Análise política

Por que aumentou tanto

o partidarismo da mídia

 

 

Atualizado às 15h22m de 22 de agosto de 2009

 

 

 

 

 

 

Cidadãos dotados de cérebros autônomos estão indignados diante do aumento do partidarismo da mídia, que, nas últimas semanas, chegou a um ponto no qual está ficando claro que, quando parece ter atingido seu auge, percebe-se que sempre pode ir um pouco mais longe.

Diariamente chego à minha residência pouco depois das 18 horas devido à bela vantagem de meu escritório ficar a 4 quilômetros de casa numa cidade como São Paulo. Dali até por volta das 21 horas, assisto a quase todos os telejornais – Gazeta, Band, Record e Globo.

Pela manhã, passo os olhos pelos meus blogs e sites favoritos, entre os quais estão os dos três maiores jornais do país. E, antes que me trucidem, explico que o termo “favorito” diz respeito ao recurso do navegador que uso para acessar a internet, onde se pode cadastrar os sites que se acessa com freqüência.

Rádio, ouço um pouco a CBN durante o percurso de 4 quilômetros entre meu escritório e meu apartamento, de segunda a sexta-feira.

Só leio muito raramente as revistas semanais, menos a Carta Capital, que compro quase toda semana. Veja, Época e IstoÉ não fazem parte dos veículos que leio porque de assuntos importantes (para quem?) que elas trazem, desde as denúncias até as mais rematadas bobagens os jornalões sempre acabam reproduzindo.

Leio, assisto e ouço veículos brasileiros e estrangeiros o tempo todo. Não faço outra coisa além de me informar. Alguns dizem que o faço exageradamente.

A percepção de que aumentou barbaramente o nível de partidarização desses meios de comunicação revelou-se, não só aqui na internet como até entre os leigos digitalmente analfabetos, uma percepção gritante. Trocando em miúdos: a sociedade como um todo percebeu o aumento dos embates políticos e vê a mídia no meio.

Cresce, agiganta-se no país a percepção de que tantas denúncias se devem à partidarização de meios de comunicação, à tomada de lado por esses veículos. E um entre os vários fatores que mais contribuíram para isso foi a guerra pela audiência entre a Globo e a Record. Só não se sabe se as pessoas vêem e aderem, em maioria, ou se vêem e desgostam do que viram.

Mas havia um componente oculto nesse processo crescente de desinteligência política que já estamos assistindo há quase um mês e eu não conseguia detectá-lo, até há pouco. Então descobri que existiam duas possibilidades.

Uma das teorias é a de que a mídia estaria colhendo resultados de sua estratégia de tentar desmoralizar Sarney, comprometer Lula e inviabilizar Dilma Rousseff  eleitoralmente bem antes de sua campanha à Presidência chegar às ruas. Seria por isso que a mídia decidira intensificá-la.

Quando saiu a pesquisa Datafolha mostrando que sim, que algo fora conseguido com esse processo avassalador de acusações incessantes na mídia, cheguei a acreditar que a estratégia estaria funcionando.

Todavia, a recente pesquisa Vox Populi revelou que não, que a estratégia de bombardeio de saturação não estaria funcionando, e que, em vez de mudar de estratégia, a mídia e a oposição optaram por intensificá-la.

Outro dia, acho que foi na Globonews, assisti a um cientista político dizendo que não entendera a estratégia do recente programa eleitoral do PSDB de dizer ao país que ele estava falido por culpa de Lula, desprezando o fato de que o Brasil já vinha dando mostras de que deixaria a crise para trás. Criticou que os tucanos, em vez de falarem bem de si, optaram por fazer acusações questionáveis.

A mídia não mostra a realidade, mas uma interpretação dela. A que está mostrando sobre a política é produto simplesmente de seus anseios e pretensões. A grande questão que se coloca, é: dará certo?

Temos alguns indícios para mensurar se dará certo ou não. E, ao contrário do que muitos pensam, essa não é uma questão que possa ser respondida assim, de chofre, sem maior reflexão.

Tudo bem que, recorrendo ao histórico dessa estratégia durante os últimos anos, veremos que não funcionou em eleições federais, mas funcionou nas estaduais e municipais. A mídia fortaleceu decisivamente a direita tucano-pefelista no ano passado e em 2006 em várias partes do Brasil. Hoje, a oposição controla os maiores e mais ricos Estados e municípios.

Outra demonstração de poder midiático foi o dado da pesquisa Datafolha que revelou a ampla desaprovação de Sarney entre a opinião pública. Aliás, os atos públicos contra ele, por mais que tenham sido orquestrados no high society, demonstram que grupos sociais maiores adquiriram coragem de ir às ruas, sentindo-se fortalecidos pela mídia.

Contudo, a leitura do comportamento de Lula e de seu governo em relação à ofensiva midiática, se não for medo, como até cheguei a escrever aqui, pode ser estratégia bem pensada e que estaria funcionando. Aliás, o nível de passividade que se vê do governo diante da mídia pode decorrer de verdadeiro pavor ou de grande confiança.

A continuidade da passividade situacionista contra os avanços da oposição, quando aliada ao Vox Populi, insinua que não só as informações do Datafolha sobre Dilma e Serra podem ter sido manipuladas, mas que o que a pesquisa deu sobre Sarney também pode ser falso, e que o governo teria confiança nessas informações.

Acho difícil dizer, neste momento, o que é de fato que está acontecendo. Ambas as estratégias são arriscadas. A da mídia por poder estar carimbando em si mesma uma imagem consolidada de parte interessada na luta política, e a do governo por poder estar se deixando espancar até a beira da morte.

Esse processo, no entanto, só poderá continuar nessa toada até o início da temporada eleitoral. Dali em diante, a Justiça Eleitoral será obrigada a tomar medidas contra o que estão fazendo os meios de comunicação. Até lá, a oposição e sua mídia, de um lado, e o governo, de outro, ambos podem estar se suicidando.

Quem será o suicida, só saberemos no fim do ano que vem. Temos muito tempo de espetáculo pela frente. Melhor conter a ansiedade.

 

 

Mercadante colhe o que plantou

 

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h14
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Crônica

Porque acredito em você

 

 

 

 

 

 

Antes que me corrijam o português, explico que o título deste texto não é uma pergunta, que demandaria ponto de interrogação, ou o anúncio de uma explicação, o que me obrigaria a separar a conjunção subordinativa causal “porque”. O título é uma resposta, daí a conjunção.

“Porque acredito em você” é a resposta que tenho dado a amigos e familiares que não entendem por que gasto tanto tempo, energia e esforço com um blog que não me dá nem me dará nada em proveito particular.

