Na imagem acima, duas edições de um dos tentáculos da imprensa golpista que anunciaram a entrada e a saída oficiais do país do processo recessivo na economia. Notem a diferença gritante de destaque entre a boa e a má notícia devido a escolha absolutamente inexplicável por critérios estritamente jornalísticos.
Contudo, não é só o destaque das notícias em manchetes que trabalha no sentido de impactar mais com a má notícia para o país do que com a boa. A construção, a engenharia das manchetes também atua no mesmo sentido, pois uma manchete é clara e de fácil assimilação, ao passo que a outra requer raciocínio para ser entendida. Vejamos essas "construções".
Manchete pessimista: "Brasil está em recessão"
Manchete otimista: "Consumo das famílias e indústria em alta tiram país da recessão"
Por que não "Brasil saiu da recessão"? Por que uma notícia que interessa à vida pessoal de cada brasileiro perde em importância para uma notícia policial que diz pouco, pois relata processo em curso sem desfecho definido? Por que a imprensa dá mais destaque a más notícias do que a boas?
É claro que, em vez de meramente informar, a imprensa partidarizada trata de tentar manipular a sociedade. Para boa parte dos leitores deste blog, essa é uma informação desnecessária, bem sei. Mas garanto a vocês que há muitos leitores aqui que estão meramente tentando enxergar alguma verdade inegável em meio ao partidarismo dos dois lados.
É a esses que dirijo meu trabalho, aos que se sentem perdidos em meio à campanha de desinformação e manipulação com que o grande aparato midiático oposicionista procura esmagar o aparato insipiente de contra-informação que ainda se forma quase exclusivamente na internet, e que, à diferença do grande aparato, assume suas preferências.
Há momentos em que sinto uma grande sensação de impotência. Como alertar a sociedade se todos os grandes meios de comunicação negam mídia a quem tem a dizer o que têm pessoas como este que escreve? O que tem me sustentado é minha crença inabalável na força mística da verdade.
Já disse mil vezes aqui e volto a dizer: a verdade é uma força da natureza como o vento ou a chuva. Pode-se tentar contê-la vedando todas as saídas por onde possa escapar. Contudo, ao menor furo na "vedação" a verdade irrompe com a força das marés, com o ímpeto dos furacões.
Por que a 'marolinha' foi mesmo uma marolinha
Espanta-me o espanto de alguns com o resultado estimulante da economia já no segundo trimestre deste ano, de mais 1,9%. No fim do ano passado, já escrevia aqui que isso ocorreria exatamente como e quando ocorreu.
Em fevereiro deste ano, por exemplo, este blog já explicava por que a economia sairia do choque artificial em que foi jogada pela crise mundial, sim, mas também pela mídia nacional com seu terrorismo, que levou empresários a paralisar investimentos e a demitirem “preventivamente”.
Vejam o que eu disse:
1 – O pacote anti-crise do governo federal ultrapassou a marca dos 200 bilhões de reais, constituindo a maior intervenção oficial de estímulo econômico da história brasileira.
2 – Em 2009, o BNDES tem R$ 76 bilhões a mais para emprestar do que em 2008, quando emprestou R$ 92 bilhões, perfazendo quase 170 bilhões de reais neste ano.
3 – O governo também usou as reservas internacionais em dólar para emprestar cerca de R$ 50 bilhões a empresas com dívidas em moeda estrangeira.
4 – Desde setembro do ano passado, a liberação pelo governo do recolhimento compulsório dos depósitos à vista nos bancos foi da ordem de R$ 85 bilhões.
5 – O Banco Central também passou a emprestar a exportadores a fim de suprir a ausência dos recursos que eles obtinham no exterior para financiar suas operações.
6 – No auge da crise, o governo postergou o recolhimento dos impostos pelas empresas, de forma a aliviar seus fluxos de caixa.
7 – Os impostos sobre operações financeiras foram reduzidos de forma a baratear o crédito.
8 – Reduziu-se o IPI de carros, motocicletas, caminhões, eletrodomésticos e de material de construção.
9 – Lançou-se um programa governamental de construção ou financiamento de moradias que movimentou o mercado da construção civil.
10 – Foram abertas fartas linhas de crédito governamental para a agricultura.
