta, agora é anunciada uma reação. Será neste domingo, 16 de agosto, depois do programa “Domingo Espetacular”.

O fato de a Record ter recolhido as armas na sexta e no sábado abriu duas hipóteses: a da preparação de um contra-ataque de maior contundência ou a de um recuo tático. Parece que prevaleceu a primeira hipótese.

Segundo o anúncio do programa especial “Repórter Record” sobre os ataques da Globo, se de fato vier tudo o que está sendo anunciado, este domingo poderá se transformar num marco na história da comunicação no Brasil.

Um indício sobre o que vem por aí foi a locução da chamada para o "Repórter Record" dizendo que finalmente os herdeiros (até aqui sem nome) da Globo serão conhecidos do público, bem como seu estilo nababesco de vida.

O grande público nunca soube nada nem sobre Roberto Marinho, apesar de lhe saber o nome. Após sua morte, o nome de seus herdeiros tornou-se um tabu na mídia brasileira. Jornais, revistas, rádios, enfim, nenhum veículo atrelado ao Sistema Pig de Comunicação jamais publicou uma só mísera informação sobre eles.

Será uma pena se a Record não disser nada sobre as relações da Globo, da Veja, da Folha, da Época e do Estadão com FHC e José Serra, acima de todos os outros oposicionistas com os quais esses veículos mantêm relações. E acho que será decepção mesmo, porque a Record não terá peito de mexer com políticos. Ao menos por enquanto.

Todavia, pela primeira vez na história deste país o monstrengo Globo e Cia. será denunciado num grande meio de comunicação. Em que pese a baixa credibilidade de quem denuncia, acho que quem perderá mais nesse jogo será a emissora carioca e os outros veículos aos quais a Record fez menção (sem nominar) no anúncio de seu contra-ataque.

A Record pode ter credibilidade mais baixa entre a classe média alta, mas entre o povão não é bem assim, por mais que a Globo seja mais vista. Afinal, assisti-la não significa apoio a ela. Há muitas questões, como a maior acessibilidade global em todas as partes do país.

Um fato é inegável: pela primeira vez, milhões de pessoas receberão informações sobre a Globo e sobre alguns outros veículos de comunicação famosos que essas pessoas jamais receberam. Diante disso, acredito que o contingente dos que rejeitam tais veículos aumentará fortemente, porque diminuir é que não vai.

Por menos efeito que surtam as denúncias da Record a serem veiculadas no próximo domingo, não dá para alguém mentalmente sadio achar que ninguém será sensível a elas. O contingente ainda restrito dos que repudiam totalmente o PIG crescerá numa noite o que não cresceu em anos.

Com ou sem prejuízo de imagem à Record – e tenho certeza de que ela perdeu muito prestígio –, Globo e Cia. também perderão numa proporção inédita porque esses veículos jamais sofreram  ataque dessa monta num veículo como a segunda maior tevê do país.

Por mais que não possa me permitir desacreditar nas denúncias contra a Universal  –simplesmente por uma questão de coerência comigo mesmo –, devo reconhecer que a Record tem demonstrado uma coragem que cairia muito bem ao governo Lula e ao PT.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h55
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Comunicado

Confecon

Faça a sua parte!

 

 

 

É imoral, inconstitucional e altamente danoso ao país o que vêm fazendo os meios de comunicação eletrônicos, com especial destaque para as tevês. Esses meios funcionam sob concessões públicas. Os concessionários não podem usá-las como se a eles pertencessem.

Vemos, por exemplo, a briga das tevês Globo e Record. As emissoras se engalfinharam em uma guerra pela audiência de baixo nível e quem paga o pato é o telespectador. É um desrespeito o que vêm fazendo as duas emissoras.

A Globo, para variar, usa sua concessão pública para atacar seus inimigos políticos. Manipula o debate, aumenta o volume da voz dos políticos seus aliados e diminui o dos inimigos destes. E, agora, em guerra pela audiência, faz uma reportagem desproporcional sobre uma notícia velha contra a emissora rival.

A Record, por sua vez, responde às denúncias velhas (que, no entanto, precisam ser respondidas, ainda que no fórum adequado) com acusações ainda mais velhas contra sua acusadora, por mais pertinentes que sejam.

Não é o que importa. O contexto em que essas informações afloram é totalmente inadequado. O tom é de briga de rua, de barraco. Agride o telespectador.

Claro que, como eu disse aqui recentemente, a briga entre as emissoras acaba beneficiando o público por revelar os podres de uma e da outra. Todavia, há que ter em mente que o denuncismo não é o objetivo das concessões públicas de rádio e tevê.

Há uma flagrante apropriação de espaços públicos como as ondas de rádio e tevê por grupos privados que atuam como se suas concessões desses espaços tivessem sido doações, que jamais foram ou poderiam ser num regime democrático.

Se as concessões que dão esse poder descomunal à Globo e à Record, entre outras, fossem fiscalizadas de alguma forma, certamente que a manipulação política facciosa e o uso com outros fins particulares delas teriam fim, pois tais concessões seriam revogadas.

A faixa de onda por onde transitam Globo e Record não é do governo ou da oposição, é de todos nós. Não tenho que engolir a propaganda política de um grupo específico, não tenho que engolir as conclusões deste ou daquele concessionário sem o devido contraponto, quando o assunto é política. E o mesmo vale para quem pensa o oposto do que penso.

