Proposta à Confecon

O Selo Democrático

 

 

 

 

 

 

Venho participando intensamente  de discussões públicas sobre a comunicação no Brasil em meu blog na internet e em fóruns públicos afins. Tais discussões, justiça seja feita, foram desencadeadas oficialmente - e de forma tardia - pelo governo Lula durante a última edição do Fórum Social Mundial, quando o próprio presidente da República convocou a Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá em Brasília nos primeiros dias de dezembro deste ano.

Na última sexta-feira, durante a 1ª Conferência Regional de Comunicação das sete Cidades do ABC paulista (São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), candidatei-me a delegado da Conferência Nacional de Comunicação em dezembro, só que por São Bernardo do Campo.

Por que São Bernardo? Porque São Paulo (o Estado e o município), até agora, não fez Conferência Regional de Comunicação, e tudo indica que não fará. Tanto o governador José Serra quanto o prefeito Gilberto Kassab vêm boicotando abertamente a Confecon, de maneira que eu não poderia correr o risco de ficar de fora dessas discussões em caso de meu próprio domicílio municipal realmente vir a abrir mão de seu direito de discutir a comunicação no país em Brasília no fim deste ano.

Por conta disso, apresentei à mesa diretora e ao plenário da 1ª Conferência Regional de Comunicação “ComunicABC”, que teve lugar nos dias 27 e 28 do corrente mês em Mauá (SP), uma proposta de minha autoria, entre tantas outras que foram apresentadas na oportunidade. Tal proposta acabou sendo incluída no acervo de propostas paulistas que será encaminhado à Conferência Nacional de dezembro.

É sobre essa proposta que trato a seguir, a do Selo Democrático.

O conceito do Selo é muito simples e decorre de um sentimento que a cada dia se multiplica em dezenas e até em centenas de manifestações de leitores do blog que edito na internet, o Cidadania.com, de onde nasceu a Organização Não Governamental que presido, o Movimento dos Sem Mídia. E a mesma indignação brota de forma crescente através de milhares de manifestações idênticas pela dita “blogosfera”.

O sentimento dessas pessoas que aqui represento nasce do fato de que suas vozes são reiteradamente caladas pelos grandes meios de comunicação, e esse foi o fato concreto que me fez engendrar a proposta do Selo Democrático.

Em resumo: esse selo seria concedido a empresas públicas e privadas de comunicação que privilegiassem o debate democrático de idéias, o contraditório, dando acesso ao espaço midiático a todas as partes envolvidas em qualquer questão, do mais humilde ao mais poderoso.

Pensei no Selo Democrático ao tentar imaginar de que forma se poderia convencer meios de comunicação a voluntariamente aumentarem o espectro de opiniões e manifestações sobre todos os assuntos, seja sobre políticas públicas, sobre questões políticas, institucionais, econômicas, enfim, sobre tudo que a comunicação abrange.

Estes cidadãos que represento encontram-se no pleno gozo de seus direitos civis e políticos e consideram que existe hoje uma verdadeira censura dos grandes meios de comunicação brasileiros ao contraditório. Aliás, a própria convocação da Conferência Nacional de Comunicação é forte indício de que nossas preocupações são legítimas, pois para haver uma conferência dessa natureza é preciso que existam problemas sérios nesse setor.

Ora, mas ocorre que tais meios são destinatários de muito dinheiro público,  em boa parte atuam sob concessão pública e, portanto, devem ao público a obrigação de não atuarem apenas como empresas privadas que fazem o que querem sem dar satisfação a ninguém.

Por que aquele indivíduo que apóia a política de cotas para negros deve ser obrigado a ver uma posição diferente da sua falar mais alto ou até falar sozinha numa televisão, que é uma concessão pública? Por que aquele que acha que deve ser criada uma estatal nova de petróleo para explorar o pré-sal não pode dar sua opinião em condições de igualdade numa rádio? Por que, num jornal que se farta de receber dinheiro público, alguns partidos e políticos se apropriam desse veículo e nele falam sozinhos contra seus adversários?

Na Bolívia, foi feita uma lei obrigando jornais a publicarem sempre o contraditório, mas, aqui no Brasil, teremos que encontrar outro meio que permita que todos possam opinar em veículos que recebem dinheiro público ou que são até concessões públicas, pois uma política como a boliviana seria caracterizada pela mídia como “censura” mesmo que ela não pretenda calar ninguém, mas dar voz a todos.