11- Bancos oficiais assumiram a dianteira nas quedas dos spreads e das taxas de juro, o que já fez com que a oferta de crédito retornasse rapidamente aos níveis pré-crise.
12 – Foi feito um plano de repactuação de dívidas dos municípios com a União que lhes permitiu contrair novos empréstimos dos cofres federais.
13 – A taxa básica de juros da economia (Selic) foi reduzida ao mais baixo patamar em décadas.
Pedi reiteradas vezes aos leitores deste blog para que se lembrassem daqueles vaticínios que fazia. Enquanto isso, a mídia se opunha à maioria das medidas acima repercutindo a oposição, que pregava redução de gastosgovernamentais.
Imaginem vocês o que aconteceria se o Brasil tivesse cometido o erro de eleger um tucano presidente em 2006. A esta hora, estaríamos amargando o mesmo que estão aqueles que enveredaram de cabeça pelos velhos caminhos neoliberais.
Responsabilidade pela Segurança Pública
Surgiu, nos comentários do post anterior, um questionamento claramente desencadeado por correligionários do governador José Serra que vieram aqui tentar tirar de seus ombros a responsabilidade pelos atos criminosos das diversas polícias que comanda.
Reproduzo, abaixo, contribuição da leitora Vera Pereira, socíóloga e professora aposentada do Rio, sobre o que diz o texto constitucional no que tange à Segurança Pública:
Constituição Federal, Capítulo III, Artigo 144 Art. 144.
A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidadedas pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 4º - Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
§ 5º - Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidasem lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.
§ 6º - As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aosGovernadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
§ 8º - Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
Ou seja: para fazer papel de polícia, para perseguir bandidos nas ruas, as guardas municipais só podem atuar sob autorização e supervisão do governo estadual, pois a competência dessas guardas é só dos próprios municipais.
O Jornal Nacional, no último dia 2, deu credibilidade a um suposto “bilhete”, que depois teria se transformado em “panfletos”, feito por supostos “traficantes” que teriam distribuído o material na favela paulistana de Heliópolis convocando a população local a protestar violentamente contra a morte de mais alguém dali pela polícia, a garota Ana Cristina de Macedo, de 17 anos, tudo em troca de uma... cesta básica.
Desta vez foi a guarda civil metropolitana, mas pouco tempo antes uma menina de cinco anos, Tainá, foi atingida por um tiro no peito que sua mãe disse na tevê nestes dias que foi disparado por um policial militar em situação semelhante a esta em que morreu Ana Cristina.
Um líder comunitário de Heliópolis deu entrevista a tevês dizendo que “toda hora, toda hora” alguém é morto ali nesse tipo de situação, e perguntou por que a polícia não atira a esmo contra bandidos nos bairros “nobres”.
É uma excelente pergunta... Por quê?
Agora, a Globo, naquele seu “Jornal Nacional”, mentiu. Difamou a população de Heliópolis dizendo que sua manifestação de revolta pela morte de Ana Cristina, de Tainá e de outros se deveu a “bilhete-panfleto” de “traficantes”, quando a polícia civil não achou um só traficante entre os que investigou e até prendeu por “vandalismo”, e ninguém sabe, ninguém viu o “bilhete” que já ficou claro que foi uma falsificação da PM.
Será que a Globo vai desmentir a difamação que fez contra a população de Heliópolis?
Polícia diz que protesto em favela de SP não foi planejado
10 de setembro de 2009 • 20h57 • atualizado às 23h58
Marcelo Pereira / Terra
A polícia não tem indícios de que os protestos ocorridos na semana passada na favela de Heliópolis, zona sul de São Paulo, teriam sido organizados por algum grupo criminoso ou traficantes, segundo informou o delegado Gilmar Contrera, do 95º Distrito Policial, nesta quinta-feira.
Segundo a polícia, os protestos ocorreram após a morte de Ana Cristina de Macedo, 17 anos, atingida por uma bala perdida disparada por um guarda municipal de São Caetano do Sul (SP), segundo apontou o laudo do Instituto de Criminalística (IC).
Durante a manifestação, ônibus e automóveis foram incendiados e bloquearam o trânsito nas principais ruas da favela. Houve confronto entre os manifestantes e policiais militares. Pelo menos um PM ficou ferido.
"A manifestação inicialmente pedia justiça. Não há indícios de movimentação planejada. Ninguém é bobo de acreditar que alguém daria cestas básicas para que a favela iniciasse um protesto".
