Análise

O beijo proibido

 

Atualizado às 11h00m de 6 de setembro de 2009 

 


 

 

 

 


Há um tipo de crime contemporâneo que provavelmente sempre aconteceu, mas que, na última década, vem ocorrendo, se não mais, ao menos de forma mais escancarada. Trata-se da pedofilia, uma aberração que, quando jovem, ou até quando homem feito, lembro-me de que ninguém cogitava ser uma ameaça social tão grave.

Foi só de uns dez anos para cá que começamos a ver imagens de adultos, quase sempre homens, na maior parte das vezes já idosos, praticando atos inomináveis contra crianças e adolescentes.

Creio que essa chaga humana – ou desumana – começou a ser combatida com maior decisão quando vieram à luz as perversões do pediatra (!) Eugênio Chipkevitch, em meados de 2002. Ele dopava suas vítimas (todos meninos, de crianças a adolescentes), abusava delas sexualmente e,  ainda por cima, filmava os atos.

O pedófilo tem essa compulsão doentia por imagens, e a ironia é a de que uma das facetas mais chocantes dessa perversão acaba servindo para combater os pervertidos, pois é através das imagens de seus e de outros crimes que gravam que são identificados.

O combate intenso à pedofilia, portanto, deve continuar sob todos os aspectos, com toda decisão e severidade, em benefício de inocentes entre os inocentes, daqueles que são corrompidos sexualmente sem terem noção do que estão fazendo.

Contudo, o que você leu na notícia em destaque no início deste texto deve ser avaliado, também, sob a ótica da lucidez, do bom senso e da responsabilidade.

No vídeo abaixo, você verá que os funcionários do estabelecimento comercial (o restaurante em que estavam o turista italiano preso e sua família) negam que o acusado estivesse praticando qualquer ato libidinoso contra a própria a filha. Aliás, outros familiares dela estavam no local e corroboraram o que disseram aqueles funcionários. Mas você também verá a versão dos acusadores...


 

São versões extremamente conflitantes. Os funcionários tiveram certamente tanto acesso ao que acontecia ali quanto os acusadores do turista italiano. Além disso, pedófilos sempre se cercam de todos os cuidados e atacam em privado.

O que está em questão nesse caso é determinar se essas acusações ao turista italiano não são produto de um certo fanatismo dos acusadores, que ao menos já se sabe que viram abuso sexual onde nem a própria mãe da criança supostamente abusada, nem as várias pessoas presentes aos acontecimentos, viram nada demais.

Preocupa-me que, devido ao horror que é a pedofilia, nossa sociedade comece a cometer erros ainda piores. Fico imaginando o que serão das relações dessa filha com esse pai daqui para frente, sobretudo se ele for inocente. Terão sido marcados para o resto de suas vidas por conta de absolutamente nada além da maldade e da ignorância humanas.

  

 

Amanhã, a vítima pode ser você

 

 

Faz-se necessário gastar um pouco mais de espaço para comentar algumas opiniões sobre o assunto em destaque neste post. Leitores que sempre se destacam pela coerência – e outros nem tanto – adotaram uma posição inexplicável sobre o caso do turista italiano.

Analisemos alguns exemplos:

 

Eduardo, A NOSSA LEI não permite essa "intimidade". É essa LEI que tem que ser respeitada. Não vou entrar no mérito desse pai. Só digo que ele deve respeitar a Lei! Pra mim, esse cara é um DOENTE. Talvez um Pedófilo! E isto aqui é o Brasil. Então, não defenda essa permissividade. Se fosse uma sua conhecida, você teria uma abordagem mais rigorosa. Ma, ser "compreensivo" com as crianças dos outros é mais fácil. Defende isso não, EDU!

*

Esses gringos têm que ir em cana mesmo. Sinto muito. Nós, nordestinos, já estamos fartos de ver esses bandidos abusando de menores por aqui. Cadeia nesses safardanas!!!

*

Eduardo, sou cearense. As acusações podem (...) ser tomadas por fanatismo mesmo. Mas antes de qualquer conclusão precipitada, queria que você levasse em consideração algumas coisas: que Fortaleza é um dos maiores (...) focos de prostituição infantil e turismo sexual do nosso país e os principais "clientes" desse "serviço" são os turistas italianos, pegos em várias oportunidades com vasta exposição na mídia (...) Pelas imagens e pelas circunstâncias, é bem possível que o sujeito seja inocente, mas, nem por isso, as pessoas que o acusaram devem ser obrigatoriamente maldosas e ignorantes. Viram italiano + menor + beijo = turismo sexual.

