Análise política

Mídia perdeu no Rio

 

 

 

 

 

 

Globos, Folhas, Vejas e Estadões não tiveram saída, foram obrigados a forçar um sorriso nas próprias “caras”, um sorriso tão forçado que quase as fez rachar. Tiveram que aplaudir Lula, sim, e ver o povão correndo para o abraço pelo país todo, feliz da vida.

É claro que a realização da Olimpíada no Rio em 2016 trará poucos e restritos benefícios palpáveis ao país. No mais, benefício dessa natureza ficará mais para a sede dos jogos olímpicos votada na sexta-feira passada.

Cidade e Estado do Rio certamente sofrerão uma transformação espetacular e colherão, com o perdão do trocadilho, rios de dinheiro do evento daqui a sete anos. Falam de uma movimentação financeira próxima a cem bilhões de reais, dinheiro que jamais viria sem a Olimpíada.

Todavia, haverá relevante benefício de mensuração empírica e de médio prazo. O Brasil estará cada vez mais em todas as bocas, corações e mentes durante os próximos anos. Nossa cultura ganhará o mundo.  Seremos imitados e admirados.

O povo está exultante. Satisfeito. Eleitoralmente, essa foi uma bomba para a candidatura José Serra à Presidência.

Os meios de comunicação supramencionados, bem como seus apêndices, negam que a popularidade de Lula ainda venha a ajudar Dilma Rousseff, mas nem por isso param de tentar macular a popularidade presidencial, por via das dúvidas.

A mídia até poderia ter razão se sua estratégia estivesse funcionando, pois, ao contrário do que diz, quanto mais alta a popularidade de Lula mais fácil será para ele vender a continuidade de seu governo.

 

 

E nem adiantará a mídia atacar as olimpíadas no Rio, as obras, a própria realização do evento contrapondo-o às carências sociais do país, pois o povo quer a Olimpíada. Além disso, quem irá tocar o projeto serão os dois próximos presidentes, que poderão ser o mesmo se o eleito em 2010 se reeleger em 2014.

Claro que qualquer linha que ao menos for escrita sobre 2016 pelo governo Lula será imediatamente exposta pela mídia serrista como caso de corrupção, e que, se não houver o que criticar, dirá que as obras estão “empacadas” etc. Mas dificilmente haverá alguma obra relevante da Olimpíada para ser atacada até o fim do ano que vem.

Se a mídia criticar a realização da Olimpíada no Rio e Serra se eleger presidente e tocar as obras,  ela terá que mudar de discurso muito radicalmente, o que não tem se mostrado particularmente difícil. Mas é sempre uma manobra arriscada atacar com virulência obras que poderão servir ao PSDB e ao PFL.

Diante do exposto, concluo que essa vitória, esse lucro político derivado da vitória do Rio na disputa para sediar os jogos olímpicos de 2016, Lula já encaçapou. Passem para a próxima.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h52
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Boletim médico

 

O que tem Victoria

 

 

 

Em reunião recente com a equipe médica do hospital Santa Catarina, fui informado sobre a situação de minha filha de forma mais ampla. Ainda é um diagnóstico empírico, mas, segundo os médicos, bastante provável.

A resistência da febre de Victoria residiria em acúmulo nos pulmões de parte de alimentos mal deglutidos por uma criança portadora de paralisia cerebral. Esse alimento acumulado nos pulmões acaba se decompondo e se convertendo em foco infeccioso.

Os exames de broncoscopia, endoscopia e de monitoramento de deglutição definirão a possibilidade (considerável, segundo a equipe médica) de Victoria ter que ser submetida a uma gastrostomia.

Esse procedimento consistiria em colocar uma válvula no abdome de Victoria para que, por ali, ela receba alimentos sólidos e líquidos. Apesar de ser um procedimento que me qualificaram como “mutilante”, seria a melhor alternativa para a menina.

A família de Victoria – este pai incluído – entende que, por doloroso que seja, haverá que fazer o que for melhor para a saúde dela. 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h56
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Edital de convocação

MSM completa 2 anos

 

 


 

No próximo dia 13 de outubro, o Movimento dos Sem Mídia completará dois anos de existência, desde a assembléia de fundação da ONG, e, por isso, haverá eleição, bem como votação de alterações em seu Estatuto Social. Gostaria de fazer uma grande festa, mas, por razões que todos conhecem, não será possível. Cumpre-me, pois, na condição de presidente da Organização da Sociedade Civil, convocar os filiados e não-filiados a Assembléia Geral para tratar dos assuntos comunicados.

Se você não é filiado ao MSM mas quer se filiar e/ou disputar algum cargo em sua diretoria, ou mesmo a sua presidência, compareça. Se for filiado ou não, esperamos por você. Mas, se vier, avise-nos. Por favor, deixe seu comentário neste post informando seu nome, cidade, estado, e-mail. Confirme sua presença deixando o comentário, que não será públicado. Ser-lhe-á enviado e-mail com o agendamento.

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                                    EDITAL DE CONVOCAÇÃO

 
 
Ficam convocados todos os Associados da organização não governamental - ONG MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA - MSM, a comparecerem na Assembleia Geral no dia 13/10/2009, às 19,00 horas, na sua sede social situada na Rua Doutor Bacelar, nº  1.038, Vila Clementino, Cep. 04026-000, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, com a seguinte ordem do dia:

 
1.- Eleição da nova Diretoria Executiva e Conselho fiscal do Movimento dos Sem Mídia - MSM;

 
2.)- Alteração e Consolidação do seu Estatuto Social;

 
                                                            São Paulo, 02 de Outubro de 2009

          
 
                                                                          Eduardo Guimarães


                                                                               Presidente


 

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 Escrito por Eduardo Guimarães às 07h42
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Manifesto, crônicas políticas, boletim médico e reportagem


Obrigado, Lula


Atualizado às 18h41m de 2 de setembro de 2009



 


 

Fica difícil expressar em palavras a admiração que tenho pelo senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Apóio a carreira política desse homem desde 1989, a partir do segundo turno da eleição que perdeu contra Fernando Collor de Mello. De lá para cá, jamais tive motivos de arrependimento.

Durante mais de uma década, defendi a ascensão do senhor Lula à Presidência da República por estar consciente de que, se ele lá chegasse, o povo, “pela primeira vez na história deste país”, chegaria ao poder. Chegou.

Este país deu um salto inimaginável por obra e mérito inquestionáveis e exclusivos do agora presidente Lula. Só para ficarmos no exemplo mais recente de como este governo tem sido bom para o Brasil, graças a medidas dele a que se opuseram imprensa e oposição foi que saímos da crise financeira internacional antes de qualquer outro país, como têm dito, insistentemente, a imprensa internacional e os governantes dos países mais importantes (politicamente) do mundo.

O presidente Lula é um pop star internacional. Não porque é bonitinho, mas porque os resultados positivos de seu governo espantaram o mundo. Em quase sete anos, o Brasil mudou como não mudara em décadas.

Decisões pesadas de investimentos como os feitos na Petrobrás ou no PAC foram considerados pela comunidade internacional como um dos maiores trunfos. Decisões ousadas como a de usar os bancos públicos para prover crédito que sumira da praça – e que foram tão criticadas pela imprensa e pela oposição, que diziam que aqueles bancos teriam prejuízo – impediram que o país quebrasse.

Em crises anteriores, o Estado se omitia sob a discurseira liberal de não-intervenção no mercado, deixando que empregos fossem dizimados e empresas quebrassem em efeito dominó. Foi pura ideologia que fez isso não acontecer no Brasil, a ideologia de Lula, acima da de qualquer outro uma ideologia construída a partir da intuição mágica do presidente, do político, do homem.

Já disse isso até a um assessor do presidente Lula uma vez: depois que ele deixar a Presidência, se voltar a São Bernardo irei até ele para lhe dar um abraço de agradecimento por sua obra política, econômica, social, cultural em prol do país, se ele concordar. Obrigado, senhor Luiz Inácio. Não me arrependo um grama de ter apoiado o senhor nestes últimos vinte anos.

 

 

PIG poderia ficar sem essa

 

 

Durante coletiva de imprensa concedida em Copenhague pela delegação brasileira defensora da candidatura do Rio como sede dos jogos olímpicos de 2016, o enviado do Correio Brasiliense perguntou ao presidente Lula, na forma de insinuação, algo como se ele não temia ser vaiado na abertura das Olimpíadas no Rio como foi durante a dos jogos Panamericanos em 2007, no Maracanã. Lula, paciente, respondeu que então, em 2016, não seria mais presidente, e que, naquele momento, estaria mais preocupado com as olimpíadas de inverno, ou coisa que o valha. Contudo, coube ao governador do Rio, Sérgio Cabral, dar a resposta que o teleguiado repórter merecia. Reproduzo abaixo, de memória, a resposta do governador:

Quem armou aquelas vaias perdeu as eleições seguintes e está sem mandato, e o presidente Lula é um dos políticos mais bem avaliados do mundo, meu caro. Tem oitenta por cento de popularidade, é amado pelo povo brasileiro



Ironia do destino



Como diz aquela passagem bíblica: "Que Deus dê vida longa aos meus inimigos para que, de pé, aplaudam minha vitória". O vídeo abaixo mostra a Globo tendo que aplaudir seu maior inimigo hoje.





Boletim médico de Victoria - 02/10 - 16h33m



Depois de passar o dia tenso por conta da broncoscopia que seria feita em minha filha, agora recebo a notícia de que o procedimento foi adiado para este sábado pela manhã.



Por que investimento na Olimpíada será benéfico



Do portal R7:

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h12
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Análise política e boletim médico

 

Distantes da civilização

 

 

 

O fato político mais importante do momento, sem dúvida, é o impasse político-institucional em Honduras, que mobilizou todos os organismos multilaterais mais importantes do mundo e despertou a indignação e o inconformismo de todas as nações. Mais de sessenta países recusam-se a reconhecer o governo golpista.

Mas por que um paiseco da América Central, absolutamente irrelevante do ponto de vista econômico ou cultural, atraiu e mobilizou tanta atenção? Por que Honduras desperta tantas paixões num mundo em que governos despóticos se sucedem na África, na Ásia, cometendo barbaridades inimagináveis sem atraírem atenção sequer parecida?

Em primeiro lugar, há que entender que Honduras é o protótipo da nação latino-americana desigual e institucionalmente atrasada. Reproduz, em larga medida, a mentalidade iníqua e atrasada que ainda tem fôlego até em um país industrializado e rico como o nosso.

É por conta de Honduras ser essa mini América Latina que assusta tanto o precedente de um grupelho de “trogloditas de direita” (perdão, mas não resisti à expressão) derrubar um governo detentor de legítimo e inquestionável mandato popular.

Diante de tais fatos é que surgiu a reflexão que intitula este texto, um texto envolvendo o estágio civilizatório não só do Brasil, mas de toda a América Latina.

A espantosa e inacreditavelmente explícita adesão da imprensa e da oposição tucano-pefelista às teses da ditadura hondurenha não poderia acontecer em um país civilizado. Tal fenômeno, ao suceder aqui, revela o quanto ainda estamos distantes da plena civilização deste país.

Em qualquer nação civilizada ninguém teria coragem de defender o que o mundo inteiro condena com veemência poucas vezes vista. Não me lembro de outra oportunidade em que houve um consenso mundial tão completo sobre um fato estritamente político. Só num país ainda incivilizado a imprensa poderia dedicar 99% de seu espaço a demonizar a vítima do golpe enquanto despersonaliza os golpistas, poupando “Gorilleti” de qualquer crítica pessoal.

Quantas charges ridicularizando e acusando Manuel Zelaya você viu nos jornalões e revistões e quantas viu fazendo o mesmo contra “Gorilleti”? No segundo caso, eu, ao menos, não vi nenhuma – vejam bem: nas Folhas, Vejas, Estadões e Globos.

No Brasil e em outros países latinos conseguimos produzir o fenômeno de a imprensa atacar muito mais o golpeado do que os golpistas. Se alguém se der ao trabalho de fazer essa pesquisa nos veículos supra mencionados ou em seus apêndices, espantar-se-á ao constatar o fato.

Apesar de nos EUA e no resto do mundo rico ser possível ver, aqui e ali, algum tarado defendendo o golpe ou dizendo que não existiu, são manifestações absolutamente escassas e totalmente envergonhadas. Aqui (na América Latina), elas dominaram a grande imprensa.

Pior ainda foi constatar, ao menos no Brasil, a existência de uma ínfima minoria de acadêmicos dispostos a legitimar o estupro da democracia que ocorreu em Honduras. E constatar que, em meio a uma maioria avassaladora de estudiosos de direito internacional que condenaram o golpe, os meios de comunicação dão muito mais espaço às raras exceções dos que defendem alguma “legalidade” desse golpe.

Isso por que essa imprensa latino-americana acha que seu público não tem cultura e noção do que é democracia o suficiente para entender o absurdo que é a defesa do golpe em Honduras. Porque a direita e seus jornais e tevês querem manter a receptividade popular a golpes de Estado, receptividade que sempre vigeu nesta parte do mundo, pois golpes sempre foram o instrumento das elites quando a ralé, amplamente majoritária, não lhes acompanhou as decisões eleitorais.

Não tenho a menor dúvida de que, neste momento, nada mais importa além de o mundo livre impedir que o golpe de Estado em Honduras tenha sucesso.

A desenvoltura com que grandes empresas de comunicação e partidos políticos defendem o golpe e até, absurdo dos absurdos, o ataque feroz (com cerco, bombardeio sonoro e gás tóxico) dos golpistas ao território brasileiro que é nossa embaixada em Honduras, fala ainda mais sobre o estágio pré-civilizatório em que se encontra este país.

Não basta derrotar os golpistas hondurenhos. É preciso explicar aos brasileiros, didaticamente, por que não se pode aceitar precedentes antidemocráticos, e por que, num país civilizado, quando ele é atacado toda a sua sociedade deve se unir.

Alguém minimamente informado é capaz de conceber o congresso norte-americano ou o parlamento francês deixando de condenar um cerco – e tantas outras afrontas – a uma de suas representações diplomáticas? Seria impensável, mesmo que essa representação tivesse praticado de fato alguma ingerência indevida no país em que estivesse sediada.

Mas, aqui no Brasil, a oposição no Congresso defende abertamente os que esbofeteiam o país. Sem nenhum constrangimento.

É aterrador o que a crise em Honduras revelou. A mídia, o PSDB e o PFL apóiam o golpe e tratam de tentar desmoralizar Zelaya porque querem manter no imaginário popular a aceitação do golpismo, a idéia que tanto já venderam de que derrubar governos legitimamente eleitos é aceitável se, depois do golpe, os golpistas forjarem uma eleição, mesmo sendo uma eleição em que o povo votaria sob a mira de armas.

Para mim, portanto, nada mais importará enquanto a crise hondurenha não for resolvida, pois estamos muito distantes da civilização para nos darmos ao luxo de permitir que nosso povo não entenda plenamente por que não se pode aceitar golpes de Estado. O presidente Lula perdeu uma excelente oportunidade de fazer um pronunciamento à nação.

 

 

Boletim médico de Victoria – 02/09 – 01h27m

 

 

Victoria continua “fazendo” febre, como dizem os médicos. Após o último pico de febre (de 38,8º) ter tido um intervalo de quase 24 horas até o novo pico, ontem a temperatura da menina foi subindo, no decorrer do dia, apesar dos medicamentos antitérmicos.

Abaixo, a medição da UTI do hospital:

07h00m – 36º

11h00m – 36,8º

14h00m – 37º

17h00m – 37,4º

20h00m – 37,8º

Por conta disso, nesta sexta-feira Victoria será submetida a um procedimento similar a uma endoscopia, mas que será feito no pulmão afetado pela pneumonia a fim de colher material para cultura visando descobrir a bactéria que provoca a doença na menina.

Trata-se de procedimento delicado que terá que ser feito com a criança sedada, pois a sonda será inserida através da traquéia.

Os médicos supõem que esse procedimento terá que revelar, enfim, qual é o organismo que mantém minha filha doente.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 02h04
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Nota de repúdio e crônicas políticas

Oposição quinta-coluna

 

Atualizado às 23h56m de 30 de setembro de 2009

 

 

 

Quero manifestar meu repúdio à oposição ao governo federal. Por meio desta nota, acuso o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) de ser um quinta-coluna, um traidor da pátria, um apátrida que não é digno de estar no Senado Federal ou mesmo de merecer a cidadania brasileira.

Diante de um pedido do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) de voto de repúdio do Senado ao grupelho que usurpou o poder em Honduras e desrespeita nossa Pátria com um cerco truculento e perverso que tortura a representação diplomática brasileira, esse traidor pefelista deu a seguinte declaração:

Por que o Senado vai entrar nessa trapalhada? Por que vamos trazer um desgaste para o Senado? Acho que se aprovarmos será uma atitude irresponsável do Senado sem que haja nesse texto qualquer condenação à diplomacia brasileira que quebrou as regras internacionais

Eu respondo por que a esse indivíduo: porque os internacionalmente, mundialmente e unanimemente reconhecidos como golpistas desrespeitam e ameaçam nossa Pátria, o berço de nossos antepassados e futuro de nossos filhos e netos. Porque nenhuma nação civilizada se dividiria diante de uma ameaça a si desse jaez.

Quisera eu ter 30 segundos em um meio de comunicação de massas para reafirmar cada vírgula do que escrevi aqui. Espero que alguém que tenha voz neste país também tenha coragem de chamar esses meliantes da oposição entreguista e quinta-coluna do que eles são: traidores da Nação brasileira.



O que dizem os editoriais 

 

 

Em 27 de maio de 2007, o governo da Venezuela decidiu não renovar a concessão do canal de tevê RCTV, levando à loucura a grande mídia brasileira, Organizações Globo à frente. Foram milhares de artigos, colunas, editoriais, programas de tevê, de rádio e milhões de gigabites de discursos irados de Globos, Folhas, Vejas e Estadões.

Liberdade de imprensa! Violaram a liberdade de imprensa! Chávez ditador!”. Este foi o tom da mídia à época – e, até hoje, ainda há ecos da indignação midiática sobre o caso.

Em Honduras, em questão de horas o governo golpista baixou a mais completa censura sobre o país, fechou tevês e rádios, proibiu a divergência de idéias, tudo porque um único homem – que os golpistas hondurenhos e tupiniquins dizem que não tem apoio popular – está no país sem uma única arma ou exército.

Repórteres de todas as partes do mundo estão sendo agredidos fisicamente em Tegucigalpa. Até repórteres da Globo em Honduras foram agredidos pelos militares. Outros repórteres da França, da Espanha, de todas as partes do mundo também estão sendo impedidos de trabalhar e até intimidados e agredidos.

Enquanto isso, o que dizem os editoriais? O assunto não é mais liberdade de imprensa. É Manuel Zelaya, na argumentação dos golpistas que praticaram, até agora, a maior ameaça à liberdade de imprensa nas três Américas no século XXI.

Nesta semana, todos os grandes jornais só quiseram saber se o presidente deposto de Honduras estava usando sua liberdade de expressão ao falar ao seu povo, porém condenando que se expresse. Além de os golpistas calarem os partidários de Zelaya, nossa mídia quer calar o próprio para a censura ser total.

Aprendam, pois, vocês que têm dúvidas sobre quem tem razão nessa história. Não me refiro aos que têm opiniões formadas, mas a você que está indeciso. Pesquise. Use o Google. Use os arquivos de revistas e jornais na internet. Veja como aparece e desaparece facilmente a preocupação midiática com liberdade de expressão.

 

 

Boletim médico de Victoria – 30/09 – 17h36m

 

 

Apesar de estar em patamares mais baixos, a febre de Victoria persiste. Diante disso, na manhã desta quarta-feira os médicos decidiram fazer um ecocardiograma (como a ultra-sonografia  em mulheres grávidas, só que no coração) para investigar suspeita de endocardite, onde a bactéria causadora da febre poderia estar alojada no coração da menina.

De fato, o exame detectou um corpo estranho, do tamanho de uma ervilha ou menor, mas que agora será investigado, podendo ser algum fungo ou residência de bactérias. Menos mal que seja, aliás.

Contudo, existe a possibilidade de ser outra a causa, que também será investigada. Pode ser que na deglutição de alimentos, Victoria esteja deixando passar alguma coisa para os pulmões, o que é a hipótese mais dolorosa e perigosa a considerar, porque poderá obrigar procedimento que prefiro não comentar no momento.

De qualquer maneira, seu estado geral é estável. Está debilitada pelos medicamentos, mas não corre riscos estando monitorada numa unidade de terapia intensiva.

 

 

Agradecimento

 

 

Agradeço de coração à leitora Clarice Machado, que esteve hoje (quinta-feira) no hospital em que minha filha está internada prestando-nos solidariedade, carinho e deixando uma lembrança de valor moral, uma leitura religiosa à qual prometo dar toda a minha atenção. Foi um prazer conhecê-la, Clarice.

 



A bravura hondurenha






 

Oscar David Montesinos é um menino de 10 anos que se tornou símbolo da resistência desse bravo povo hondurenho ao golpe de Estado, às violações de direitos humanos, aos assassinatos de cidadãos que nada mais fazem do que defender a democracia ao não recuar, ao se exporem às baionetas e à loucura dos golpistas.

Em 29 de agosto, num show que reuniu milhares de pessoas em Tegucigalpa, Oscar fez um discurso que deixou ver um futuro líder político que poderá desabrochar daquela criança, que discursa com uma sinceridade e uma coragem que põem qualquer adulto no chinelo.

Não deixem de assistir este vídeo. Quem não tiver conexão rápida o suficiente, que tente assistir depois em outro computador. Mas não deixem de assistir. O povo hondurenho está dando ao mundo uma lição de bravura ao não se acomodar e deixar que meia dúzia de gorilas estuprem a democracia do país.

É preciso assistir o vídeo e aprender com os hondurenhos. Se tivéssemos a coragem deles, este país seria muito diferente. Aliás, a exibição de bravura desse povo chega ao ápice com a manifestação de uma criança que a loucura dos golpistas obrigou a crescer antes da hora.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h03
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Crônica

Adeus, autocomiseração

 

 

 

Neste momento da vida, percebo que não dá para agüentar essa imundice política por muito tempo sem fazer uma pausa para me debruçar sobre assuntos mais elevados, como, por exemplo, o dos caminhos e descaminhos da sempre surpreendente e atormentada alma humana.

Antes deste mergulho dentro de mim, porém, devo dizer que estou enojado com o verdadeiro banditismo intelectual que se formou na questão de Honduras. Não existe qualquer sustentação ética ou legal para defenderem o golpe de Estado e transformarem Manuel Zelaya no bandido da história. Só a imprensa latino-americana faz isso dessa forma. O resto do mundo inteiro condena os golpistas hondurenhos e exige a volta do presidente deposto ao poder.

Enojado, decido aproveitar esta noite de terça e madrugada de quarta-feira que passarei velando o sono de minha Victoria na UTI do hospital em que ela permanece internada há mais de quinze dias para compartilhar com vocês a impressionante experiência que estou vivendo aqui.

Alguns podem ter notado que estou menos “choroso” e desesperado com o prolongamento da internação de minha filha. Isso se deve a que, apesar da indefinição do quadro dela, em verdade vos digo que é impossível alguém mentalmente sadio sentir pena de si mesmo num lugar como uma UTI pediátrica.

O que me espantou e até me envergonhou foi ter visto a coragem, o bom humor e, acima de tudo, a esperança de outros pais com filhos em situação infinitamente mais grave do que a da minha menina.

Apesar de ter uma filha de quase onze anos completos portadora de paralisia cerebral, ela sempre foi saudável. Só começou a ser internada com mais freqüência nos últimos dois, três anos, de maneira que UTIs pediátricas eram desconhecidas para minha família, pois a criança só havia passado por tal experiência uma única vez e por pouco tempo.

Em UTIs pediátricas, a maioria das crianças acaba sendo igual à minha filha. Em maioria, são crianças portadoras de alguma patologia física ou neurológica permanente e grave que, volta e meia, faz com que tais crianças vão baixar nessas Unidades de Terapia Intensiva.

Creio que todos os pais (de verdade) de crianças “especiais” se caracterizam por um sentimento que se sobrepõe aos vários outros que lhes são peculiares: refiro-me à esperança. Tenho visto crianças nesta UTI as quais (Deus me perdoe) questionei se vale a pena continuarem vivendo, um questionamento que nem passa perto de país como nós, de crianças como a minha.

Não entrarei nos detalhes de suas misérias, apenas direi que me perguntei várias vezes o que faria se tivesse um filho naquela situação. E, no entanto, esses pais lutam, lutam e, inclusive, apavoram-se ante a possibilidade de perderem seus filhos. Correm atrás de medicamentos, de novos tratamentos, tudo. Exatamente como minha mulher faz e eu, confesso, menos do que ela.

Como nutrir autocomiseração diante desses dramas? Dá até vergonha.

Sim, a situação de minha filha é delicada, é dramática, é preocupante, mas olhei outras crianças sofrendo muito mais, de formas que não quero nem contar aqui, e depois voltei ao quarto de Victoria, olhei-a dormindo serena, perfeitinha fisicamente, linda e com um problema que combaterei junto com ela, com a mesma coragem dela e dos outros pais.

Em momentos como o desta reflexão, sinto uma certeza verdadeiramente absoluta de que Deus existe e de que é muito mais sábio do que pode supor nossa vã filosofia.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h17
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Crônica política

Antinacionalismo, uma praga

 

genuinamente nacional

 

 


A imprensa brasileira vende e revende, sem parar, um costume nacional algo psicótico, a mania do brasileiro de ser antinacional. Em qualquer situação que não envolva dinheiro, devemos sempre pensar no interesse financeiro e comercial do empresariado antes de pensar em valores “ultrapassados” como a honra e a dignidade da nação.

Há alguns meses, minha filha que estuda na Austrália falou-me dessa praga que tanto constatei em minhas viagens pelo mundo. Ela acabara de iniciar um curso de inglês. No primeiro dia de aula, tendo colegas de todas as partes do mundo, disse ter sentido muita vergonha de seu país.

O professor instou os alunos das diversas nacionalidades a falarem sobre seus países. O francês, o italiano, o japonês ou o árabe, entre tantos numa classe de quase 40 pessoas, falaram maravilhas de suas pátrias. Os únicos que falaram mal do próprio país foram os colegas brasileiros de minha filha.

Fora o Brasil, conheço 15 países (ou mais, agora não estou certo) entre os das Américas, da África e da Europa. Em nenhum deles conheci um povo que faz tanta propaganda negativa de si mesmo como o nosso e que não tenha nem o mínimo do mínimo de patriotismo, palavra que, neste país, é considerada maldita.

Sempre quis saber de onde vinha isso, e agora, nesse episódio da crise em Honduras, começo a entender. O antinacionalismo histérico do brasileiro vem das classes sociais mais altas, que detêm meios de comunicação para venderem suas idiossincrasias de todos os tipos, sobretudo as mais exóticas como o nosso antinacionalismo renitente.

Temos uma elite ignorante como uma porta, neste país. Acha que está abafando ao usar palavras em inglês e em outros idiomas que considera “chique” afetar que conhece. Acha que contar ao mundo como nosso povo é inculto e cafona a torna parte de povos aos quais não pertence. Acha que depreciar o Brasil o tempo todo é prova de sei lá o quê.

Um país pequeno e paupérrimo como Honduras, que, por ação de uma elite que infesta a América Latina, também é atrasado e injusto, decide violar todas as normas do direito internacional e pisotear nosso território na forma de uma representação diplomática enquanto nossa imprensa se dedica a apoiar os ataques dessa potência ao inverso.

Um povo que não ama sua pátria é um povo sem pátria, e quando não se tem pátria não se tem valores, e quando um povo não tem valores só lhe restam a perversão, a corrupção moral, o egoísmo e a futilidade. E o pior é que esses contra-valores vêm das classes sociais que deveriam dar exemplos positivos, em vez de negativos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h30
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Crônica e análise políticas

 

Por que ler a blogosfera

 

Atualizado às 00h09m de 29 de setembro de 2009    

 

 


Para ler a matéria completa, clique na imagem acima

 

 

Se você não leu, sugiro que clique na imagem acima e leia a matéria completa. Ela explica bem por que você deve ler a blogosfera. O que os “especialistas” só contaram agora para o UOL, dezenas de blogs (entre os quais este) vêm dizendo há três meses.

 

 

Cháve é “ditador” e Michelleti, “interino” ?!

 

 

Esse pessoal da mídia é mesmo muito cara-de-pau, não? Será que há alguém tão incapaz de pensar por si só que não nota que qualquer cara feia que Hugo Chávez faça em seu país é motivo para chamarem-no de “ditador” e, enquanto isso, o fascista hondurenho Roberto Michelleti é um ditador pronto e acabado e, assim mesmo, chamam-no de “interino”?

 

 

Boletim médico de Victoria – 28/09 – 00h09m

 

 

Estou ensaiando há horas para lhes dar uma notícia desagradável sobre a Victoria. Às vezes, dividir a dor pesa na consciência.

Não é nada grave. Simplesmente a febre voltou, mesmo sendo em patamar mais baixo. Mas, enquanto durar, continuamos na estaca zero.

Como eu disse antes, um dia de cada vez. A segunda-feira não foi um bom dia, mas a terça é um dia novo. Quem sabe hoje ela melhora...

Sinto muito pela notícia. 



Michelleti: ‘Um abraço, Lula!’

 

 

  

 

 

Nesta segunda-feira, assisti pela Telesur coletiva de imprensa concedida pelo presidente golpista de Honduras, Roberto Michelleti, e por membros de seu gabinete de governo. A postura dos golpistas deu pistas importantes.

Perguntado sobre o que pretende fazer ao fim do prazo de dez dias que seu “governo” concedeu ao Brasil para definir o “status” de Manuel Zelaya, o golpista Michelleti se mostrou bem mais conciliador do que suas últimas ações deixaram ver.

Um dos aspectos da entrevista que chamou mais a atenção foi a disposição dos golpistas de se exporem a saraivada de perguntas incômodas que fazia Michelleti e seus gorilas mostrarem evidente desconforto.

Conciliador, Michelleti disse que manda “um abraço” a “Lula da Silva”, disse que o “respeita” e ao nosso país, pregou “diálogo” e garantiu que não pensa em mandar invadir a embaixada brasileira ao fim do prazo de dez dias dado ao Brasil.

Também disse que fechou e censurou veículos de imprensa opositores “em nome da liberdade de imprensa”, porque eles estariam promovendo “desordens e tumultos”.

A explicação para toda essa doçura é bem simples. Navegando por sites, blogs noticiosos e por perfis do Twitter da América Latina, tomei conhecimento de duas notícias importantes.

A primeira notícia é a de que cresce no exército hondurenho o contingente disposto a se rebelar contra os golpistas. O movimento de descontentamento vem da sociedade em todas as classes sociais, igualmente afetadas pela crise em variadas medidas.

A segunda notícia é a de que um coronel do exército hondurenho declarou que seu país não está preparado para resistir a uma intervenção dos capacetes azuis da ONU, o que pode acabar acontecendo se persistir a escalada dos golpistas.

Outro fato importante foi o reconhecimento de Michelleti durante a coletiva de imprensa de que não há clima para a realização de eleições, apesar de ter enrolado e não respondido se elas serão suspensas ou adiadas.

A impressão que tive foi a de que a coragem dos golpistas é muito maior contra os hondurenhos pobres que eles têm prendido, espancado, torturado e assassinado. Diante de embate em igualdade de condições, fugirão como ratos assustados.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h09
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Denúncia

Mídia brasileira acha possível

haver ‘eleições’ em Honduras

 

Atualizado às 13h33m de 28 de setembro de 2009

 

 

 

O governo de facto de Honduras fechou televisões e rádios, proibiu a liberdade de expressão, de reunião, suspendeu as garantias constitucionais da população a menos de dois meses de uma pretensa eleição presidencial que a imprensa brasileira tem defendido como “solução” para o impasse político naquele país, conforme vocês podem constatar no vídeo acima, no qual a colunista da Folha de São Paulo Eliane Cantanhêde defende o que acabaria sendo vitória do golpe de Estado e de todas as atrocidades do ditador de facto Roberto Michelleti.

 

 

Clinton denuncia ‘conspiração’de direita contra Obama

 

 

 

 

 

Com informações de Agências

 

O ex-presidente norte-americano Bill Clinton denunciou ontem (27 de setembro), em Washington, que uma “imensa conspiração de direita”, que também o vitimou durante seu governo, ameaça o governo Barack Obama.

O ex-mandatário deu tais declarações em entrevista concedida à rede NBC, no programa “Meet the press”, durante o qual Clinton foi inquirido sobre o episódio envolvendo a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky há cerca de uma década.

Há poucos dias, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, aludiu à mesma “imensa conspiração direitista” para explicar como os inimigos políticos de seu marido tentaram destruir sua presidência.

Perguntado, no programa supra mencionado, se considerava que a conspiração de direita prossegue, agora contra Obama, Clinton respondeu:

“É claro que sim. Com certeza. Não é uma conspiração tão forte quanto na minha época porque os Estados Unidos mudaram demograficamente, mas [a conspiração] continua tão virulenta quanto antes”

 

 

Suspeita relação da mídia brasileira com golpistas 

 


A grande imprensa brasileira deve explicações sobre sua atuação nessa crise político-institucional em Honduras. Escandaliza sua evidente preocupação de reproduzir os argumentos dos golpistas hondurenhos, o que explica a facilidade de acesso de uma Globo a sítios em Tegucigalpa que poucos meios de comunicação estão tendo.

É imperativo que se investigue os contatos dos grandes meios de comunicação brasileiros com o regime golpista de Honduras e uma eventual aliança desses meios com aquele regime, o que o tom quinta-coluna do noticiário deles sugere com cada vez maior contundência que pode estar acontecendo.

 

 

A “solução” militar

 

 

Estou cada vez mais convencido de que a crise político-institucional em Honduras pode degringolar para um conflito armado entre o evidentemente bem montado exército golpista e uma força internacional de paz, provavelmente da ONU.

Como se sabe, as forças de repressão hondurenhas foram treinadas pela Escola das Américas, instituição mantida pelos EUA que ministra “cursos” sobre assuntos militares à outros países, entre os quais está Honduras, que, inclusive, tem efetivos militares norte-americanos em seu território.

A despeito do governo Barack Obama, a história da ingerência militar americana na América Central vem de décadas e mais décadas e as forças armadas da superpotência, como se sabe, identificam-se e atuam no mesmo tom que a ultra-direita americana, que tem defendido o golpe hondurenho.

Vejo que a comunidade internacional ainda reluta em tratar do assunto e entendo ser compreensível, mesmo sendo inaceitável.

No Brasil, fustigado por uma imprensa que vem apoiando os golpistas hondurenhos, o governo Lula hesita em cogitar reação que poucos países deixariam de cogitar ao se verem esbofeteados por um regime ilegal, ditatorial e que já dá passos como censura, tortura e assassínio indiscriminado.

A meu juízo, enfim, o regime hondurenho pode estar disposto a ir muito mais longe do que simplesmente violar a liberdade de imprensa e os direitos humanos. Vejo possibilidade crescente de esse regime se confrontar militarmente com países vizinhos, sobretudo com a Nicarágua e com a Venezuela.

 

 

SIP ignora censura em Honduras

 

 

A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), organização que se diz preocupada com a liberdade de imprensa nas Américas, está praticamente ignorando as medidas todas que o regime golpista de Roberto Michelleti está tomando para censurar a mesmíssima liberdade de imprensa que a organização diz defender.

Neste momento, no site da entidade, ao listar as notícias ali veiculadas por ordem cronológica, aparecem notícias sobre supostas “ameaças” à liberdade de imprensa no Equador, na Bolívia, na Venezuela e até no Brasil, ao passo que a censura estabelecida pelo regime de facto de Honduras é solenemente ignorada.

Detalhe: ao listar as notícias do site da SIP por país, a última notícia que aparece sobre Honduras é de 2007.

 

 

Boletim médico de Victoria – 28/09 – 10h16m

 

 

Victoria está há 24 horas sem febre. Segundo os médicos, há possibilidade de a febre não voltar.

A bactéria detectada pela cultura do hospital Santa Catarina no organismo de Victoria não foi colhida em seus pulmões, acessíveis apenas em pacientes “entubados”. Não há garantias de que seja ela a única causadora do mal da menina.

Todavia, a melhora de Victoria é perceptível. Ontem ela até sorriu espontaneamente, sem ser provocada, apesar de que ainda se assusta quando alguém se aproxima dela, pois não entende o que está acontecendo, apenas que pessoas a estão machucando.

Minha filha, porém, apresentou franca melhora nas ultimas 24 horas. Tudo isto, este pesadelo, pode estar chegando ao fim.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h48
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Registro histórico

A verdade sobre Honduras

 

 

 

Nunca será demais dizer a verdade sobre o que está acontecendo nas Honduras da América Central, bem como pesar que conseqüências podem advir do desfecho de tais acontecimentos. Tentarei, pois, fazer este registro histórico da forma mais simples possível, sem rebuscar na linguagem ou me estender demasiadamente em pormenores, visando a fácil compreensão, por qualquer um, da situação política naquele país.

Também julgo importante, para um registro desta natureza, apresentar somente fatos inquestionáveis, de forma que, ao leitor, fique a decisão sobre que parte envolvida tem razão ou se alguma das partes a tem.

Será importante registrar, também, como os formadores de opinião (imprensa e classe política) no Brasil vêm tratando o assunto. Este país acabou assumindo um dos papéis protagonistas nessa crise – para o bem, no entender de alguns, e para o mal no entender de outros – ao conceder abrigo ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na representação diplomática do Brasil naquele país.

Vamos, pois, aos fatos.

Numa madrugada de junho de 2009, soldados hondurenhos invadiram a casa do então presidente de Honduras, Manuel Zelaya. Foram ao seu quarto e o surpreenderam dormindo ao lado de sua mulher. Sob a mira de armas, levaram-no ao aeroporto de pijamas e o deportaram do próprio país, deixando a família para trás.

Em seguida, a Justiça e o Legislativo de Honduras apresentaram suposta carta de renúncia de Zelaya – carta que, desde o primeiro momento, ele nega ter escrito – e, sem votação popular alguma, “elegeram” presidente um dos opositores políticos do presidente deposto. Ou seja: o grupo que depôs Zelaya escolheu o novo presidente entre seus membros e deu posse a ele sem consultar a população.

Há que ressaltar bem a situação: o presidente eleito pela maioria dos hondurenhos foi tirado do cargo sem que tivesse tido julgamento de qualquer espécie e, assim, oportunidade de se defender das acusações que seus adversários lhe fizeram para justificar as sanções que lhe foram impostas. São acusações de ter cometido crimes que justificariam sua deposição. Elas, porém, contrastam com a opção por deportá-lo em lugar de prendê-lo e julgá-lo.

Acusaram o presidente deposto de ter convocado um plebiscito, uma consulta ao povo hondurenho sobre se  o seu país deveria ou não convocar uma assembléia constituinte, ou seja, uma reunião de legisladores para escrever e votar uma nova constituição, e de Zelaya pretender que essa assembléia votasse uma lei que lhe permitisse disputar novo mandato.

Vale dizer que a vigente constituição de Honduras proíbe reforma constitucional e propositura de reeleição de um presidente, e determina que o ocupante de cargo público que proponha tal coisa perca o cargo e fique inelegível por dez anos.

Zelaya afirma que esse trecho da constituição de seu país vale para funcionários públicos de escalões inferiores e não para o presidente da República, e a comunidade das nações considerou ilegal a destituição do presidente sem o devido processo legal e amplo direito de defesa do processado, e rejeitou que a pena tenha sido aplicada antes de qualquer julgamento.

Por conta disso, nenhum país reconheceu o novo governo e sanções econômicas dessa comunidade internacional se sobrepuseram contra Honduras sob a exigência de que os que derrubaram Zelaya lhe devolvam o poder.

Os que perpetraram o que todas as instituições e países do mundo consideraram “golpe de Estado”, devido à crescente pressão internacional adotaram a estratégia de tentar legitimar pelo voto popular a interrupção de um mandato concedido de forma inquestionável pela maioria dos hondurenhos: convocaram eleição para presidente no próximo mês de novembro.

A ONU, a OEA, a União Européia e todas as demais instituições multilaterais mais importantes, bem como a totalidade dos países – Estados Unidos incluídos –, rejeitaram uma eleição comandada pelos que interromperam um mandato popular por meio de armas e de constrangimento físico sem dar ao detentor daquele mandato a chance de se defender num processo legal de perda de mandato.

Além disso, as forças de repressão do regime que se instalou depois da deposição de Zelaya passaram a atacar a tiros e a prender indiscriminadamente os milhares de cidadãos que protestam contra a deposição do presidente que apóiam, e tais forças passaram a proteger manifestações pró regime orquestradas por este regime, manifestações flagrantemente caracterizadas por empresários e pelas camadas mais ricas da sociedade hondurenha.

É neste ponto que surge uma divergência espantosa entre gigantes. Todas as instituições multilaterais e chefes de Estado de todas as grandes democracias do mundo se contrapõem aos maiores meios de comunicação de grande parte dos países (sobretudo dos meios da América Latina), que têm preferido apontar os “crimes” de Zelaya ou sua "militância política" na embaixada do Brasil, o que fazem em benefício do processo ilegal de sua destituição.

Na América Latina, primordialmente, as oposições aos governos tidos como de esquerda na região unem-se à imprensa na preferência por aqueles que a comunidade das nações chama de golpistas, termo que inclusive é adotado pela mesma imprensa que surgiu com a tese de “golpe corretivo”, ou seja, um golpe que dura apenas o suficiente para derrubar um governo que uma parte da sociedade julgue que não deve prosseguir, mas sem a menor garantia de que aquela decisão seja apoiada pela maioria.

Um fato inquestionável: a imprensa latino-americana apoiou golpes de Estado na região durante o século passado todo, tendo, inclusive, apoiado tentativas de golpe neste século, como aconteceu na Venezuela em 2002, onde uma tentativa de golpe foi defendida por meios de comunicação de vários países, inclusive o nosso.

No Brasil, políticos e jornalistas de esquerda dizem abertamente que as grandes tevês comerciais, os grandes jornais e as grandes revistas semanais apóiam o golpe em Honduras porque acalentam a idéia de que golpes como o hondurenho possam ser dados no Brasil se um governante algum dia adotar medidas que firam interesses do grupo social a que pertencem os donos desses meios de comunicação.

Também ressalta o crime internacional cometido pelo regime dito golpista, que, violando acordos internacionais, ataca com guerra psicológica e gases tóxicos a embaixada brasileira em Tegucigalpa, num desafio aberto à comunidade das nações. Os ataques derivam de o presidente deposto ter voltado a Honduras e se abrigado em nossa representação diplomática naquele país.

Manuel Zelaya foi derrubado, segundo certa corrente de pensamento, porque vinha adotando políticas sociais e econômicas inspiradas nas de seu então homólogo venezuelano, Hugo Chávez, despertando na direita hondurenha (empresariado e classes sociais mais altas) temor de “socialização” de um país que figura entre os campeões de concentração de renda no mundo, tal como o Brasil.

Não se trata de uma invenção de ninguém em particular o que todas as grandes democracias, a Organização das Nações Unidas, a Comunidade Européia, a Organização dos Estados Americanos – e quantos mais quiserem pôr na lista – concordam, ou seja, que a deposição de Zelaya, tal como foi feita, constitui ameaça ao direito dos povos do mundo inteiro de escolher governantes e de essa escolha ser respeitada.

Escrevi este texto inspirado em dúvidas manifestadas por enfermeiras da Unidade de Terapia Intensiva do hospital Santa Catarina, em São Paulo, onde minha filha de dez anos está internada. Elas manifestaram dúvidas sobre “quem teria razão” nesse caso da crise política e institucional em Honduras.

As enfermeiras disseram-se cheias de dúvidas depois de assistirem comigo, no quarto de minha filha no hospital, reportagem do Jornal Nacional sobre o assunto. Espantou-me a dúvida delas sobre quem teria razão, a Globo ou Lula. Ficou-me claro que entenderam que a emissora apóia os que derrubaram Zelaya e que Lula apóia o presidente deposto.  

O claro apoio de grandes meios de comunicação e de políticos de direita a golpe de Estado num continente como a América Latina, que já sofreu tantos golpes de direita apoiados por grandes meios de comunicação, constitui-se num clichê latino-americano surrado, o das repúblicas bananeiras, imagem criada para designar republiquetas centro-americanas em que governos surgem e somem ao sabor de decisões de gabinete.

Estes são os fatos sobre Honduras. Nada do que escrevi aqui pode ser questionado. Espera-se, pois, que este texto simples e direto possa ajudar na difusão de fatos que todo brasileiro precisa entender bem, pois o processo em Honduras pode influenciar nosso futuro de maneira determinante, sobretudo se passar despercebido daquela parte enorme da população que pouco se informa.

 

 

Boletim médico de Victoria – 27/09 – 13h33m

 

 

Victoria se encontra em franco estado de recuperação desde o início da madrugada deste domingo. A bactéria que ataca seu pulmão foi identificada, ainda que o terceiro antibiótico escolhido para combatê-la esteja produzindo efeito ainda lento, mas que agora será acelerado com novos medicamentos adequados ao organismo detectado no pulmão esquerdo da criança.

Nossa menina ficará curada, meus amigos!

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h38
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