Aliás, abro um parênteses para lembrar que o lema da ONG que presido é justamente “Que a mídia fale, mas não nos cale”, um bordão que pretende impedir que os meios de comunicação que o Movimento dos Sem Mídia eventualmente questione venham com aquela conversa de que estamos querendo calar alguém, quando o que queremos é apenas falar em igualdade de condições.

Refleti muito sobre essa questão. Como fazer para exigir que os meios de comunicação dêem espaço a todos se sempre que se pensa em provocar o debate democrático de idéias eles dizem que querem censurá-los? Qualquer tentativa de exigir seriedade, igualmente é considerada tentativa de censura. Fiscalizar esses meios, então, nem pensar. Foi assim com o Conselho Federal de Jornalismo e será assim com qualquer tentativa de fiscalização de abusos midiáticos.

Então, por que não estimular esses meios a conseguirem uma chancela respeitável e que até redunde em benefícios fiscais, por exemplo? Digo que o Selo Democrático poderia cumprir esse papel.

O grande problema, porém, seria o Selo vingar e ser desejado pelos meios de comunicação. Haveria, primeiro, que erigir um Conselho de Notáveis que o concederia, e que elaborar políticas de benefícios àqueles veículos que fossem considerados de utilidade pública ao privilegiarem o contraditório, o debate de idéias, permitindo à sociedade examinar a fundo todas as questões.

Esse Conselho que concederia o Selo Democrático seria integrado por representantes das empresas de comunicação, dos Poderes de Estado, dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos políticos etc. Deveria ser construído um consenso inquestionável de que aquelas pessoas do Conselho estariam acima de suspeita de concederem ou não o Selo a este ou àquele por razões não-declaradas.

Além disso, seria obrigação do Estado brasileiro promover uma ampla campanha publicitária nacional que explicasse à população que os meios de comunicação portadores do Selo Democrático foram reconhecidos por veicularem informação correta e proveitosa.

É evidente que os meios de comunicação que hoje tentam gerar favorecimento a grupos de interesse políticos, econômicos e sociais impedindo o debate democrático, censurando notícias, calando vozes, não quererão que uma idéia como essa vingue, mas é possível lutar contra a desqualificação e a censura que oporiam ao Selo Democrático elegendo um Conselho para concedê-lo que ficasse acima de suspeitas, e depois divulgando aquele Selo em ampla campanha publicitária oficial.

A indignação contra esse estado de coisas surgiu primeiro na internet. Depois, graças a iniciativas como a do Movimento dos Sem Mídia, veio ganhando as ruas em atos públicos de protesto contra meios de comunicação, como no ato do MSM contra a “Ditabranda” da Folha de São Paulo, em 7 de março deste ano, que congregou centenas e centenas de pessoas diante do jornal,

Há que relatar que a indignação também bateu às portas do Judiciário, como na representação que a ONG que presido fez ao Ministério Público Federal por conta de possível crime de alarma social de meios de comunicação no âmbito da pseudo epidemia de febre amarela urbana que aqueles meios venderam à sociedade no início de 2008 e que pode ter gerado pelo menos duas mortes.

O Selo Democrático, pois, emerge como instrumento que poderia estimular mudança de comportamento voluntária dos meios de comunicação ou ao menos constituir prova cabal que alertaria a sociedade quanto ao fato de que determinados meios atuam de forma desonesta e antidemocrática ao impedirem o debate livre de idéias e a reportagem correta dos fatos, elementos fundamentais no vital processo de formação de opinião pela coletividade.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h35
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

Palocci e a justiça midiática

 

 

 

Nesta quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal absolveu o ex-ministro Antonio Palocci da acusação de ter ordenado a quebra de sigilo bancário do ex-caseiro Francenildo Costa, que, em 2006, fez acusações que redundaram na demissão do ex-ministro.

No pleno Estado de Direito, a absolvição final pela Justiça de um acusado de crime deveria garantir àquele absolvido que não continuasse sendo julgado. Mas, ao menos no que tange à imprensa brasileira, esse preceito não vale se o acusado for filiado ao PT.

Os portais de internet ligados aos Frias, Marinho, Civitas e Mesquitas da vida, bem como certos telejornais, já anteciparam a forma como a mídia tratará a absolvição de Palocci, ou seja, como uma decisão fraudulenta da Justiça por não ter condenado o ex-ministro.

Não importa que até o insuspeito Gilmar Mendes tenha deliberado que não há elementos para ligar Palocci à quebra de sigilo bancário do caseiro. Trata-se de um petista e a petistas não há perdão para nada, havendo ou não motivo para condenação.

Agora, quando o acusado pela Justiça é um tucano e ela o absolve, ainda que preliminarmente, a mesma mídia que não aceita decisões que absolvam petistas se derrama em pedidos compungidos de perdão pelo “erro” de meramente considerar a denúncia.

Foi o caso do colunista da Folha de São Paulo Clóvis Rossi, marido da presidente do “PSDB Mulher”, em texto escrito há cerca de oito anos.

Foi durante o governo FHC que Rossi se “ajoelhou”, em sua coluna na Folha, aos pés do tucano Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário da Presidência tucana.

Como se pode constatar no texto abaixo, o colunista se abriu como pára-quedas a fim de “reparar” o fato de ele mesmo e de parte da mídia terem meramente considerado indícios de corrupção contra Eduardo Jorge.

 

 

 

De uma comparação dessas depreende-se que, para petista, nem absolvição final da Justiça é suficiente para que deixe de sofrer acusações da imprensa tucana. Mas, para tucanos, o princípio de presunção da inocência vale mesmo havendo indícios concretos de corrupção.

Contudo, o que está errada é a atitude atual de Rossi e de outros doublés de jornalista, bem como de seus empregadores. A atitude deles de conceder ao tucano a presunção da inocência esteve certíssima. É assim no Estado Democrático de Direito. O erro está no que farão agora com Palocci.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h51
[] [envie esta mensagem]



Comunicado

ComunicABC

1ª Conferência Regional de Comunicação

 

 

 

Entre as 9h30m e as 17h00m desta quinta-feira, 27 de agosto, no auditório do Mauá Plaza Shopping, em Mauá (SP), participei da 1ª Conferência Regional de Comunicação organizada pelas administrações de Santo André, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio grande da Serra.

Duas mesas de debates foram organizadas:

 

Mesa I – 13h30m

 

Tema

“A Democracia e os Meios de Comunicação”

 

Mediador

Professor Luiz Roberto Alves

 

Palestrantes

Luiz Carlos Azenha

Eduardo Guimarães

Marco Piva

 

Mesa II – 16h40

 

Tema

“Cidadania e Comunicação”

 

Mediador

José Roberto Mello

 

Palestrantes

Bia Barbosa

Marco Antonio Tavares Coelho Filho

Raul Cristiano

 

Eventualmente, postarei mais detalhes sobre o debate.

Abaixo, alguns flagrantes do evento registrados pela minha fotógrafa oficial – que, coincidentemente, também é minha filha –, Carla Guimarães.

 

 

 

 

 

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h34
[] [envie esta mensagem]



Comunicado

Um debate imperdível

 

 

 

Nesta quarta-feira não postei durante o dia porque tive que adiantar o expediente de meu trabalho remunerado para poder praticar o voluntariado nos próximos dias 27, 28 e 31 de agosto.

Na quinta e na sexta-feira, participarei da Conferência Regional de Comunicação promovida pelas prefeituras do ABC paulista em Mauá, das 9 às 17 horas de cada um dos dias, sendo eu mesmo um dos expositores convidados.

Trata-se de um evento de relevo, preparatório para a Conferência Nacional de Comunicação (Confecon), que terá lugar nos primeiros dias de dezembro.

Todavia, o evento do qual participarei no próximo dia 31 de agosto na Câmara Municipal de São Paulo me está sendo muito caro porque reunirá palestrantes de marcada singularidade por conta das posições que representam.

Finalmente, o ministro da Secom do governo federal, Franklin Martins, estará frente a frente com representantes da sociedade civil, de um grande meio de comunicação, da blogosfera e do Poder Legislativo para formular os planos do governo nessa área, mas também para ouvir o que haverá que ser dito.

Eis a importância do evento que anuncio:

·         Pelo governo, falará o próprio Martins;

·         pela sociedade civil organizada, eu mesmo, em nome do Movimento dos Sem Mídia;

·         pela mídia, o ombudsman da Folha de São Paulo;

·         pela classe jornalística, Luis Nassif;

·         e, pelo Poder Legislativo, o vereador José Américo, o deputado Rui Falcão e o Senador Aloizio Mercadante.