 

Um leitor, sem mais delongas, condenou peremptoriamente o pai que beijou a filha porque, segundo ele, nossa lei “não permite esse tipo de intimidade”. E ainda disse que o sujeito seria “doente”, que deve ser “pedófilo”.

Um casal que não mostra as caras faz acusação de um ato libidinoso que ninguém mais em volta viu. Essas pessoas têm coragem de fazer tal acusação que pode destruir uma vida, mas não têm coragem de assumir a responsabilidade pelo ato.

E desde quando a nossa lei proíbe um pai de dar um selinho na boca de uma filha? Que país é esse que estão tentando criar? Quer dizer que se em vez da bochecha um pai ou uma mãe beijarem os lábios de uma filha pequena, estão cometendo crime?

A nova lei de crimes sexuais não diz nada disso. O sujeito não leu a lei e já sai teorizando sobre ela. Uma lei que torna crime beijar os lábios de um filho ou filha? Que loucura é essa?

Tenho duas filhas criadas, uma de 27 anos (casada) e outra de 23 e sempre nos demos “selinhos”, e damos até hoje. São garotas normais, lindas, inteligentes, ponderadas. Sinto-me agredido por essa idéia estúpida. Que mentalidade, meu Deus!

Leio outro dizendo que quem vai ao Ceará praticar turismo sexual deve ser preso mesmo, como se fosse o caso desse turista italiano. Será tão difícil refletir por que alguém atravessaria o Atlântico para vir molestar sexualmente a própria filha, e ainda em público?

E relativizaram essa tragédia que se abateu sobre a vida do turista dizendo ser normal ele passar por tudo isso porque, como italianos costumam ir ao Ceará para fazer turismo sexual, ao menor indício de algum comportamento inadequado as pessoas caem matando.

Ou seja: é a exaltação e a institucionalização da burrice, do preconceito, da irresponsabilidade. Se criminalizam todo italiano pelo que fazem alguns, amanhã não poderão reclamar se criminalizarem todos os cearenses pelo erros que alguns possam cometer.

Aliás, nordestinos são as maiores vítimas dessa “mentalidade” irracional, irresponsável, doentia. Não dá para entender um nordestino generalizar sobre outro povo...

Tive que escrever isto porque é doloroso ver, não os preconceituosos escreverem essas barbaridades, mas gente que sempre demonstrou inteligência, responsabilidade e ética. Por isso, em vez de virem bater o pé aqui, gastem o tempo refletindo. Será melhor para vocês.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h08
[] [envie esta mensagem]



Análise política

Povo não crê na imprensa

 

 

 

Nunca deixo de me espantar com a forma como todos os grandes jornais, revistas, televisões, rádios e portais de internet acatam e encampam cada uma das teses da oposição ao governo Lula. Duvido de que alguém saiba mencionar um só embate entre os dois em que uma Folha, um Estadão, uma Globo ou uma Veja ficaram ao lado do governo e contra a oposição.

O governo Lula, com tantos ativos mundialmente reconhecidos para exibir, na grande imprensa brasileira está sempre errado e é sempre culpado de qualquer acusação que lhe é feita por seus adversários políticos.

Essa parcialidade ficou escandalosamente evidente depois da cerimônia de lançamento do marco regulatório do pré-sal em Brasília, na última segunda-feira. Por conta de discurso de Lula com críticas ao governo FHC, esses grandes meios de comunicação em peso ficaram furiosos com o “ataque” do presidente ao governador de São Paulo, presente à cerimônia.

Mais evidente, porém, foi a compra automática pela imprensa da posição manifestada por Serra sobre a decisão de Lula de pedir urgência na votação do novo marco regulatório. Lendo um jornal ou assistindo a um telejornal, só se vê críticas ao modelo do governo. Não permitem que ninguém além dos membros do governo opine favoravelmente ao modelo de partilha do pré-sal proposto.

Diante de um quadro desses, é espantoso olhar para as pesquisas sobre a aprovação do governo Lula.

Sobretudo quando se constata que o apoio a ele é fortemente majoritário em praticamente todas as classes sociais, em todas as faixas etárias, em todos os níveis de instrução e em todas as regiões do país, tendo apoio pouco menor entre os que têm maior renda, mas sendo majoritariamente aprovado entre os que têm maior nível de instrução.

Do mais culto ao mais ignorante, de norte a sul do país, do estudante ao aposentado, mesmo entre os que lêem e se informam mais pela grande imprensa, a maioria aprova o governo Lula. A despeito do que essa mesma imprensa diz sobre ele sem parar.

Acho perfeitamente legítimo afirmar, portanto, que o brasileiro, em média, não confia na imprensa, ao menos quando o assunto é política, pois, se esses jornais, tevês, rádios, revistas, grandes portais de internet, articulistas, editorialistas etc. atacam tanto o governo e ele continua cada vez mais popular, é porque a população acha que esses veículos e jornalistas mentem.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h54
[] [envie esta mensagem]



Nota de esclarecimento

Não viu e não gostou

 

Atualizado às 11h19m de 4 de setembro de 2009 

 


 

Conheci o jornalista Carlos Brickmann acho que no início desta década na livraria Cultura do Conjunto Nacional (centro empresarial no cruzamento da avenida Paulista com a rua Augusta), em São Paulo, durante o lançamento de livro do articulista do Estadão Gaudêncio Torquato.

Como àquele tempo o Estadão publicava cartas minhas em sua coluna de leitores várias vezes ao mês, acabei travando contato com vários profissionais daquele veículo. Uns dois anos mais tarde, mudei-me para a Folha e acabei perdendo o contato com os jornalistas do jornal da família Mesquita.

Era uma época em que eu tinha ilusões de que era possível manter alguma espécie de diálogo com essa gente...

Mas, voltando ao assunto do post, estava eu em uma rodinha com Torquato (que, seguramente, nem se lembra mais de mim) e com Nêumanne (que, certamente, lembra-se muito bem deste que vos escreve) quando Brickmann chegou.

Eles não perderam tempo. Logo estavam falando de política. De reforma agrária. A octaetéride tucana na presidência da República já mergulhava no fim melancólico em que terminou, mas a direita continuava entoando suas piadinhas elitistas como se estivesse abafando.

Foi ali que Brickmann soltou a sua:

-- Em vez de reforma agrária, seria melhor dar um táxi para cada sem-terra, que sairia mais barato.

Enfim, fazer o quê? Ainda que possam pensar diferente de mim, pessoalmente tento ser a educação em forma de gente – até onde me é possível, claro. E, em situações como essa, não vale a pena iniciar um tipo de debate que sempre descamba para a radicalização.

Bem, por conta do tratamento cortês que dispensava àqueles dos quais divergia, Nêumanne, Torquato, Brickmann e tantos outros jornalistas, jornais e tevês, enfim, meios de comunicação de todo tipo constavam de minhas extensas listas de e-mails. Pelo menos uns 50 meios de comunicação e outro tanto de jornalistas freqüentavam aquela minha coluna por correio eletrônico.

Todos os anos, durante anos, eu, Carlos Brickmann e sua senhora trocávamos mensagens natalinas. No começo, também comentavam eventualmente o que eu escrevia e com Carlos eu até debatia um pouco. Depois foram parando, até que paramos todos de nos corresponder.

Brickmann, porém, voltou à minha atenção na última quarta-feira, quando leitor deste blog postou comentário que ele fez no Observatório da Imprensa, portanto publicamente, sobre o evento de que participei na última segunda-feira na Câmara Municipal de São Paulo, um debate sobre a mídia.

Reproduzo, abaixo, o comentário de Brickman em sua coluna no Observatório datada de 1º de setembro.

Mau debate na Câmara

Já a Câmara Municipal de São Paulo realizou um debate sobre "Mídia Democrática e Sociedade Civil" em que os participantes tinham as mesmas idéias – é como um sanduíche de pão com pão. A proposta é do vereador petista Francisco Chagas. Alguns convidados: Franklin Martins, secretário da Comunicação do governo federal; senador Aloízio Mercadante, líder do PT no Senado (aquele que renunciou irrevogavelmente à liderança e depois renunciou irrevogavelmente à irrevogabilidade da renúncia); vereador petista José Américo; Rui Falcão, deputado do PT; Daniel Reis, secretário de Comunicação da CUT de São Paulo. Gente de outro partido? Nem pensar. Só houve uma exceção: o ombudsman da Folha de S.Paulo, escalado para servir de alvo.

Francamente, fiquei indignado com a ligeireza da crítica de alguém que conheço pessoalmente e com quem sempre mantive uma relação de respeito. Assim, comentei a nota em questão no site do autor no próprio OI, como poderá constatar quem acessar o link acima e for conferir – ressalto que é uma coluna composta de vários tópicos.

Eis meu comentário naquele espaço:

Prezado Carlos Brickman,

Durante anos recebi e mandei mensagens natalinas a você e à sua esposa. Causou-me espécie, pois, não só os comentários desprovidos de fundamento que você fez sobre o debate na Câmara Municipal de São Paulo, mas também o fato de você ter omitido exclusivamente o meu nome entre os debatedores.

Além disso, você errou os nomes de debatedores como Franklin Martins e Aloisio Mercadante, que foram substituídos na última hora. Seu texto mostra que você já foi criticando o que nem assistiu. Aliás, o Carlos Eduardo Lins da Silva é meu amigo e de outros debatedores e foi respeitado e, inclusive, teve seu trabalho elogiado. 

Nesta quinta-feira, o jornalista me enviou e-mail sob o título “pessoal”, no qual diz que não citou meu nome ao criticar daquela forma o debate do qual participei bem como não citou de vários outros. E estava certo.

Contudo, o jornalista insinuou que aquele foi um jogo de cartas marcadas entre pessoas que pensam todas da mesma forma, o que impediria o debate.

Em primeiro lugar, quero esclarecer que não participei da “montagem” daquele debate. Por mim, que trouxessem todos os atacantes do PIG que eu debateria com qualquer um. Todavia, segundo os organizadores do evento, vários direitistas foram convidados, mas nem deram bola. Um deles, Olavo de Carvalho.

Mais não comentarei sobre a troca de e-mails entre eu e Brickmann, pois não tenho sua autorização para divulgar o teor das mensagens, mas quero dizer, publicamente, que debato com qualquer membro do PIG a qualquer hora, em qualquer lugar, desde que seja um debate em igualdade de condições.

O que me foi um tanto quanto dolorido, porém, foi ver alguém com quem sempre mantive uma relação de respeito, e que sempre considerei inteligente, criticar dessa forma o que não assistiu. Até porque, o evento não foi um debate, mas um conjunto de exposições sobre um tema específico.

 

Lula, filho do Brasil (trailer)


 

Comentários não mordem

 

Sinto-me autorizado, como blogueiro que publica até insultos contra si feitos por leitores descontentes, a pregar que opiniões sobre trabalhos jornalísticos estejam sempre  e incondicionalmente expostas ao público a fim de que este possa elogiar ou criticar aqueles trabalhos, de maneira que desaprovo a ausência de caixa de comentários de leitores no recém-criado Blog do Planalto (linkado recentemente aqui no Cidadania junto com várias outras novidades). 

Todavia, considero gangsterismo intelectual o que os grandes jornais fizeram por conta de o blog do governo federal não dar ao leitor a possibilidade de comentar. Isso porque, como se sabe, faz pouco tempo que a mesma imprensa anunciou com estardalhaço que o PSDB criou um blog para se contrapor ao blog da Petrobrás (que tem espaço para comentários), mas não fez uma só crítica à ausência ali do mesmo espaço que exige no blog do governo Lula. 

 

Nos feriados, São Paulo é o melhor programa

 

De alguns anos para cá, quando a classe média some de São Paulo para ir salgar a bunda no litoral, daí é que não saio mesmo da cidade. Fica uma maravilha. Você pode desfrutar de tudo que dificilmente consegue quem não gosta de filas, congestionamentos e aglomerações. 

São Paulo é uma cidade espetacular, em termos de programas. Teatro, cinema, parques, gastronomia... E nos feriados, sem atropelo, como na minha infância, uma época na qual ainda se vivia por aqui. E como a blogosfera se esvazia nos feriados, usarei estes dias para curtir a cidade.

 

Observatório dos caluniadores

 

Um leitor postou comentário na coluna de Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa, linkada neste post, em que se diz amigo do ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, e garante que eu e ele não mantemos qualquer laço de amizade.

É o samba do crioulo doido. Quem se aproximou de mim e me escreveu várias vezes sobre o apreço que me dedica foi o próprio ombudsman. Inclusive, por iniciativa minha interrompemos nossos almoços no restaurante Gato Que ri, pois disse a ele que preferia que nossa amizade fosse retomada depois que deixasse o cargo de ombudsman. 

O Observatório da Imprensa decaiu como decaiu também por conta de publicar ataques de anônimos contendo acusações graves à honra dos que ali escrevem.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h54
[] [envie esta mensagem]



Agradecimento público

Sobre bom jornalismo

 

 

 

 

 

 

Diariamente venho aqui escrever sobre mau jornalismo. Hoje, noite de quarta-feira, 2 de setembro de 2009, porém, terei o prazer de escrever sobre seu oposto, sobre jornalismo bom, além de, infelizmente, ter que escrever também sobre aquele tipo de jornalismo que, de tão ruim, nem pode ser chamado dessa forma.

As duas matérias que vi foram sobre mais um sofrimento atroz que as forças policiais comandadas pelo governo de São Paulo impuseram à população pobre da cidade num dos muitos guetos nos quais se abrigam centenas de milhares de paulistanos empobrecidos e esquecidos.

Refiro-me à revolta dos moradores da favela de Heliópolis, a maior da capital paulista, por conta do assassinato de uma estudante de 17 anos, a bela Ana Cristina de Macedo. O crime foi cometido por um policial que, conforme testemunhas relataram, saiu disparando contra “suspeitos” desarmados e acabou atingindo a menina.

A população em peso se levantou contra a ação da polícia e, em verdadeiro transe coletivo, saiu às ruas fazendo o que não deixa de ser compreensível diante da barbaridade desse crime: ateou fogo a veículos e, reprimida pela polícia, aos gritos de “assassinos” atirou pedras sobre os repressores.

Estamos falando de favelados, de pessoas atiradas à margem da sociedade, é bom que fique bem claro. Não estamos falando de “doutores” e de “madames” de algum condomínio fechado. É gente vitimada pela ignorância e pela pobreza, em boa parte, e foi só uma parte daquela população que partiu para o confronto com os que julgou serem os assassinos da bela Ana Cristina.

Apesar disso tudo, o Jornal Nacional fez uma cobertura que privilegiou a versão da polícia e do governador do Estado, José Serra, inclusive tentando carimbar nos moradores a pecha de “traficantes” ao mostrar uma folha de papel com alguns poucos rabiscos convocando a população ao protesto em troca de “cestas básicas”.

Os moradores revoltados com a polícia não tiveram voz no Jornal Nacional, e nada se reportou, além de uma foto e do nome, sobre a bela, a angelical menina Ana Cristina de Macedo, agora um anjo de verdade.

Triste, revoltado e chocado com a insensibilidade da emissora e com a acusação de “vandalismo” de Serra aos moradores traumatizados por aquela tragédia, usei essa invenção maravilhosa que é o controle remoto em busca de algum traço de decência no jornalismo brasileiro.

Foi no Jornal da Record que encontrei o que buscava, bom jornalismo. Apesar de não me ter compensado a revolta pelo que a Globo fez, deu-me alento àquela indignação e àquela tristeza.

Uma reportagem questionadora dos métodos da Polícia, inclusive com opinião de Celso Freitas e de Ana Paula Padrão. Que deu voz aos moradores, os quais, na Globo, não puderam se defender das acusações monstruosas de Serra e denunciarem, como fizeram na Record, que o bilhete de “traficantes” convocando a manifestação era uma farsa.  

O fato é que a história daquele bilhete manuscrito em folhas de caderno escolar convocando a população a se manifestar na rua em troca de uma “cesta básica”, não “cola”, como disse um dos moradores de Heliópolis que a Record entrevistou mais cedo.

Segundo o Morador, é absurdo imaginar que traficantes escrevessem três mil bilhetes daquele e que dessem igual número de cestas básicas. Imaginem traficantes, bandidos impiedosos se expondo assim só porque uma garota “qualquer” (para eles) morreu.

E não foi só isso. A Record mostrou a indignação daquela comunidade majoritariamente de trabalhadores, de pessoas claramente sérias contra a ação da polícia, e mostrou um pouco da vida daquela menina linda, meu Deus, linda! E morta, meus amigos! Estupidamente!!

Hoje pude escrever sobre bom jornalismo. Sobre o exercício correto desse verdadeiro ofício que, quando o profissional quer, pode ser exercido com humanidade, sensibilidade e, acima de tudo, com senso de justiça.

Obrigado, TV Record.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h59
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

São Paulo em transe

 

 

 

 

 

 

Em 2 de fevereiro deste ano, a policia militar paulista reprimiu duramente protesto feito por moradores da favela de Paraisópolis (zona oeste de São Paulo) por conta de um morador local ter sido morto por policiais que o consideraram “suspeito”. A favela permaneceu ocupada pela polícia por meses, fazendo ainda mais dura a vida da comunidade.

No mês passado, a mesma polícia militar jogou no olho da rua cerca de 800 pessoas que viviam em barracos em um terreno na região do Capão Redondo, zona sul da capital paulista. A operação teve como objetivo devolver o terreno à empresa de ônibus Viação Campo Limpo. Até agora, as famílias estão vivendo pelas ruas da cidade.

Nesta terça-feira, 1º de setembro, moradores da favela de Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, protestaram contra a morte de uma estudante de 17 anos, morta pela polícia na noite anterior. O protesto teve inicio por volta das 19h. O grupo queimou ônibus e carros, bloqueou acessos à favela e continua sendo reprimido pela Polícia.

Dos 14 índices de criminalidade medidos pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 10 cresceram A Secretaria registrou aumento expressivo nos casos de roubo, estupro, latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio em todo o Estado.

Segundo dados divulgados na semana passada, somente na capital foi contabilizado um aumento de 80% nos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), quando comparado com o primeiro trimestre de 2008.

