Análise política
Quem tem medo de Obama? 
Quem não entende esses psicopatas da direita brasileira que fazem qualquer coisa para derrubar Lula, nem que seja ao custo de sabotar o país, deveria dar uma espiada no que a direita dos Estados Unidos vem fazendo contra Barack Obama. Em minha opinião, ele é o Lula americano. Uma espécie de super Lula. O mesmo pragmatismo, a mesma paciência com os adversários, a mesma visão histórica. Quando digo que Obama é uma espécie de super Lula, não é sem razão. Pode até ser difícil um operário se tornar presidente, mas um negro pacifista e progressista chegar a tal posto num país como os Estados Unidos não é só difícil, é quase impossível. Além disso, investir no social em um país como aquele, não é fácil. Aqui no Brasil, com 70, 80 dólares por mês é possível acudir uma família que viva abaixo da linha de pobreza. Nos Estados unidos, a conta sai bem mais cara. As carências são muito menos básicas. Como se não bastasse, os americanos estão experimentando uma descida ao inferno. E estão pouco se lixando se foi o antecessor de Obama quem armou o desastre. Quem o está administrando é o atual presidente. E como não conseguiu debelar a crise ainda, começa a ser responsabilizado pela hidrófoba direita republicana. Percebe-se que os Estados Unidos são muito mais difíceis de governar por humanistas. A parcela majoritária da população que tem planos de saúde não quer pagar um centavo a mais de imposto para dar atendimento médico-hospitalar à minoria que não tem. A perenidade da crise internacional e a queda progressiva do padrão de vida dos americanos estão sendo instrumentalizadas pela direita e por seus meios de comunicação, fazendo Obama ir perdendo a expressiva popularidade com que começou a governar. As medidas em direção contrária às da era George Bush que Obama vem tomando são consideradas tímidas pela esquerda e inaceitáveis pela direita. Ou seja: ele tem apanhado dos dois lados mais extremos do espectro político, exatamente como Lula. A concessão do Nobel da Paz ao presidente americano foi uma tentativa humanista e política de frear a queda de popularidade de um governante que tem nas mãos poderes que ninguém mais tem na face da Terra e que parece disposto a usá-los para contrariar interesses secularmente consolidados. É por isso que apóio Obama com entusiasmo desde que disputava a indicação do partido Democrata como candidato à presidência dos Estados Unidos. Já disse e redisse várias vezes aqui, e volto a repetir: esse homem é um presente para a humanidade. Os extremos do espectro político não entenderam nada. Pela esquerda, não vêem que enfraquecer Obama pode devolver o poder à ultra-direita, e pela direita não enxergam que, se os EUA não se relacionarem de forma mais racional com o resto do mundo, o país afundará mais do que já afundou. O Nobel da Paz fará refletir os bem-intencionados, sendo de direita ou de esquerda. E reduzirá a força dos radicais ou dos mal-intencionados, que têm medo de Obama porque ainda não entenderam a importância dele ou porque entenderam bem até demais.
Escrito por Eduardo Guimarães às 05h11
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Boletim médico
Victoria No começo da tarde desta sexta-feira, Victória fez uma broncoscopia e foi um sucesso. Aspirou-se o foco infeccioso e, em princípio, o procedimento deverá fazer com que ela comece a melhorar rapidamente. Novamente surge um quadro positivo, condizente com o sorriso que vem sendo cada vez mais fácil no rostinho de minha amada filha. Terminamos a semana com esta boa notícia, pois. Graças a Deus.