Respondo à minha mulher e, agora, a uma só filha dos quatro filhos que tenho (pois já "ganhei" a consciência de um filho e de uma filha), que gasto tanto tempo, energia e esforço com este blog porque acredito não só em quem me faz a pergunta, mas nas pessoas em geral, no ser humano.

Dir-me-ão insensato, ingênuo, irracional, incompetente, inconseqüente... Acharão que enlouqueci. Mas não, não enlouqueci. Enlouquecer é acreditar que vivemos em um mundo cercado de seres propensos ao mal e à agressão ao próximo.

A própria iniciativa de criar um blog é a maior demonstração de crença nas pessoas porque não se escreve para si, mas para o outro. Quem escreve acha que pode induzir outros a um determinado pensamento.

Claro que, freqüentemente, tentam induzir o erro do outro escrevendo ou discursando, mas quando se escreve sem objetivos materiais não há possibilidade de se buscar produzir alguma coisa que não seja reação positiva das pessoas, reações voltadas aos valores mais elevados.

Digo que este blog me deu coisas que dinheiro nenhum paga: satisfação íntima, sensação de dever cumprido, qual seja ele, o de dar bom exemplo, de estimular a solidariedade, o companheirismo, a amizade, a piedade, a bondade, os bons sentimentos em geral.

Dirão “bom-mocismo” ou até hipocrisia, mas, conforme os anos vão passando e meus adversários vão vendo que não conseguem produzir nenhuma acusação concreta contra mim de que alguma vez me beneficiei do trabalho neste blog, vou ganhando credibilidade para dizer que faço isto aqui sem querer ganhar nada.

Não anseio tirar nada daqui porque não vivo de jornalismo, e estou velho demais para começar a viver. Com este blog quero apenas dar exemplo de conduta sensata, tolerante, humanista. E quero mostrar que qualquer cidadão pode interferir com sucesso nas grandes questões quando só visa o bem da coletividade.

Acreditar em você, portanto, é uma forma de eu continuar acreditando na vida, em que vale alguma coisa continuar vivendo, em que este lapso de tempo que passamos neste planeta, nesta dimensão, nesta realidade que nos cerca, não é um evento pateticamente inútil.

Acredito que existe um plano por trás da criação. Não sei se é o Deus cristão, o budista ou se os deuses eram astronautas, mas não consigo conceber um universo tão impressionante, uma natureza tão sábia, sem que tudo isso decorra de um plano transcendental.

Daí que, daqui até o dia em que fechar meus olhos de vez, continuarei postando pensamentos e percepções, enfim, idéias e condutas que estimulem o melhor das pessoas, pois acredito que disseminando o positivo, o edificante, a sociedade melhora para todos, inclusive para mim.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h01
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Lembrete

TV para amnésicos

 

 

 

 

 

A quem não pôde assistir ao vídeo acima, relato que se trata de comentário do analista econômico Carlos Alberto Sardemberg na edição do Jornal da Globo da última quinta-feira. Seu comentário sucedeu reportagem contendo previsões de analistas econômicos de que o Brasil crescerá meio por cento em 2009.

No vídeo, Sardemberg explica, didaticamente, porque é que acontecerá tudo aquilo que ele, faz dias, vinha dizendo, terminantemente, que não aconteceria, ou seja, que o Brasil cresceria em vez de ter PIB negativo neste ano.

Essa é a tevê que você tem no Brasil. É para gente que sofre de amnésia galopante. É para pessoas sem qualquer condição de analisar qualquer coisa, dominadas por seus caprichos íntimos ou pela mais pura imbecilidade. Gente incapaz de lembrar de um fato ocorrido há poucos instantes, que se deixa condicionar automaticamente por qualquer informação que lhe seduza as idiossincrasias.

Até dias atrás, jornais, telejornais, rádios e o escambau – incluindo aí o tal Sardemberg – vinham garantindo ao país que o crescimento ficaria negativo neste ano e que o governo estava sendo idiota de insistir numa tese que só fazia se desmoralizar a cada segundo, a previsão de que o país cresceria em um ano em que o resto do mundo só faz afundar e que deve terminar no vermelho.

Para que comprovem o que digo, basta que acessem os arquivos de um Jornal da Globo.  Depois, comparem os comentários de Sardemberg em edições passadas com o de ontem. Ele “explica” como o Brasil crescerá este ano como se tivesse defendido esta tese desde criancinha. Desistiu até de contrariar as sucessivas boas notícias que vinha contrariando, dizendo que ainda não provavam que o país cresceria.

Se você dava razão a Sardemberg  e ao resto da imprensa golpista desde o início da crise até este momento, você tem problemas. É uma pessoa facilmente manipulável, ou então é  intelectualmente desonesto. A questão de fundo, que interessa a todos, portanto, é saber quantos idiotas desmemoriados há no Brasil, e se eles são maioria ou minoria.

Minha aposta, já fiz. E você?

 

COMENTÁRIOS

 

Devido a compromisso profissional nesta sexta-feira, poderá haver atraso na liberação de comentários.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h19
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Crônica política

PIG vai à guerra

 

Atualizado às 07h50m de 21 de agosto de 2009

 

 

 

 

 

Caso ninguém tenha notado, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) entrou em guerra com o governo Lula. Acabou aquela história de tentar disfarçar. Partiram para a censura e para a tomada de lado explícita, ainda que sempre com aquele tom “isento”.

Francamente, o sujeito tem que ser meio retardado para não dizer a si mesmo que os comentários dos “colonistas” (termo cunhado por Paulo Henrique Amorim para se referir aos colunistas políticos dos grandes jornais que compõem o PIG) sobre o embate governo versus oposição são de oposicionistas disfarçados.

Bem, quem não percebe o quanto é daninho para o país o poder que esses magnatas da comunicação pretendem ter, se não estiver sendo pago por eles só pode ser meio fraco das idéias mesmo.

De qualquer forma, o fato é que os grandes jornais e suas revistas e as tevês abertas comerciais partiram para uma espécie de tudo ou nada.

Comecemos pela Folha de São Paulo, por exemplo. Além de esse jornal – e de os outros dois diários gigantes (Globo e Estadão) – boicotar a pesquisa Vox Populi que mostra José Serra em queda livre nas intenções de voto, o jornalão me sai hoje com a coluna de Eliane Cantanhêde abaixo reproduzida.

 

 

 

Como vocês vêem, ela alude a uma estagnação de Dilma e a uma resistência do nível de intenção de voto de Serra que nem o próprio Datafolha demonstrou e que, diante do Vox Populi, tornaram-se impossíveis de se levar a sério.

Com toda certeza Eliane acha que seu leitorado é composto só de fanáticos que endossam qualquer bobagem que disser contanto que lhes acaricie as idiossincrasias políticas. Esquece que tem gente inteligente lendo jornal e analisando os fatos em busca da posição mais correta.