Em qualquer área social de São Paulo, os números são catastróficos. Saúde, Educação, Saneamento Básico, Segurança Pública... Os salários de professores, policiais, médicos, estão entre os piores do país. A mendicância só faz aumentar em todo Estado, bem como a favelização.

No mês passado, porém, o instituto de pesquisas Datafolha detectou que o governador José Serra é aprovado por 57% dos paulistas. A taxa dos que consideram a gestão de Serra ótima ou boa tem apresentado evolução constante. Era de 39% em março de 2007, subiu para 49% em novembro do mesmo ano e foi a 53% em março de 2009.

Qual é a explicação para esse fenômeno? Por que os paulistas e, sobretudo, os paulistanos (como são chamados os paulistas da capital), que vivem cada vez pior, não associam seus problemas ao governo do Estado, que tem atuado tão mal?

O que ocorre em meu Estado é que desde que Mario Covas se elegeu governador, em 1994, a imprensa paulista simplesmente acoberta todo e qualquer problema relativo ao Estado. E quando não há como esconder, atribui ao governo federal a responsabilidade que é do governo do Estado.

Foi assim, por exemplo, em 2006, quando a facção criminosa PCC pôs São Paulo de joelhos, decretando toque de recolher por todo Estado. Globos, Folhas, Vejas e Estadões, entre outros, conseguiram convencer a população local de que a responsabilidade pela Segurança paulista era do governo Lula.

Os dois grandes jornais paulistas simplesmente não cobrem o governo do Estado e bloqueiam a quase totalidade das críticas ao governador. As tevês, idem.

O escândalo das propinas pagas pela multinacional Alstom a membros das administrações tucanas de São Paulo praticamente não aparece na mídia, e, quando aparece, poupa nomes e a sigla PSDB.

Quando os paulistas vêem as pesquisas de opinião mostrando a popularidade de Lula, o crescimento de Dilma e a queda nacional das intenções de voto em Serra, ficam perplexos ou dizem que as pesquisas são falsas, porque o povo de meu Estado não fica sabendo quem é o responsável por a vida aqui estar cada vez pior e, no resto do país, cada vez melhor.

Até o Rio Grande do Sul, que nesta década havia se convertido em curral eleitoral tucano, acordou. Mas São Paulo, com todas as suas tragédias, segue acreditando que vive na Suíça – ou “chuíça”, como diz o jornalista Paulo Henrique Amorim.

A situação social em São Paulo, como mostram os levantes sociais cada vez mais freqüentes por todo o Estado, está explodindo. O sofrimento dos mais pobres é cada vez mais intenso.

E até os mais ricos estão sofrendo. Em média, são registrados 20 assaltos por mês aos condomínios de luxo em São Paulo. Segundo as estatísticas, em 90% dos casos os ladrões entram pelo portão principal.

São Paulo está em chamas, afundando numa gestão incompetente e autoritária, mas os paulistas são distraídos por leis que criminalizam fumantes de tabaco, vendidas pela mídia como o supra sumo da modernidade. Enquanto isso, no centro velho da capital paulista fuma-se crack em qualquer esquina e sob as barbas da polícia.

Ao conversar sobre política com um paulistano de qualquer classe social, nota-se que ele atribui todos esses problemas ao governo federal. A grande maioria dos paulistas de todas as classes sociais não faz a menor idéia sobre para que serve o governo do Estado.

Existe, entre a grande maioria do povo de São Paulo, uma fé quase religiosa na grande imprensa. O paulista reproduz como papagaio cada chavão político anti-Lula da mídia e, sobretudo, os bordões de novelas e programas humorísticos.

As expressões indianas da novela global das oito, por exemplo, viraram uma praga. Não se consegue passar 10 minutos sem ouvir alguém proferi-las como se aquela fosse a tirada de maior inteligência e originalidade que já se viu e de um bom humor único.

O Estado de São Paulo deverá se tornar objeto de estudos sociológicos revolucionários, que mostrarão como meia dúzia de empresários da comunicação conseguiu hipnotizar dezenas de milhões de pessoas de forma a fazê-las obedecerem cegamente os seus menores caprichos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h48
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

Por que parou?

 

 

 

 

 

 

Vocês já repararam em tudo que, de uma hora para outra, desapareceu da face da Terra?

Record e Globo interromperam a guerra tão rápido quanto começaram. Qual terá sido o acordo? A Globo deve ter constatado que perdeu mais, pois Edir Macedo metido em picaretagens nunca foi segredo. Mas o que ele levantou sobre os Marinho...

E Lina Vieira? Que Lina Vieira? Ora, aquela com a qual nos bombardearam 24 horas por dia durante semanas. E notem que, de repente, 17  funcionários da Receita recuaram de pedir demissão. Alguma coisa sobre ela deve ter aparecido. Quem sabe foi que ela mentiu.

Sarney também foi beneficiado. Aliás, ele adotou a tática do golpista hondurenho Roberto Micheletti. Sabia que uma situação de fato o favorecia e que teriam que acabar se conformando com ela em algum momento. Ambos são presidentes de facto e pronto.

É patético. A mídia nos entope desse lixo e, de repente, desilude-se.

Agora é o pré-sal. Vão nos encher a paciência com isso até nossas tripas saírem pelas orelhas, certamente achando que poderão convencer o país a ir às ruas para obrigar o governo, que tem a caneta, a fazer o que quer a oposição adiando a votação do novo marco regulatório.

Quanto o Brasil já perdeu de tempo com toda essa interminável inutilidade? Imaginem se parassem com isso por seis meses... O país avançaria o que demoraria uns dois anos sob a sabotagem diária que praticam a mídia, o PSDB e o PFL.

O importante, porém, é não ceder mais. Que gastem o tempo que quiserem. Como dizem, já que estamos no inferno vamos dar um abraço no Capeta.

Mas eles não podem ganhar. Que torrem a paciência nacional o quanto quiserem. Só não podem conseguir mudar nada. E isso só está sendo possível porque devem ter entendido que ninguém está aderindo.

Aliás, a crise silenciosa nos institutos de pesquisa (Vox Populi X Datafolha e a boca grande de Carlos Augusto Montenegro) mostra que o resultado de todo esse esforço sabotador foi um traque. Se estão tendo que manipular as pesquisas, é porque a realidade não os favorece.

E, se continuarem perdendo até o apagar das urnas no ano que vem, dali em diante acho que enfim entenderão que o Brasil mudou.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h11
[] [envie esta mensagem]



Vídeo do Debate sobre Comunicação na Câmara de SP

 

 Mídia, democracia

 e sociedade civil

 

 

 

Tragicamente, sem querer apaguei o post anterior, contendo a íntegra de meu pronunciamento no debate "Mídia, Democracia e Sociedade Civil", que aconteceu na última segunda-feira, 31 de agosto de 2009, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo.

E o mais trágico é que mais de oitenta de vossos belos comentários também se perderam. Sinto muito mesmo. Estava meio atrapalhado no escritório e fiz essa besteira.

Contudo, abaixo vocês poderão assistir ao evento na íntegra, em duas partes. A qualidade do vídeo é excelente, leve e ele poderá ser visto em qualquer máquina.

Vale ressaltar que a gravação e upload do vídeo do evento foi cortezia de nosso leitor João Carlos, Oficial de Justiça de São Paulo. Agradeço a ele o trabalho e o interesse em nos proporcionar tanto.

 

Parte 1 (minha participação aos 01:18:00)

 

Parte 2 (minha participação aos 01:14:00)

 

 

Resumo do evento

 

 

fonte: Câmara Municipal de São Paulo 

 

O Brasil precisa mudar as leis de comunicação, buscando uma legislação mais democrática, transparente e que combata o monopólio existente no setor, e a mídia (jornais, revistas, rádios e TVs) deve repensar a forma como processa e divulga a informação, abandonando a linha da escandalização seletiva de fatos político/econômicos para dar vez à discussão de temas de interesse da sociedade, sob pena de perder a capacidade de dialogar com a população.

Essa foi a tônica do debate Mídia, Democracia e Sociedade Civil, promovido ontem à tarde na Câmara Municipal pelo vereador Francisco Chagas e que reuniu políticos, sindicalistas e profissionais da comunicação para discutir a seguinte questão de fundo: controle público fere a liberdade de imprensa?

Outros dois pontos também foram abordados: a recente revogação da Lei de Imprensa (entulho da ditadura militar) e a convocação, pelo governo federal, da Conferência Nacional de Comunicação (Confecon), marcada para dezembro, em Brasília.

Participaram da atividade:

  • Otoni Fernandes, secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República,
  • Laurindo Lalo Leal Filho, professor doutor da ECA-USP e ouvidor da Empresa Brasileira de Comunicação
  • Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo
  • Paulo Salvador, da CUT Estadual de SP
  • Vereador José Américo, presidente do Diretório Municipal do PT 
  • Rui Falcão, deputado estadual
  • Eduardo Guimarães, presidente da ONG Movimento dos Sem Mídia 
  • Luis Nassif., jornalista
  • Francisco Chagas, vereador

Discutir a mídia e seu papel na sociedade moderna sempre foi um tabu, lembrou Laurindo Lalo Leal Filho. “Sempre que se fala em controle público dos meios de comunicação alguém já pensa que é a volta da censura. Não é nada disso. Com a Conferência Nacional de Comunicação, equiparamos a comunicação com outros direitos fundamentais, como a saúde e a educação. Só que em todo serviço público há um setor para você reclamar quando está insatisfeito. No caso dos meios de comunicação eletrônica, que são uma concessão do poder público, isso não existe”, afirmou Lalo.