Escrito por Eduardo Guimarães às 15h58
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Análise econômica
O ponto fraco do Brasil Atualizado às 09h32m de 9 de outubro de 2009
Quem lê este blog desde ao menos a eclosão da crise econômica mundial nesta época do ano passado e acreditou no que leu, saiu ganhando. Deve ter deixado de agir precipitadamente demitindo empregados, postergando investimentos ou meramente perdendo o sono. Fiquei bradando no deserto durante meses neste blog. Muitos acharam que eu não estaria captando a dimensão do problema. E não os culpo. O mundo entrou em pânico por razões absolutamente justificáveis – os ricos estavam perdendo fortunas e a conta seria empurrada aos pobres (pessoas e países). A sorte do Brasil, porém, foi a de que a tal da globalização, apesar dos esforços do grupo político que governava o Brasil antes do grupo atual, não se impôs aqui como em muitos outros países. Isso aconteceu devido ao nosso espetacular mercado interno. Protegendo-o dos importados, podemos comercializar entre nós mesmos por muito tempo. O Brasil não precisa do mercado externo para o comércio das empresas, mas para gerar os dólares necessários nas trocas comerciais com o exterior. Todavia, se o mercado lá fora estiver ruim, um país com o mercado que tem este pode simplesmente redirecionar seus negócios para dentro. E como temos essa montanha de dólares, produto de investimentos de médio e longo prazo e atraída pelo bom momento de nossa economia, não haveria por que a crise se manter aqui dentro. Hoje ninguém se surpreende ao ler isto que acabo de escrever. Todos já aceitam a explicação. Contudo, ela foi dada aqui já em setembro do ano passado, quando até aqueles que partilham minhas posições políticas duvidaram do que agora todos aceitam. Contudo, não sou só otimismo quanto ao Brasil. E agora não falo mais de política, mas de macroeconomia. Independentemente de quem vencer a eleição presidencial do ano que vem, este país tem um ponto fraco que ainda é insuficiente para provocar maiores problemas, mas que terá que ser tratado. Como muitos sabem, ganho a vida com comércio exterior. Na verdade, trabalho bem mais com exportações, ainda que também dê alguma assessoria sobre importações, processo que acompanho até para me manter ciente dos movimentos dos mercados mundiais. Apesar de o dólar estar caminhando para vir a deixar de ser a principal moeda do comércio exterior mundial, ninguém ainda pode se dar ao luxo de permitir uma desvalorização tão rápida e intensa dessa moeda quanto temos permitido. Neste momento, temos uma montanha de reservas em dólares e a tendência dessas reservas é aumentar. A crise econômica ainda detém as importações, por mais que estejamos nos recuperando. Esse freio nas importações, contudo, decorre mais de incertezas do que de desinteresse dos importadores. Mas de uma coisa podemos ter certeza: o Brasil, em questão de meses, deverá estar importando muito mais do que hoje. O dólar, desvalorizando-se nesse ritmo, está encarecendo os produtos brasileiros no exterior, prejudicando violentamente nossas exportações. Cada vez mais o necessário saldo positivo em nossas contas externas começará de novo a ser debilitado pelo desequilíbrio cambial. Só não estamos voltando a ter sérios problemas cambiais tão cedo por conta da incerteza residual dos importadores e do crescente consumo de nossas commodities (produtos primários) sobretudo pela China. Antes que os críticos do governo se alegrem e atribuam a ele a culpa pelo que relatei, perguntemo-nos o que é que o governo pode fazer para impedir que o dólar continue despencando em um país para o qual o mundo está redirecionando seus investimentos na moeda americana. Não tenho essa receita. O Banco Central compra dólares, mas não consegue impedir a queda da cotação da moeda. A taxa Selic (taxa básica de juros, baliza do custo do dinheiro no país) está no patamar mais baixo desde que foi criada. Nada tem funcionado. Os críticos do governo dizem que os investimentos em dólar vêm para o país em busca dos juros altos que este país paga ao mercado, mas, ao menos agora, isso não é mais verdade. Recomeça a chover dólares no Brasil porque nossa economia é uma das raras hoje que estão bem, que estão seguras. Finalmente, os incentivos do governo aos exportadores, que poderiam compensar o câmbio baixo, vêm se mostrando insuficientes para suprir a barreira cambial às nossas exportações, uma barreira que logo se converterá em via rápida para a entrada de importações. O câmbio, pois, continua sendo o ponto fraco do Brasil. Era o nosso problema na década passada e continua sendo nesta. O que me preocupa é que governo nenhum jamais irá mexer com o câmbio em anos eleitorais ou pré-eleitorais. Moeda valorizada gera sensação de bem estar na sociedade. Pavimenta o caminho dos negócios. Concede poder de compra à população. Temos um colchão de condições macroeconômicas que nos permitirá agüentar bastante antes de termos um problema cambial como aqueles que tínhamos nas décadas passadas. Contudo, é bom que o governo, que ainda tem mais de um ano pela frente, comece a pensar não só no que fazer, mas se não é irresponsabilidade não fazer já. Boletim médico de Victoria – 08/10 – 16h24m Aos poucos os médicos vão trazendo notícias. Não se consegue fazer regredir a infecção pulmonar. A radiografia mostra o tamanho dela intocado, não aumentou nem diminuiu. Só que não aumentou devido aos antibióticos. Haverá que fazer uma broncoscopia. Os médicos não queriam. Victoria está fraca. Mas não há outro jeito de extirpar o que se alojou no pulmão esquerdo dela. O problema é que não há cem por cento de certeza de que será possível aspirar o que a criança tem naquele pulmão. O local onde está a infecção é de difícil acesso por sonda. Poderá ser necessária uma cirurgia. Há também o problema da deglutição. Os médicos não acreditam que Victoria voltará a se alimentar por via oral. Acreditam que a gastrostomia (colocação de válvula no abdome por onde receberá alimentação) será imperativa e inevitável.
Boletim médico de Victoria – 09/10 – 09h32m
Na manhã desta sexta-feira, Victoria começa a fazer exame chamado broncoscopia. Uma sonda será introduzida pela traquéia da menina até o pulmão esquerdo na tentativa de aspirar material infeccioso ali alojado. Na noite de ontem, ela estava sorridente. Brincamos muito. Ficamos abraçados por quase uma hora e ela me sorria sem parar. Teve febre durante o dia, depois de quatro dias sem febre. Mas à noite, quando nos reunimos, estava feliz e descansada. O exame de minha filha certamente transcorrerá sem problemas. Assim que tiver notícias, posto aqui.
Escrito por Eduardo Guimarães às 16h45
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Comunicado
Apóie o MSM
Na próxima terça-feira, dia 13 de outubro, a ONG Movimento dos Sem Mídia completa 2 anos desde sua fundação (13/10/2007). Haverá que eleger uma nova diretoria e promover alterações estatutárias. Para conhecer a história do MSM, clique aqui. Devido a problemas pessoais que este blogueiro e presidente do MSM vem atravessando, e por falta de recursos, a assembléia dos sem-mídia será na sede da ONG. O local não comporta muita gente, mas, devido à preparação improvisada do evento, que terá que ocorrer neste momento complicado para mim devido a exigências legais, acredito que esse local terá que servir. Até porque, suspeito de que poucos filiados comparecerão, pois o aviso foi feito em cima da hora. De qualquer forma, quero lembrar aos membros fundadores do MSM, os quais foram signatários de sua constituição em 2007, que precisamos da vossa presença para a legalmente inadiável assembléia da organização, conforme post que publiquei aqui no último sábado. E se você não for do MSM, quero lhe dizer que a quase totalidade dos brasileiros é tão sem-mídia quanto os membros da ONG que presido, por mais que muitos não saibam disso. Aqueles que sabem que são sem-mídia e não se unem aos esforços do Movimento dos Sem Mídia, sobretudo se forem filiados estarão ajudando a perpetuar a mídia que temos no Brasil. Conto com você, filiado do MSM que estiver em São Paulo no próximo dia 13 às 19 horas. Venha à reunião dos sem-mídia. Precisamos de sua presença. Quem quiser participar da reunião do MSM da próxima terça, por favor deixe comentário aqui que ainda hoje, ao fim do dia, enviarei por e-mail informações sobre agendamento de sua presença. OBS: OS COMENTÁRIOS DESTE POST NÃO SERÃO PUBLICADOS
Escrito por Eduardo Guimarães às 12h39
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Crônica política
Nem Yeda escapa de Serra O programa Roda Viva desta semana entrevistou a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. Quando fiquei sabendo quem seria o entrevistado, logo imaginei que se trataria de tentativa da tevê estatal paulista, sempre afinada com os interesses políticos do Poder Executivo de meu Estado, de dar uma lustradinha na imagem da entrevistada. Fui à página do programa na Internet para ler o release que o Roda Viva costuma divulgar, e o que li só fez confirmar minhas perspectivas sobre no que se constituiria a edição desta semana. Uma apologia só da governadora, que estaria sofrendo problemas políticos depois de “sanear” seu Estado. Os paulistas conhecem bem o “saneamento” tucano. Vivemos nele com os professores, policiais, médicos e garis mais mal pagos do país, com um transporte público de quinto mundo etc. Mas o Rio Grande não é São Paulo. É o Estado de maior IDH do país, de longe o mais politizado, onde o PT sempre foi fortíssimo até a administração aparentemente desastrosa de Olívio Dutra, que levou os gaúchos à direita até que viesse o furacão Yeda e seu escandaloso governo cheio de denúncias fartamente documentadas que mostram uma quadrilha em ação. Pesquisa Ibope recente mostrou uma desaprovação estrondosa a Yeda no Rio Grande. Não que eu acredite muito nesse instituto de pesquisas, aliás. Mas a desaprovação a Yeda é tão grande, no extremo sul do país, que torna impossível até mesmo para o polêmico Ibope fazer alguma manipulação dos dados. Dois terços dos gaúchos rejeitam a tucana. Eis que vou assistir ao programa e tomo um susto. Não é que Yeda foi questionada com uma dureza que jamais vi o Roda Viva dispensar a um tucano? O único entrevistador mais “truculento”, aliás, foi o eternamente tucano Heródoto Barbeiro, apesar de uma dose razoável de dureza de outros entrevistadores, sobretudo da representante da emissora que exibiu o programa. Eu já não estava entendendo mais nada quando o entrevistador, acho que da revista Época (não estou certo, agora), esclareceu-me por que Yeda estava apanhando que nem gente grande, ali. O problema com Yeda é o seguinte: ela pretende se candidatar à reeleição para o cargo de governadora do RS e, segundo o entrevistador disse explicitamente, Serra não quer que ela se recandidate porque pretende formar um palanque com o PMDB ali no Estado no ano que vem e uma candidatura tucana atrapalharia seus planos. Daí uma tucana graúda estar sendo atacada pelos meios de comunicação ligados a Serra, que parece ter instruído tais meios a atuarem para inviabilizar a re-candidatura dela ao governo gaúcho. É mole? Deus nos livre desse Serra, hein!
Victoria aos nove anos

Escrito por Eduardo Guimarães às 09h59
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Crônica
Se pudéssemos nos despir Desde a primeira vez que escrevi aos meus leitores sobre a doença de minha filha de (agora) onze anos, dando detalhes sobre as agruras de sua internação em UTI de hospital, uma corrente homogênea de solidariedade entre desiguais me fez refletir longamente. Pessoas que pensam tão diferente umas das outras, mas que, diante de um drama humano doloroso, uniram-se numa só intenção, fizeram com que percebesse que se alguma coisa separa hoje os brasileiros muitas vezes ela não provém de uma classe ou de um amplo segmento social, mas da difusão de sentimentos nocivos por uns poucos que seduzem mentes sensíveis a conceitos prontos, simples e, portanto, irrefletidos. Venho construindo a crença de que a quase totalidade dos que divergem profundamente dos que pensam política e ideologicamente como eu é composta de cidadãos tão bem intencionados quanto aqueles que compartilham meu ideário. Se pudéssemos nos despir de preconceitos, de intolerância com a divergência, tanto de um lado quanto do outro e por ao menos algumas horas, o suficiente para que pudéssemos conversar longamente, este país acharia um caminho menos árido para chegar onde todos, de uma forma ou de outra, queremos chegar. Não, o homem não se despirá, como espécie, de seus ímpetos egoístas, orgulhosos e intolerantes. Pelo menos não tão cedo e nem tão fácil. Mas segmentos da sociedade poderiam tentar dar o exemplo ao dialogarem sobre o que os divide. Ver divergentes convergindo em torno de um sentimento nobre é sempre um alento. Reflito sobre como seria bom se todos descobrissem o prazer dessa concórdia e desse altruísmo que aqui uniram desiguais, o prazer desses sentimentos que enchem a alma de esperança na espécie humana.
Escrito por Eduardo Guimarães às 02h18
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Comunicado
Victoria, 11 anos
Victoria completa 11 anos hoje. Haverá festa na UTI. Os três turnos de enfermeiros e médicos querem cantar parabéns para ela, de forma que serão 3 festinhas com 3 bolos. A situação, porém, não apresenta perspectiva de evolução. Não há como a menina ser desconectada dos aparelhos, não ter assistência médica em tempo integral como tem na UTI. Não se alimenta mais por via oral, continua tendo picos de febre e a secreção pulmonar chega a aumentar tanto que a menina tem que sofrer aspiração das vias respiratórias. Os médicos mudaram de idéia e não querem mais fazer a broncoscopia. Acham perigoso, pois Victoria teria que ser entubada e está muito debilitada, ainda. Já são 21 dias de internação e não há qualquer perspectiva de alta. Nem sei o que dizer a vocês... Só nos resta, pois, comemorar esta data e dar a ela todo o nosso amor, fazê-la sentir o quanto é amada. Achei que devia a vocês esta informação.
Escrito por Eduardo Guimarães às 12h03
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Denúncia
A cruzada covarde de Demétrio Magnoli 
No domingo, foi no programa “Canal Livre”, da TV Bandeirantes; no dia 29 de agosto, no programa do Jô Soares. Em cerca de uma semana, o sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli apareceu nos dois programas fazendo sua cruzada inglória contra o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado no mês passado pela Câmara dos Deputados. Magnoli, na verdade, concentra-se nas cotas para negros e indígenas nas universidades. É o “golden boy” da mídia nessa questão. Recebe um espaço infinito para mentir, distorcer, omitir, tudo de forma a literalmente criminalizar essa modalidade de política afirmativa. Ele chega a comparar uma política que permite a jovens pobres e negros cursarem universidades a políticas nazistas de extermínio racial. Mente sobre as estatísticas ao omitir que elas mostram que os negros são anomalamente alijados do ensino universitário. E faz de conta que não existe uma geração de dezenas de milhões de jovens pobres e negros – ou indígenas – que não terá chance de concluir seus estudos se não for através de cotas. Não entrarei no debate das cotas. Não é disso que trata este texto. Trata-se da aberração que é um programa que se auto proclama Canal “Livre” colocar quatro brancos, maduros, caucasianos, com nomes europeus e de classe média alta para atacarem uma política social que beneficia jovens negros e pobres. Ou o rotundo comediante global, portador das mesmas características étnico-sociais, para fazer o mesmo. E isso em um momento no qual o Congresso discute o Estatuto atacado pelo “golden boy” anti-cotas da mídia, que agora tem a desculpa de um livro seu atacando, claro, as cotas para tagarelar falácias sem contestação em programas com entrevistadores concordantes. E, se querem saber, preferi ver Magnoli verter sua empulhação purulenta no Jô Soares a vê-lo nessa atuação no tal Canal “Livre”. No programa do Gordo, pelo menos foi monólogo mesmo, claramente. Já no programa da emissora da família Saad, numa tentativa canhestra de mostrar que havia algum debate ali, colocaram no ar negros defensores das cotas fazendo “perguntas” a Magnoli em participações gravadas. Enquanto isso, o sujeito respondia ao vivo, obviamente falando qualquer mentira ou deturpação sem ninguém ter como contestá-lo, pois os entrevistadores só faziam adiantar a bola para ele chutar. Estando em votação no Congresso o Estatuto da Igualdade Racial, julgo ilegal usarem concessões públicas para dar esse espaço desproporcional a um dos lados. Se esses programas não derem espaço a um defensor das cotas brevemente, proporei ao MSM irmos à Justiça contra esse uso ilegal de concessões públicas.
Escrito por Eduardo Guimarães às 20h31
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Análise política e boletim médico
Quem pilotará o Brasil?
Quem for bom dos miolos tem todos os motivos possíveis e imagináveis para entender que o Brasil, hoje, é um bólido envenenado, com uma manada de cavalos bravios dentro do motor. Por conta disso, a eleição presidencial do ano que vem vai assumindo um caráter dramático. Por minhas crenças políticas e ideológicas, pelo que sei de política e de economia, pela visão social que construí ao longo da vida, vejo com preocupação o processo eleitoral do ano que vem. Diante disso, cabe perguntar: Quem herdará o Brasil do pré-sal, da Copa do Mundo de 2014 e que preparará o país para a Olimpíada de 2016? Quem irá gerir uma economia que no ano que vem estará crescendo em um nível muito acima daquele em que estará o resto do mundo e próximo ao dos países que mais crescem? Quem administrará reservas cambiais que já começam a caminhada para a terceira centena de bilhão dólares? Quem receberá esses investimentos estrangeiros e nacionais cada vez maiores no país? Quem será o depositário da confiança mundial na boa governança do Brasil? Espero que seja um político que todos conheçamos bem, o qual tenha sido ampla e publicamente questionado, que tenha tido sua vida esmiuçada pela imprensa a fim de que saibamos com quem estaremos nos metendo. Mesmo estando tão longe da campanha, já sei muito sobre alguém que eu não conhecia na política. Dilma Rousseff vem sendo exposta de todas as maneiras, em todas as suas fraquezas humanas, inclusive as de caráter mais íntimo, como a sua saúde. Seus adversários têm tido espaço na grande mídia para questioná-la, acusá-la, ridicularizá-la. Seus pontos negativos todos têm sido debatidos fartamente enquanto pouco se fala de seus adversários em termos negativos ou meramente investigativos. Sobre os prováveis adversários de Dilma, o que sei deles é por conta da história política de cada um. Mas são informações antigas. Não há questionamentos atuais, acusações ou informações sobre a intimidade de um Ciro Gomes ou de um José Serra na mídia. Dilma é uma neófita em eleições. Alguém que dependerá de transferência total de popularidade do mais conceituado político brasileiro para que ela logre sucedê-lo no cargo, e que enfrentará a maior campanha midiática de desmoralização que já se viu. O que estará em jogo na eleição do ano que vem será o controle de uma das poucas economias realmente possantes da atualidade. Os que vêm se opondo ao país nos últimos quase sete anos, portanto, farão qualquer coisa – eu disse qualquer coisa – para vencer a eleição presidencial de 2010. Já cheguei a pensar que era muita responsabilidade para ficar nas mãos de um único homem, ou seja, de Lula. Contudo, a vitória do Rio de Janeiro na disputa para sediar a Olimpíada de 2016 me fez entender uma coisa que talvez eu ainda não tivesse entendido e que quero compartilhar com vocês. O marketing político (seja contra ou a favor) pode ser bem eficiente, e confiar na capacidade de discernimento de uma sociedade submetida a bombardeios midático-marqueteiros ininterruptos pode ser perigoso, mas governar bem ainda é a melhor propaganda que um político pode fazer de si mesmo. Neste momento, apesar de toda torcida contra, do alarmismo sobre gripe suína, do alarmismo econômico, da venda de pessimismo incessante em bilhões de horas de programação de tevê, em centenas de milhares de toneladas de papel, o brasileiro está eufórico com o país. A estratégia do presidente Lula é contrapor fatos positivos a suposições negativas, confiando na capacidade de discernimento das pessoas para decidirem quem fala a verdade, se a mídia ou ele. A mídia, por sua vez, acredita que pode se dissociar do jogo político no imaginário popular, ou seja, passar por juíza e não por jogadora, detendo a prerrogativa de apontar quem está certo e errado, induzindo o eleitorado a escolher por exclusão, a votar em quem não estiver sendo acusado por ela. A estratégia de Lula me parece correta, mas só até certo ponto. Não se pode esquecer da sabotagem e das jogadas sujas. Dos dossiês pré-eleitorais. Não se pode esquecer da jogada da pilha de dinheiro dos aloprados, que levou a eleição presidencial para o segundo turno em 2006, o que nos remete a outro ponto, exatamente o dos aloprados. Se não tivesse havido algum gênio no próprio PT que decidiu jogar sujo para tentar vencer uma eleição perdida em São Paulo, aquele delegado picareta e a Globo não teriam armado o que armaram, fazendo produção da pilha de dinheiro etc. É preciso ter em mente que um processo como eleição num país como este, se o grupo político de José Serra, que incluí impérios econômicos, sobretudo de comunicação, quiser interferir, tem meios infinitos para tanto. Não sei quem pilotará essa máquina fantástica que é o Brasil a partir de 2011, mas sei que corremos o risco de bater logo na primeira curva, dependendo do piloto. Só espero que a sociedade reflita sobre isso como nunca antes na história deste país. Nada mais. Boletim médico de Victoria – 04/10 – 14h58m Victoria ainda não fez a broncoscopia. Ficou de ser feita durante a semana. Durante a noite, de sábado para domingo, teve aumento importante da secreção pulmonar e ficou febril. Amanheceu melhor neste domingo.
Escrito por Eduardo Guimarães às 15h02
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