É o mesmo caso de o Globo de hoje. Noticia, na manchete, que acharam o motorista que levou Lina Vieira ao encontro que Dilma Rousseff nega que ocorreu, mas lendo a matéria você descobre que ele esteve várias vezes no Planalto e na própria Casa Civil e que não sabe se em um desses encontros houve a reunião com Dilma que Lina afirma que houve.

Veja a matéria abaixo. É a não-notícia sendo vendida em manchete como furo de reportagem.

 

 

 

Finalmente, o Estadão publica matéria na qual é noticiado que o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, fará um referendo para mudar a constituição do pais a fim de se candidatar ao terceiro mandato consecutivo. Em vez de fazer como fez com Chávez ou com Lula (este sob mera hipótese de fazer o mesmo que Uribe), criticando o colombiano com fúria,  desmancha-se em elogios a ele chamando-o até de “herói”.

Em comum, Globo, Folha e Estadão mostram que perderam qualquer respeito pela inteligência de seus leitorados. Esses jornais, bem como tevês , rádios, revistas, tucanos e pefelistas aliados a eles, certamente acreditam que seus públicos são compostos de fanáticos de direita sequiosos por endossar qualquer barbaridade ou de meros descerebrados.

Essas empresas de comunicação podem estar certas quanto aos seus leitores, ouvintes ou telespectadores, ainda que eu ache difícil que sejam todos assim, mas certamente erram quando pensam que a maioria será incapaz de notar o que estão fazendo.

 

 

Após 16 anos, Brasil verá documentário proibido

 

 

 

 

Confecon - convite

 

 

 

 

 

Bajular o PIG dá nisso

 

 

Aloizio Mercadante e Flavio Arns são dois petistas que expuseram o partido em busca de umas palavrinhas de elogio da mídia. Deveriam saber que não adianta. A Folha, por exemplo, desanca os dois em sua edição desta sexta.

Mercadante estaria querendo ficar com “um pé em cada canoa”, ou seja, ficar no PT e criticar o PT, o que o caracteriza como oportunista, e a Flavio Arns o panfleto de Serra pergunta por que não se indignou na época do mensalão.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h52
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Análise política

Que a democracia decida

 

 

 

 

 

 

Começa a ser perda de tempo travar a discussão política nacional sob a ótica da oposição tucano-pefelista e de seus jornais, rádios, revistas e tevês. Tais agentes políticos querem impor que o jogo seja em seu campo. Nesse processo, dão voz a um lado e cassam a do outro; distorcem ou inventam fatos; chegam a debochar.

Sinto-me até meio idiota em dar maiores detalhes sobre isso, pois vem acontecendo há pelo menos quatro anos. Mas vamos lá, assim mesmo: duas pessoas públicas divergiram sobre um mesmo fato e nenhuma delas tem prova do que disse, mas a mídia escolheu um lado de forma sumária e daí passou a oprimir o outro.

O mesmo vale para a crise no Senado. Meia dúzia de magnatas da comunicação decidiram determinar quem preside o Poder Legislativo e ponto final. Como não há diálogo possível, que se diga o nome do jogo e que efetivamente se jogue. E é o que estou fazendo agora.

O nome do jogo, a esta altura do campeonato, é voto. Só nos resta apelar para a democracia, o sistema político vigente no país. Quem tiver mais votos leva, porque não se há de permitir que donos de meios de comunicação partidarizados façam campanhas avassaladoras e milionárias de destruição moral para manipular a opinião pública dessa forma.

Os empresários de mídia que tentam se arrogar tal poder, em conluio com a minoria no Legislativo, podem ter como falar mais alto para o país, mas não têm os votos para transformar suas vontades em fatos. Tentam consegui-los, então, coagindo aquele Poder da República, intimidando-o. O Senado disse não. Negou a exigência midiática.

Daqui a 2010, terá que ser assim: que os consagrados pelas urnas façam valer o poder que auferiram e, em nome dos votos que detêm, que dêem a última palavra.

O único problema, contudo, é que processos políticos radicalizados como o que está se tentando construir aqui (vide o resto da América Latina) têm levado os perdedores a não aceitarem o resultado das urnas.

É imperativo que a sociedade comece a exigir que o respeito à voz das urnas, no ano que vem, seja total. Ainda que a oposição venha aceitando esses resultados, o nível de endurecimento de suas posições preocupa, pois começa a se parecer com o de países em que a situação política se tornou catastrófica.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h31
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Análise política

Explicação da Datafraude

 

 

Atualizado às 22h54m de 19 de agosto de 2009

 

 

 

Confesso que, apesar de ter antecipado aqui, três semanas antes da pesquisa Datafolha publicada no último domingo, que ela mostraria o que efetivamente mostrou (prejuízo de imagem a Dilma e Lula devido ao apoio deles a Sarney), fiquei surpreso com a pesquisa Band/Vox Populi sobre a sucessão presidencial divulgada ontem no principal telejornal da emissora paulista.

Quando minha fonte na Folha de São Paulo me revelou do acordo entre políticos de oposição, institutos de pesquisa de opinião e órgãos de imprensa para fraudar sondagens do eleitorado, não achei que isso se devia a uma forte queda de Serra e a disparada de Dilma na preferência popular. Achava apenas que queriam “matar” Dilma enquanto ainda estava “fraca” e Serra, “forte”.

Mas, de fato, se notarmos o nível de partidarização em que mergulharam TODOS os grandes órgãos de imprensa, que compraram e endossaram sem pestanejar uma versão nebulosa de uma acusação à ministra-chefe da Casa Civil na qual quem acusa não se lembra do dia nem da hora do suposto encontro que teria tido com ela, mas se lembra até da roupa que a ministra teria usado nessa reunião fantasiosa, bem como de outros detalhes mínimos, a explicação para essa fúria midiático-oposicionista fica evidente.

Sim, é desespero de causa. Para influir na vontade da maioria, pisam no acelerador de uma tática que vem fracassando contra o patrono da candidatura Dilma uma vez após outra desde 2004. Só gente desesperada agiria assim.

Também me surpreendeu o nível de ousadia da pesquisa Datafraude. Achei que “trabalhariam” dentro da “margem de erro”. Contudo, a comparação dos números do instituto de pesquisa da Folha e do Vox Populi revela uma fraude que, em termos estatísticos, pode ser considerada gigantesca.

Vejam, abaixo, comparação dos números das duas pesquisas feita pelo caro Rodrigo Vianna em seu blog:

 

DATAFOLHA

1) Serra 37%  2) Dilma 16%  3) Ciro 15%  4) Heloisa Helena 12%

 VOX POPULI 

1)  Serra 30% 2) Dilma 21% 3) Ciro 17% 4) Heloisa Helena 12%

 

Notem, por exemplo, como Heloísa Helena tem o mesmo percentual e Ciro Gomes quase o mesmo em duas pesquisas totalmente antagônicas.