Inicialmente, havia a suspeita de que um grupo local teria distribuídos bilhetes com o pedido para que os moradores organizassem o protesto. Em troca, cada um ganharia uma cesta básica. Entretanto, segundo o delegado, durante as investigações, nenhum morador afirmou ter visto o bilhete.
Contrera, que abriu inquérito há uma semana sobre o caso, afirmou que a ação dos guardas de São Caetano não deve ser recriminada. "Havia um veículo roubado. Eles (os guardas) vinham fazendo a perseguição. Eles alegam que atiraram porque também receberam tiros. Infelizmente, a vítima, que vinha de outra rua, entrou na linha dos disparos".
O laudo do IC apontou que o tiro que atingiu a jovem partiu de um revólver calibre 38 do guarda Vicente Pereira Passos. Ele responderá em liberdade por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar).
Se você é dos que acreditam nas pesquisas eleitorais dos institutos que denunciei que estariam planejando manipulá-las (Datafolha, Sensus e Ibope), pode ficar triste ou contente no que tange a eleição presidencial, sendo, respectivamente, petista ou tucano.
Comentário do leitor Alberto Porém Jr. mostra a continuidade do processo que denunciei aqui no fim de julho, para quem pensa como eu, ou uma forte degringolada da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff, para quem crê nessas pesquisas. Vejam:
Recebi pelo twitter: ‘Informam alguns colunistas e analistas políticos que estaria correndo nos bastidores uma pesquisa atribuída ao Ibope que teria avaliado as intenções de voto no que diz respeito à corrida presidencial e constatado uma queda acentuada de Dilma Rousseff. (...) Seguem, abaixo, os números.
Esta pesquisa estaria apontando uma queda de Dilma de 18% para 13%. O que representaria uma perda de quase um terço.
Aparentemente, a pesquisa estaria circulando através das mãos de membros do PMDB, que estariam alarmados e conversando sobre a possibilidade de aliança com o PT de olho nestes números’.
Alberto Porém Jr. | Lucas do Rio Verde / MT | Consultor
Bem, se vocês quiserem a minha opinião, vejo o seguinte cenário: acho que estão forçando a barra nas pesquisas e que está dando certo. Assim, irão cada vez mais fundo, criando o bom e velho efeito manada.
E o governo Lula e o PT ajudam, com divisões internas, com estrelismo dos Mercadantes e Suplicys da vida, com a recusa do presidente Lula de denunciar que a mídia está a serviço de Serra etc.
Não houve ‘recuo’ de Lula na ‘urgência’ do pré-sal
Ontem (quarta-feira), o país foi bombardeado com a notícia de que ”Lula recuou na urgência do pré-sal“. Como sempre, portais de internet, blogs corporativos e telejornais anteciparam as manchetes de hoje nos jornalões, sobre o tal “recuo” do presidente.
Traduzindo a intrincada linguagem mídiática, trata-se da questão do pedido de urgência do governo na votação pelo Congresso do novo marco regulatório sobre a forma como serão exploradas as reservas petrolíferas do litoral Sul-Sudeste do país.
A ânsia de vender “mais uma derrota” do governo à sociedade numa imprensa onde esse governo não ganha nunca, leva esses meios de comunicação aliados à oposição tucano-pefelista a contarem qualquer história sem fundamento achando que podem sufocar os fatos.
Vamos, pois, aos fatos.
Fato 1 – Sem o regime de urgência pedido pelo governo ao Congresso, a matéria só seria votada no ano que vem, em plena campanha eleitoral, o que significa que a discussão seria contaminada por interesses eleitorais, o pior dos ambientes para se discutir um assunto de tal importância.
Fato 2 – O que a mídia chama de “recuo de Lula”, foi, na verdade, produto de negociação da bancada do governo na Câmara dos Deputados com a bancada da oposição, de forma que esta parasse de obstruir os trabalhos.
Fato 3 – Se o marco regulatório do pré-sal deixasse de ter prazo para ser votado, haveria, sim, recuo do governo – ou “de Lula”, como quer a mídia. Todavia, o prazo para votação da matéria foi aumentado de 45 para 60 dias.
O que a oposição queria era jogar a votação do marco regulatório para o ano que vem, de forma que o calor da disputa e o esvaziamento do Congresso ensejassem que a discussão ficasse para o próximo governo, em 2011, que mídia e oposição esperam que seja de José Serra, de forma que permanecesse o atual sistema de concessão.
Como se sabe, o sistema de concessão, adotado por FHC em 1997, permitiria ao capital estrangeiro e às grandes corporações nacionais se apropriarem da riqueza no litoral Sul-Sudeste do país, dando uma banana para a sociedade, para a Saúde, para a Educação etc.
Com a votação, até novembro, do marco regulatório do pré-sal, no próximo ano o Brasil já começará a colher os frutos da extração dessas riquezas, extração que, inclusive, já está engatinhando. Por isso, mais uma vez a mídia mente ao país ao dizer que “Lula recuou”. Não houve recuo algum.
Hoje tive um problema sério. Alguns diriam desesperador. A luta pela sobrevivência não está fácil e perdi um dinheiro que não poderia perder. Tenho familiar doente que precisa desesperadamente de recursos. Comecei a me sentir miserável.
Sempre que isso me acontece – e costuma acontecer, talvez mais do que deveria –, tento ser otimista. Criar coragem. Levantar a cabeça. Enfim, penso em todos aqueles chavões que nos dizem para nos consolar rapidamente, quando nos vêem em dificuldades.
Mas é no sofrimento alheio que sempre acabo encontrando “consolo”, e acabo sentindo vergonha disso. Ao ver esses pobres coitados vítimas da natureza, da falta de infra-estrutura das cidades brasileiras, do descaso das autoridades, melhoro.
Gente que pode ter a vida destruída pelo que, para mim, nada representa além de algum inconveniente no trânsito. Uma mera chuva mais forte e famílias inteiras vão para a rua, com crianças pequenas, idosos, enfermos como a criança que tenho em casa.
Não, não dá para me sentir miserável vendo o sofrimento de gente que não tem, inclusive, o maior dos bens, que é esclarecimento, cultura, instrução. Que não sabe como se virar, como sobreviver com dignidade à custa do próprio trabalho. Acabo me sentindo um felizardo.
Pergunto-me se não estou pensando nisso meramente para me auto consolar. Poderia ser, mas não é. O sentimento é legítimo. E chega a me provocar vergonha por me deixar abater por problemas tão mais facilmente contornáveis.
Se nós de classe média começarmos a ver o mundo por uma perspectiva, digamos, não classe média, enfrentaremos com maior galhardia certos problemas que nos parecem maiores do que realmente são. Precisamos da coragem dos miseráveis.
Tenho muitos beijos guardados e nunca hesito em usá-los. Pelo contrário: lamento cada oportunidade perdida de beijar. Beijo porque amo, e se amo sou feliz, por isso beijo quanto posso. O momento máximo da existência, pois, é a manifestação do sentimento mais sublime que existe, o amor, que se manifesta em sua forma material justamente através dos diversos tipos de beijos existentes.
Cheguei a beijar um capacete que me salvou de um tombo feio de moto. Teria eu praticado um ato libidinoso com o objeto de liga incerta e inerte? Aí o caráter descaracterizado do beijo, que jamais caracteriza uma só intenção, um só sentimento.
O beijo é usado para o amor entre um homem e uma mulher, mas já foi usado para Judas Iscariotes trair Jesus Cristo.
Homens e mulheres heterossexuais se beijam na boca como quem aperta as mãos em várias partes do mundo.
Pais e mães beijam os lábios de bebês, bem como suas testas, bochechas, mãozinhas, barriguinhas e pezinhos.
Perderei o direito de beijar assim meu próximo netinho ou netinha que nascer?
E minhas filhas já moças, Carla (27) e Gabriela (23), das quais beijo os lábios desde o primeiro instante em que chegaram a este mundo até os dias atuais?
E a minha Victoria, de 10 anos, portadora de Síndrome de Rett (dita “paralisia cerebral”), a quem só meus beijos na boquinha vertendo saliva, escancarada em choro doloroso e patológico, conseguem fazer com que interrompa o acesso e sorria? Como farei para acalmá-la, daqui em diante?
E minha neta, Letícia Maria, que, às vezes, segura-me a cabeça e tasca um beijinho nos lábios, bem como na mãe (minha filha), no pai, na avó (minha mulher), nas tias (minhas filhas Carla e Gabriela) e no tio (meu filho André) ?
Sabem por que tenho todos esses medos? É porque não são só os italianos que se beijam na boca. Os brasileiros, fortemente influenciados pelos italianos em sua cultura, também se beijam assim por todo este país enorme e mesclado de culturas.
Estão querendo fazer predominar por aqui um fundamentalismo cristão de ultra-direita importado dos grotões dos Estados Unidos e que se manifestou recentemente nas eleições naquele país. Estão querendo, além do estilo pseudo jornalístico “neocon”, trazer a histeria ultra-cristã daquele país para o nosso.
Como todos já entenderam faz tempo, refiro-me ao caso do turista italiano preso por beijar a própria filha na boca num restaurante em Fortaleza. Aqueles, entre nós, que pertencem a famílias em que o afeto se manifesta em toda sua latinidade calorosa como essa aqui descrita, devem se levantar por esse caso.
Não há elemento nenhum que autorize que se mantenha esse cidadão do mundo na cadeia, numa cela comum, ao alcance talvez até de criminosos que poderão lhe infringir sofrimentos terríveis sob a mera suspeita de pedofilia, que numa cadeia se transforma no único crime inaceitável pelos outros detentos.
Pode-se colocá-lo em liberdade impedindo-o de deixar o país, se quiserem, mas mantê-lo preso pelo que se tem contra ele é ameaça a qualquer cidadão brasileiro. E não só na questão do beijo, mas de outras histerias que surgirão na esteira dessa e que poderão ameaçar cada costume, cada aspecto da natureza deste povo que não se enquadre em modelos importados.
Em nome do direito de beijar a tudo e a todos que nos são caros, exorto o Poder Judiciário brasileiro a pôr fim a essa farsa, a essa aberração que esbofeteia cada cidadão de bem que com seus filhos, netos, pais, avós, irmãos etc., passará a ter medo simplesmente de manifestar carinho em público e quiçá, se continuar assim, até em privado.
A pesquisa CNT-Sensus não me surpreendeu. Aliás, ela é muito similar à pesquisa Datafolha. As quedas de Serra e de Dilma foram mais pronunciadas e a perda de aprovação de Lula maior porque entre a 97ª pesquisa Sensus e a 98ª se passaram pouco mais de três meses.
Se comparadas as pesquisas da Folha e da CNT com a de Marcos Coimbra, porém, a diferença seria abissal. No cenário mais provável, a diferença entre Serra e Dilma fica ao redor dos 20% nos institutos Datafolha e Sensus e metade disso no Vox Populi.
Há também o fato de que houve uma censura ampla da mídia à pesquisa Vox Populi. E a denúncia que fiz aqui ainda em julho, de que estaria havendo preparação de “arranjos” nas pesquisas.
Por que a Folha, dona do Datafolha, esconderia a pesquisa Vox Populi? Se houvesse seriedade nela, não seria o caso de noticiar a pesquisa do instituto concorrente e explicar alguma coisa? Metodologia, sei lá o que poderiam inventar, mas por que esconder?
E também pela lógica a pesquisa Sensus se mostra um tanto quanto incoerente. Vejam:
·Para 48,8% dos entrevistados, o Brasil tem lidado adequadamente com a crise econômica e para 27,4% não tem lidado adequadamente com a crise. Os números em maio de 2009 eram 50,4% e 26,5% respectivamente.
·Para 52,0% dos entrevistados, o Brasil já está saindo da crise econômica e financeira e para 40,7% o Brasil ainda continua na crise econômica e financeira. Os números em maio de 2009 eram 35,9% e 55,3% respectivamente.
·59,4% dos entrevistados pela Pesquisa CNT Sensus acham que nesta crise o Brasil vai sair fortalecido em relação a outros países e 18,0% que o Brasil vai sair enfraquecido. Os números em maio de 2009 eram 55,9% e 19,7% respectivamente.
Só uma perguntinha: esses dados combinam com queda da popularidade de Lula?
Agora, se quisermos conferir seriedade aos números do Datafolha e do Sensus, a notícia será péssima para o presidente e para sua candidata. Teriam dado certo as estratégias da mídia com Sarney, Lina Vieira etc.
Aí vem outra incoerência: por que ataques muito mais pesados jamais afetaram a popularidade de Lula ou interromperam a trajetória ascendente de Dilma e estes, agora, pegam o presidente e a ministra de jeito justamente num momento em que a confiança no país aumenta com tanta força?
Contudo, se isso tiver acontecido talvez se deva ao que sempre critiquei aqui: apanhar calado, como este governo vem fazendo, só poderia dar nisso. O PT, pelo menos, deveria começar a vincular publicamente as denúncias e críticas da mídia à aliança dela com Serra. Todavia, o ideal seria Lula fazer isso.
Enfim, meus caros, acho que os dois lados estão apostando tudo. A mídia se tiver chegado ao ponto de distorcer pesquisas e o governo Lula por ter deixado a mídia falar como se fosse isenta, como se não fizesse parte do processo político.
E ainda teremos que esperar mais de um ano para saber qual dessas apostas tão exorbitantes é a correta.
Eu sei qual é o problema do Brasil... É o conformismo. Sei disso há muito tempo, e cada vez tenho mais certeza. Foi por isso que me chocou tanto aquele caso horrendo envolvendo a morte da estudante Ana Cristina de Macedo (17) pela polícia na comunidade de Heliópolis na semana passada.
Quem matou Ana Cristina? Foi um policial mesmo? Não, não foi. Ele foi apenas o instrumento da morte extemporânea dessa criatura que tinha tanto pelo que viver. Quem matou a menina foi ele mesmo, o conformismo, essa doença que infecta esta sociedade e que tenho combatido da forma que me tem sido possível.
Vamos conferir, então, as informações sobre a favela de Heliópolis - e chamemos assim mesmo aquela cidade dentro da cidade, chamemos de “favela” para que fique bem clara a situação aqui.
A favela tem, apenas, 35 anos. Abriga cerca de 120 mil habitantes. Praticamente todos nordestinos que não votam em São Paulo e que, a cada eleição, certamente “justificam” o injustificável, o seu não-voto.
Ai ele volta à cena, o conformismo. A mídia, a serviço da elite de direita que concentra a renda e mantêm este povo levando essa vida dura, com suas campanhas contra “uspulíticu” gravou a fogo em grande parte da mente coletiva das classes empobrecidas que não adianta votar porque nada mudará através do voto.
O resultado está aí, na eliminação física da jovem Ana Cristina, no tiro que a reportagem de domingo na TV Record mostrou que pouco tempo antes também foi dado em Heliópolis no peito – no peito! – de uma criança de cinco anos, a menina Tainá, também por policial, ainda que esta vítima tenha tido melhor sorte do que a primeira que citei.
Esses pobres coitados não entendem que, ao abrirem mão de votar, deixam de interessar, agora sim, aos políticos, que não se preocupam em melhorar a vida deles, que deixam de ter medo de enfurecê-los simplesmente porque não têm votos a oferecer, de maneira que o Estado trata de segregá-los, de contê-los nos limites de seu gueto, inclusive a tiros.
Em todas essas favelas nas quais a polícia paulista vem “pondo pra quebrar”, o problema é o mesmo. Com tantos bairros pobres e miseráveis em São Paulo, você nunca se perguntou como é que a elite branca dos Jardins consegue, quase sempre, eleger seus prefeitos?
É bem simples. Simplesmente a maior parte desse eleitorado massacrado e segregado de São Paulo é composta de migrantes que jamais se preocuparam em usar o único instrumento que um cidadão pode usar para se fazer respeitar pelo poder do Estado: o voto.
Saneamento básico, eletricidade, asfalto, hospitais públicos, segurança, educação... Para que se preocupar?, pensa o político, pois o dinheiro empregado numa obra para cidadãos sem votos poderá faltar na que ele poderia fazer em comunidades politizadas e que certamente irão cobrá-lo.
Conformismo é isso. Dá nisso. Por isso não me conformo. Por isso acredito em cada bola, toco o barco como posso para conciliar minha luta pela sobrevivência com o exercício da cidadania, porque abrir mão de votar, de fazer política, de se fazer ouvir debilita o cidadão e retira dele o respeito da classe política, que só pensa naquilo...
Não posso me conformar com a morte dessa moça, a Ana Cristina, ou com o tiro no peito da menina Tainá, ou com o fato de que não foram as primeiras e que não serão as últimas no meu país e, o que é pior, na minha cidade. Tenho vergonha dessa situação.
É preciso que se tome uma atitude. Por que não lançar uma campanha incentivando as comunidades carentes, essa gigantesca população de migrantes de outros Estados que vivem abandonados nas bordas das grandes cidades por abrirem mão de seu direito democrático de votar?
Pensei até num bordão: “Quem não vota, dança!”.
E sei até por onde começar. Durante anos a fio, eu e minha família contamos com os serviços de uma empregada doméstica, oriunda do Maranhão, que emigrou para São Paulo e veio residir justamente em Heliópolis no início da década passada. Essa mulher criou meus filhos.
Ela reside até hoje em Heliópolis. Entrei em contato com ela e pedi informações sobre como posso fazer ali, naquela comunidade, para conseguir falar a ela. Talvez pela rádio comunitária, talvez numa palestra. O fato é que tentarei.
Quem sabe, fazendo isso, outros possam decidir fazer o mesmo nas comunidades carentes próximas – ou conhecidas. Se cada um de nós se dispuser a prestar esse serviço à sociedade em várias partes do país, veremos as coisas mudarem em poucos anos.
Façamos o seguinte: farei um teste e reportarei para vocês aqui. Se funcionar, darei palestras em outras comunidades, inclusive a convite, e montaremos aqui um roteiro, uma palestra que qualquer um mais articulado poderá dar pelo país a fora, nas comunidades carentes.
Poucas pessoas podem fazer um grande trabalho de conscientização, de estímulo ao exercício da cidadania, de conscientização sobre o que o exercício do voto pode significar para essas comunidades carentes no sentido de fazer com que os políticos as respeitem.
Começarei com Heliópolis. Na semana que entra, irei até lá. Já tenho alguns contatos feitos. Se alguém souber de alguma coisa, se algum leitor puder me ajudar a conversar com aquela comunidade, peço que entre em contato. Vamos ver se funciona e, depois, quem sabe outros poderão fazer o mesmo que farei.
Em seis anos, oito meses e sete dias de governo jamais o presidente Luis Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento em cadeia de rádio e tevê tão politizado e, de certa forma, tão “agressivo” quanto o que fez na noite deste domingo, seis de setembro, por conta do feriado de sete de setembro nesta segunda-feira.
Em resposta às críticas que lhe têm sido feitas na mídia na questão da exploração das mega reservas de petróleo recém-descobertas no litoral Sudeste do país, Lula explicou didaticamente, municiado de vasto aparato gráfico, por que o sistema tucano de concessão seria um erro, e instou a sociedade a debater o assunto.
Além de defender apaixonadamente o novo sistema de partilha da exploração do pré-sal em substituição ao modelo que os meios de comunicação e a oposição querem manter, o modelo implantado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula pintou uma imagem de esperança e de sucesso no futuro, sem deixar de discorrer sobre os feitos de seu governo que vêm sendo sucessivamente negados pela mídia, apesar do reconhecimento internacional a eles.
Primeiro resultado prático: a oposição e a mídia irão à loucura. Jornais e telejornais desta segunda-feira virão com tudo para contestar, ponto por ponto, a fala presidencial. A oposição desandará a se queixar de uso político do poder constitucional do presidente da República de falar para a nação.
Também suspeito de que o foco principal da mídia e da oposição será o de relativizar o grande otimismo manifestado pelo presidente em sua fala na tevê. Para essa facção política, pior do que a questão do modelo de exploração do pré-sal é a possibilidade de o presidente ter vendido um otimismo que trabalhará contra a proposta conservadora de, no ano que vem, pregar “mudança”.
Para quem pedia uma reação do governo ao avanço tucano-pefelista-midiático, foi um prato cheio.
Eles não votam em São Paulo
Do leitor “Amigo Paulista”:
Quem não assistiu à reportagem do programa Domingo Espetacular, da Record, sobre o mais novo ataque da polícia do governador Serra a mais uma população pobre de São Paulo, o ataque na favela de Heliópolis, na segunda-feira da semana passada, deve assistir
Você irá se emocionar com a história de Ana Cristina, de 17 anos, linda e morta por um criminoso fardado, e irá se indignar ao entender por que a polícia do grupo político que governa São Paulo há 15 anos maltrata tanto comunidades como a de Heliópolis.