Devo dizer que esse é um evento que eu não perderia mesmo que não fosse um dos palestrantes, até porque o evento estará aberto a contribuições do público ao fim dos pronunciamentos de cada integrante da mesa de expositores.

Acho extremamente importante o trabalho que está sendo feito pela blogosfera e que está desconstruindo as mentiras dessa deformidade que possuiu a comunicação brasileira, mas também é preciso discutir como mudar essa situação, e é para isso que me empenharei nos eventos que anuncio.

Vale lembrar, por fim, que, durante a manhã e a tarde desta quinta e desta sexta-feira, os comentários poderão ter atraso na liberação. As postagens serão feitas à noite.

 

 

Abordagem nos debates

 

  

A sociedade civil na era da internet

·         As listas de e-mails

·         O surgimento da blogosfera

·         A união digital dos semelhantes

Os problemas da Comunicação no Brasil

·         O poder indelegável da mídia

·         Os efeitos perniciosos do monopólio da comunicação

·         O mercado de trabalho do jornalista

Propostas e alternativas para a Democratização da Comunicação

·         Nasce o Movimento dos Sem Mídia

·         Ações concretas do MSM

·         A difusão da mobilização da sociedade civil



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h33
[] [envie esta mensagem]



 

Dilma pode virar Lula

 

 

 

 

 

 

A esta altura do campeonato, em minha opinião é prematuro fazer qualquer previsão sobre o resultado da eleição presidencial do ano que vem. Contudo, nada nos impede de buscar indícios sobre para onde caminham as coisas.

A tentativa de racionalizar friamente alguma coisa que envolva política já é, por si só, um enorme desafio intelectual, ainda que alguns o tratem como se fosse a tarefa mais simples do mundo. Por isso, acredito que vale a pena tentar.

Primeiro, explico o título e a imagem que encimam o texto.

Trata-se de um processo ao qual a mídia está submetendo Dilma Rousseff que dispensa a Lula há pelo menos vinte anos ininterruptos. De 1989 a 2009, o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi atacado de todas as formas e por todos os meios diariamente.

Muitos vêem nesse fato a explicação para a popularidade inquebrantável do presidente da República. Aliás, trata-se de um fenômeno que já beneficiou Paulo Maluf. Nem é nada tão novo.

De tanto ser atacado, um político conseguiria cristalizar em torno de si uma descrença pétrea da população naquelas acusações incessantes contra ele, pois o tempo vai passando e tais acusações jamais chegam a lugar algum.

Só neste ano, Dilma já sofreu mais ataques da mídia que a grande maioria dos políticos mais eminentes jamais sofreu numa vida inteira. Os ataques sucedem-se em velocidade vertiginosa, sem pausa de uma mísera semana. E, depois, nada acontece.

A tentativa aparentemente desesperada de dar sobrevida a qualquer preço a escândalos como esse dessa funcionária pública ligada ao senador pefelista Agripino Maia que fez acusações sem qualquer prova ou maiores detalhes concretos contra Dilma, é possível que seja só desespero mesmo. A ver.

Contudo, há que se ter em mente que esse processo de fustigação de Dilma não tem o tempo aparentemente necessário para ter causado o tal “efeito teflon” na ministra, política neófita, sem qualquer experiência eleitoral na vida e que concorre contra o maior tubarão da política brasileira contemporânea.

Mais uma vez, volto ao outro lado do ringue para lembrar que Dilma pode estar exposta há pouco tempo, mas as acusações contra ela também têm sido extremamente fracas, sendo talvez o ápice dessa fragilidade denuncista esse episódio Lina Vieira.

Como já disse aqui, esse jogo tem cheiro e jeito de tudo ou nada. Tanto a oposição e sua mídia quanto a situação entraram num embate que não terá meio termo. A proporção do ataque mobilizado contra a ministra-chefe da Casa Civil, se não destruí-la poderá transformá-la num Lula de saias.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h07
[] [envie esta mensagem]



 

Velinhas de aniversário

 

 

 

 

 

 

Coisa engraçada essa dos filhos... Por que, para nós, eles nunca crescem?

 A minha primogênita, por exemplo, completou 27 anos ontem. E se não fosse uma reflexão derivada do que relatarei, sua festa de aniversário teria passado sem que eu conseguisse finalmente enxergar que ela virou uma mulher.

Era a minha Carlinha, com aqueles olhos grandes e negros, aquela mesma vozinha infantil de mais de duas décadas atrás. Era a mesma menininha a quem, pela primeira vez na vida, presenteei uma boneca.