Mais importante ainda, mais esclarecedor ainda é a censura dos grandes meios de comunicação – e até dos grandes portais de internet – à pesquisa Vox Populi. Esse instituto é respeitadíssimo desde sempre. Não me lembro de ter sido censurado antes. Logo que descobrirem que não conseguirão esconder os números – até porque foram veiculados na televisão –, passarão a desqualificar o instituto.

O estafe serrista na mídia tentará ocultar a pesquisa o máximo possível. Em vez de a própria Folha de São Paulo, em nome da credibilidade de seu instituto, vir a público tecer considerações e questionamentos ao Vox Populi, omite de sua edição desta quarta-feira a pesquisa contraditória, apesar de suas edições serem fechadas à meia noite, o que lhe daria tempo de sobra para noticiar o que a tevê Bandeirantes noticiou às 20 horas de ontem.

A esta altura, não há dúvida de que a mídia decidiu censurar a pesquisa Vox Populi. Pode-se dizer isso devido à censura dos grandes portais de internet. Em termos da rede mundial de computadores, já se passaram meses desde a divulgação da pesquisa desafiadora.

Aliás, a Band censurou um dado que um leitor do blog de Luis Nassif bem ressaltou e que poucos se deram conta: a rejeição de José Serra é a maior entre todos os candidatos. E se a rejeição de Dilma é maior entre as mulheres, a de Serra é maior entre os homens.

Agora você dirá: “Eduardo, você se precipitou ao dizer que Lula erra ao não reagir ao assédio difamatório da imprensa a Dilma. Ele sabe o que faz, pois sabe que a população já notou que estão fazendo com sua candidata o que sempre fizeram com ele”.

Pode ser, mas isso não muda o fato de que estar sendo violado o mais basilar princípio jurídico, o de o ônus da prova caber a quem acusa, é uma ameaça a todos os cidadãos, inclusive àqueles que aplaudem essa barbaridade que estão praticando contra a ministra.

A oposição está abrindo as portas do inferno. Uma sociedade que pratica tais barbaridades, também se torna bárbara, e em uma sociedade bárbara ninguém está seguro. É por isso que continuo cobrando reação do chefe da Nação, em defesa do Estado Democrático de Direito, que está sendo virtualmente estuprado para beneficiar uma mera candidatura política.

 

 

Recorde de visitação do Cidadania

 

 

Fazia um bom tempo que eu não analisava os controles de visitação do blog. Fiz isso hoje e tomei um susto. Praticamente dobrou a visitação. Nos últimos 30 dias (que inclui o período de férias), contabilizei mais de 270 mil page loads.

Não faço idéia de onde vieram tantos leitores novos, mas saúdo a todos.

 

 

Não use drogas

 

 

Dos leitores:

 

O PIG noticiou...

Estou rindo até agora:

"Pesquisa Datafolha publicada pela Folha de S.Paulo no último domingo mostra cenário semelhante ao da pesquisa Vox Populi."

http://noticias.uol.com.br/politica/2009/08/19/ult5773u2126.jhtm

Semelhante??????????????

Marcio | São Paulo | Advogado 

 

 

Nassif e o último suspiro de Serra

 

 

Clique  aqui  para ler

 

 

O coração da fraude

 

 

Para mim, está na ausência de sondagem na Bahia, no Rio Grande do Sul e em Pernambuco na pesquisa Datafolha.

 

 

Motivação de Lina

 

 

Dos leitores:

 

Copiei esta do blogentrelinhas.blogspot.com:

 Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Dica de leitor

O marido de Lina Vieira chama-se Alexandre Firmino. É sócio da agência de publicidade Dois.A, de Natal. Tudo isto é fato.

Também é fato que a Dois.A realizou campanhas para o senador José Agripino Maia (DEM-RN).

Dois e dois são quatro, mas em alguns casos podem também ser cinco.

Lucia  | Salvador | Comerciante | 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h24
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Crônica

Benditos críticos

 

 

 

 

 

 

Hoje vivi uma experiência que me lembrou de um romance de Oscar Wilde que li na juventude, “O Retrato de Dorian Gray”. É sobre um jovem que se tornou imortal graças a um quadro sobrenatural. Dorian não envelhecia, mas a pintura dele, que mantinha quase sempre coberta, revelava-lhe, impiedosamente, sua idade real.

Escrevo depois de passar por uma experiência similar a essa metáfora. Fizeram com que eu olhasse um quadro que pintaram de mim, muito verdadeiro, e o que vi me assustou.

Preciso tratar disso com vocês por conta desta minha consciência severa que jamais me deixa impune.

Sou um vendedor – faço vendas internacionais, mas não deixo de ser um vendedor – e muitos dos comerciantes de maior sucesso que conheci freqüentemente expunham uma frase em seus negócios que exaltava a concorrência, dizendo que ela os fazia melhorar, trabalhar mais, serem mais competentes.

Pois hoje devo agradecer aos meus críticos, aos que se opõem a mim, porque me ajudaram a melhorar como ser humano. Os elogios são agradáveis, mas são as críticas que nos ajudam, quando pertinentes.

Errar é humano. Eu erro, você erra, todos erramos. Porém, se tivermos humildade diante de nossas falhas humanas, se soubermos lidar com nossos demônios interiores com coragem e serenidade, cresceremos.

Fiz alguma coisa, no dia em que escrevo, que, graças aos meus críticos, fez com que me envergonhasse de mim mesmo.

Achei na internet uma fotomontagem da ex-secretária da Receita Lina Vieira em que seu rosto aparecia no corpo de uma mulher seminua na capa da revista Playboy. Era uma alusão à ex-namorada de Renan Calheiros, que, depois de dar seu show na mídia fazendo acusações a ele, terminou na revista masculina.

Eu, que sempre recrimino quem ataca mulheres valendo-se da secular patrulha masculina – e feminina – à sexualidade delas, fui hipócrita, ainda que inconscientemente, ao reproduzir aquele lixo em meu blog.

Há muito pelo que atacar a ex-secretária da Receita. Sua conduta foi leviana ao acusar Dilma Rousseff sem provas, talvez por vingança, pois antes de ser demitida não abriu a boca, e por ter sido cínica ao dizer que não havia contado sua historieta a ninguém e que “não sabe” como a Folha descobriu. Mas não é cabível descer ao ponto que desci.

Fiquei chocado com o que fiz. Foi como se, de ressaca, olhasse no espelho e visse uma figura que mal se parecia comigo. Todavia, tentei consertar meu erro, parcialmente, extirpando do meu blog aquele lixo contra uma mulher, contra alguém do sexo que tanto sofre com esse tipo de vilania.

Não reproduzi as críticas que recebi na caixa de comentários porque pegaram pesado comigo, insultaram-me de uma forma que agrediria aos outros leitores. Mas agradeço aos que me criticaram, porque me ajudaram a melhorar como homem, como pai e avô, como ser humano.

Só posso pedir desculpas aos que não foram poupados de ver minha imagem distorcida por mim mesmo e prometer que terei mais cuidado com os demônios que, como a todos nós, espreitam-me a alma em busca de meu menor descuido. E aos que me criticaram, mesmo com virulência, agradeço de coração o que fizeram.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h43
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Comunicado

Se “eles” não se mexem

 

Atualizado às 20h28m de 18 de agosto de 2009

 

 

 

Estive no Palácio dos Bandeirantes a convite do governador José Serra e, naquele encontro, ele me fez uma proposta indecorosa, de que “agilizasse” meus textos críticos a ele. Supus, na hora, que eu deveria parar de escrever, a troco de dinheiro do contribuinte paulista.

Não me lembro em que dia foi o encontro. Tampouco me lembro da hora. Nosso encontro também não foi registrado na agenda oficial. Contudo, se quiserem comprovar minha versão, podem requisitar as fitas do circuito interno de tevê do palácio para achar minha imagem entrando e saindo de lá, caso consigam adivinhar o período a investigar.

Ah, sim: se quiserem, topo participar de uma acareação com o governador do Estado de São Paulo. Ele (uma autoridade) e eu (um mero acusador) ficaremos frente a frente e repetirei tudo o que acabo de escrever.

 

*

 

O texto acima é uma gozação, claro, mas, se a “lógica” da imprensa valesse para qualquer pré-candidato à Presidência da República, eu, euzinho, poderia colocar o tucano na mesma situação de Dilma Rousseff e ele que tratasse de provar que não fez o que eu diria que fez.

Essa é uma ameaça a qualquer cidadão, ou seja, poder ser acusado por qualquer um e, numa inversão do ônus da prova – que, segundo os arcabouços jurídicos de qualquer país democrático, cabe a quem acusa –, ter que provar a própria inocência mesmo que contra si não exista nada além de uma acusação sem sustentação probatória.

Em que democracia alguém pode ser acusado dessa maneira e a acusação é encampada por toda a imprensa? Só nas ditaduras promovem-se julgamentos sumários como esse a que estão submetendo uma das candidatas à sucessão presidencial.

Aliás, o intuito político de tudo isso é claro, límpido, escandalosamente visível. Só sendo muito canalha para negar.

Deveria haver uma reação contra esse absurdo. É imoral, inconstitucional, ditatorial. Mas se até falsificação de uma ficha criminal contra a mesma vítima do caso em tela é feita e divulgada como veraz e nada acontece, por que um caso tão menos grave deveria provocar alguma reação?

Quem está perdendo com tudo isso não são apenas Dilma, Lula e o PT. A sociedade perde. Qualquer um poderá ser vítima do mesmo golpe, amanhã. Inclusive os políticos que se valem hoje dessa estratégia. Mas a oposição a Lula parece não conseguir pensar em nada além da eleição do ano que vem.

É tudo tão injusto, tão descabido. O mal, a vilania, a desonestidade estão definidos tão claramente hoje como nunca vi em minha vida. Em qualquer sociedade normal, dizer que o mal está deste ou daquele lado da política não passaria de maniqueísmo, mas na América Latina, não.

Fico imaginando o que será do Brasil se tal estratégia tiver êxito. Vencerá a malandragem, a censura, a opressão, a vilania mais abjeta. Nos tornaremos um país de cegos, de pessoas sem caráter, sem cérebro.

Será possível, meu Deus, que depois de tanto que caminhamos poderemos terminar assim? Depois de uma história tão sofrida, tão conturbada, com o país agora finalmente no rumo certo (crescendo, desenvolvendo-se, com a justiça social florescendo), será que iremos nos atirar nesse poço sem fundo elegendo esse facistóide, José Serra?

E o pior é que o mal vence, sim. Esses criminosos têm todas as condições de vencer porque podem fabricar uma realidade virtual. Frias, Marinho, Civita, Mesquita, Serra e seus outros sequazes podem tomar o poder por meio desses métodos vis e os que elegemos para nos representar se agacham, apavorados.

Será que essa gente não tem família, não tem moral, não tem um pingo de dignidade? São bandidos, criminosos do pior tipo. Imagino que outras perversões acalentam.

E o pior é esta sensação de impotência. Quem pode reagir não reage, o que vai minando a confiança da gente, a disposição de lutar.

Eu até estava decidido, em nome do Movimento dos Sem Mídia, a representar ao Ministério Público Federal contra a Folha de São Paulo por conta da falsificação de documento público, a ficha criminal da ministra Dilma. Mas por que eu faria isso se o próprio MP, o próprio PT e a própria Dilma não se mexem?

Representei a MPF no caso da febre amarela porque é uma questão de saúde pública, mas, nesse caso da falsificação de documento público, acho que não cabe mais. Estou querendo fazer de graça o que os procuradores e os políticos ganham fortunas para fazer e não fazem.

O fato é que a pusilanimidade do governo e do partido do governo vai desmobilizando a militância, abatendo a moral dos militantes, que se vêem amordaçados, amarrados e humilhados por esses criminosos da imprensa, do PSDB e do PFL. E eu, que luto para pôr comida na mesa para minha família, vou comprar a briga desses covardes, que nem sabem que existo?

Para mim, chega.

 

 

Debate na Câmara de SP

 

 

  

CONVITE

 

 

A CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO, através do proponente do evento, Vereador FRANCISCO CHAGAS, convida V.Sa. para participar do debate sobre:

 

MÍDIA, DEMOCRACIA E SOCIEDADE CIVIL

 

- Local: Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo

- Data: 31/08/2009 – 2ª. feira

- Endereço: Viaduto Jacareí , nº 100 –8º andar, Bela Vista, Centro – Capital-SP. - Fone: 011 – 3396.4250/4599

- Início: 15,00 horas

- Encerramento: 19,00 horas.

 

* – 15,00 horas – Tema: MÍDIA E DEMOCRACIA NO BRASIL

 

- Abertura do evento pelo proponente: Vereador Francisco Chagas

 

Expositores convidados:

 

- Franklin Martins – Ministro da Secretaria da Comunicação Social – Secom (Governo Federal)

- Aloizio Mercadante – Senador da República

- Carlos Eduardo Lins da Silva – Jornalista e Ombudsman do jornal Folha de São Paulo

- Vereador José Américo – Jornalista

 

* – 17,00 horas- SOCIEDADE CIVIL E A DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO - PROPOSTAS E ALTERNATIVAS

 

Expositores convidados:

 

- Luis Nassif – Jornalista referência em economia e política

- Laurindo Lalo Leal Filho – Sociólogo/PUC/SP, Professor e Doutor em Ciências da Comunicação – ECA/USP

- Rui Falcão – Deputado Estadual, Jornalista e Advogado

- Eduardo Guimarães – Presidente da ONG Movimento dos Sem Mídia – MSM

 

* - 19,00 horas – Encerramento pelo Presidente da Mesa Vereador Francisco Chagas.