Traduzindo, para evitar aquela acusação recorrente e de má fé de que esta seria pregação de uma tevê “chapa-branca”: não quero chapa branca nem preta nem azul nem cor-de-rosa; quero uma tevê sem chapa; quero ouvir o que dizem os governistas e os oposicionistas; quero confrontar argumentos sem que a tevê tente me induzir a conclusões num assunto em que não há certo ou errado definidos.

Não tenho que ver assuntos serem fabricados para favorecerem interesses políticos, ideológicos, comerciais, religiosos ou de qualquer outra natureza privada. Os meios de comunicação se valem da ambigüidade da legislação sobre utilização de concessões públicas, que não trata adequadamente da questão.

O país tem que discutir o assunto da comunicação profundamente. E o Fórum para tanto já existe, está em preparação, mas tem sofrido duros golpes.

A Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) está programada para os primeiros dias de dezembro e não há propaganda oficial do evento por quem o convocou, ou seja, pelo governo federal.

As entidades corporativas das grandes concessionárias de rádio e tevê já boicotam a Confecon não só retirando-se das discussões, mas censurando sua divulgação e impedindo os debates sobre o assunto, como se fossem donas das concessões que detêm.

Assim fica difícil. Chega a dar desânimo. Mas, como desanimar não é opção, informo a vocês que darei minha cota de contribuição participando das discussões que ocorrerão no ABC paulista nos dias 27 e 28 deste mês.

Não será fácil. São dois dias úteis de trabalho remunerado que terei que utilizar. Mas é meu dever participar, como é de vocês também. De todos nós.

Abaixo, portanto, reproduzo o convite que recebi para participar dos trabalhos preparatórios para a Confecon que estão ocorrendo timidamente, ainda, no Estado de São Paulo, sobretudo por força dos bloqueios impostos pelos governos do Estado e da capital paulista.

 

*

 

Sr. Eduardo Guimarães, boa tarde!

O Grande ABC, por meio das Secretarias de Comunicação das sete prefeituras que compõem a região – Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra - realizará nos dias 27 e 28 de agosto a I Conferência Regional de Comunicação - O Grande ABC e os meios para a construção de Direitos e de Cidadania na Era Digital.

O encontro regional atende ao Decreto Presidencial de 16 de abril de 2009 que convoca a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – CONFECOM.

O Grande ABC pretende definir propostas e eleger delegados a serem encaminhados à CONFECOM, que acontece de 1 a 3 de dezembro em Brasília.

A Conferência Regional de Comunicação, que tem o apoio do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, terá o seguinte formato:

  • Dia 27 Mesa de Abertura (das 9h às 12h)

          Mesa I – Tema: ‘A Democracia e os Meios de Comunicação’

                                    (das 13h30 às 15h30)

          Mesa II – Tema ‘Cidadania e Comunicação’

                                    (das 16h às 17h30)

  • Dia 28 Conclusão dos Trabalhos

                                     (das 8h às 13h)

         Local: Espaço Office do Mauá Plaza Shopping, em Mauá

                    (Av. Governador Mario Covas Jr. Nº 1 – Centro – Mauá – SP).

Diante do exposto, gostaríamos de convidar Vossa Senhoria para participar da Mesa I do encontro e destacar que vossa presença traria contribuição relevante para o debate regional.

Agradecemos antecipadamente a atenção e aguardamos o retorno sobre a possibilidade de participação no evento.

Atenciosamente,

Rosemeire Cristina Silva

Consórcio Grande ABC – Comunicação

Fone: 11 (...)

www.consorcioabc.org.br



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h33
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Análise política

Depois do ‘nós conosco’

 

 

 

 

 

Comentário: vocês podem não gostar, mas Clóvis Rossi tem razão. Basta deslizar pela blogosfera para descobrir que essa turma do “nós conosco” está presente nos blogs de esquerda e de direita.

E quanto a tirar o “bumbum” da cadeira, concordo integralmente com Rossi. Essa, aliás, é a fundamentação do Movimento dos Sem Mídia, uma tentativa que venho fazendo de sair da pregação para convertidos e da indignação virtual para o mundo real, onde as coisas acontecem.

Fundei o MSM em 2007 pensando, mais do que tudo, na sucessão presidencial do ano que vem, quando o Brasil será novamente testado no que tange sua capacidade de decidir por um caminho autônomo ou tutelado pela mídia corporativa, representante das castas “superiores” brasileiras.

O objetivo da criação deste blog e do MSM foi o de maximizar o poder da internet de aglutinar iguais. Antes dela, estávamos dispersos. Um não sabia do outro. E muito menos sabíamos que, entre a opinião pública elitizada, de classe média, éramos maioria.

Quem duvida disso, basta olhar as pesquisas de opinião. O apoio ao governo Lula é majoritário entre a classe média inclusive de São Paulo. O fato de a mídia manipular esse dado não muda uma vírgula dele.

Temos que ter presente que o país mudou em 2006, quando a mídia usou todas as suas armas para eleger Geraldo Alckmin e não conseguiu. Essa é uma realidade que mudou este país. Jamais a mídia tinha falhado em eleger um presidente.

Em 2002, ela como que “deixou” Lula se eleger. Havia uma rejeição tão profunda a qualquer político que lembrasse FHC que a mídia não teve coragem de se empenhar muito pela continuidade de um modelo que nos últimos quatro anos colocara o país no chão.

Há um consenso social de mudança nos rumos em que ela está se processando. As coisas só não são mais fáceis porque os atores dessa nova mentalidade social da classe média brasileira relutam em assumir suas posições com maior ênfase.

Notem aqui neste blog - ou em qualquer outro - que o número de comentários é infinitamente menor do que o de leitores. Uma mísera fração. Porque as pessoas acompanham, mas relutam em se envolver, quer pela baixaria, quer por um medo de se “expor” que advém do período autoritário, quando poderes invisíveis destruíam gente de esquerda.

O Brasil mudou e tenho tentado provar isso com este blog. Vejam só tudo o que tenho feito para incomodar essa gente e nada me aconteceu. Vejam só as centenas de pessoas que já acudiram ao chamamento que lhes fiz para promover atos públicos e nenhuma foi destruída, nem financeira, nem moral, nem fisicamente.

A reflexão de Clóvis Rossi faz todo sentido do mundo, em minha opinião. Só que no sentido inverso do que ele pretende, o que faz de sua reflexão um devaneio, também, porque, do seu lado, está um grupo social que não pára de minguar.

Só falta tomarmos consciência de que a mentalidade em ascensão no Brasil e no mundo é a nossa, daqueles que, aqui e em outras partes da blogosfera, fazemos um pouco do tal “nós conosco” ao qual se refere o leão-de-chácara da Folha.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h29
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Análise política

Striptease midiático

 

 

 

 

 

 

Confesso a vocês que, em meio século de vida, nunca vi coisa igual à guerra das tevês que ora beneficia o país. E sei que não faltarão os que dirão “feio” o barraco midiático estabelecido entre Globo e Record a partir da última terça-feira, mas, para este blogueiro, nunca se viu coisa mais útil na tevê.

Nesta quinta-feira à noite, o novo round veio de forma mais elaborada, lenta, revestido de alguma coisa que me fez lembrar de sensualidade, provavelmente pelo cair das vestes que se viu não apenas das duas emissoras, mas de todos os impérios de mídia do país.

Era como se Globo e Record, através dos minutos incontáveis de suas matérias de ataque uma à outra, fossem deixando, lânguidas, que os véus translúcidos que resguardam suas vergonhas caíssem um a um.

As duas emissoras começaram a se atacar exatamente ao mesmo tempo – tão logo terminou o horário eleitoral do PTC. A Record manteve os ataques por mais tempo do que a Globo.

Ambas arrastaram seu bate-boca ao Congresso nacional, mostrando que a briga realmente é de cachorro grande e de como foi na política que esses impérios de comunicação nasceram, cresceram e como chafurdam nela até hoje, mais do que nunca.

A Globo escalou seu time de parlamentares oposicionistas de sempre (Arthur Virgílio, Rodrigo Maia etc.) e o indefectível petista Eduardo Matarazzo Suplicy. Defenderam investigações logo depois do acordão que fizeram para pôr fim a elas no Senado, a Casa do Telhado de Vidro.

A Record respondeu com outro time de parlamentares maior e bem mais agressivo do que os que se apresentaram no Jornal Nacional para pedir “apuração” das denúncias contra a Igreja Universal. Os parlamentares da emissora de Edir Macedo citaram a Globo nominalmente sem parar, falando sobre os malefícios do monopólio da emissora carioca.

De resto, a Globo requentou informações de terça-feira sobre a denúncia do Ministério Público de São Paulo contra a Universal e a Record promoveu uma lacrimejante defesa do “dízimo” através de fiéis que teriam enriquecido valendo-se daquela prática cristã (dízimo), a qual a Record também lembrou ser comum em outras igrejas, como a católica.

No fim das contas, a nudez midiática revelou o que jamais os impérios de comunicação exibiram sobre si e revelou o quanto tinham a esconder. Acredito que o que mais chamou a atenção naquela nudez indecente foi o envolvimento da televisão com políticos, a mesma televisão que boa parte do público sempre acreditou apolítica.

Foi o striptease mais bem feito a que assisti, apesar de não ter assistido a tantos assim e de os outros a que assisti terem sido com stripers mais bonitas.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h41
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Documentário

Além do Cidadão Kane

 

 

clique na barra acima para assistir

 

 

 

O documentário “Além do Cidadão Kane” foi produzido pela tevê pública britânica “BBC de Londres” em 1993. O título se deve à similaridade entre o fundador das Organizações Globo, o falecido Roberto Marinho, e o personagem Cidadão Kane, do filme norte-americano de mesmo nome filmado em 1941 e dirigido por Orson Welles.

“Cidadão Kane” supostamente se baseou na vida do magnata do jornalismo americano William Randolph Hearst (publicamente, Welles negava) e conta a história de Charles Foster Kane, um menino pobre que acaba se tornando um dos homens mais ricos do mundo.

O documentário da BBC de Londres foi proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial pedida pelas Organizações Globo. Trata das relações sombrias entre o grupo empresarial e o cenário político brasileiro durante o século XX.

A similaridade entre a realidade vigente há cerca de dezesseis anos (quando foi rodado o documentário) e hoje é tão gritante quanto as mudanças claras por que o país passou e continua passando.

Aliado de todos os governos enquanto lhe interessaram, Marinho construiu um império que só começou a encontrar rivais no governo Lula por força da perda de poder da Globo sobre as instituições brasileiras devido à distância que o atual governo sempre manteve dela.

 Recomendo fortemente aos leitores que nunca assistiram “Além do Cidadão Kane” que assistam e, depois, que façam outras pessoas assistirem, e que recomendem que elas façam o mesmo com mais alguém. O documentário é longo, mas quem nunca assistiu não faz a menor idéia do que é o Brasil.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h13
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Análise policial

Globo e Record têm razão

 

 

 

 

 

 

Na noite desta quarta-feira, 12 de agosto de 2009, graças ao instrumento que mais infunde terror nos corações dos barões da televisão brasileira, o controle remoto, pude assistir, golpe a golpe, a um duelo de titãs: Globo e Record se engalfinharam em horário nobre.

Foi sangrento. A Globo mostrou o picareta que é Edir Macedo por explorar a boa fé de pobres coitados aflitos com seus dilemas e demônios íntimos. E a Record revidou com a história podre da rival carioca, os serviços prestados à ditadura, as armações políticas, as manipulações.

A estratégia da Globo baseia-se em dados demolidores contra a Igreja Universal graças a informações de investigação contra esta que corre em segredo de Justiça, o que fez o Jornal da Record perguntar, em alto e bom som, o que não é tão menos complicado de a rival responder: como conseguiu tais informações?

A questão levantada pela Record deverá desembocar em investigação também desse fato. Será ótimo descobrir – ou ver alguém denunciar publicamente num grande meio de comunicação – como funciona esse esquema de vazamentos de processos judiciais, que, aliás, provocou medida judicial recente contra outro membro do PIG, o Estadão.

O mais importante, para mim, foram as acusações de partidarismo global em prol de Serra (a foto dele apareceu sob locução que aludiu aos favorecidos pela emissora carioca contra Lula). Pela primeira vez, foi dito claramente que a Globo trabalha para o tucano.

A porcaria foi jogada no ventilador. E atingiu as duas emissoras que a arremessaram, porque ambas estão cobertas de razão no que dizem uma sobre a outra. E quem ganha com essa “razão” delas somos todos nós, incluindo os fãs de cada uma.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h07
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Análise política

O “Bispo”

 

 

 

 

 

Faço questão de abordar as notícias surgidas na mídia em relação à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e a seu “bispo” mor, Edir Macedo. E, em particular, faço questão de comentar a reportagem da Globo sobre o assunto, veiculada na noite da última terça-feira.

E isso porque, para este blogueiro, não há assunto “espinhoso”, em razão do fato de que é um outsider descompromissado com qualquer grupo corporativo ou de interesses que não seja o Movimento dos Sem Mídia, ONG que fundei para tratar do mau estado da comunicação no Brasil.

E que melhor assunto para alguém que criou uma ONG que questiona condutas no mínimo questionáveis de meios de comunicação do que abordar um escândalo com inegável potencial para desmoralizar um dos maiores grupos de comunicação hoje no país, a rede Record?

E, sobretudo, diante da esperteza de alguns leões-de-chácara da imprensa golpista que querem jogar a IURD no colo de pessoas que nada têm que ver com a ascensão econômica do polêmico Edir Macedo e com a concessão da Record a ele em 1991, durante o governo Collor, ao qual os que hoje o criticam estavam então aliados.

Esse caso envolvendo os controladores da Record só serve para mostrar como se constitui essa mídia porca (PIG) que tem o país. Como as concessões de meios de comunicação jamais tiveram critério no Brasil.

Sectária, partidarizada, mentirosa, alarmista, censora, a grande mídia, esse poder paralelo ao Estado que pretende controlar e pautar a sociedade brasileira, em minha opinião, se investigada adequadamente, em nada perderia para Edir Macedo em termos de uso do poder midiático para atingir os próprios fins obscuros.

A reportagem da Globo aqui reproduzida não trouxe grandes novidades. Em 1995, a Rede Globo já havia apresentado, no mesmo Jornal Nacional, as filmagens da picaretagem de Edir Macedo que apresentou na terça e que mostram esse e outros líderes da Igreja Universal do Reino de Deus discutindo formas de extorquir fiéis incautos valendo-se do argumento de que a Bíblia diria que quem dá, recebe, e que, para cada fiel que não quiser dar dinheiro, “Deus” mandaria outros para dar.

É um absurdo. Uma mente doente, um caráter pernicioso e ameaçador é o que esse Macedo demonstra naquele vídeo. E culpo até mais do que ele quem lhe deu a concessão da Record. Para ele e para muitos outros, entre os quais estão os críticos de hoje de Macedo, o “bispo” mor da IURD.

Isso quer dizer o quê? Que todos os que trabalham para ele são canalhas como ele? Por essa ótica, o país está mal. Sobretudo de jornalismo.

Analisem-se os envolvimentos de políticos e de partidos com donos de meios de comunicação e descobrirão um manancial de relações obscuras das quais será possível extrair escândalos e acusações tão ou mais graves do que as que pesam contra o “bispo” Macedo e seus asseclas.

O que posso dizer, por exemplo, do jornalismo da Record, é que, nos últimos anos, tem sido o menos censor, o menos difusor de mentiras, de alarmismo e de outras práticas daninhas da mídia. O resto da programação da emissora, não é nem melhor, nem pior do que das concorrentes. Os mesmos programas de auditório ou humorísticos imbecilizantes, a mesma dramaturgia pobre, tudo igual. Menos o jornalismo, repito.

Ninguém sério neste país daria um suspiro de tristeza se Edir Macedo fosse posto em cana, se suas vítimas fossem ressarcidas e se a Record fosse entregue a comunicadores sérios que fizessem da emissora alguma coisa melhor do que há hoje na praça. E contanto que outros tão picaretas quanto o “bispo” fossem tratados da mesma forma.

Essa história de “começar” o saneamento da mídia por Macedo me cheira a estratégia de seus pares – conjunturalmente seus inimigos políticos –  em sua guerra para dominar o país usando a comunicação, o que talvez seja nosso maior problema, porque o acobertamento midiático de corruptos hoje excede muito o denuncismo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h13
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Representação do Movimento dos Sem Mídia ao Ministério Público Federal

 

O caso da febre amarela

 

 

 

Reproduzo, abaixo, a íntegra da nova manifestação que fiz em nome do Movimento dos Sem Mídia ao Ministério Público Federal no âmbito da Representação de nossa Entidade relativa à promoção de alarma social por meios de comunicação quanto a surto de febre amarela ocorrido no Brasil no início do ano passado.

 

 

*

 

 

PROCURADORIA DA REPUBLICA EM SÃO PAULO

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

EXMA. SRA. PROCURADORA DA REPÚBLICA

DRA. EUGÊNIA AUGUSTA GONZAGA FÁVERO

 

 

Ref.: Procedimento Preparatório nr. 1.34.001.002473/2008-63

 

 

O MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA – MSM, organização da sociedade civil, através de seu Presidente e representante legal que esta subscreve, nos autos do Procedimento em referência, em trâmite perante essa D. Procuradoria Federal da República, volta a se manifestar no sentido de agregar aos Autos novas informações e documentos relativos a ações de mesma natureza praticados por órgãos de mídia e relativos a matéria de saúde pública, agora envolvendo a chamada gripe H1N1, popularmente conhecida como “gripe suína”, podendo tais ações terem acarretado novos prejuízos ao país e à sociedade, em decorrência da repetição de fatos que provocaram a Representação inicial de nossa organização, feita a essa D. Procuradoria da República em 17 de março de 2008:

 

 

DO HISTÓRICO DA REPRESENTAÇÃO

 

 

No final do mês de dezembro de 2007, com a seqüência dos fatos prosseguindo até o fim de janeiro de 2008, os veículos de comunicação social ora Representados pautaram e colocaram em imensa evidência, em suas publicações e transmissões, relatos e opiniões de forma extremamente alarmantes, sempre em escala crescente, o que acabou disseminando entre a população a crença de que estaria em curso no país uma EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA URBANA, evento que não ocorria há mais de sessenta anos. Dessa prática da imprensa decorreu verdadeira histeria social que se apoderou do cidadão mais humilde até o mais abastado – e, pretensamente, mais bem informado -, num processo em que cada órgão de imprensa parecia querer produzir mais estardalhaço e alarme do que o outro.

Com efeito, no decorrer do ano passado foi constatado, sob informações do Ministério da Saúde, os efeitos deletérios do alarmismo midiático quanto a uma epidemia inexistente que provocou corrida aos postos de vacinação e conseqüente esgotamento de vacinas contra a febre amarela no país que é o maior produtor mundial do medicamento, o que gerou adoecimento de dezenas de pessoas por reação adversa à vacina, conforme informações do mesmo MS comprovaram, sem falar nas mortes decorrentes da reação em pessoas que comprovadamente se vacinaram sem necessidade, de maneira que o MSM pede que se investigue se essas pessoas não foram movidas exclusivamente pelo noticiário dos veículos de comunicação representados.

Em 7 de novembro de 2008, atendendo ao ofício dessa Procuradoria GABPR12-EAGF/SP-000506/2008, o MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA voltou a se manifestar nos autos no sentido de requerer dados ao Ministério da Saúde que fundamentariam a tese proposta por nossa Entidade e oferecendo documentos daquele Ministério que fundamentariam aquela tese e que nos foram entregues pela jornalista especializada em Saúde Conceição Lemes, um estudo intitulado Auditoria de Imagem, o qual revela detecção do MS de alteração “inexplicável” do comportamento dos meios de comunicação no surto de febre amarela do ano passado em relação a surtos ocorridos em anos anteriores.

Em decorrência daquela manifestação do MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA, essa D. Procuradoria requisitou informações ao Ministério da Saúde já por duas vezes este ano, mas até agora não foi atendida. Dessa conduta inexplicável daquele Ministério ou da lentidão no encaminhamento das informações sobre a febre amarela a essa Procuradoria, nossa organização acredita que decorrem os fatos que relata a seguir.

 

 

DOS FATOS

 

 

A falta de responsabilização dos meios de comunicação representados por nossa organização há mais de 1 ano na questão do alarmismo relativo à febre amarela parece ter gerado novo prejuízo à sociedade, agora por conta do surto de gripe A (H1N1), vulgarmente conhecida como “gripe suína”.

O alarmismo dos meios de comunicação fica patente não apenas no senso comum, na constatação do afluxo de cidadãos aos hospitais que se viu recentemente, contrariando recomendações do Ministério da Saúde e congestionando os sistemas de Saúde público e privado, inclusive facilitando a transmissão do vírus H1N1 ao reunir nas instalações hospitalares pessoas sãs com outras infectadas. Novamente, alarmadas pelo noticiário as pessoas voltaram a arriscar a própria saúde.

Um dos casos mais graves do novo surto de alarmismo midiático, apesar de outros órgãos de comunicação também terem agido de forma similar (com escalada de manchetes sobre a questão, devendo também ser investigados pela D. Procuradoria), foi matéria de capa do jornal Folha de São Paulo publicada em 19 de julho último e reproduzida a seguir.

 

Folha de São Paulo, domingo, 19 de julho de 2009

Gripe pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas

HÉLIO SCHWARTSMAN DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

A pandemia de gripe provocada pela nova variante do vírus A H1N1 poderá atingir entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas. De 3 milhões a 16 milhões desenvolverão algum tipo de complicação a exigir tratamento médico e entre 205 mil e 4,4 milhões precisarão ser hospitalizados. [...]

 

Assinante da Folha lê a matéria completa clicando aqui

 

A matéria em questão gerou matéria da jornalista Conceição Lemes publicada no site jornalístico “Vi o Mundo” (www.viomundo.com.br), em 23 de julho deste ano, contendo entrevista com o médico epidemiologista Eduardo Carmo Hage, diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde. É o mesmo citado na reportagem da Folha de São Paulo, conforme reprodução abaixo.

 

'Reportagem da Folha sobre gripe suína é totalmente furada; uma irresponsabilidade’

Publicado em 22 de julho de 2009 às 08:37

por Conceição Lemes

Domingo, 19 de julho, capa da Folha de S. Paulo: Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses

Domingo, 19 de julho, caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo: Gripe pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas

Difícil o cidadão comum ler essas manchetes, e não se apavorar. Quem ainda tem na memória a epidemia midiática de febre amarela de 2008, é impossível não se indignar. Um verdadeiro crime contra a saúde pública foi cometido pela mídia corporativa. O pânico desencadeado pela combinação de má-fe e incompetência de grande parte da imprensa levou milhões de pessoas a se vacinar inutilmente e a correr riscos desnecessários devido aos efeitos colaterais. Duas morreram estupidamente.

 

Leia a matéria completa clicando aqui.

 

O descalabro do procedimento do jornal Folha de São Paulo, que não foi o único apesar de ter sido o mais grave, gerou reação do próprio ombudsman daquele jornal, Carlos Eduardo Lins da Silva, poucos dias depois.

O título da coluna do ombudsman fala por si mesmo: “No Limite da Irresponsabilidade”. O texto foi publicado no jornal em 26 de julho último e segue abaixo reproduzido.

 

OMBUDSMAN

Folha de São Paulo, 26 de julho de 2009

No limite da irresponsabilidade

Ao ler na capa chamada sobre a gripe A, até os menos paranoicos devem ter achado que chances de contrair doença são enormes

A REPORTAGEM e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008.

O título da chamada, na parte superior da página, dizia: "Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses". A afirmação é taxativa e o número, impressionante. Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento. Mesmo os menos paranoicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica. [...]

 

Assinante do jornal lê mais clicando aqui

 

A arrogância, a irresponsabilidade e a sensação de impunidade dos meios de comunicação em um assunto da gravidade da Saúde pública fica patente até na coluna de um jornalista que trabalha em um desses veículos, que imprime tom de revolta em sua crítica.

Esta é a situação que impulsiona o MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA a novamente se manifestar, no sentido de solicitar a máxima agilização nos procedimentos relativos à Representação que protocolou há mais de um ano nessa Procuradoria, e que, até agora, não gerou nenhuma conseqüência para empresas de comunicação Representadas, as quais, ao que parece pelo relatado acima, continuam convulsionando o país, podendo causar graves danos à Saúde pública e literalmente zombando das leis e do sofrimento das vítimas, o que chega a parecer divertimento dessas empresas com os danos que estão causando e parece até estimulá-las a prosseguirem nas mesmas práticas abusivas e ameaçadoras ao conjunto da sociedade brasileira.

Pelo exposto, nossa Organização roga - e, em nome dos interesses indisponíveis da sociedade, requer - que a Representação que apresentou junto a essa D. Procuradoria tenha seu andamento agilizado, no sentido de requisitar a máxima celeridade do Ministério da Saúde no envio das informações requisitadas pela Douta Procuradoria da República sobre os dados da febre amarela no País, possibilitando o encaminhamento das providências ulteriores por essa Procuradoria, de forma a proteger a sociedade das condutas que entendemos ilegais por parte das Representadas, quer seja no plano da responsabilização penal dos responsáveis, quer no tocante ao ressarcimento do Erário Público Federal pelas despesas extraordinárias provocadas pelas empresas Representadas através de seu noticiário alarmista e irresponsável em matéria tão sensível e importante à cidadania como é a área da saúde pública.

 

 

São Paulo, 11 de agosto de 2009.

 

 

MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA

EDUARDO GUIMARÃES

PRESIDENTE



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h23
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Comunicado

Se ninguém se mexer

 

 

 

Estamos assistindo a um fenômeno assustador. O Poder Legislativo federal está paralisado exclusivamente pelos tais recortes de jornal num momento em que todos os países do mundo, do mais rico ao mais pobre, fazem de tudo para superar a crise econômica.

E o que faz o Brasil? Mergulha numa discussão inútil sobre práticas do Legislativo que sempre existiram e que não será com sua paralisia que deixarão de existir. Com isso, jornais, tevês e a oposição ao governo do país impedem que o Congresso trabalhe.

Resultado: o marco regulatório do pré-sal, por exemplo – matéria do interesse maior de todos os brasileiros –, deverá ficar indefinido até o fim do governo Lula, segundo estimativas da oposição.

Além disso, as famílias Frias, Marinho, Civita e Mesquita arrogaram para si o poder inimaginável de escolherem quem presidirá as duas Casas do Congresso.

Quem lhes delegou esse poder? Quantos votos essas famílias receberam para exercer um poder ditatorial como esse?

E o pior é que não é “só” isso. A mesma imprensa que paralisa o Legislativo, que impede que o Brasil funcione normalmente (num momento delicado como este por que passa o planeta Terra) e que detém o poder de nomear e derrubar os presidentes da Câmara e do Senado, ainda mata ou adoece pessoas com seu poder de alarmar a sociedade, como ficou patente no ano passado na questão da febre amarela e agora no caso da gripe “suína”.

Pergunto-me, então: se o próprio grupo político e o governo federal, que têm sido os alvos principais desse poder discricionário da mídia, não se mexem para reagir a essa barbaridade apesar de terem poder de sobra para tanto, o que é que um mero caixeiro-viajante vai querer fazer?

E mais uma pergunta: por que eu teria que fazer alguma coisa se os que têm muito mais condições para reagir, não fazem nada?

Bem, primeiro porque levei mais de uma centena de outros cidadãos a fundarem comigo uma ONG (o Movimento dos Sem Mídia) justamente para reagir aos abusos da mídia, e, em segundo, porque alguém tem que pôr o guiso nesse gato antes que ele incendeie a casa toda.

Dessa maneira, comunico que o Movimento dos Sem Mídia, por meu intermédio, voltará a se manifestar ao Ministério Público Federal no que tange duas questões cruciais para o país.

A primeira questão é a da representação que a ONG que presido fez ao MPF no ano passado por conta do alarmismo da mídia na questão da febre amarela.

Por inação do Ministério da Saúde, que não forneceu as informações requisitadas pelo Ministério Público para julgar a procedência da denúncia do MSM apesar de aquela Procuradoria ter feito o pedido ao MS duas vezes, o alarmismo voltou agora na questão da gripe suína.

Há farto material para juntar aos autos no MPF, inclusive denúncia do ombudsman da Folha de São Paulo em artigo de sua autoria que leva o sugestivo título de “No Limite da Irresponsabilidade”, no qual denuncia que seu jornal promoveu o alarmismo do qual é acusado pelo MSM.

Esse material será juntado ao processo na próxima terça-feira e, posteriormente, será reproduzido aqui.

A segunda questão sobre a qual o Movimento dos Sem Mídia irá se manifestar ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal é a da ficha policial falsa que a mesma Folha de São Paulo divulgou contra a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e que o jornal, apesar de perícias que provam a falsidade do documento, insiste em coonestar.

Há que investigar quem enviou a falsificação ao jornal e qual sua participação no processo fraudulento e difamatório contra uma autoridade federal.

Apesar de a prerrogativa de processar os difamadores caber exclusivamente à vítima da difamação, a falsificação de documento público é crime que qualquer cidadão pode denunciar e, portanto, é isso o que o MSM fará.

Houve alguma demora para agirmos devido às férias do diretor jurídico do MSM. Com seu retorno, as duas ações supra mencionadas serão retomadas ainda nesta semana, sendo que a representação relativa à ministra Dilma Rousseff talvez não fique pronta esta semana, mas, com certeza, ficará até a próxima.

Por fim, devo fazer uma denúncia. Quando anunciei que faria uma representação ao MPF por conta da ficha falsa da ministra Dilma, recebi ameaça via comentário postado neste blog.

Faço uma sugestão aos que me ameaçaram anteriormente: não percam seu tempo fazendo ameaças. Partam diretamente para a retaliação que me prometeram em caso de eu levar o assunto adiante. Não tenho medo de vocês.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h22
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Desabafo

Por que a direita vence

 

 

 

Você não gosta do mundo em que vive? Acha-o desigual, desumano, violento? Repugna-se ao ver bilhões de famintos rastejando pelos quatro cantos da Terra enquanto alguns milhares gastam numa vida o que sustentaria aqueles bilhões por dez vidas?

Bem, digo-lhe que a culpa por tudo isso não é só da direita, que defende a desigualdade, a opressão e que o fausto de uns poucos se dê à custa do suplício de muitos. Sem a esquerda, a direita jamais triunfaria.

Veja o que acontece hoje no Brasil. A ultra-esquerda (PSOL e outros tarados do tipo) aliou-se à direita tucano-pefelê. Pelas Heloísas Helenas da vida, Lula teria sido derrubado em 2005 e os pefelês e tucanos reassumiriam o poder em 2006 para venderem tudo o que não tiveram tempo de vender até 2002.

Mas se fosse só a esquerda exótica e descerebrada que fizesse essas pataquadas, que fosse incapaz de prever o mínimo que fosse a conseqüência de seus atos, que tentasse sofregamente ajudar os neocons a retornarem ao poder só para não ceder o mínimo que fosse ao inevitável num país em que a direita controla tudo, não seria nada.

Se até o PT sabota o governo de seu partido levando a eleição de 2006 para o segundo turno ao tentar vencer uma eleição perdida em São Paulo usando os métodos da direita, se até o PT sabotou a própria candidatura à prefeitura paulistana no ano passado usando (sem a menor “competência”) o preconceito contra os preconceituosos reacionários (insuperáveis nessa “arte”), não dá para atribuir só à direita os males do mundo.

A direita vence porque a esquerda deixa, porque é burra, porque é ingênua. Tem uma agenda que interessa a todos, mas abre mão dela toda para não perder uma só página.

Só neste ano, a mídia de direita e seu grupo político propriamente dito inventaram escândalos, epidemias, dossiês, derrocada econômica do país, fichas policiais falsas contra ministros do governo Lula... Será que o PT, em algum momento, disse em alto e bom som que a mídia sabota o governo porque se aliou aos seus opositores?

Agora, a oposição ao governo Lula tenta paralisá-lo colocando um oposicionista na presidência do Congresso. E, para isso, conta com quem? Com a mídia? Sempre, mas a mídia só pode fazer barulho. Não tem votos. Assim, a direita apela para a covardia e para o entreguismo da esquerda. Apela para o PT, que promete ajudar.

Segundo um dos leões-de-chácara de José Serra na imprensa, o blogueiro Noblat, o senador Aloizio Mercadante já prometeu ao PSDB e ao PFL que, além de si mesmo, já conseguiu mais dois senadores petistas para ajudar a oposição a tomar o controle do Senado.

Olhe, leitor que divide comigo meus ideais, nós temos que ter limites. De que adianta lutarmos tanto, gastar tanto tempo, tanto esforço, queimar nossos neurônios aqui diariamente se os políticos que tentamos apoiar sabotam a si mesmos?

Estamos sozinhos, meu amigo. Nós os apoiamos e eles nos desprezam. Vivem rastejando atrás da imprensa golpista esperando que esta lhes jogue o osso de uns segundinhos ou de umas linhazinhas no noticiário.

Enquanto me exponho todos os dias aqui a insultos inimagináveis mesmo para a mente mais criativa e até a ameaças das mais assustadoras, os petistas detentores de mandato popular, do voto que lhes dei para me representarem, ficam de quatro para a mídia, para o PSDB e para o PFL.

Confesso a você, leitor, que não sei se resistirei ao PT dar a vitória à mídia na questão de Sarney. Se isso ocorrer, esqueçamos 2010. Melhor até que Lula ceda a cadeira a Serra de uma vez e nem precisaremos fazer eleição alguma.

Que eles voltem ao poder, vendam o pré-sal, privatizem até o ar que respiramos. Dane-se o país. Mercadante e outros palhaços como ele conseguirão alguns minutinhos na mídia, só para serem malhados como Clóvis Rossi fez hoje com esse debilóide masoquista.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h33
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Crônica

Dia dos filhos

 

 

 

 

 

 

Como pai, tudo o que posso fazer no dia dedicado a nós, homens que plantaram sementes de si mesmos e que, com desvelo, cuidam – ou cuidaram – delas com amor, dedicação e renúncia até germinarem completamente, será escrever sobre aqueles que me rendem homenagens neste dia, porque nunca tive um pai para homenagear.

O homem que fertilizou minha mãe nunca foi meu pai. Ele pretendeu auferir vantagens ao se unir a ela, que era de família de posses. O homem a quem ela entregou seu coração não passava de um aproveitador que a abandonou logo que descobriu que os pais dela não lhe permitiriam tocar em um centavo da família.

Até que tivesse meus próprios filhos, o dia dos pais me era um sofrimento. Na infância, invejava os colegas de escola. Quando as professoras nos mandavam manufaturar presentes para o dia dos pais, era-me traumático fazê-lo sem ter a quem entregar. Sentia-me um pária por “não ter” pai. E jurava que, no dia em que tivesse filhos, seria o melhor pai que conseguisse ser.

Mesmo não sendo o melhor dos pais, sou o melhor pai que posso. É por isso que tenho uma relação com meus filhos que é tudo o que me importa nesta vida além da mulher que escolhi para ser a mãe deles.

Como não tenho pai, portanto, hoje homenagearei meus filhos, que me permitiram resgatar o trauma de infância dando a eles o amor que meu pai biológico me negou.

Primeiro me nasceu a Carla, numa noite fria de agosto de 1982. Depois veio a Gabriela, em abril de 1986. Dois anos depois, em fevereiro, nasceu-me o varão, André. E finalmente, doze anos depois do terceiro filho, em outubro de 1998, nascia minha quarta filha, Victoria.

A Carla me gerou uma neta, a Letícia, hoje com oito anos, a quem considero minha quinta filha apesar de seu verdadeiro pai, marido de minha primogênita, ser um rapaz magnífico e para o qual só tenho elogios.

Que dizer de meus filhos? Que sempre foram responsáveis, que nunca se meteram em encrencas, que jamais usaram drogas ou beberam, que não falam nem palavrões. Que são trabalhadores, os três maiores, e que tentam até me ajudar por conta da enfermidade da Victória, que nos obriga a uma luta muito dura.

No dia dos pais, homenageio os filhos aos quais pude dar o que meu pai não me deu. E não me refiro ao que lhes dei em termos materiais – e dei tudo que pude e até o que não poderia –, mas ao amor que meu pai biológico me negou e que era tudo que eu queria dele, e que depois de tantas décadas de vida continua me fazendo falta.

Obrigado, meus filhos amados, por existirem. Vocês são a minha razão de viver.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h01
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