Mais de duas décadas depois, mesmo querendo lhe dar outra boneca, tinha que lhe dar outro presente. E como é “enjoada” com roupas e demais acessórios pessoais, desisti do risco de presenteá-la com essas coisas e decidi que lhe daria um jantar feito com minhas próprias mãos.

Nada de blog neste 24 de agosto de 2009 à noite. A cozinha foi o meu destino.

Comemorei nesta segunda-feira, com minha menina, aquela noite fria de 1982, quando levei sua mãe à maternidade, a qual percorri, de ponta a ponta, durante as horas seguintes daquela madrugada de quase trinta anos atrás e que me parece ter sido a de ontem.

Naquele dia, usei, pela primeira e última vez em minha vida, o sistema público de Saúde do país. Depois daquilo, nunca mais. Minha mulher saiu do hospital cheia de problemas. Demoraram meses para que se recuperasse do péssimo tratamento que recebeu.

Mas não importa. Na noite passada, nada de blog, nada de política, nada além da família, dessa instituição pela qual às vezes temo, por razões que aqui não cabe enumerar.

O que me sobrou para relatar, pois, foi a reflexão que fiz quando, no supermercado, fui comprar as velinhas cor-de-rosa do bolo da minha menina. Como fizera tantas vezes durante tantos anos, tirei um pacotinho da prateleira. Chegando ao caixa, percebi que um só pacotinho não mais seria suficiente.

Aquela foi uma prova singela, nua e crua de que minha filhinha finalmente cresceu. Dois pacotes de velinhas. Dois! Além de minha querida Carlota ter deixado de ser uma menininha, percebi que agora, sim, estou realmente ficando velho...

 

*

 

PS: foi por conta de tudo isso que relatei acima que hoje vocês ficaram sem um post sobre os assuntos pertinentes a este blog.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h50
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

 

 

Parla, D’Alema!

Per carità, rispondi

 

 

Pelo visto, não tenho tido tanto sucesso quanto gostaria em esclarecer como é imperioso o PT começar a travar o debate político no Brasil.

Recorro, pois, a Tarso Genro, ministro da Justiça, em memorável (e relativamente recente) artigo de sua autoria publicado pela Folha de São Paulo.

O texto deverá esclarecer a melhor teoria política, de que, a partir de determinado ponto, deixar o adversário falar sozinho significa abdicar de um direito.

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h21
[] [envie esta mensagem]



Análise política

As ‘pesquisas’ vêm aí

 

 

 

 

 

 

Durante o processo eleitoral do ano que vêm, uma “nova” arma será usada pela imprensa brasileira para ajudar o governador José Serra a controlar, a partir de 2011, os dois governos mais ricos do país, ou seja, o federal e o de São Paulo, sem falar em todos os outros Estados nos quais ela ajudará PSDB e PFL a elegerem governadores, senadores e deputados.

Não tenho mais duvidas disso. E cheguei a esta conclusão simplesmente analisando os fatos recentes no tabuleiro político, donde sobressai o episódio do choque da pesquisa Vox Populi com a pesquisa Datafolha que se viu recentemente, o qual quem lê este blog soube que iria ocorrer três semanas antes de ter ocorrido.

Desde que bateu o desespero ou o ânimo na oposição e em seus jornais, tevês, rádios, revistas e mega portais de internet (e ainda não estou certo sobre qual deles se abateu sobre tais forças, se ânimo ou desespero), vimos essa arma sendo usada e temos até debatido o assunto amplamente na blogosfera.

Os leitores mais antigos sabem que eu vinha bradando sozinho contra a falsificação de pesquisas contra Lula há muito tempo e vários sempre discordaram de mim, tanto os jornalistas sérios quanto a maioria do público, uma maioria que achava que “eles não chegariam a tanto”.

Logo que saiu a pesquisa Datafolha, escrevi um artigo dizendo que era a falsificação que três semanas antes avisei aqui que sobreviria, e um amigo que entende muito de política observou que não acreditava em meu ponto de vista porque a Folha de São Paulo “não ousaria ir tão longe”, ao que lhe perguntei se estava se referindo ao mesmo jornal que falsificara um documento público contra uma ministra de Estado.