 

BOMBA!!

 

Pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial divulgada na TV Bandeirantes na noite desta terça-feira contradiz Datafolha e mostra Serra com 30% e Dilma com 21%

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h28
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Análise política

O erro fatal de Lula

 

 

 

Muita gente não vai gostar do que vou dizer, mas estou cada vez mais desconsolado com o cenário político. E, sendo sincero com vocês, pela primeira vez, desde 2002, vejo a direita com todas as condições de derrotar a esquerda e reassumir o poder. E o que é pior: por muitos anos, talvez até por dois mandatos presidenciais, até que destrua tudo que Lula construiu e o povo se dê conta da burrada que fez.

Nunca estive tão preocupado. Em 2006, por exemplo, não tive dúvida, nem por um segundo, de que Lula venceria. Os leitores mais antigos deste blog se lembrarão de quantos deles vieram aqui desanimados com a artilharia midiática e eu, em nenhum momento, fraquejei em minha certeza de que a estratégia dos reacionários não daria certo.

Lula construiu uma imunidade inquebrantável diante da mídia. Ela bateu nele durante tanto tempo que criticá-lo virou perda de tempo.

Claro que a economia ajudou. O bem estar social disseminou-se de tal maneira que ninguém quis saber de críticas, de acusações, de moralismo, há três anos. O povo votou com o bolso, com o estômago. Isso sem falar na fragilidade do adversário do presidente naquela ocasião (Alckmin), um dos políticos mais fracos da atualidade e que só consegue se manter à tona aqui no curral eleitoral tucano (São Paulo).

Mas só Lula é Lula; Dilma não é Lula. E, como se não fosse suficiente, é mulher (num país em que mulher quase não tem chance na política) e novata, eleitoralmente falando.

O país não conhece Dilma e as primeiras impressões que está tendo dela são as piores possíveis. Mentirosa, ardilosa, falsária, terrorista, arrogante... A mídia está colando nela tudo que há de pior. E Lula, o único com musculatura para reagir, ou não reage ou reage de forma pífia, e só quando provocado pela mídia.

Vejam o êxito que a oposição e sua mídia tiveram em literalmente acabar com Sarney a despeito de Lula defendê-lo. Nesse aspecto, acredito piamente na pesquisa Datafolha divulgada no domingo. Os números de sua reprovação são extremamente altos. Não há possibilidade de serem falsos como o percentual de intenções de voto de Dilma (que ainda está subindo) e o de Serra (cadente).

Enquanto isso, o candidato com maiores chances estatísticas de vencer a eleição presidencial foi literalmente blindado. Ninguém consegue fazer uma só crítica a ele na mídia. E vejam só que interessante: o Brasil deve ser a única grande democracia em que o principal postulante ao cargo de presidente não recebe uma só crítica ou acusação pública nem de seus adversários.

Sim, é isso mesmo que vocês leram: não é só a mídia que não critica Serra. Seus adversários (leia-se Lula, seu governo, seu partido e sua candidata) também não criticam. E isso com as toneladas de acusações e pedidos de investigações que há contra ele e contra seu governo.

Lula, seu governo, seu partido e sua candidata a sucedê-lo viram a mídia acusá-la de ter falsificado seu currículo acadêmico e ninguém teve coragem de dizer que Serra fajutou um prêmio “da ONU”.

A oposição a Serra na Assembléia Legislativa paulista se defende dizendo que não adianta fazer denúncias e críticas a Serra porque a mídia ignora tudo que for levantado contra ele. E essa que deveria ser a principal arma contra o tucano facistóide, é ignorada.

Pensem comigo: se a oposição a Serra em São Paulo está amordaçada pela mídia e se esta, a mando do tucano, ataca Dilma com virulência, só há uma pessoa neste país com musculatura para fazer as críticas que ninguém faz: Lula. Ele poderia dizer publicamente que a mídia protege Serra, que ataca Dilma sem parar, falsificando até documentos contra ela, porque trabalha para o tucano.

Se o presidente da República mais popular da história do país recomendasse à população que prestasse atenção em como o candidato mais forte à sua sucessão deveria estar na berlinda midiática tanto quanto Dilma, mas não aparece a não ser sendo elogiado, e que os escândalos de seu governo (dezenas de pedidos de CPI) são encobertos pela mídia, as pessoas perceberiam.

No dia a dia, seria fácil constatar que Lula teria razão. A cada rodada de acusações a Dilma no Jornal Nacional, no telejornal da Gazeta, no da Band, no do SBT, nos jornalões e revistões, as pessoas se perguntariam como é possível que os adversários de Serra também não o atacam, e aí Lula diria que atacam, sim, e acusam, mas a mídia censura. Teria que dizer publicamente. Em alto e bom som.

Além disso, uma estratégia fortíssima seria dizer claramente à sociedade que a mídia e a oposição tentam paralisar o Congresso e o governo num momento de crise econômica para sabotar o país, de forma que ele vá mal e Serra se eleja montado na insatisfação popular que sobreviria. Esse argumento colocaria a sociedade contra a mídia e a oposição.

Lula certamente não critica Serra e a mídia com decisão porque não quer criar uma crise política, mas a crise política já existe. E paralisou o Congresso, pois o Senado é a casa ratificadora das decisões da Câmara e, com ele paralisado, o que está paralisado é o Poder Legislativo.

O enfrentamento é inevitável. A situação não é mais a de 2002 ou a de 2006. Em 2002, a memória do desastre FHC estava fresca, latente. Em 2006, colocaram aquele sujeitinho ridículo, patético para enfrentar o político mais carismático da história recente deste país.

Agora, tudo mudou. Uma pessoa que jamais enfrentou uma eleição está começando pela mais difícil de todas, sob fogo cerrado de TODOS os grandes meios de comunicação e, como se fosse pouco, sem ninguém do seu lado para reagir. Incluindo ela própria.

Abandonar a questão da ficha policial falsa publicada contra si na primeira página da Folha foi o maior erro de Dilma – e de Lula. Se tivesse feito barulho, não teria acontecido o factóide da secretária da Receita Lina Vieira. Ao não reagir ao absurdo que foi a falsificação de um documento público e o endosso da Folha àquela falsificação, Lula, Dilma e o PT deram a senha para novos ataques do mesmo tipo, como é esse da tal secretária.

Mais grave ainda é nem o presidente, nem a vítima da nova campanha difamatória da mídia, nem alguém da cúpula do PT – e só alguém da cúpula do partido poderia exigir voz na mídia – fazer uma única pergunta à sociedade: se falsificaram até uma ficha policial contra Dilma, por que não teriam cooptado a secretária demitida – e, portanto, ressentida – da Receita para fazer uma acusação falsa à ministra?

Mas, pensando bem, há um lado bom na retomada do controle do Estado pela direita, se isso ocorrer no ano que vem. A esquerda ficará uns vinte anos fora do poder. Quem sabe, desta vez, crie juízo e finalmente entenda que, sendo tão burra, tão dividida, tão covarde, só conseguirá se manter no poder se surgir outro fenômeno político como Lula, o que talvez nem volte a acontecer neste século.

Por outro lado, nós, nossos filhos e netos pagaremos por esse erro fatal que atribuo exclusivamente ao presidente Lula, um homem que tenho toda a moral do mundo para criticar porque o defendi durante vinte anos com unhas e dentes, pois sabia que, no dia em que chegasse ao poder, mudaria o Brasil como mudou. Contudo, ele está destruindo tudo com base numa estratégia covarde e comodista.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h51
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Análise política

Latifúndio da comunicação

 

Atualizado às 15h59m de 17 de agosto de 2009 

 

 

 

 

 

Durante o programa de contra-ataque à Globo que ocupou cerca de uma hora do nobilíssimo horário de domingo à noite na Record, fiquei pensando sobre uma questão que vai além da mera constatação do que já virou senso comum, que a briga entre as emissoras serve à sociedade, por incrível que pareça.

Se tivesse que resumir minha reflexão, diria que concluí que somos quase todos como os sem-terra, só que em busca da uma espécie de “reforma agrária” tecnológica. Antes de prosseguir no ponto realmente central deste texto, porém, terei que remexer mais o repugnante caso Globo X Record.

O que me transpareceu com força desse episódio foi o péssimo sistema de concessão de emissoras de rádio e tevê no Brasil, um poder sempre delegado ao Estado, o que fez com que este sempre fosse assediado pelos meios de comunicação, os quais sempre acabam se posicionando ora contra, ora a favor daquele Estado de acordo com seu grau de “colaboração” política.

Criou-se, na sociedade brasileira, uma imposição ao Estado de sempre tentar se entender com os veículos de mídia diante da situação de fato que criaram, de terem adquirido meios de inviabilizar a manutenção do Poder por grupos políticos que eventualmente lhes fizessem oposição de qualquer natureza.

Com efeito, no Brasil a tentativa de desafiar o poder da comunicação sempre redundou em derrubada de quem tentou, ou, no mínimo, em “morte” política de quem tentasse enfrentar rádios, tevês, jornais e revistas, os quais, ao fim e ao cabo de um processo fantástico de enriquecimento se converteram em verdadeiros impérios comerciais, adquirindo um padrão de riqueza de magnatas ou de capitães da indústria.

A ascensão de Marinhos, Abravanéis, Civitas, Frias, Macedos e congêneres sempre se deu através de conchavos com os grupos políticos simpáticos aos mesmos interesses sócio-econômicos que esses empresários da comunicação acalentavam, até por terem saído todos (grupos políticos e barões da imprensa) das mesmas regiões do país, ou, no mínimo, dos mesmos estratos sociais.

Daí, portanto, essas concessões “heterodoxas” de um poder que deveria ser muito bem discutido pela sociedade antes de ser delegado a alguém.

Aliás, os mecanismos de controle de concessões até que foram aperfeiçoados, mas elas foram dadas lá atrás, há tantas décadas, que abrangeram praticamente tudo o que existia para ser concedido.

Ocorre que, pela primeira vez na história recente, aquelas concessões perpétuas se vêem ameaçadas por um fato advindo do avanço tecnológico da humanidade. A internet já começa a se converter numa nova arena da comunicação que poderá mudar o espectro radioelétrico de uma forma jamais sonhada por aqueles que um dia pensaram que seu poder seria eterno.

Há uma boa dose de inviabilidade, hoje, no que tange à retomada de concessões de rádio e tevê dos picaretas de todas as cepas que delas se apropriaram “ad eternun” lá atrás, como Macedo ou os Marinho. Enriqueceram até um ponto em que, num sistema político como o nosso, tornaram-se virtualmente imunes às leis.

Talvez, porém, menos o Edir Macedo do que os Marinho...

Mas a internet virá com força para criar novas formas de comunicação que substituirão a tevê convencional. Além disso, até agora esses picaretas graúdos ainda não conseguiram inventar meio de fazer da rede mundial de comunicação um latifúndio como o que detêm hoje na comunicação convencional, por mais que esta ainda tenha sobrevida relativamente longa.

 

 

 

Dilma pode ser você amanhã

 

 

 

Os leões-de-chácara de José Serra na mídia (Clóvis Rossi, Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhêde, Diogo Mainardi, Ricardo Noblat, Merval Pereira, Fernando Rodrigues, Josias de Souza, Kennedy Alencar, José Nêumanne, Gaudêncio Torquato, João Mellão, Miriam Leitão, Alexandre Garcia, Bóris Casoy, Willian Waack, Willian Bonner, Fatima Bernardes e o resto da turma) já tomaram partido na acusação sem provas da ex-secretária da Receita Lina Vieira contra a ministra Dilma Rousseff.

É sempre assim com Dilma.A Folha recebeu uma ficha policial falsa dela por email e publicou como se fosse verdadeira e a ministra é que teve que provar que era inocente. É uma vergonha, mas é isso o que está acontecendo. Alguém, portanto, tem que tomar alguma atitude. Se a ministra não toma, visando o calendário eleitoral, está cometendo um erro. Por isso, todos nós temos que repudiar essa prática. Amanhã inventarão qualquer coisa contra você e terá que provar que é inocente. Há que agir.

 

 

Eles querem manifestações?

 

 

 

 

 

 

Acordem, Lula e Dilma

 

 

Falem da ficha policial falsa contra Dilma na primeira página da Folha.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h54
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Análise política

Datafraude

 

 Atualizado às 16h40m de 16 de agosto de 2009

 

 

 

 

Declaro publicamente que tenho fortes motivos para acreditar que a pesquisa Datafolha divulgada neste domingo é uma completa fraude.

Antes de falar da pesquisa, porém, quero lembrar que seu resultado não deveria surpreender ninguém. Afinal, no dia 24 de julho (portanto, há mais de três semanas, quando nem os boatos sobre ela haviam começado) antecipei aqui neste blog o que o jornal paulista viria a fazer.

Eu disse, naquela oportunidade, que fonte que tenho no jornal Folha de São Paulo me informara de que Globo, Folha, Estadão, Veja, Serra e FHC estavam mantendo entendimentos (inclusive com outros institutos de pesquisa além do Datafolha) para fabricar pesquisas que sugerissem que o apoio de Lula e de Dilma a Sarney lhes provocara perda de popularidade.