 José Américo disse que o controle público não é só desejável, mas indispensável, pois a comunicação é um direito inerente à cidadania. “Precisamos construir espaços públicos para debater, construir informação de interesse da sociedade”. O vereador, que também é jornalista, observou que esses espaços praticamente inexistem na mídia do Brasil, pois os meios de comunicação são dominados por um reduzido grupo de famílias que usa os jornais, revistas, rádios e TVs para defender idéias de seu interesse e não para informar à sociedade.

O representante da CUT reclamou da “vilanização” dos movimentos sociais pela imprensa, que além de condenar não dá voz a quem se organiza para lutar por moradia, saúde, salários e melhores condições de trabalho. “A mídia que existe hoje no Brasil não nos serve. Ela desestimula a autoestima do brasileiro”, disse Paulo Salvador.

Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem Mídia, disse que a ONG nasceu graças à internet e por causa da crescente insatisfação de diferentes pessoas com o conteúdo veiculado pelos meios de comunicação. O MSM já promoveu duas manifestações na porta da Folha de S. Paulo. Ele citou erros absurdos praticados pela imprensa sem que tivessem a devida correção, como o suposto surto de febre amarela no Brasil, no começo de 2008, e mais recentemente a publicação, pela Folha, de uma falsa ficha policial da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. “Somos um grupo que não aceita que meia dúzia de pessoas use a mídia para defender interesses próprios”.

O deputado Rui Falcão defendeu uma reforma democrática e transparente dos meios de comunicação. Rui disse os veículos agem de maneira facciosa e parcial, citando o episódio envolvendo a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira. Quando foi nomeada para o cargo, no ano passado, o jornal O Estado de S. Paulo a acusou de politizar o órgão com a indicação de sindicalistas para ocupar cargos de chefia. Agora, como ela se virou contra o governo federal após perder o posto, Lina Vieira “virou uma flor de pessoa para o Estadão”.

Na avaliação de Luis Nassif, a mídia brasileira passa por um período de transição, pois o modelo da escandalização dos fatos, do jogo político, está se esgotando graças ao advento da internet, que deu enorme poder à “blogosfera” e a transformou em um ambiente onde é possível coletar informações e confrontá-las com o que a imprensa divulga. “Todo país avançado tem jornalismo de opinião, que levanta um assunto relevante e o discute com a sociedade”.

O ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva criticou os jornais (inclusive a própria Folha), revistas, rádios e TVs, pela cobertura que fazem do poder Legislativo. O foco é sempre o pior viés possível, o escândalo, a acusação de corrupção, sem se dar conta de que assuntos importantes são discutidos no Legislativo e a sociedade só fica sabendo que é aprovado. “infelizmente os jornais, as revistas, as emissoras de rádio e televisão e, incluo evidentemente a Folha, fazem uma cobertura que se centra basicamente no escândalo e na fofoca. Acho que o Legislativo, como todos os poderes, de todas as atividades da Nação, inclusive o jornalismo, precisam ser criticados, precisam ter um tipo de controle e precisam se autorregular também, porque ninguém é perfeito, ninguém é anjo. Todos nós cometemos erros e precisamos ter nossos erros consertados na medida do possível”.

O secretário executivo da Secom defendeu a edição de uma nova legislação de imprensa que priorize o direito de resposta como instrumento de defesa dos cidadãos contra os abusos da mídia. Otoni Fernandes acrescentou que é necessário repensar as diversas normas que tratam da comunicação e da telecomunicação no país, revendo o modelo de concessões tendo em vista a convergência tecnológica, já que hoje é possível assistir TV em um telefone celular. Ele defendeu, também, a regulamentação das rádios comunitárias.

O vereador Francisco Chagas considerou muito rico e positivo o debate. “Com esse debate queremos acumular idéias para discutir na Conferência Nacional de Comunicação e acumular massa crítica sobre o assunto para levarmos para o Congresso Nacional quando deputados e senadores iniciarem a preparação de novas leis para o setor”, afirmou Chagas.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h38
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Celso Lungaretti
Clipping jornais
Confecon
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Idelber Avelar
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco