Crônica política

O egoísmo cego da elite

 

 




 

Quando vejo cenas de guerra como essas que mostra o vídeo acima, contendo reportagem da Globo sobre o helicóptero da Polícia que foi abatido a tiros por traficantes no Rio de Janeiro neste sábado, o que me espanta não são as cenas ou o fato em si, mas a reflexão sobre como é possível que a elite branca não entenda que, sem progresso social, tais cenas continuarão se tornando cada vez mais comuns, e a ameaça aos que “têm”, cada vez mais intensa.

A casta social a que me refiro pode ser encontrada em retrato fiel nas novelas da Globo, por exemplo. São 90% de brancos de olhos claros e nomes europeus, os quais, em certos círculos sociais, parecem muitos, mas que não correspondem a 10% da população misturada deste país, e que, de forma absolutamente inacreditável, ficam com quase todas as vagas no ensino superior público (o de melhor qualidade no país), com as melhores oportunidades no mercado de trabalho, que ocupam os poucos bairros “nobres” das grandes cidades, que têm acesso ao melhor da Segurança Pública, das obras urbanísticas etc.

A elite racial brasileira é dona de jornais centenários, canais de televisão – transformados em propriedade eterna apesar de serem concessões públicas – e de todo o resto do grande aparato de comunicação de massa do país. Além disso, é dona das maiores empresas, ocupa os melhores empregos, domina a dramaturgia, a literatura, as ciências e tudo mais de melhor e mais avançado que o Brasil produz.

Essa concentração anômala de riqueza e de oportunidades foi o que provocou, nas massas empobrecidas, um sentimento de desesperança quanto às possibilidades do homem do povo de crescer na vida, fazendo com que jovens negros e favelados, por exemplo, declarem serenamente que preferem morrer jovens nas mãos da polícia ao cometerem crimes, contanto que tenham dinheiro para desfrutar dessa breve vida numa sociedade consumista, na qual, sem dinheiro para carros, roupas e baladas, o jovem se sente uma nulidade.

Os programas sociais de gastos vultosos e as políticas afirmativas deste governo e o próprio discurso igualitário do presidente da República têm servido como uma espécie de colchão amortecedor das tensões sociais. Sem a esperança de vencer na vida com honestidade que o Estado tem dado a essa massa empobrecida nos últimos anos, tenho certeza absoluta que a guerra civil que o vídeo acima mostra já teria sido deflagrada oficialmente – e em nível muito mais alto.

Mas o egoísmo, a vontade de ser uma casta em meio a uma ralé ignara e desqualificada profissional, cultural e intelectualmente, impede essa elite de enxergar o que está acontecendo neste país que mantém um nível de confronto social como o que se vê na reportagem sobre a derrubada do helicóptero da Polícia por traficantes no Rio.

Há, sim, o criminoso mau-caráter, aquele que não caiu na criminalidade pela pobreza e pela necessidade inclusive de sobreviver, sendo ele muitas vezes de classe média. É a mentalidade consumista, importada sobretudo dos Estados Unidos e que tanto encanta essa elite racial brasileira, o que enlouquece uma juventude que vê na posse de bens materiais o verdadeiro sentido da vida.

Todavia, ouso afirmar que a quase totalidade da “criminalidade” brasileira é oriunda da pobreza e até da miséria. Em suma, da falta de perspectiva de ascensão social por vias normais que leva legiões de jovens a buscar por qualquer meio tal ascensão, nem que seja por meio da criminalidade.

Enquanto isso, os ideólogos dessa separação por castas que exclui as massas morenas e negras das universidades, dos clubes, dos bairros etc., permitindo nesses lugares apenas amostras do biótipo predominante no país, continuam elaborando a sustentação desse estado de coisas através até da afirmação estupefaciente de que “não somos [a elite branca] racistas”, dizendo que políticas inclusivas como a de cotas para negros nas universidades seriam o que separaria uma sociedade que sempre esteve separada.

Não há nação socialmente injusta, neste nível da nossa, que conheça a paz social. Não há nação que viva essa sonegação de oportunidades a setores étnicos tão majoritários que não esteja mergulhada na violência e na criminalidade. E não há segurança para os brancos ricos em sociedades assim.

Em Julho, estive na África do Sul e pude constatar in loco a que ponto a opressão racial pode levar uma nação. Naquele país no qual a minoria branca oprimiu a maioria negra de uma forma como a minoria branca brasileira sonha oprimir a maioria negra e mestiça, os brancos ou fugiram ou vivem praticamente escondidos em bunkers. Quando têm que sair às ruas, o medo em seus rostos é quase palpável.

No Brasil, porém, a elite branca, racista e socialmente separatista continua acreditando que poderá manter a maioria negra (sobretudo os jovens) conformada em seus guetos sem ousar aspirar o sucesso e o bem estar social da casta racial dominante. Inverte os fatos e acusa políticas afirmativas como as cotas de “discriminatórias”, chama o Bolsa Família de “esmola” etc. E combate Lula com ódio apesar de ser ele quem está mantendo as belas cabeças loiras da elite unidas aos seus alvos pescoços.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h51
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Boletim médico

 

A saúde de Victoria

 

 

 

Faz algum tempo que não comento mais profundamente a saúde de Victoria, o que passou a ser uma obrigação minha com vocês. E este texto também servirá para dar esclarecimentos a familiares que me perguntam se minha preocupação – e de minha mulher – não estaria sendo “exagerada”.

Vamos, pois, aos fatos.

Victoria chegou ao hospital no dia 15 de setembro. Neste sábado, portanto, faz um mês e dois dias que a criança está internada em uma Unidade de Terapia Intensiva. O tempo vai passando e a situação não muda. A rigor, minha filha está quase do mesmo jeito que chegou ao hospital.

O tempo de internação, a recorrência da febre (que, neste sábado, voltou a aparecer, atingindo os 38,3º mesmo depois de quatro gerações diferentes de antibióticos serem ministradas por semanas) e as convulsões, tudo isso é motivo mais do que suficiente para preocupação. E como se trata de uma criança com paralisia cerebral, a preocupação aumenta de forma absolutamente justificada.

Victoria se alimenta por sonda, tem secreção nas vias respiratória há mais de um mês (a ponto de precisar de várias aspirações dessas vias durante o dia), tem crises convulsivas (as quais costumava ter antes de ser internada, mas não com a persistência atual) e a imagem de seu pulmão na radiografia mostra inalterada uma mancha que persiste ali desde a internação.

Um exame para detectar se a infecção pulmonar não decorreria de aspiração de alimentos para o pulmão por falha na deglutição, revelou que, de fato, isso está acontecendo, o que obrigaria a uma gastrostomia (colocação de válvula no abdome para alimentação parenteral). 

Contudo, o médicos acreditam que a gastrostomia, apenas, pode não resolver o problema. O que acontece é o seguinte: mesmo recebendo alimentação parenteral, Victoria tem uma salivação muito intensa e continuaria aspirando essa saliva para o pulmão.

Uma aparente solução seria fazer um implante de “botox salivar” para conter a salivação, até porque minha filha, nesse caso, não precisaria da saliva, porque pararia de se alimentar por via oral.

Contudo, a aplicação de botox teria que ser refeita a cada 60 ou 90 dias, o que seria extremamente caro, além do que também seria bem incômodo para a criança, de maneira que o médico cogita “desconectar” as glândulas salivares dela por meio de cirurgia.

Sobre a mancha no pulmão, de nome técnico “atelectasia pulmonar”, na região dessa mancha o pulmão esquerdo de minha filha não infla durante o processo respiratório, diminuindo bem a capacidade pulmonar dela.

Se persistir o foco infeccioso naquela parte afetada do pulmão esquerdo, o que estaria provocando a renitência da febre, talvez seja preciso extirpar cirurgicamente essa parte.

Como se vê, minha preocupação – e de minha mulher – está longe de ser “exagerada”. Talvez, mais do que tudo, pela indefinição do quadro de saúde de Victoria depois de tanto tempo de internação e por ser ela portadora de uma enfermidade neurológica gravíssima.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h11
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Análise política

Pauta e contrapauta

 

 

 

O tema tem sido recorrente neste blog. Infelizmente, o assunto ainda é pouco discutido, pois o embate – e não o debate – de varejo do fla-flu tucano-petista toma todo o espaço disponível a discussões.

E penso que também foi atingido o limite de espaço para o verdadeiro debate político, que, no Brasil, só tem ocorrido na internet, pois, nos outros meios de comunicação de massa, não há espaço para o verdadeiro contraditório, sendo hegemônicos os argumentos da oposição ao governo Lula.

Esse público que lê blogs e sites políticos, todo ele já tomou partido, de maneira que se formaram guetos opinativos (como este blog) dos dois lados do espectro político, enquanto que o público mais suscetível a formar opinião política continua cativo dos grandes portais, controlados pela grande imprensa, que, por sua vez, controla o maior e mais influente meio de comunicação de massa, a televisão.

O resultado desse fenômeno é que o bom e velho “nós com nós mesmos” vai formando esses blocos de ambos os lados quase que exclusivamente na internet, blocos que professam as mesmas idéias, que falam a mesma língua, de maneira que a quase totalidade dos comentários em blogs como este, de um lado, e os comentários do blog de um Noblat ou do de um Reinaldo Azevedo, de outro, são esmagadoramente partidários do lado de cada blogueiro.

Mas o principal é a pauta do debate público. A mídia corporativa, de direita, aliada de José Serra, de FHC, do PSDB e do PFL, é que pauta as discussões. Basta corrermos pela blogosfera para ver que eles comentam e nós temos que ir atrás do que dizem, porque não temos capacidade de pautar o debate público.

Como bem disse o jornalista Rodrigo Vianna em palestra que proferimos nesta semana na pré Confecon de Guarulhos, o Brasil precisa de uma “contrapauta” à da mídia hegemônica. Mas como?

O dinheiro está do outro lado. Como um blog ou um site de esquerda poderá fazer cobertura do imbróglio hondurenho e veicular em massa o que apurou? Como cobrar as denúncias contra o governo Serra, que a grande mídia solenemente enterra enquanto difunde ao máximo as denúncias dele contra Lula, Dilma e o PT?

A questão de fundo é essa. O debate público no Brasil é pautado pela mídia, detentora de todas as grandes concessões públicas, sobretudo as de tevê, e essa mídia tem lado. E usa as concessões públicas que detém para favorecer um dos lados. É questão de dinheiro. Fala alto quem tem, e quem tem dinheiro, no Brasil, é quase que exclusivamente a direita.

Não tenho também essa solução de como os dois lados pautarem o debate público, entre tantas outras soluções que não sei como encontrar. O que faço aqui é apenas tentar estimular esse debate, muito mais importante do que o varejo das picuinhas tucano-petistas. 



E, falando em picuinhas...



Do UOL


16/10/2009 - 09h56


Alojamento de Lula tem risoto, uísque e roda de viola até a madrugada


por Simone Iglesias, enviada especial da Folha a Custódia (PE)


No km 316 da BR-323, próximo à cidade de Custódia, um canteiro de obras da transposição do São Francisco virou anteontem um alojamento bem estruturado para abrigar Lula, ministros, governadores, diretores do consórcio responsável pela obra e jornalistas.

Depois de visitar as obras, Lula e comitiva jantaram no refeitório. No cardápio, camarão, salada, risoto de queijo parmesão e purê de abóbora com carne de sol.

Encerrado o jantar, o presidente ficou numa roda de viola até a 1h10 de ontem.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), levou para o acampamento o forrozeiro Maciel Melo, artista conhecido da região e de quem Lula é fã.

Nem duas quedas de luz, de 15 minutos cada uma, fizeram com que o presidente resolvesse dormir. Ele ficou no refeitório por quase três horas.

Do jantar com violeiro participaram também Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), Campos e o deputado Ciro Gomes (PSB), que foi titular da Integração. Geddel foi o primeiro a se retirar, às 23h. Depois, foi a vez de Dilma se recolher. Ciro, Franklin e Campos fizeram companhia a Lula até o final.

Além do jantar, foi servido uísque 12 anos e cerveja.

O escritório do canteiro de obras, uma casa de alvenaria com 14 cômodos, foi transformado em um apartamento para Lula, Dilma e seguranças. O presidente ficou em uma suíte improvisada com cama "king size", carpete, frigobar, banheiro, antessala e um gabinete para reuniões.

Os quartos à direita e à esquerda do presidente foram ocupados por seguranças.

Na suíte de Dilma, havia banheiro privativo, antessala e decoração com flores.

Em uma parte da casa foi montado um quiosque que faz as vezes de cozinha. No balcão, foi colocado coquetel, sucos, água, quiches, bolos, castanhas, queijos e frutas para receber a comitiva presidencial.

Geddel, Franklin, governadores e assessores ficaram em um alojamento com 15 suítes de cerca de 8 m2 e um banheiro privativo com chuveiro de 3 m2. Uma suíte de 10 m2 e cama "king size" (diferentemente das outras, com camas de casal) foi reservada a Geddel, que ficou com a de número 15, de seu partido, o PMDB.

Os diretores do consórcio responsável pelo lote 11 da transposição, formado pelas empresas OAS, Galvão, Barbosa Mello e Coesa, e os assessores do presidente ficaram em um quarto alojamento, próximo à casa de Lula e Dilma.

 

Comentário meu

 

Se Lula e sua comitiva tivessem ido para um hotel cinco estrelas, não teriam o que dizer. Ou será que Serra, quando viaja, se hospeda no Albergue da Juventude? Que tal cobrirem suas acomodações na Suíça quando ele foi receber aquele prêmio de emergência da "ONU"?

 

 

Dos leitores

 

 

Sobre essa viagem, não deixem de ler:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4044902-EI11354,00-Dona+Joana+Por+quem+os+sinos+dobram.html

Lucia | Salvador Bahia | Aposentada 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h02
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Análise política (?)

A revolta dos jornalistas

 

 

 

 

 

 

De uma coisa ninguém pode ter dúvida: o advento do governo Lula revolucionou o jornalismo brasileiro, para o bem e para o mal. Nunca antes na história deste país o jornalismo foi tão questionado publicamente, porque nunca antes jornalistas se revoltaram contra os barões da mídia da forma como tem acontecido de 2003 para cá.

Mas foi a partir do escândalo do mensalão em 2005 e da subseqüente reeleição de Lula em 2006 que começou a ocorrer com maior intensidade a revolta de jornalistas de renome contra o jugo do patronato midiático. Naquele momento, a mídia começou a perder os limites

O jornalista Luis Nassif acho que foi o precursor desse movimento. Houve outros casos rumorosos, como o dos ex-globais Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Paulo Henrique Amorim, que, a exemplo de Nassif, ousaram dizer o que os barões da mídia nunca tinham ouvido, ou seja, a palavra não.

Ao menos de Azenha e Rodrigo eu ouvi, inclusive pessoalmente, por que demitiram a Globo: receberam determinação de mentir, enrolar, enganar, empulhar, falsear, sacanear, embromar, enfim, de fazer de bobo aquele a quem todo jornalista jura respeitar: o público.

Contudo, o caso de Luiz Nassif é único porque a posição que ele ocupou numa Folha de São Paulo, integrando seu Conselho Editorial, fez aflorarem as entranhas do sistema.

Os outros jornalistas mencionados receberam de seus ex-empregadores aquele desprezo como de quem diz “você não importa”, estratégia usada freqüentemente pela indústria da desinformação para pôr desafetos na “geladeira” e lhes fechar as portas do mercado de trabalho através das famigeradas associações de classe midiáticas.

Nesse aspecto, a TV Record, digam dela o que disserem, abriu a possibilidade de os proscritos pelo PIG não serem mais enviados à Sibéria profissional.

Confesso que me surpreendi com o que fizeram com Luis Nassif. Nunca imaginei ver jornalista atacando jornalista da forma como Reinaldo Azevedo fez com ele. Aliás, nunca vi um jornalista ou algum veículo de renome atacar alguém daquela forma.

Temos hoje, também, os maiores meios de comunicação acusados no Ministério Público por provocarem pânico em janeiro de 2008 ao difundirem que haveria uma epidemia de febre amarela urbana no país. Alguém se lembra de algo assim?

Agora, a guerra jornalística – ainda que os barões midiáticos estejam atuando em esfera bem distante do que se possa dizer jornalismo – chegou ao paroxismo. Cinco ações judiciais foram movidas contra Nassif pela Veja.

Soubemos, nesta semana, que ele sofreu condenação em primeira instância. Cem salários mínimos, coisa de quase 50 mil reais.

O jogo é pesado.

Num momento como este, todo aquele que quiser ter a mesma liberdade de expressão que a mídia exige para si, todo aquele que diz a sério que ações judiciais contra jornalistas são atentados à liberdade de imprensa, deve se solidarizar com o blogueiro.

Contudo, as propostas de campanha de arrecadação para ajudar Nassif a pagar a indenização a que foi condenado a pagar, são prematuras. Nassif foi condenado em primeira instância. Pode recorrer. E, nas instâncias mais altas do Judiciário, alguns evidentes vícios da primeira etapa do processo poderão não voltar a ocorrer.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h22
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Crônica política e comunicados

Sobre laranjas e pessoas

 

Atualizado às 08h02m de 15 de outubro de 2009 


 

 

 

 

 

O processo civilizatório ainda tem muito que caminhar no Brasil, pois uma sociedade só é civilizada quando os interesses comerciais de grupos econômicos não se sobrepõem ao bem estar social.

No Velho Mundo, por exemplo, atingiu-se um estágio civilizatório em que esse bem estar social se sobrepõe aos interesses comerciais e corporativos. Não existe um país considerado civilizado em que pessoas valem menos do que frutas destinadas à comercialização.

No dia 24 de agosto, para atender demanda judicial de uma empresa de ônibus de São Paulo, a Polícia Militar, sob ordem do governador José Serra, derrubou barracos de OITOCENTAS famílias numa favela incrustada no bairro de Capão Redondo.

As famílias (crianças, mulheres, idosos) foram jogadas na sarjeta, puseram-se a perambular pelas ruas da cidade em pleno inverno, passando frio e fome, e ninguém pediu CPI, muito menos a mídia. Uma mulher favelada chegou a ter o filho roubado no meio da confusão.

Na semana passada, porém, a indignação midiática foi às nuvens com a destruição de pés de laranja por membros do MST em terra invadida pela empresa fabricante de suco de laranja Cutrale.

O Incra diz que a Cutrale invadiu aquela terra e ali cultiva laranjas ilegalmente, pois, tanto quanto as famílias do Capão Redondo, não pagou pela terra. Na reintegração de posse popular, porém, a mídia e os partidos de direita no Congresso defendem os invasores.

Este é o sistema capitalista mais selvagem que se pode conceber, no qual o ser humano vale menos do que pés de laranja. Em nenhum país civilizado famílias inteiras são jogadas na sarjeta sem que o Estado manifeste a menor preocupação com o destino delas.

É possível uma sociedade capitalista respeitar mais as pessoas do que os interesses comerciais. Vários países fazem isso. Esses episódios de destruição de pés de laranja e de moradias de famílias pobres mostram quão distantes ainda estamos da civilização plena.

 

 

MSM tem nova diretoria

 

 

Na última terça-feira (13/10), em assembléia, o Movimento dos Sem Mídia elegeu nova diretoria.

 

·         Presidente, Eduardo Guimarães (comerciante)

·         Vice-presidente, Caetano Greco Junior (arquiteto)

·         Diretor Jurídico, Antonio Donizeti (advogado)

·         Tesoureiro, Luis Monteiro de Barros (metalúrgico)

 

Haverá a convocação de uma plenária no mês de novembro para apresentação da nova diretoria aos membros fundadores da ONG. A data será informada oportunamente.

 

 

Palestra na Confecon de Guarulhos

 

 

Informo que nesta quarta-feira, 14 de outubro, serei um dos palestrantes da Conferência Municipal de Comunicação convocada pela prefeitura de Gurulhos, ao lado de amigos como os jornalistas Rodrigo Vianna (TV Record) e Altamiro Borges (PC do B / Portal Vermelho).



Boletim médico de Victoria - 14/10 - 23h45m 



Por razões que todos sabem, tenho até medo de dizer o que direi sobre a saúde da minha filha. Várias vezes, nos 32 dias em que ela está internada na UTI, animei-me - e animei a vocês - e, depois, ela voltou a piorar.

Contudo, devo isto a vocês: Victoria parece ter tido uma melhora significativa, hoje. Passou o dia sem febre, seu peito parece bem melhor e, o principal, sorriu sem parar o dia inteiro - as informações são da minha mulher, que chego agora da Confecon em Guarulhos e não vi minha filha hoje.

Enfim, quem sabe desta vez vai... Vamos torcer.

 

 

Solidariedade a Luis Nassif

 

 

Leio no blog do jornalista Luis Nassif que ele sofreu condenação em primeira instância em ação judicial movida pela Veja contra si. Sinto-me tão condenado quanto ele, pois endosso cada uma de suas palavras, escritas e verbalizadas, sobre a publicação em tela. Somos todos Luis Nassif, neste momento.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h58
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Análise política

 

As estratégias Lula e Obama

 

 

 

Circularam em blogs políticos como os do Azenha e do Nassif artigos da imprensa norte-americana dando conta de que a Casa Branca está fazendo lá o que gente como eu prega que o Palácio do Planalto faça aqui. Ou seja: comprar briga com o PIG.

Hoje, aliás, acho que os que apóiam o governo Lula dividem-se entre os que endossam a estratégia “paz e amor “do presidente e do PT, que apanham sem parar da mídia, e dos que endossam o que fazem Obama e o partido Democrata, que reagem e ainda dão nomes aos bois.

O governo Obama, como a maioria de vocês deve ter lido em algum dos blogs que nomeei, passou a nominar individualmente cada um dos veículos que diz que se transformaram em extensões do partido Repúblicano – e qualquer semelhança com a grande mídia daqui e o PSDB, garanto que não é mera coincidência.

Pelos relatos dos artigos em questão, o PIG daqui reproduz, ipsis litteris, as picuinhas e os procedimentos do PIG ianque.  O que difere, porém, são as estratégias das vítimas dos dois partidos midiáticos de Brasil e Estados Unidos, Lula e Obama.

Eu que prego sempre aqui que Lula reaja, que dê nome aos bois, porém, fico me perguntando quem, entre ele e Obama, tem razão, qual seria a estratégia mais sábia, se a do brasileiro, de paz e amor, ou a de Obama, de chutar os “países baixos” do PIG.

Vejam que, apesar do que sempre prego, enquanto Obama, que reage, vem despencando nas pesquisas, Lula, que não reage, atravessou anos tornando-se cada vez mais popular enquanto o PIG batia nele. E Obama é tão carismático quanto Lula.

Claro que os Estados Unidos estão afundando econômica e socialmente enquanto o Brasil sobe que nem um foguete, mas ninguém pode garantir que Obama não teria perdido ainda mais prestígio se não fosse sua estratégia.

Há uma outra questão: os americanos, por mais que muitos possam discordar da premissa de serem mais politizados do que os brasileiros, penso que no mínimo é indiscutível que eles têm mais experiência democrática do que nós. Assim, partidarismo midiático é conceito que eles entendem melhor.

Se eu tenho alguma conclusão? Talvez a de que Lula pode ser ainda mais esperto do que o espertíssimo Obama e de que pessoas como eu, que pregam que o presidente brasileiro comece a dar caneladas, podem estar se deixando levar pela emoção enquanto que o ex-torneiro mecânico se mantém frio como um iceberg.

Aí está uma aposta que eu adoraria perder...

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h20
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Comunicado

MSM se reúne hoje

 

 

 

Quero, primeiro, pedir desculpas a vocês do MSM por ter atrasado os e-mails de resposta informando o endereço da reunião de hoje às 19 horas no endereço informado em cada mensagem. Provavelmente, muitos não poderão comparecer. Enviei os e-mails ontem e hoje a cada um dos que manifestaram interesse.

Sei que todos entenderão meus problemas. Se, por acaso, não houver número para a assembléia, terei que convocar outra para fazer o que teria que ser feito nesta data. Enfim, não tem sido fácil, vocês sabem. Peço desculpas.

Contudo, estarei na sede da ONG até as 20 horas, uma hora depois da hora marcada, mesmo que ninguém venha. Mas todas as 43 pessoas que manifestaram interesse em comparecer, entre filiados e aspirantes a filiados, receberam meu e-mail. Quem puder que por favor venha, apesar do aviso de última hora.

Agradeço

 

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 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h15
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Crônica

Andressa e Percília

 

 

 

São jovens, bonitas, de classe média alta, terapeutas formadas (respectivamente, em fisioterapia e fonoaudiologia) e muito bem empregadas em um caro e tradicional hospital particular de São Paulo.

Andressa e Percília se tornaram dois anjos na vida de minha família no último sábado. Tomaram a frente do caso de minha filha e fizeram com que se mexesse quem deveria se mexer, e acompanharam, até o fim, o episódio em que Victoria teve recaída após deixar a UTI do hospital.

Essas moças teriam tudo para agir como agem alguns profissionais da saúde que se deixam endurecer pelo convívio com dramas terríveis todos os dias. Com elas, porém, isso não aconteceu. Surpreenderam-me seus olhos transbordando de lágrimas pela situação de minha filha naquele momento.

Ontem e hoje, Andressa e Percília, respectivamente, foram à UTI visitar minha filha, preocupadas e solidárias. São dois anjos, fisicamente e na alma. Ouso dizer que podem ter salvo a vida de Victoria no último sábado, pois a intervenção delas no que estava acontecendo foi num momento em que a criança convulsionava sem parar e entrava em hipotermia.

Este blog, além de tudo, ficará para sempre como o registro de minhas memórias. Com o avanço tecnológico, pode ser que qualquer um em qualquer parte em, digamos, cem anos possa esbarrar nos pensamentos que aqui compus e, então, saberá dessas moças que, para minha família, são heroínas.

Fica aqui minha homenagem a essas profissionais da saúde que honram de forma absoluta os juramentos que fizeram, pois não perderam a capacidade de sentir compaixão pelos semelhantes que sofrem nem o ímpeto de lutar para salvá-los, como fizeram com minha filha.

Obrigado, Andressa e Percília. 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h59
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Comunicado

Reunião do MSM

 

 

 

Nesta terça-feira, 13 de outubro, o Movimento dos Sem Mídia completa dois anos de sua fundação. Havíamos planejado uma reunião comemorativa e deliberativa mais ampla, mas, pelas razões que vocês conhecem, ficou difícil.

De qualquer maneira, obrigação e compromisso assumido é obrigação e compromisso assumido, de maneira que preparei uma reunião com os filiados ao MSM e com os que quiserem se filiar.

A partir do momento da publicação deste post, quem quiser pode agendar sua presença deixando comentário aqui que retornarei por e-mail com os detalhes da reunião desta terça-feira na sede da ONG, onde estarei esperando vocês.

Apesar de estar passando pelos problemas de saúde em família que todos conhecem, farei um esforço para cumprir meu dever. Se você é filiado ao MSM ou pretende se filiar, compareça. Faça um esforço também.

 

OS COMENTÁRIOS DESTE POST NÃO SERÃO PUBLICADOS

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h05
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Crônica

Dia das crianças não existe

 

 

 

Todo 12 de outubro comemoramos o “dia das crianças”, um pretexto para o comércio ganhar dinheiro, pois nos limitamos a dar brinquedos aos nossos filhos em vez de agirmos para tirar da rota do desastre milhões de brasileirinhos que para lá caminham a cada dia que passam sem educação, sem acompanhamento de um adulto responsável, sem alimentação condigna, sem ensinamentos dos valores da civilização.

No dia de hoje, enquanto crianças de certas classes sociais são mimadas com mais brinquedos – que, em poucos dias, serão empilhados em armários repletos de brinquedos de outros 12 de outubro –, milhões de outras crianças estão pelas ruas consumindo ou vendendo drogas, prostituindo-se, roubando.

Conheço o caso de um cidadão que durante anos passou de carro diariamente por um semáforo em que crianças esmolavam. Um dia, uma das que ali esmolavam, um garoto, tornou-se adolescente. Naquele mesmo semáforo em que esmolou desde pequeno, assaltou o homem que durante anos passou diariamente por ali ignorando-o ao subir o vidro do carro. O cidadão tentou fugir e foi morto a tiros.

Não é por caridade, apenas, que brado sempre neste blog por justiça social. É, também, por instinto de auto-preservação. Sei que essas crianças abandonadas (apesar de muitas vezes viverem com pais indignos da paternidade, até por terem tido pais como eles mesmos) só poderão, com raras exceções, virem a se tornar ameaças à sociedade. E sei que qualquer um de nós poderá encontrar com uma delas num semáforo algum dia.

Por isso é que não compreendo que o dia das crianças não passe de um pretexto para vender brinquedos e estimular o turismo de feriado, quando deveria ser um dia de mobilização do país para discutir como acabar com essa catástrofe interminável, com esse show macabro a que assistimos todos os dias em cada esquina, onde seres ainda inocentes são corrompidos.

Um verdadeiro dia das crianças até poderia existir – e ainda estimulando o comércio – se déssemos às crianças de rua os brinquedos que damos aos nossos filhos, além de carinho, orientação e até apoio financeiro comunitário para aquela criança ter como estudar, nem que fosse em mutirão de cada condomínio, de cada rua ou até de cada família mais abastada.

Se cada família, da classe média para cima, “adotasse” financeira e afetivamente uma criança de rua, mudaríamos o futuro deste país. Mas nós, da classe média para cima, não saímos da retórica de exigir tudo do Estado enquanto sonegamos impostos e criticamos os programas sociais do governo, dizendo que são “esmolas”. E depois reclamamos quando uma dessas crianças cresce e nos assalta e até mata.

Tirar essas crianças das ruas, impedindo-as de se tornarem criminosos perigosos, não compete só ao governo. É uma decisão da sociedade. Essas crianças só estão nas ruas porque a sociedade brasileira não exige de si mesma mudar esse quadro. Toda iniciativa cidadã o brasileiro delega ao governo, contanto que ele mesmo, o cidadão, não tenha que contribuir de maneira nenhuma.

Não existe um dia das crianças. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h59
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Denúncia

 

Recaída de Victoria

 

 

 

Mais uma vez me encontro num momento em que não consigo pensar em mais nada além do estado de saúde de minha filha. O destino – ou seriam certos profissionais de saúde? – foi muito cruel comigo e com a minha família neste fim de semana.

No último sábado, a menina teve alta da UTI. Segundo o médico chefe do setor no Hospital Catarina, na manhã deste último sábado ela estaria “há seis dias sem febre”, em que pesem as oscilações de temperatura que, pelo que conheço de minha filha, vinham sendo anormais. E a broncoscopia e a endoscopia que ela fez não teriam revelado maiores problemas.

Apesar de a mancha na base do pulmão esquerdo de minha filha persistir na radiografia, e de a menina continuar tendo forte secreção pulmonar (catarro), secreção vasta que obriga a aspirarem com uma sonda (um tubinho fino de plástico) as vias respiratórias da criança, provocando-lhe um desconforto enorme, choro e engasgamentos, por força de Victoria  não ter tido mais febre o médico supra mencionado me disse que ela teria alta, sendo transferida para um apartamento comum da ala pediátrica do hospital, portanto sem monitoramento constante de sinais vitais ou assistência ininterrupta de enfermeiros e médicos.

Outro detalhe da comunicação de alta me preocupou. Escrevi aqui que Victoria poderia ter que ser submetida a uma gastrostomia (colocação de válvula no abdome por onde ela se alimentaria) devido a não estar conseguindo comer por via oral – a comida ou líquidos (ou mesmo saliva) não descem pela garganta e a menina põe tudo para fora, deixando escorrer pelos cantos da boca como um bebê.

Aquele mesmo médico chefe da UTI veio me dizer que provavelmente a gastrostomia teria que ser feita, pois a causa da infecção pulmonar de minha filha deveria ser aspiração de fragmentos de alimentos para o pulmão por falha na deglutição. No entanto, mesmo sem estar se alimentando por vias normais, mesmo sem a secreção pulmonar ou a mancha no pulmão na radiografia terem refluído, Victoria teve alta da UTI.

 O médico disse que “mudou de idéia” sobre a gastrostomia e que não tinha mais como “justificar” a internação de Victoria na UTI para o “auditor”. E eu que nem sabia que UTIs tinham “auditores” para fiscalizar a permanência de pacientes

Poucas horas depois da alta, graças à concorrência de uma jovem fisioterapeuta e de outra jovem fonoaudióloga que ficarão para sempre no meu coração pela dedicação, pelo amor e pela preocupação que impediram que acontecesse algo mais grave com minha filha na noite deste último sábado (10/10), Victoria foi re-internada às pressas na UTI depois de passar aquelas horas tendo que sofrer aspirações mecânicas de suas vias respiratórias (pela narina e pela boca) e tendo convulsões epilépticas que iam e voltavam com intervalos de 60 a 90 segundos.

No momento em que minha filha foi re-internada na UTI do hospital Santa Catarina para ter a veia jugular novamente capturada pelas agulhas para receber medicação intravenosa, pois já não havia mais veias pelo corpinho dela, cheio de hematomas graças a tentativas malsucedidas de “puncionar” alguma veia, havia de seis a oito pessoas no quarto e uma parafernália de equipamentos portáteis trazidos às pressas para lá.

Depois de passar 36 horas ininterruptas sem dormir por ter passado a noite no hospital e durante o dia seguinte não ter ido para casa dormir, fui acordado, na manhã deste domingo, pela minha mulher, que veio ter comigo depois de trocar de turno com meu filho como acompanhante de Victoria na UTI. Segundo ela acaba de me dizer, Victoria ainda não despertou, pois foi sedada no auge das crises epilépticas para que elas parassem, e fico me perguntando se não foi porque o neuropediatra demorou horas para responder ao chamado da pediatria do hospital.

Com efeito, enquanto minha filha tinha convulsões ininterruptas a cada 60 ou 90 segundos, o que estava fazendo com que a jovem fisioterapeuta que mencionei acima ficasse com os olhos cheios de lágrimas, o tal “neuro” respondia ao telefone que estava “em atendimento”, não podendo dizer nem duas palavras ao telefone para orientar a aflita equipe de enfermagem.

Há outros “problemas$”, vamos dizer, “político$” naquele ho$pital, onde as regras valem para un$ e para outros de formas “diferentes”. Sobre isso, discorrerei mais adiante. No momento, registro aqui minha ampla insatisfação com o hospital Santa Catarina e declaro publicamente que o considerarei responsável por qualquer coisa que venha acontecer com a minha filha.

E por enquanto é só, meus amigos. Voltarei ao assunto mais adiante. Agora, depois de algumas horas de sono, voltarei ao hospital.

E peço desculpas por vir aqui com este assunto num domingo, mas estou muito abalado. Não bastassem as dores de minha filha, certos profissionais do hospital Santa Catarina têm se mostrado absolutamente desumanos, e suspeito de que até irresponsáveis, ainda que outros profissionais daquele hospital tenham revelado o quanto honram o juramento ético que fizeram.

OBSERVAÇÃO: na próxima terça-feira, faz um mês que Vitoria está internada na UTI do hospital Santa Catarina.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h50
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