A pesquisa Datafolha publicada neste domingo, além de falsear números, omite e distorce informações que ela mesma contém.

Em primeiro lugar, o Datafolha fabricou, dentro da “margem de erro”, uma queda de popularidade de Lula. Notem como a “análise” do diretor do Datafolha sobre a popularidade presidencial procura tirar o foco dessa “queda”. Ele diz que não houve queda, mas houve – estatisticamente.

Lula caiu de 69% para 67% numa pesquisa com margem de erro de 2%. A idéia é mostrar que a “queda” ocorreu para reforçar a teoria anti-Sarney que embasa a sondagem manipulada. Porém, resguardando-se contra possíveis diferenças em outras pesquisas, a análise do diretor do Datafolha sobre o fato busca minimizá-lo.

Ora, se o bombardeio sobre o mensalão, que durou quase dois anos, não fez Lula perder popularidade, Sarney faria?

Antes de prosseguir, quero lembrar que a falsificação de pesquisas não é novidade no Brasil. Houve outro momento em que a mídia e a oposição não queriam se conformar com a popularidade de Lula e partiram para a fraude estatística.

Foi no final de 2005. Pesquisas Datafolha e Ibope mostraram, no fim de novembro e começo de dezembro, queda pronunciada da aprovação de Lula. Em janeiro, cerca de um mês depois, sai uma pesquisa CNT-Sensus mostrando disparada da aprovação de Lula num período de festas em que nada aconteceu que justificasse tal disparada.

Agora o caso de Dilma. Além da manipulação de enfoque sobre os números, na forma de o jornal dizer na primeira página que “a pré-candidata petista, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), deixou de subir” sem dizer que Serra continua caindo, ainda que dentro da margem de erro, há uma omissão flagrante.

Por que a Folha não fez simulações sobre o segundo turno? A causa dessa omissão fica clara quando, no principal cenário da pesquisa, somam-se os votos de Ciro, Dilma e Heloisa Helena, que chegam a 43% contra 37% de Serra.

Claro que o tucano se beneficiaria de parte dos votos de Ciro e de Heloísa Helena num segundo turno entre ele e Dilma, mas, como ocorreu em 2006, sabe-se que o eleitorado da psolista e do ex-ministro, inimigo figadal de Serra, cairiam muito mais no colo de Dilma, o que explica a falta desse cenário na pesquisa.

Ah, sim, há também o fato de que a íntegra da pesquisa Datafolha ainda não foi publicada no site do instituto. Outro fato estranho e que não costuma ocorrer.

Outro fato crucial a notar: conforme anunciei há quase um mês, segundo meu informante na Folha de São Paulo estava sendo feito um acordo com o Ibope e com o instituto Sensus. Daí, para a pesquisa Datafolha sair como saiu, conclui-se que esse acordo deve ter sido fechado.

Resta o Vox Populi. Sondagens recentes do instituto demonstram dados surpreendentes sobre a candidatura Dilma, como ela ter ultrapassado Serra em vários Estados importantes, como Rio Grande do Sul e Bahia.

Independentemente das pesquisas, porém, o governo Lula e o PT parecem não ter se dado conta ainda do jogo que está em andamento. A grande operação infla Serra que vem ocorrendo parece não estar sendo notada.

A campanha publicitária avassaladora da lei de Serra sobre o cigarro, as manifestações claramente orquestradas pela derrubada de Sarney que levaram “estudantes” a se manifestarem contra ele em várias partes do país, mais um factóide surgido do nada contra Dilma...

Lula e o PT estão dormindo. E, desse jeito, logo os golpistas não terão mais que fajutar pesquisas.

Fico estupefato ao constatar a lentidão de Lula nessa questão das pesquisas. Uma sondagem nacional de algum outro instituto deveria ter sido publicada antes da pesquisa Datafolha, de forma a inibir a fraude, pois esta terá efeitos publicitários.

Mas pior mesmo é a inexplicável recusa de Lula e do PT de denunciarem publicamente a aliança entre Serra, Frias, Civita, Marinho e Mesquita.

Se o presidente e seu partido tivessem juízo, já teriam vindo a público dizer à sociedade para reparar como a mídia não cobre o governo Serra, como não denuncia nenhum dos escândalos que aguardam investigação contra ele na Assembléia Legislativa paulista e que o Serra candidato não aparece numa imprensa que não pára de bater em Dilma.

Se Lula, seu governo e seu partido, bem como seus aliados, carimbarem nos veículos específicos que eles atuam a mando de Serra, a cada golpe que praticarem esse golpe será recebido com desconfiança pelo público.

Sob acusações de favorecimento a Serra, as pessoas começariam a notar a invisibilidade dele na mídia, perceberiam que ele só aparece vinculado a notícias positivas como a da campanha sobre o cigarro. Mas Lula, seu governo, seu partido e aliados estão petrificados de medo.

Claro que ainda é prematuro, a 14 meses da eleição, dizer que a campanha serrista está indo tão bem assim. Ele está caindo sem parar. Sua queda certamente não foi apenas de um ponto percentual. Certamente foi manipulada dentro da margem de erro.

Todavia, se levarmos em conta que nem estamos ainda em ano eleitoral, dá para se ter uma idéia do que vem por aí e de quanto a covardia de Lula, de seu governo, de seu partido e de seus aliados poderá custar ao país.

 

 

Próximo passo da fraude

 

 

Antecipo aqui que o próximo passo da fraude nas pesquisas será dado pelo indefectível Carlos Augusto Montenegro (leia-se Ibope), que já declarou publicamente que Serra já está eleito presidente. A sondagem do Ibope sairá em poucos dias e mostrará um "aprofundamento" da "queda" de Lula e Dilma, tentando vender ao eleitorado que há uma tendência em curso.

 

 

O que a Folha ousaria...

 

 

Tem gente boa e séria dizendo que não acredita que o Datafolha - e, portanto, a Folha de São Paulo - ousaria falsificar a pesquisa. Será que essas pessoas estão se referindo ao mesmo jornal que ousou publicar, em sua primeira página, uma ficha policial falsa contra Dilma Rousseff? 

 

 

Surto de bondade

 

 

 

O UOL substituiu manchete que alardeava invencibilidade de Serra por outra que é uma gracinha de bondade com Lula, dizendo que "a crise" (apertando a tecla SAP do Azenha, lê-se artilharia midiática) não derrubou a popularidade de Lula. Logo abaixo, uma enquete sobre como Lula consegue se manter popular em meio à crise. Parece que denúncias sobre fraude na pesquisa deixaram o Frias preocupado.

Para votar na enquete do UOL, clique na imagem acima



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h08
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