Dali em diante, não pararam de surgir fatos (tais como metodologia empregada, universo pesquisado etc) desabonadores à pesquisa Datafolha, sendo o principal deles a pesquisa Vox Populi, que, ao contrário do instituto da família Frias, mostrou a intenção de votos de Serra em queda livre e pronunciada.

Luiz Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif e uma legião de outros blogueiros e até sites de veículos da imprensa alternativa passaram a repercutir a contradição gritante entre o Vox Populi e o Datafolha. E a apontar onde estaria a fraude que denunciei.

Em seguida, na Veja desta semana, aparece um personagem que, há poucos meses, já tinha me feito desconfiar de que uma arma “secreta” estaria sendo “desenvolvida” para equiparar a oposição ao tamanho da aprovação de Lula e ao nível de bem estar social que suas políticas estão gerando.

Falo do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, personagem polêmico, envolvido em alguns casos clamorosos e nebulosos no futebol, em “erros” históricos de previsão em pesquisas que passaram longe do que realmente aconteceu em eleições, alguém, aliás, muito, mas muito chegado aos rega-bofes do PIG e da direita.

Montenegro deu uma entrevista à Veja em que afirma peremptoriamente que Lula não fará seu sucessor e que o PT será extinto. “Só” isso.

O que será que ele sabe que nós não sabemos? Só conheço um método para se fazer uma previsão dessas assim, dessa forma peremptória, sobre um fato tão sujeito ao inesperado. Refiro-me a um método hondurenho de se lograr “vitória” eleitoral que vem sendo bastante discutido ultimamente...

Mas essa é outra história, na qual sempre toquei aqui e que agora começa a ser considerada pelas pessoas sérias que me diziam que eu estava doido quando escrevia sobre um possível golpe de Estado, afirmando que isso não aconteceria mais no Brasil, que a “comunidade internacional” não permitiria etc.

Mas não vou entrar nisso agora. Até porque, já escrevi muito sobre isso neste blog.

O que importa é usarmos nossos neurônios, tirando-os do stand by em que costumamos deixá-los, e notarmos que esses que têm usado as armas que temos visto para influir de forma injusta e ilegal na política, visando ajudar a um lado até com fraudes, são donos de dois dos maiores institutos de pesquisa de opinião e estão dispostos a usar toda e qualquer arma que tenham para recuperarem o controle do Estado.

Você dirá que o Vox Populi e o Sensus ainda não se juntaram ao Datafolha e ao Ibope, mas mesmo que um deles – ou que ambos, o que me parece improvável – não se junte, vocês também viram que Folhas, Globos, Vejas e o resto da imprensa golpista censuraram a pesquisa que mostra a candidatura Serra em queda livre. E poderão continuar censurando, pois vocês já viram que não há o que fazer. Censuraram e pronto.

A coluna Painel da Folha deste domingo noticia que Dilma tem reclamado da falta de publicidade da mídia a uma pesquisa que o jornal em que jaz aquela coluna desonesta e politicamente engajada não noticiou, bem como todas as outras tevês abertas além da Tevê Bandeirantes, jornais e até, em certa medida, os grandes portais de internet, que deram a notícia “escondida”.

Diante de tudo isso, deixo a vocês e ao governo Lula, bem como ao seu partido e à sua base de apoio parlamentar, um aviso: ou vocês tratam de não apenas fazerem suas próprias pesquisas com seriedade e de conseguir um meio de divulgá-las, ou a oposição terá uma arma jamais usada tão explicitamente numa eleição, a “bomba M”, que tem poder de desencadear o bom e velho “efeito manada” entre o eleitorado.

Para quem não sabe o que é o “efeito manada”, explico que é aquele efeito que fatos contundentes costumam exercer sobre o eleitorado indeciso. E com o noticiário anti-Dilma, anti-Lula e anti-PT trabalhando nessa direção de deixar as pessoas confusas com um bombardeio de saturação de acusações no cenário político, não me parece um plano tão ruim, por mais imoral e ilegal que seja. Certamente não será mais imoral e ilegal do que a ficha falsa da Dilma.

Quero reiterar aos leitores e às forças políticas unidas ao projeto nacional petista que, em minha modesta opinião, estão subestimando a força que tem a oposição tucano-pefelista devido ao seu aparato esmagador de comunicação. E quem sabe quantas previsões posteriormente confirmadas fiz aqui neste blog, certamente está tão preocupado quanto eu.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h17
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Celso Lungaretti
Clipping jornais
Confecon
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Idelber Avelar
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco