Ato público deste sábado (5/12) diante da Folha de São Paulo
SUCESSO!
Atualizado às 14h32m de 5 de dezembro de 2009
Acima vocês vêem a imagem dos mais de 100 brasileiros que vieram se manifestar contra a Folha de São Paulo debaixo de chuva, de alarmismo e de boicote do ato.
Foi um sucesso. Veio gente da Paraíba, de Santa Catarina, do Rio, de Belo Horizonte, do interior de São Paulo...
Um jornalista da Folha cobriu o ato, conferiu a lista de assinaturas e me entrevistou e a outros presentes.
Além de falas minhas e leitura do manifesto, outras pessoas se manifestaram.
Muitas fotos serão espalhadas por aí. Eu só pude aproveitar esta, acima, de uma leitora.
As listas de presença, publico depois, quando tiver como escanear.
Missão cumprida e alma lavada. Perdeu quem não veio. Foi uma festa democrática.
Repercussão
Clique nos links abaixo para ler a repercussão do Ato.
Deixe comentário de apoio ao Manifesto abaixo, se concordar com ele. Todos os comentários serão enviados à Folha por e-mail.
Contra o estupro do jornalismo
O Movimento dos Sem Mídia, entidade da sociedade civil fundada em 13 de outubro de 2007 a partir de manifestação de repúdio de cidadãos (então ainda desorganizados) à realidade trágica que vige no Brasil de os seus maiores órgãos de imprensa atuarem como meros apêndices de partidos políticos, volta a se manifestar publicamente.
O que nos traz aqui não envolve apenas o jornal Folha de São Paulo, mas um grupo restrito de meios de comunicação. Este jornal apenas foi escolhido como símbolo do mau jornalismo que é praticado pelos impérios de comunicação controlados por meia dúzia de famílias abastadas.
Estamos aqui hoje principalmente para protestar contra o ataque covarde deste “órgão de imprensa” não a um político, não a um partido, mas a duas instituições nacionais, a Presidência da República e o jornalismo - e, por conseguinte, ao povo brasileiro.
Em 27 de novembro, este jornal, em consonância com os interesses político-partidários dessa meia dúzia de famílias que controla a comunicação de massas no Brasil, publicou um texto ladino e covarde de autoria de um colunista do veículo, o sr. Cesar Benjamin, ex-aliado do presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, e, de vários anos para cá, um de seus maiores inimigos políticos.
Uma página inteira de jornal foi concedida pela Folha ao colunista para que, em um mísero e odioso parágrafo, destilasse todo o seu rancor, toda a sua inveja, enfim, para que libertasse a horda de seus demônios interiores na forma de acusação irresponsável e covarde ao chefe da nação de que ele teria assediado sexualmente um companheiro de cela enquanto esteve preso durante a mesma ditadura militar que o mesmo órgão de imprensa apoiou e com a qual colaborou ativamente.
A Folha é pior do que veículos como o jornal o Estado de São Paulo ou do que uma revista Veja, apesar de, à diferença destes, permitir que quem diverge de sua linha editorial possa se manifestar esporadicamente em suas páginas, obviamente que muito menos do que os concordantes.
Os outros veículos supra mencionados seriam “melhores”, se é que isso é possível, porque, apesar de não assumirem que atuam como despachantes dos interesses do governador José Serra, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do partido deles, o PSDB, não se empenham tanto quanto a Folha em falsificar uma inverossímil “isenção”.
Voltando ao texto infame deste jornal que desencadeou esta reação de tantos setores da sociedade brasileira por sua covardia e pelo desrespeito aos mais comezinhos princípios que embasam o instituto do jornalismo, o Movimento dos Sem Mídia lembra aqui o princípio pétreo de sempre se ouvir um acusado e, juntamente a essa acusação, de se publicar a versão dele dos fatos denunciados.
Não foi o que aconteceu quando a Folha publicou o insidioso texto “Os Filhos do Brasil”, que transformou mera fofoca de um ressentido em fato jornalístico. A calúnia foi “escondida” em meio a um texto incrivelmente longo (uma página inteira de jornal), escrito no âmbito do desespero da imprensa partidarizada com o filme biográfico sobre o presidente da República que chega aos cinemas no início de 2010.
Sabendo da enormidade que cometeria e para poder alegar isonomia no denuncismo, poucos dias antes este jornal publicou, com um “pequeno” atraso de 18 anos, uma história que a imprensa brasileira escondeu por todo esse tempo, a história do filho ilegítimo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com uma jornalista da Globo, a qual, depois de engravidar do poderoso político, foi “degredada” na Espanha junto com o filho.
O argumento deste e de outros órgãos de imprensa para nunca terem divulgado a história sobre o ex-presidente tucano foi o de seguirem um princípio que jamais valeu para políticos que não apóiam, o princípio de respeitar a vida privada das pessoas públicas.
Poder-se-ia respeitar esse princípio, sim, se não fosse inexplicável a Globo sustentar uma vida luxuosa para uma jornalista durante tanto tempo sem que ela ofereça a esse império de mídia qualquer serviço conhecido do grande público, pois não se conhece qualquer produção jornalística relevante da mãe do filho até então nunca reconhecido pelo ex-presidente FHC.
O conluio entre a Folha e os políticos que hoje representam os interesses da direita brasileira fica claro quando se nota que a história sobre o filho ilegítimo do ex-presidente tucano só foi divulgada no momento em que ele decidiu reconhecer esse filho e pouco antes do ataque dissimulado e covarde ao presidente da República, agora acusado de ter tentado cometer crime de estupro sem nenhuma prova além da palavra de um seu inimigo político.
Este Ato Público que ora fazemos não constitui mera defesa ou mero desagravo ao presidente, porém. Protesta-se aqui contra a tentativa da Folha de dissimular suas preferências políticas e de ignorar todos os princípios básicos de todos os manuais de jornalismo conhecidos ao tentar vender uma mentira tão vil à sociedade.
Nos últimos dias, com a revolta crescente diante da publicação de acusação tão grave – e sem qualquer elemento probatório – ao chefe da Nação e à própria instituição Presidência da República, a grande imprensa, assustada com a repercussão do crime da Folha, teve que repercutir um escândalo desvendado pela Polícia Federal contra a oposição.
O jogo de cena dessa imprensa criminosa, partidarizada e mentirosa não engana ninguém e pode ser facilmente desmontado. Basta recorrer aos arquivos de uma Folha para constatar que o surto de “isentismo” dos últimos dias é totalmente atípico. Com efeito, o passado (recentíssimo) condena despachantes de políticos como a Folha.
E apesar de a Folha ter endossado a acusação do ressentido Cesar Benjamin ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicando a fofoca do colunista sobre um suposto comportamento criminoso do presidente sem lhe dar o mínimo direito de defesa, tal comportamento foi desmentido por todos os que viveram a situação descrita em 27 de novembro.
O Movimento dos Sem Mídia afirma que este protesto não tem qualquer fundo partidário ou de culto à personalidade do presidente da República, que, como qualquer outro político, deve ser submetido a fiscalização séria da imprensa, contanto que esta se estenda a qualquer político independentemente de sigla partidária ou de ideologia.
O que pede o Movimento dos Sem Mídia, o que exige a sociedade brasileira, o que impõe a ética jornalística, pois, é o fim desse tipo de jogada política baixa, suja, mesquinha, covarde e imoral. Queremos, sim, que a classe política seja toda submetida à fiscalização da imprensa. Queremos que a imprensa seja livre, mas que trate a todos os políticos da mesma forma.
A previsível acusação que este jornal verterá de que estão tentando cercear sua “liberdade de imprensa” só se sustentaria se o veículo conseguisse se colocar a salvo do contraditório atacando seus críticos sem lhes dar voz. Mas isso acabou no Brasil e no mundo. Com a internet, aqueles que a imprensa partidarizada calou por tanto tempo agora podem se comunicar e se reunirem para, como ora fazemos aqui, soltarem a sua voz.
O mundo mudou e essa meia dúzia de famílias que sempre controlou a comunicação no Brasil não percebeu. Esses que fomentaram a miséria, a pobreza, a desigualdade, golpes de Estado, tortura, assassinatos políticos e tantos outros horrores, cada vez mais serão cobrados. O fato de estarmos aqui hoje deixa ver o novo país que está surgindo e que a família Frias, bem como suas congêneres, teima em não enxergar.
Essas duas belezas da foto acima já estão em casa. Para chegarem aqui, uma atravessou o planeta, desde a Oceania (Austrália), e a outra alguns quarteirões, finalmente deixando o hospital depois de oitenta dias internada.
Victoria e Gabriela. Filhas amadas. Não tenho palavras para descrever a felicidade que me exala de cada poro, que me embala a alma, que colore o meu mundo.
Um homem não é nada sem a família. Sinto-me completo de novo. Este será o Natal mais feliz da minha vida. Chego a achar que não mereço tanto. Há algumas semanas, temi pelo pior com minha Victoria. Vocês sabem...
Estou pronto para o que der e vier. Sinto-me um gigante.
Agradeço a Deus e a todos aqueles que, nos momentos em que fraquejei, sustentaram este pobre homem rico (de felicidade). Quero que saibam de uma coisa: vocês foram tão importantes nesse período em que Victoria nos pregou este susto que nem imaginam.
Por tudo isso, neste fim de semana, depois da Manifestação, cumprirei a promessa que lhes fiz de postar aqui uma foto atual do sorriso de Victoria. E, como bônus, o da linda Gabriela, que voltou para o seio da família, ainda que seja só até o fim do mês.
Que Deus os abençoe, meus amigos. A todos os que, às centenas, doaram-me aquelas palavras inesquecíveis de apoio e de incentivo que me impediram, creiam-me, de literalmente enlouquecer de tristeza nos últimos meses.
PS : nas primeiras horas desta sexta-feira, postarei o manifesto que, em nome dos sem-mídia de todo o Brasil, será lido no ato público do próximo sábado.
A princípio, achei normal o ponto de vista. Depois, refletindo, e levando em conta as opiniões de alguns dos leitores que comentaram o post do Rodrigo, fiquei surpreso e preocupado. Não pelo temor manifestado de que em um ato público pudesse ocorrer alguma provocação, mas por conta de o jornalista e estes leitores indicarem que, diante dessa possibilidade, o caminho seria nos conformarmos e buscarmos uma tática mais “segura”.
Essa tática, para variar, é aquela surrada de cancelarmos assinaturas e convencermos outros a fazerem o mesmo. Bobagem. Quando o MSM fez a exitosa manifestação da Ditabranda, dizem que a Folha perdeu cerca de cinco mil assinantes. Na semana seguinte, sai a notícia de que o governo José Serra fez o dobro de assinaturas para o governo do Estado distribuir o jornal em escolas.
Faz muito tempo que Folhas, Globos, Vejas e Estadões deixaram de depender de assinaturas. Vivem de publicidade e de conchavos financeiros com os governos tucanos e pefelentos.
Mas quero tratar desse medo que me surpreende e deprime porque sou de uma geração que enfrentou de peito aberto aquela ditadura militar violenta e assassina que se abateu nos anos 1960, 1970 e 1980 sobre o Brasil e que trucidava gente que ousasse fazer um protesto público como o que estou propondo. Assim mesmo, a ditadura era enfrentada. E quem enfrentava sabia o risco que corria e assim mesmo enfrentava aquele risco imenso.
O Rodrigo é quase dez anos mais moço do que eu e não creio que viveu como adulto o auge da ditadura, ainda que, àquela época, eu não me envolvesse em política. Os leitores dele que, apavorados, disseram que desistiriam de ir ao protesto de sábado, não sei, mas o temor quase histérico que manifestaram diante da ameaça que o post do jornalista especulou que existiria, deixaram-me meio desanimado com o Brasil.
Que medo é esse, minha gente? Estamos em uma democracia e, se existe alguma ameaça de que um mero ato público, ordeiro e pacífico, gere retaliações como a que Rodrigo especulou que poderiam ocorrer, o que me espanta é que se proponha recuar, aceitar a ameaça quando o correto seria lutar para eliminá-la, pois um país em que um ato público pacífico, onde haverá mera leitura de um manifesto, representa riscos físicos, não é um país civilizado.
Todavia, não acho que é o caso do Brasil de hoje, e medo eu teria à época da ditadura. Medo hoje? Esse pessoal deve estar de gozação... Medo do quê? De violência? De provocações, com um monte de gente presente, com o local sendo filmado e com a Polícia bem ali?
Alguns manifestaram temor de que a Polícia tucana se acumpliciasse a provocadores. Houve um que especulou até que os manifestantes correriam o risco de ser escorraçados sob violência policial. Essas pessoas, ao recuarem diante de tal hipótese, aceitam uma barbaridade dessas, que, a meu juízo, é devaneio, pois só haveria violência se praticássemos violência, o que nunca aconteceu num ato público do MSM.
O medo, meus caros, é uma prisão. Se ele vencesse sempre, ainda viveríamos em cavernas. Desistir de defender ideais por medo de retaliação é cabível em ditaduras e o Brasil não é uma ditadura. Vivemos em uma democracia. Temos que combater esse pavor do nada que vige em nossa sociedade e que deixaria roxos de vergonha os que enfrentaram os militares.
Neste ponto, os latino-americanos hispânicos têm muito mais “aquilo roxo” do que nós. São destemidos e não hesitam em ir às ruas. Tenho visto isso na Bolívia, na Venezuela, no Equador e em tantos outros em minhas viagens.
Faz algum tempo que postei aqui as imagens de um ato público do qual participei no ano passado em Quito, no Equador, em apoio à nova Constituição proposta pelo presidente Rafael Correa. Digo a vocês que havia, naquele ato, no mínimo um milhão de pessoas. Uma coisa linda, impensável num país que, depois da ditadura, parece que se acovardou.
Respeito muito o Rodrigo. É um valente. Não hesitou em enfrentar a Globo. Sou fã dele, do Azenha, do Nassif e tantos outros jornalistas que romperam o círculo de fogo do PIG. E acho positiva a forma como Rodrigo manifestou sua discordância. O debate é sempre relevante sobre qualquer assunto.
O que me preocupou, todavia, foi esse medo exacerbado de boa parte dos leitores do Rodrigo que comentaram seu post em questão. Será que, diferentemente dos heróis que enfrentaram o regime assassino de 1964, tornamo-nos de fato um país de covardes?
Não nos deixemos aprisionar pelo medo. Para alguns, essa se torna uma prisão perpétua.
Como de costume, o Movimento dos Sem Mídia, através de sua diretoria jurídica, conforme manda a lei comunicou à Polícia Militar de São Paulo o ato público que realizará no próximo sábado.
Abaixo, reproduzo a comunicação enviada ao 7º Batalhão da Polícia Militar nesta data:
Subject: Comunicação de realização de Ato Público dia 05/12/09 na Capital.
Date: Wed, 2 Dec 2009 19:46:29 +0000
À
Polícia Militar do Estado de São Paulo – Capital
At. Ilmo. Sr. Major PM Benjamin Francisco Neto
Comandante do 7º BPMM
Venho, através do presente, comunicar a essa instituição, incumbida da segurança pública na capital paulistana, nos termos do artigo 5º, inciso XVI da vigente CF, que o Movimento dos Sem Mídia, organização da sociedade civil, realizará, no próximo dia 05/12/2009, a partir das dez horas da manhã, um " Ato pela Ética e Responsabilidade na Imprensa " em frente à sede do Jornal Folha de São Paulo, situado na Alameda Barão de Limeira, nº 425, Campos Elíseos, nesta capital.
A manifestação será de caráter e natureza absolutamente pacíficos, sendo o protesto de cidadãos contra recente matéria publicada pelo citado jornal que ofenderam a honra do Presidente da Republica Federativa do Brasil sem provas em fatos concretos, de forma absolutamente leviana, e que deixaram inúmeros cidadãos indignados com a falta de ética e responsabilidade desse órgão de imprensa, fato este que desrespeita inclusive os princípios do Estado Democrático de Direito e as garantias e liberdades individuais dos cidadãos previstos na vigente Constituição Federal, que regem nossa Nação e devem ser observados por todos.
Informamos que a via pública em frente ao citado jornal não será ocupada pelos manifestantes, sendo que o ato será realizado na calçada em frente ao jornal Folha, constituindo a manifestação na leitura de um manifesto que será entregue à direção do citado jornal depois de eventual manifestação de autoridades presentes ao ato público.
Atenciosamente
Eduardo Guimarães
Presidente da ONG Movimento dos Sem Mídia
PS: reitero a informação de que o ato público em tela será filmado de diversos pontos do local durante a sua realização, inclusive por equipes de TV.
Fora do país, o presidente Lula reagiu com cautela às informações sobre o escândalo envolvendo seus piores inimigos políticos, os pefelês. Perguntado pela imprensa sobre o assunto, reagiu com elegância evitando tripudiar sobre eles, dando declaração protocolar que em seu conteúdo, inteligível por qualquer pessoa ao menos semi-alfabetizada, mostra que ele não defendeu nem atacou.
Repórteres cercaram o presidente e perguntaram se as imagens do escândalo envolvendo o DEM falam sozinhas e o presidente respondeu que o que falará será o processo investigativo em curso e que, como presidente, não deveria emitir juízos de valor sobre ele, como faz sempre nessas horas.
Alguns minutos depois, os jornais, as tevês, os portais de internet da grande mídia, as rádios e o diabo que os carregue pinçam uma frase da fala presidencial e a divulgam fora do contexto, dando a impressão de que Lula estaria negando que as imagens comprovem que seu inimigo político, que já ameaçava se tornar candidato a vice-presidente na chapa de José Serra à Presidência da República, realmente roubou.
“Lula diz que imagens de Arruda recebendo dinheiro não falam por si sós”.
Cáspite! É muito mau-caratismo, não? E ainda publicam, bem do ladinho, que Serra acha "gravíssimas" acusações que, inclusive, envolvem seu partido. Essas duas informações em destaque. E lá embaixo, bem pequenininho, outro texto reportando que Serra disse exatamente a mesma coisa que Lula sobre a necessidade de apuração do caso independentemente de imagens.
No caso do governador da mídia, porém, não sai manchete dizendo que Serra acha que Arruda deve ter garantido seu direito de defesa. Com imagens e tudo. As teses anti-Lula dessa gente, dessa maneira, continuam se tornando cada vez mais intragáveis para qualquer pessoa que tenha alguma centelha de lucidez vagando pela mente.
É tanta canalhice, é tanta crença messiânica na burrice da sociedade, é tanta falta de vergonha na cara, que, nestes momentos, alegro-me por ter a oportunidade, no próximo sábado, de conduzir um protesto público contra uma das cabeças dessa Hydra medonha que é a grande imprensa pró-Serra e FHC. A cada nota infame fico mais determinado a protestar.
Há uma beleza poética em bradar num deserto de ouvidos moucos. É uma imagem romântica e verdadeira. A epopéia humana encerra muitos visionários que só foram “ouvidos” depois de séculos ou até de milênios.
Os atos públicos carregam esse simbolismo das lutas solitárias que permeou a história do homem sobre a Terra. É preciso muita coragem e determinação para dizer temas polêmicos na rua. É para poucos, portanto.
No próximo sábado, às dez horas da manhã, em frente ao jornal Folha de São Paulo, estimo que, numericamente, deveriam ser poucos os que protestarão contra a acusação de perversão sexual do presidente da República endossada por aquele dito órgão de imprensa.
Há vários motivos. Dificuldade de maior divulgação, tempo exíguo de organização do ato público, inexistência de recursos financeiros etc., de maneira que um baixo comparecimento é esperável... Ou não?
Sendo franco com vocês, não me importa. Estou disposto a ir até lá sozinho dizer minha indignação contra o jornalismo de esgoto que aquele veículo pratica e contra o agravo apátrida à instituição Presidência da República, além de injustiça com um homem íntegro, com um governante amado por seu povo e respeitado internacionalmente.
Motivos não faltam para protestar, mas faltará um contingente de manifestantes adequado à premência, à importância e à urgência desse ato público, dirão alguns. Provavelmente sim, ainda que surpresas sempre possam acontecer.
Seremos poucos, então? Numericamente, é bem provável que sim. Eu diria que umas setenta pessoas se propuseram, até agora, a irem comigo protestar diante daquele... jornal. Se metade disso comparecer, pela minha experiência estará muito bom.
Esse ainda é um problema no Brasil: só há motivação para a mais antiga forma de fazer política – ou seja, na rua – quando há algum interesse corporativo em jogo. Aumentos de salários desta ou daquela categoria reúnem milhares com relativa facilidade. Mas se for por uma causa de todos, conseguir que alguém se mexa é uma tarefa hercúlea.
Essa é, ainda, a mentalidade padrão do brasileiro, a qual este blog tem a pretensão de ajudar a mudar. E essa é também a causa de este país ainda não ter se desenvolvido. Nos países em que a vida do povo melhorou de verdade, as pessoas se manifestam na rua o tempo todo.
Já obtive êxitos maiores ou menores com as manifestações que propus de 2007 para cá, mas sempre foram êxitos porque, neste país, é um feito tirar cidadãos da cama num sábado preguiçoso pela manhã, seja qual for a quantidade.
Mas não é essa a questão, afinal. A Folha de São Paulo e o resto da imprensa corporativa já esconderam manifestações de milhares e até de milhões, como fizeram uma Globo ou um Estadão à época das “Diretas Já!” e até neste ano mesmo, quando a avenida Paulista foi tomada por milhares de pessoas se manifestando contra o ataque da direita midiática à Petrobrás. Se formos dezenas, centenas ou milhares, portanto, dará no mesmo.
O importante será um grupo de cidadãos conscientes, que saberão por que estarão diante daquela usina de lixo, dizendo tudo o que está preso nas gargantas de todos nós, inclusive daqueles que nos delegarem a própria obrigação. Mas, enfim, alguém tem que fazer alguma coisa. De uma forma ou de outra.
Benjamin tenta se explicar
Leiam, abaixo, a quase confissão de que mentiu publicada por essa ameba que acusou o presidente Lula de ter sido um maníaco sexual no passado. Esse lixo está na Folha de hoje. Para mim, esse é mais um motivo para o protesto, a insistência do jornal nessa tentativa torpe de destruir moralmente o presidente da República.
ARTIGO
Por que agora?
CÉSAR BENJAMIN ESPECIAL PARA A FOLHA
DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os "verdadeiros motivos" do meu artigo "Os Filhos do Brasil". Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: "por quê?", ou, em forma um pouco expandida, "por que agora?". A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.
Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal.
Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.
O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.
Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.
O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo "Cinema Paradiso", de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. "O Filho do Brasil" será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão.
Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais. Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.
Embalado pelas pré-estreias, anunciou que "não há mais formadores de opinião no Brasil". Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos. Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira. E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder.
Não há nada de emancipatório nisso. Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação. Quem, afinal, mudou de lado? Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil. Pois o Brasil não tem só um filho.
Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.
Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa.
Tema do protesto do próximo sábado
O MSM "investirá pesado" em uma única faixa para o ato que promoverá diante do prédio da Folha de São Paulo no próximo sábado às dez horas da manhã:
Ex-preso do MEP afirma que artigo de Benjamin é "um horror"
João Batista dos Santos diz não ter "nada a comentar" sobre texto em que colunista relata ter ouvido Lula dizer que tentou "subjugar" companheiro de cela
FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CARAGUATATUBA
O eletricista João Batista dos Santos, ex-militante do MEP (Movimento pela Emancipação do Proletariado) e um dos homens que estiveram presos com o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva em 1980, durante a ditadura militar (1964-1985), chamou de "um horror" o artigo do colunista César Benjamin, publicado pela Folha na semana passada.
Ao ser questionado se, conforme Benjamin relata ter ouvido de Lula, o então sindicalista tentou "subjugá-lo", num contexto sexual, quando foram companheiros de cela, Santos declarou: "Não tenho nada para comentar sobre o assunto".
No artigo "Os filhos do Brasil", Benjamin relatou um comentário que diz ter ouvido do próprio Lula, então candidato nas eleições presidenciais de 1994. Segundo Benjamin, naquela época filiado ao PT, Lula afirmou, numa reunião da campanha, que, no período em que esteve preso no Dops, em 1980, tentou "subjugar" um companheiro chamado por ele de "menino do MEP", cujo nome não foi citado.
Santos recebeu a reportagem da Folha no final da noite de domingo em sua casa, em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, onde vive há cerca de um ano e dez meses com a mulher e dois de seus oito filhos. Ele não permitiu que a entrevista fosse gravada nem aceitou ser fotografado.
A reportagem chegou à cidade no sábado e tentava ouvi-lo desde então. No início da madrugada de domingo, Santos fez o primeiro contato, por e-mail. Na mensagem, disse que havia outros "companheiros do MEP" naquela cela do Dops e, portanto, não entendia o motivo de o jornal procurá-lo.
Santos escreveu ainda no e-mail que não tinha nada a dizer sobre o episódio narrado por Benjamin e que estava "convertido em uma religião que não me permite mentir". Finalizou o texto dizendo que ficou "muito emocionado" com os relatos de Benjamin sobre o tempo em que ficou preso na ditadura, "sendo que aqueles mais ferozes da prisão foram amigáveis para com ele".
No texto de sexta-feira, Benjamin relatou sua experiência na prisão durante a ditadura e contou que não foi molestado pelos presos comuns.
Na entrevista à Folha, que durou cerca de 40 minutos, Santos, 60 anos, mudou a versão e afirmou que era o único integrante do MEP entre os homens presos na cela do Dops em que também estava Lula. Disse que continua filiado ao PT, mas abandonou a militância após se mudar para o litoral.
Santos disse que soube do artigo de Benjamin no dia seguinte à sua publicação, quando passou a receber telefonemas de jornalistas e antigos companheiros. Segundo ele, a situação foi "constrangedora".
Em seguida, contou que nasceu na cidade de Cristina (411 km ao sul Belo Horizonte), onde trabalhou como agricultor nas terras da família antes de se mudar para a casa de parentes em São José dos Campos (SP), por volta dos 17 anos.
Santos disse que ficou pouco tempo em São José e se mudou para São Bernardo (ABC paulista), onde se tornou metalúrgico. Na década de 1970, teve contato com o MEP, organização de esquerda que lutou contra a ditadura e, mais tarde, disse que ajudou a fundar o PT.
Segundo ele, sua função no MEP era "fazer a conscientização política" de trabalhadores em algumas fábricas da cidade.
Além dos 30 dias de prisão em 1980, disse que já havia passado um período de dois dias preso no Dops, em 1978. Quando deixou a prisão pela segunda vez, mudou-se novamente para São José dos Campos e foi "cuidar da vida." Militou ativamente pelo PT e, em 1983, ajudou a eleger um dos 14 irmãos, Braz Cândido Santos, hoje com 62 anos, vereador na cidade
Em 2003, obteve a anistia e, há cerca de um ano e dez meses, mudou-se para o litoral.
Segundo o site do Ministério da Justiça, ele teve deferido pedido em 30 de abril de 2003 para receber remuneração mensal de R$ 2.030,70.
O anistiado disse que não conhece Benjamin. E afirmou acreditar que Lula "deve estar chateado" com o relato feito pelo colunista no artigo. Santos se negou a fazer qualquer comentário sobre o presidente ou o seu governo. O anistiado falou que voltou a encontrar o ex-companheiro de cela apenas uma outra vez, antes da vitória nas eleições de 2002, mas não soube precisar a data.
Para Santos, o jornal deveria tê-lo procurado antes da publicação do artigo.
Santos pediu que fosse publicado que ele conheceu o publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, morto em 2007, quando prestou serviços em uma granja mantida pela família em São José dos Campos, na década de 1990. Segundo ele, nas conversas entre os dois, o publisher elogiava Lula e se mostrava simpático a um governo do petista.
Ele também pediu que fosse publicada sua declaração de que os herdeiros de Octavio Frias de Oliveira na Folha "não seguem o exemplo do pai." Segundo Santos, se o publisher ainda estivesse no controle do jornal "este artigo não teria sido publicado".
A mulher de Santos, Márcia Cristina Muniz, disse que, quando o marido falou de Lula, "foi sempre de maneira positiva", e que nunca tinha ouvido relatos sobre uma possível tentativa de abuso na prisão. Criticou ainda o artigo, que chamou de "baixaria", e disse temer que os filhos, em idade escolar, possam ser vítimas de chacotas por parte dos colegas.
E a Folha sodomiza seus leitores
Do Painel do Leitor da Folha (e na mesma edição do jornal)
"É uma irresponsabilidade esta Folha publicar um artigo como o de César Benjamin, que envolve uma denúncia grave contra o presidente, sem ter feito nenhum trabalho de apuração dos fatos. Também chamam a atenção o silêncio e a ausência de posicionamento editorial do jornal. Afinal, o que a Folha pensa sobre o artigo e as informações que escolheu para publicar?"
FABIANA TAMBELLINI (São Paulo, SP)
Nota da Redação - A Folha avaliou que era de interesse público publicar o artigo. Trata-se do depoimento de uma pessoa com credibilidade, que atuou na cúpula do PT e que narrava uma conversa com o então candidato à Presidência. O texto não afirmava que o ataque havia ocorrido, mas que o candidato relatara a ação.
E, por fim, meu comentário
O subtítulo da matéria mente. A Folha não perde a mania de achar que seu leitor é, no mínimo, analfabeto funcional, pois deixa dúvidas de que o "menino do MEP" nega que o episódio narrado por Cesar Benjamin é uma mentira quando ele chega ao ponto de dizer, na mesma matéria (!!), o que toda a blogosfera está dizendo sobre o "Otarinho" de suspensários e o uso que ele faz do brinquedinho caro que ganhou do papai.
É, ou não, caso de ir à porta dessa gente dizer umas verdades? No caso da ficha falsa da Dilma, fizeram exatamente a mesma coisa. Acusaram, a prova de que mentiram apareceu, mas não deram o braço a torcer. Vou até lá nem que seja a última coisa que faça em minha vida.
Apenas para variar um pouco de assunto, já que acredito ter deixado claras minhas razões para ir protestar diante da Folha nem que chova canivete, faço um breve comentário sobre o novo rei da cara-de-pau, o governador pefelê de Brasília.
A situação do PFL (para mim, o PFL será sempre o PFL) ficou complicada porque o partido tem aquela regra dos agentes secretos do cinema americano de que se algum for pego será atirado à própria sorte, e com José Roberto Arruda não poderá ser assim.
O PFL, vale lembrar, é a legenda que tem o maior contingente de membros cassados e/ou processados criminalmente. Só que, quando um gatuno entre os tantos que admite é pego, o partido o descarta e passa a posar de indignado com seu crime.
Com Arruda é mais embaixo. Ele não deixa o partido e já mandou recados de que, se o rifarem, não cairá sozinho.
Os pefelês, portanto, estão numa sinuca de bico. Se não rifarem José Roberto Arruda, ficarão associados às imagens que a PF obrigou a mídia a divulgar. E, se rifarem, ele mete a boca no trombone.
Agora, quando aquela turma macabra que escreve Lula com dois eles vier com aquela história de dólar na cueca, terá que explicar a legenda da cueca, já que peças íntimas recheadas passam agora a ter cores partidárias.
É uma vergonha? É. Foi para o PT, mas para o PFL é pior. Apesar da corrupção que grassa no partido, este, com a ajuda da mídia, posa de vestal, comparecendo todo dia aos Jornais Nacionais da vida para acusar Lula e o partido dele.
Nunca se teve nada igual contra o PT. Houve caixa 2, já se sabe, crime eleitoral que até hoje tentam comparar ao que fez Arruda e sua quadrilha. Mas tudo o que a mídia fez contra o PT e pelo tempo que fez, teria que fazer contra o PFL.
Fará? Claro que não. Daqui a uma semana, Folhas, Globos e Vejas começarão a tentar enterrar o assunto. Se conseguirão dependerá do estoque de barbaridades filmadas que a PF ainda tenha para exibir.
Em geral, soltam alguma reportagem e depois que o PFL expulsa o membro pego no pulo param de noticiar, o que não demora mais do que uns poucos dias. Como Arruda recusa-se a pagar sozinho e exige ajuda, terão que tentar alguma mágica.
É nisso que dá agir com malandragem. Se o PFL e o PSDB tivessem passado os últimos anos elaborando propostas alternativas críveis para o país em vez de ficarem posando de anjinhos, não teriam se tornado essa contradição ambulante.
Ao ler o relato dramático do colunista da Folha Cesar Benjamin no qual acusa o presidente da República de ter sido um maníaco sexual durante a ditadura militar e relata os horrores que sofreu nas mãos dos carrascos da ditadura, fiquei deveras curioso em saber dele o que acha da opinião de seu patrão, “Otavinho”, de que aquela ditadura teria sido, na verdade, uma “ditabranda”.
Em meio a tudo isso, faço uma pausa para falar sobre dois alentos que pousam sobre a vida do blogueiro com a suavidade de um passarinho.
Em primeiro lugar, a filha que se recupera e se fortalece depois de mais de setenta dias internada em uma unidade de terapia intensiva. Victoria está sorridente, engordou e demonstra uma atenção ao ambiente que não se via nela mesmo antes de ser internada.
Ainda não teve alta porque continua em observação e porque ainda não terminamos reformas em nossa residência feitas para recebê-la com maior assepsia diante da nova realidade de agora ter que receber alimentação parenteral.
Mas as boas notícias, para minha família, não param por aí. Outra filha volta para casa em menos de 48 horas. Gabriela, que está na Austrália estudando, volta ao Brasil para passar o Natal com a família, devendo retornar àquele país depois das Festas.
É tudo que eu poderia querer nesta vida. Sinto-me o homem mais rico do mundo. Em poucos dias estarei com toda a ninhada debaixo das asas. Quem é pai ou mãe sabe o que isso significa, sobretudo depois da separação de um filho.
Recorro à sabedoria popular, pois: “Não há bem que sempre dure, não há mal que nunca acabe”.
É bom que fique clara a natureza do protesto que está sendo proposto. Contra o que se irá protestar?
Será, primordialmente, contra o mau jornalismo, contra a exposição de uma pessoa pública a uma acusação gravíssima e causadora de danos morais que, sendo uma acusação verdadeira ou não, já se materializaram, o que fica claro lendo tantos leitores que já se manifestam na Folha como se estivesse provada alguma coisa contra o presidente Lula.
Mas, também, protestarei em desagravo a um homem inocente (até PROVA em contrário), a um líder político amado por seu povo, respeitado internacionalmente e que, na condição de presidente da República, tem direito, pelo menos, ao benefício da dúvida.
Se o presidente fosse ao Judiciário, certamente tomaria muito dinheiro da Folha e de seu colunista Cesar Benjamin. Com as declarações públicas de todos os presentes ao episódio relatado pelo colunista e as daquele que teria sido vítima da dita sanha sexual de Lula na época em que ficou preso, a afirmação infamante, sem sombra de dúvida, seria considerada criminosa pela Justiça.
O objetivo dos autores dessa imundice é, obviamente, político. Não só querem lançar no ar a mácula ao nome do presidente, fazendo-a circular de boca em boca, como, também, obrigá-lo a processar um jornalista, o que lhes permitiria pôr em campo a Sociedade Interamericana de Imprensa, entre outros.
Vale lembrar, porém, que o presidente Lula ganhou, recentemente, prêmio internacional por sua postura democrática de não reagir de maneira nenhuma aos ataques da imprensa brasileira, o que atesta a matéria do portal de internet da Globo, o G1, que reproduzo abaixo:
Do G1
29/09/09 – 01h02 – Atualizado em 29/09/09 – 01h02
Lula é homenageado pela Associação Internacional de Radiodifusão.
Presidente foi considerado como um exemplo para América Latina.
Motivo é o trabalho em defesa da liberdade de expressão.
Do G1, com informações do Jornal da Globo
O presidente Lula recebeu uma homenagem da Associação Internacional de Radiodifusão pelo trabalho em defesa da liberdade de expressão. A associação representa 17 mil emissoras de rádio e TV na Europa e nas três Américas. Lula recebeu uma placa, como exemplo para América Latina.
Daniel Pimentel Slavieiro, presidente da Abert, Associação Brasileira de Rádio e Televisão, discursou sobre a premiação:
“O maior expoente de menosprezo à liberdade de expressão é o governo venezuelano com o presidente Hugo Chávez. E, infelizmente, esse padrão tem se alastrado por outros países. Como Peru, Nicarágua, Honduras e agora também uma lei que visa restringir o trabalho da imprensa na Argentina. Então, a Associação Internacional de Radiodifusão entregou essa placa ao presidente Lula porque o considera um exemplo para todos esses governantes. Um político, um democrata que mantém esse espírito de conviver com uma imprensa independente, com o contraditório, e não manifestou em nenhum momento nenhuma iniciativa crítica contra os veículos de rádio e televisão, especialmente”
É esse o paradigma que se quer quebrar. E, também, o de preparar um escândalo para vir à tona às vésperas da eleição presidencial do ano que vem.
Poucos dias antes da difamação do presidente Lula pela Folha, esta publicou, depois de quase duas décadas de recusa a publicar, a história do filho ilegítimo de FHC, o que, neste contexto, mostra que foi preparação para o ataque que agora está se vendo acontecer.
Depois de tanto tempo, o jornal publica uma história que nunca quis publicar e às vésperas de ataque a uma autoridade que tem na Folha, reconhecidamente, seu maior inimigo na imprensa, perdendo só, talvez, para a Globo.
O MSM protestará contra essa prática de destruir vidas na imprensa antes de se ter elementos probatórios que reduzam razoavelmente a possibilidade de injustiça. Quantas vidas já foram destruídas pela divulgação apressada e irresponsável de denúncias que depois se mostraram infundadas?
Quem lhe garante, leitor, que, amanhã, você não poderá ser vítima de ação igual? Eu mesmo, ao assumir o protagonismo político que tenho assumido, estou me arriscando.
Desde a primeira vez que promovi um ato público, em 2007, fiquei com um certo medo de todo tipo de retaliação. Temi e temo violência ou infâmias. Contudo, a morte que almejo é assim, lutando, em pé. E, em termos de difamação, tenho a consciência limpa.
Uma coisa posso garantir: terminarei minha vida satisfeito por jamais ter tido medo de defender minhas convicções, por jamais ter abaixado a cabeça, por jamais ter me curvado diante daqueles que pretendem pairar acima da Justiça.
Se fosse você, leitor, que tivesse convocado este ato específico, eu iria. Mas quis o destino que eu tivesse este blog neste momento e a disposição para agir. Assim, dou a todos os que ficaram tão indignados quanto eu a possibilidade de reagirem.
E minha proposta é a de fazer assim: leremos um protesto que publicarei aqui até sexta-feira pela manhã. Quem quiser fazer sugestões, que faça até o fim da tarde, quando redigirei o texto final e colocarei em evidência.
Chegarei diante da Folha às dez horas da manhã. O local do ato será filmado do começo ao fim. Esperarei até as dez horas e trinta minutos para começar a leitura do protesto. Se alguém fizer muita questão de se manifestar, que se manifeste. Mas minha recomendação será ler o documento e ponto final.
Não admitiremos nem reconheceremos qualquer tipo de atitude beligerante ou que ameace de qualquer forma a propriedade pública ou privada e o direito de ir e vir das pessoas. A polícia será informada do ato, como de costume.
Assim, tudo o que está sendo dito contra a Folha e ela está fingindo que não ouve, ouvirá em alto e bom som e dessas críticas poderá optar por continuar escondendo-as ou por divulgá-las e respondê-las democraticamente.
Se alguém da Folha quiser se manifestar, de minha parte lhe será garantida a palavra – e espero que os presentes acatem esta decisão democrática. Contudo, a tréplica virá, até que se produza um debate público, em plena rua, o que seria muito mais do que eu jamais poderia almejar.
Quem sabe, não é...
De qualquer forma, digo a você que se sentiu atingido pelo ataque descabido ao presidente Lula, que não reprima seus sentimentos e que os canalize para um modelo de protesto democrático, sereno e justo em prol da responsabilidade da imprensa.
Quando sugeri aqui um ato de protesto contra a difamação do presidente Lula pela Folha a ser realizado no próximo sábado, sabia que não seria fácil. Há pouco tempo para mobilizar as pessoas e jornalistas respeitáveis temem se expor como inimigos da “liberdade de imprensa”, conforme me disse um deles no sábado, o que reduz a capacidade de mobilização.
É compreensível e não vou ficar aqui cobrando o que deve ser dado espontaneamente. Cada um deve agir dentro de critérios pessoais honestos consigo mesmo e por meios que julgue que não o prejudicarão individualmente. Eu que não sou jornalista, porém, não tenho que me preocupar com isso.
Não vejo por que não é atentado à liberdade de opinião fazer manifestação contra editorial que disse que a ditadura militar foi uma “ditabranda” e atentaria contra a mesma liberdade de opinião fazer manifestação contra artigo calunioso contra o chefe da nação sem o menor cuidado do autor e do jornal que publicou a mentira em oferecer alguma prova de acusações tão graves.
Enfim, como eu disse aqui desde o primeiro momento, este poderia ser um ato de um homem só que assim mesmo aconteceria, pois esse caso do artigo da Folha caluniando pesadamente o presidente Lula não pode ficar por isso mesmo, sem uma manifestação corajosa de repúdio a esse tipo de prática.
Quero repetir aqui, pela milionésima vez, que não tenho medo de exercer minha cidadania. Se tivesse, jamais teria criado este blog ou proposto a criação do Movimento dos Sem Mídia. O que faço é justamente estimular as pessoas a tomarem atitudes concretas contra o que está errado, e não consigo pensar em nada mais errado, neste momento, que o que fez a Folha.
É preciso que essa gente saiba que para cada ação haverá uma reação da sociedade, ou de parte dela. Enfrento, portanto, essa próxima luta assim, como representante de uma parcela da sociedade civil por ter todas as condições de dizer que não atuo em prol de qualquer tipo de interesse, seja político ou econômico.
Além disso, como sempre foi nos atos públicos do Movimento dos Sem Mídia, os manifestantes agirão de forma pacífica, ordeira, respeitando o trânsito, o patrimônio público e todos os aspectos legais que regulam o direito de reunião e manifestação.
Será um ato solene, de leitura de um documento de protesto que jamais chegaria à mídia, mas que será lido e entregue à Folha.
Não sei quantos irão, ainda mais com o déficit de mídia alternativa que teremos desta vez por razões que compreendo, aceito e respeito. Temos promessa, até agora, de mais ou menos uns cinqüenta paulistanos e até de pessoas de outros Estados que prometem vir a São Paulo protestar. É pouco? Não importa. O importante é não fugirmos da raia.
Pessoas como eu estão feridas. Nosso líder político foi atacado de uma forma inaceitável sem a existência de indícios mínimos de sua culpa além da palavra de um antigo desafeto. Temos o direito e o dever, pois, de defender a instituição Presidência da República, sem falar do seu eventual ocupante.
Assim mesmo, a despeito de todas as dificuldades, irei até o fim, reiterando que não mudarei de idéia nem que todos desistam. Enquanto houver resistência, eles não vencerão com esse tipo de tática suja, baixa e covarde. Desta maneira, cada um que vier ao ato do próximo sábado representará milhões de outros que repudiam o que a Folha fez, mas que não podem se expor.
Dia 5 de dezembro, às 10 horas, estarei diante da Folha de São Paulo, na Alameda Barão de Limeira, centro da cidade, próximo ao metrô Santa Cecília, para ler um protesto contra a mentira de que o presidente Lula foi um maníaco sexual durante a ditadura militar. Esperarei até as dez e quinze para ler o documento ao megafone do MSM.
Em meados da década de 1970, nas noites de sábado garotos da minha idade costumavam sair por São Paulo em busca de festas. Em uma dessas noites, eu e meu grupo fomos percorrendo os bairros nobres da cidade em busca das melhores, das festas dos ricos, em busca das “gatas” mais bonitas.
Muitas vezes entrávamos como penetras. Aliás, na maioria das vezes. E, naquele sábado, não foi diferente. Acabamos lá perto da Praça Panamericana, numa rua arborizada, diante de uma mansão em que jovens entravam e saíam livremente. Não havia maior preocupação com segurança. Era só chegar e entrar. Eram outros tempos...
Passando o portão alto, adentramos um gramado bem cuidado, com canteiros de flores e árvores, onde grupos de rapazes e moças ou só de rapazes ou só de moças bebiam, conversavam, fumavam muita maconha e davam aquela cafungadinha num pozinho branco que dispensa apresentações.
Havia, também, um grupo bastante distinto, de meia idade, formado só por homens e uma única garota de, mais ou menos, uns dezoito anos. Ela parecia bastante embriagada e os senhores quarentões não perdiam a chance de “apará-la” quando, brincando, simulava que ia cair. E a droga rolava solta ali no meio.
Quem diria que aquele quarentão bem apessoado, de cabelos algo longos, bem trajado, que fumava maconha como uma chaminé e não conseguia manter as mãos longe da garota embriagada, um dia viria a se tornar o “príncipe da sociologia” brasileira e, depois, presidente da República por um partido que tem o tucano como símbolo.
*
Obviamente que o que você leu acima deve ser uma ficção, coisas de alguma mente delirante, ou seja, da minha mente, num sonho que tive quando jovem, nada que você, leitor, deva levar muito a sério, até porque não haveria como comprovar tal história.
Mas escrevi isso aí em cima para perguntar que jornal poderia publicar o relato. Afinal, que credibilidade o tal Cesar Benjamin, que acusou Lula de tentativa de estupro, tem mais do que eu? Por que a Folha não publica meu relato sem que eu, como Benjamin, ofereça qualquer prova de que é verdadeiro?
Isso se chama escolha política de “notícias”. Apesar de que, na verdade, não há notícia nenhuma. Até que eu prove que digo a verdade, não passa de uma mentira e eu poderia ser processado por ela, a menos que, depois de mentir, eu dissesse o que fiz no mesmo texto, como de fato ocorreu.
Só que, para acusar aqueles dos quais não gosta, a Folha não é tão criteriosa. Nem, muito menos, o resto da imprensa, que está repercutindo, aqui e ali, a acusação a Lula. Sem alarde. Os leitores de Folhas, Estados e Globos sairão por aí contando que Lula é estuprador, gay, pedófilo.
Basta ler as cartas de leitores da Folha no sábado e no domingo, ou a coluna de Eliane Cantanhêde, ou a de Dora Kramer, ou a de Augusto Nunes, ou a de Ricardo Noblat, ou a de Reinaldo Azevedo, que, entre tantos outros, já tratam Lula como culpado da acusação de tentativa de estupro.
Planta-se a semente. Essas pessoas que vocês leram nos comentários dos posts anteriores condenando Lula pela acusação de Cesar Benjamin, nesta segunda-feira já estarão em seus trabalhos contando que o presidente da República, além de tudo, é um maníaco sexual.
O que fazer contra essa indignidade?
A – Escrever cartas de reclamação aos jornais que deram asas à história
B – Reclamar com o Bispo
C – Deixar de comprar os exemplares desses jornais e revistas, os quais o governador José Serra arrematará depois usando o dinheiro dos paulistas
D – Confiar na sorte, ou seja, em que o povo não acredita em nada que digam contra Lula
E – Ir para diante desse jornal safado que publicou acusação fantasiosa como a que escrevi lá em cima, só que contra Lula, e dizer, ao megafone, tudo que pensamos
Faça a sua escolha, leitor.
"Casseta e Planeta" pode repercutir acusação a Lula?
Andei pensando: será que o mesmo Marcelo Madureira do programa humorístico "Casseta e Planeta", da Globo, que andou escrevendo cartinhas à Folha endossando a acusação de Cesar Benjamin a Lula e que, semana sim, outra também desanca o presidente em seu programa, não irá levar essa leviandade para a edição desta semana do humorístico da emissora que o emprega e que tem lhe permitido tantos outros ataques?
Acabo de ter uma decepção que muitos dirão que não cabe, que me decepcionei porque quis. Contudo, em meu ideário humanista, que inclui acreditar – ou tentar acreditar – nas pessoas, o causador deste verdadeiro desalento que me possuiu poderia ser alguém a quem valeria a pena chamar de amigo. Quanta inocência...
Enganei-me profundamente a respeito de Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo. Não é o homem que imaginei que fosse, alguém que estaria tentando fazer o que é correto, no cargo que ocupa, apesar das restrições óbvias que este cargo lhe impõe.
Conheci Carlos Eduardo em meados de 2008, depois da sucessão do ombudsman anterior, o corajoso jornalista e repórter Mario Magalhães, o qual preferiu deixar o cargo regiamente remunerado de ombudsman a compactuar com ataque ao instituto do jornalismo praticado então pela Folha, um ataque muito menor do que este que o jornal acaba de cometer no âmbito da difusão de acusação imoral, criminosa e covarde ao presidente Lula feita por um antigo e conhecido desafeto dele.
Só para situar o leitor, informo que então, quando Carlos Eduardo assumiu o cargo, como o resto dos blogueiros independentes eu vinha descendo o sarrafo na Folha e criticando acidamente a entrevista que ele dera ao jornal, a qual já deixava ver que haviam escolhido um cordeirinho para suceder o ombudsman coagido a renunciar diante mutilação de seu trabalho pelo seu empregador, que eliminou a crítica diária do ombudsman na internet alegando que fizera aquilo para “não dar discurso” aos seus alvos políticos.
Eu também vinha criticando Carlos Eduardo pela atuação medíocre como mediador de uma edição do programa Roda Viva com o chanceler Celso Amorim na qual o entrevistado teve a palavra literalmente cassada pelos entrevistadores da imprensa golpista, com destaque para o energúmeno Demétrio Magnoli, tudo sob a complacência cúmplice desse que hoje é ombudsman da Folha.
Foi então que fui surpreendido por Carlos Eduardo. Recebi e-mail do novo ombudsman da Folha convidando-me a ir à sede do jornal diante do qual já promovera uma manifestação dos sem-mídia em 2007, sob a explicação de que seria para eu assistir e discutir com ele sua atuação naquele programa Roda Viva.
Discuti o convite com os leitores deste blog, com familiares e com amigos e concluí que, sim, valeria a pena ao menos escutar o que o Carlos Eduardo tinha a dizer. E lá fui eu ao covil dos lobos. Fiz-me anunciar ao ombudsman na mesma portaria em que, um ano antes, protocolei o Manifesto dos Sem Mídia ao fim do primeiro ato público do MSM, que reuniu cerca de 200 pessoas naquele mesmo local.
Carlos Eduardo foi extremamente simpático e democrático. Aceitou minhas críticas, elogiou-me e até aceitou gravar entrevista comigo, a qual transcrevi e postei neste blog. E, ao fim da amistosa conversa, um convite para nova reunião, agora em almoço no tradicional e caro restaurante Gato que Ri, no Largo do Arouche, a algumas quadras da sede da Folha.
Os almoços ocorreram três vezes, até que tive a sensação de que estava sendo usado, pois ao conhecer pessoalmente o Carlos Eduardo, seduzido por sua forma amistosa de ser e por sua inegável inteligência, passei a ter dificuldade para criticá-lo. Por conta disso, de repente me surpreendi defendendo uma “compreensão” de sua situação de ser obrigado a criticar seu empregador dentro de “limites” óbvios.
Foi aí que pulei fora. Escrevi a Carlos Eduardo dizendo que seu cargo e minhas atividades extra-políticas me obrigavam a congelar nossa amizade enquanto ele fosse ombudsman da Folha. Entretanto, eu queria acreditar que se tratava de um homem de bem que apenas buscava o equilíbrio entre o pragmatismo profissional e o exercício honesto de sua função. Mas, neste domingo, Carlos Eduardo mostrou que me enganei.
Em sua coluna de hoje (29/11), o ombudsman da Folha trata de forma “ligeira” o ataque insidioso de seu empregador ao presidente da República. Ele diz apenas que “o ideal” seria a Folha publicar os dois lados no dia em que publicou exclusivamente a acusação psicopata e sem provas do militante político Cesar Benjamin, desafeto antigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que agora o acusa de ter sido um maníaco sexual durante a ditadura militar.
Nada a respeito do ineditismo de um jornal publicar ataque tão virulento e sem qualquer prova a autoridade tão ilustre e respeitada no Brasil e no mundo, e logo depois de o jornal confessar que escondeu por 18 anos fato absolutamente comprovado e comprometedor sobre a vida privada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que teve a mãe de filho ilegítimo que gerou fora do casamento sustentada pela Globo durante todo esse tempo sem a contrapartida de ela trabalhar em troca do benefício.
Quem quiser que confira, abaixo, esse trabalho lamentável daquele que um dia respeitei e o qual, depois do que revelou sobre si neste triste domingo, não quero ver mais na frente nem pintado de ouro. E, em seguida, leiam como Eliane Cantanhêde, a colunista da Folha casada com o marqueteiro do governador José Serra, se diverte com o crime que seu patrão cometeu ao publicar aquele ataque covarde de sexta-feira ao presidente da República.
Se esses textos não fizerem centenas se unirem ao protesto que farei no próximo dia 5 de dezembro diante da Folha, pretendo repensar seriamente tudo o que tenho feito em prol do país, pois tenho colocado boa parte da minha vida de lado para atuar como representante dessas tantas pessoas que se dizem indignadas com esse jornalismo gangster que vem infelicitando e prejudicando tanto o Brasil.
Com vocês, abaixo, Carlos Eduardo Lins da Silva e Eliane Cantanhêde. Má leitura a todos.
*
OBSERVAÇÕES SOBRE ARTIGO DE CÉSAR BENJAMIN
por Carlos Eduardo Lins da Silva
Recebi até as 19h de anteontem 31 mensagens de leitores a respeito do artigo de César Benjamin sobre o filme "Lula, o Filho do Brasil", publicado na edição daquele dia.
Como já disse aqui diversas vezes, não faz parte do escopo de trabalho do ombudsman emitir juízo de valor sobre textos opinativos, como esse, publicados no jornal. Neste caso, há duas observações técnicas cabíveis.
Primeiro, a de que concordo inteiramente com o leitor Carlos Alberto Bárbaro, para quem "não há outra opção ao jornal que publica artigo tão impactante quanto o de César Benjamin que a de, com suas equipes, tentar reconstituir os fatos narrados pelo autor".
Segundo, a de que é indispensável oferecer ao outro lado espaço e destaque similares para defender pontos de vista opostos aos do artigo de sexta-feira.
O ideal seria a apuração factual dos eventos relatados e os argumentos contraditórios saírem com o artigo. O resultado da apuração começou a ser editado ontem. Que se complete e se publique o contraponto o mais rápido possível.
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MENINO DO MEP
Por Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA - César Benjamin abriu uma guerra de muita paixão e pouca objetividade entre o seu texto na Folha, "Os Filhos do Brasil", e o filme "O Filho do Brasil". Com narrativa serena, mas conteúdo dramático e chocante, Benjamin desvia o foco da corrupção para uma seara muito mais pantanosa da política: o caráter dos governantes.
O que interessa aqui não é acatar ou rejeitar Benjamin e o que ele relata, mas analisar os efeitos no debate político. O confronto entre filme e texto, que remete a uma suposta tentativa de Lula de subjugar sexualmente um jovem ("o menino do MEP") na cadeia, acirra ao máximo o maniqueísmo do endeusamento ou da demonização de Lula.
Intelectuais refratários ao atual regime e a oposição vão tentar aprofundar aquela vaga sensação de que Lula, sob o manto da humildade, é na verdade um megalomaníaco que se sente predestinado: "Eu quero, eu posso, eu devo". Já Planalto e marqueteiros e aliados vão carregar numa fórmula que tem sido infalível quando falta argumento objetivo para defender Lula: o da vitimização. O operário rejeitado pelas elites, o líder que é alvo de ex-aliados ressentidos.
O debate político, portanto, entra numa nova fase de embate, abstrato, difuso, permeado por sentimentos e emoções. No centro, as personalidades, ou, como diz o próprio Benjamin, "a complexidade da condição humana". Ganha, no grito, quem tem mais meios e mais marketing. Lula tem sido imbatível nisso.
*
E, se vocês tiverem alguma coisa a dizer a essa gente, aqui vão os e-mails dos dois "jornalistas"