Veja requenta ‘escândalo’ de 2005

Veja requenta ‘escândalo’ de 2005

 

 

 

 

 

 

Àté as 19h02m de 6 de março de 2010, sábado, nenhum dos grandes portais de internet (G1, IG, Terra e UOL) havia destacado em primeira página matéria de capa da revista Veja deste fim de semana. 

Em contrapartida, os blogueiros Noblat, Josias de Souza e Reinaldo Azevedo repercutiram. Este último, aliás, pediu “prisão” para os acusados.

A razão da frieza que fez tardar a repercussão da mais nova “denúncia” da desacreditada publicação paulista, porém, não se deve só à bizarria que ronda uma tática que não surtiu quase nenhum resultado nas dezenas de vezes em que foi usada.

O caso Bancoop arrasta-se há pelo menos cinco anos. De vez em quando volta à mídia, quando esta acha que daquela vez, vai. Será agora?

Confiram o que diz a Wikipédia (juro por Deus, a denúncia é tão velha que já virou até verbete de enciclopédia) sobre o recorrente escândalo anti-PT do atucanado Ministério Público paulista.

 

*

 

Escândalo da Bancoop

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

Escândalo da Bancoop foi o nome dado pela mídia brasileira ao suposto uso da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) para beneficiar o caixa do Partido dos Trabalhadores (PT) nos anos de 2004 e 2005.

Histórico

Fundada em 1996 pelo deputado federal Ricardo Berzoini (atual presidente do Partido dos Trabalhadores), a Bancoop vem sendo investigada pelo Ministério Público desde 2007, por suspeitas de lavagem de dinheiro, superfaturamento e desvio de recursos. Um dos indícios da malversação é a situação financeira da empresa. Outrora uma das mais importantes construtoras de imóveis do estado de São Paulo, com mais de 15 mil cooperados, e mesmo tendo recebido vultosos aportes financeiros, somando mais de R$ 40 milhões a partir de 2003, por parte de fundos de pensão, transformou-se numa empresa com um déficit estimado em mais de R$ 100 milhões.

Entre os crimes atribuídos aos dirigentes da Bancoop (sindicalistas, em grande maioria) estão o da criação de empresas de fachada para desviar recursos da cooperativa. Uma destas empresas, a Mizu Gerenciamento e Serviços, efetuou pequenas doações ao PT em outubro de 2002, pouco antes do segundo turno das eleições. Segundo o promotor José Carlos Blat que comanda as investigações, este é um forte indício de que a Bancoop estava sendo usada para abastecer o Caixa 2 do PT muito antes do esquema montado por Marcos Valério e que resultou no Escândalo do Mensalão. Em 2004, por exemplo, empresas ligadas à Bancoop (Germany e Planner) contribuíram com R$ 120 mil para a campanha do PT em Praia Grande.

Notícias sobre as vinculações suspeitas da Bancoop com o Partido dos Trabalhadores pipocam na imprensa brasileira desde pelo menos 2005 Em 2006, foi aberta uma representação junto ao Ministério Público para apuração de inúmeras irregularidades, incluindo a criação por dirigentes da Bancoop de empresas de fachada que servem à própria cooperativa (entre elas, Conservix, Germany, Mirante, Master Fish e Vita), atrasos na entrega dos imóveis e cobrança de taxas espúrias, mesmo de cooperados que já haviam quitado suas prestações (sob pena de perder o imóvel). Um inquérito foi instaurado em junho de 2007 e a investigação ainda está em curso.

Defesa dos envolvidos

Acusado numa reportagem exibida pela TV Bandeirantes em 24 de março de 2008, quanto ao seu envolvimento no escândalo da Bancoop, Ricardo Berzoini defendeu-se em nota pública, afirmando desconhecer quaisquer doações ou vínculos financeiros da cooperativa com o PT e informando estar afastado da Bancoop desde dezembro de 2002.

A Bancoop também emitiu nota criticando a matéria exibida na TV Bandeirantes, declarando-se como entidade apartidária e que jamais financiou campanhas eleitorais. Foi negada igualmente qualquer possibilidade de insolvência da empresa. Conforme diz ipsis litteris a nota, caso ocorresse inadimplência de seus cooperados que deixassem de pagar à Bancoop, a conseqüência seria a paralização [sic] das obras, nada mais.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h17
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Plano Real foi só mais um

Plano Real foi só mais um

 

 

 

 

Em um ano eleitoral que já acende as suas turbinas, pouco pode ser mais útil do que exercitar a memória, artigo tão escasso neste país. Este texto, pois, é um convite ao exercício dessa parte tão “enferrujada” da mente nacional, pois esta precisa ser reativada para que não venhamos a cair em contos do vigário como esse que atribui o “fim da inflação” ao governo FHC.

Quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu em 1994, a economia brasileira destoava da maior parte da América Latina. Argentina, Bolívia, México, Nicarágua e Peru, por exemplo, tinham vivido tantos surtos inflacionários, durante a década de1980 e início dos anos 1990, quanto o Brasil, mas já haviam implantado os seus planos reais.

À luz da experiência de programas de estabilização semelhantes adotados no México, por exemplo, a partir de 1988, ou na Argentina desde 1991, o Brasil adotou políticas públicas que levariam ao surto de bem estar social fundado, maiormente, na valorização artificial da moeda tão denunciada pela então oposição petista, que desde o limiar daquela experiência econômica prognosticava os problemas que de fato sobreviriam.

Fernando Henrique Cardoso foi convidado por Itamar Franco para ser ministro da Fazenda em maio de 1993. A idéia era nomear alguém para dar uma cara política a um plano que vinha de fora e que revelaria grande eficácia no combate à inflação com o alinhamento da política econômica ao modelo de estabilização que vinha sendo aplicado em outros países da América Latina, particularmente no México e na Argentina.

Como ocorreu nos tantos países supra enumerados, a economia brasileira, agora, veria o tão sonhado “fim” da inflação. Todavia, esse feito se faria acompanhar por elevados déficits no comércio exterior por conta do real valorizado por força de lei, o que nos geraria uma bomba de efeito retardado.

Outro efeito deletério da adoção por tupiniquins do programa econômico de Margareth Tatcher e Ronald Reagan foi a total dependência do volátil capital externo de curto prazo em que mergulhamos. Precisávamos dele para dar sustentação ao câmbio congelado por decreto. À diferença de hoje, quando o capital transnacional vem ao Brasil para investimentos de curto, médio e longo prazos, naquele tempo vinha somente para especular no mercado financeiro, nos overs nights da vida, e desaparecia assim que o país precisava dele.

Como evidência de que se tratava de um mesmo modelo geral de estabilização aplicado a diversos países da América Latina, há as seguintes similaridades entre os vários programas então implantados no quintal dos Estados Unidos, em países que se contorciam em dolorosos espasmos hiperinflacionários:

  • Âncora Cambial (congelamento da taxa de câmbio).
  • Abertura às importações por meio de forte redução dos impostos.
  • Desregulamentação para entrada de capital estrangeiro de curto prazo.
  • Desindexação plena e progressiva da economia.
  • Aumento de impostos.
  • Âncora monetária (alta dos juros).
  • Privatizações.

Todos se lembram do resto do filme. Mas precisam se lembrar de que para um filme ter um fim, precisa ter começo. Ora, o mundo moderno fornece amplos meios para se resgatar cada detalhe dos fatos inquestionáveis que narrei acima. Eles serão extremamente úteis para se combater essa tentativa de revisão histórica que assa no forno da direita brasileira.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h01
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Lembrem-se da ‘bala de prata’

Lembrem-se da ‘bala de prata’

 

 

 

 

 

 

Quero recomendar que a campanha de Dilma não se esqueça da previsível “bala de prata” que fatalmente irão disparar contra sua candidatura no auge do processo eleitoral. Darei a minha cara a tapa se a mídia e a oposição não tentarem um golpe dessa natureza. Serra não abriria mão de usar aquela que acredita ser a sua maior arma política, seu controle sobre a mídia.

Não é sem razão que o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, já andou falando em “guerra de extermínio” oposicionista-midiática contra o seu partido. Se não puderem eleger Serra, tentarão aumentar a bancada da oposição no Congresso e eleger o maior número possível de governadores de oposição. E, para variar, a estratégia será a escandalização do nada.

Como todos sabem, uma parte das matérias jornalísticas que começaram surgir no fim do ano passado contra a oposição e até – com intensidade calculada – contra Serra buscam fortalecer a mídia para que, quando a tal “bala de prata” for disparada contra Dilma no auge do processo eleitoral, as pessoas tenham lembrança de que também houve acusações ao outro lado.

Ah, sim, preciso explicar a razão da outra parte das matérias contra a oposição... Esta se deve à inevitabilidade da situação, pois não dá para ignorar o escândalo de Brasília ou o caos em São Paulo.

Mas, enfim, escrevo para não perder a mania de fazer prognósticos com base na lógica. Ninguém acredita mais que Serra não será candidato e ninguém deve acreditar que a “bala de prata” não será disparada. Se a mídia não desistiu em quase oito anos, não será agora, quando acha que tem mais chance de eleger Serra por o adversário não ser Lula, que desistirá. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h03
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Dalva de Oliveira

Dalva de Oliveira

 

 

 

 

Conheci Dalva em 2007, durante o primeiro ato público do Movimento dos Sem Mídia, diante do jornal Folha de São Paulo. Ela compareceu espontaneamente e, desde então, filiou-se ao Movimento e participou de todos os atos e eventos públicos que a ONG realizou.

Era filiada ao PT e uma defensora tenaz do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu. Seu sonho era vê-lo absolvido. Eles eram muito amigos. Ao ponto de ela discutir contundentemente com qualquer um que dissesse um A dele, o que lhe rendeu inimizades.

Contudo, Dalva sempre respeitou aqueles que, como eu, preferiam se manter eqüidistantes dessa questão, contanto que não insultassem seu amigo. Respeitando sua posição política, ninguém jamais teve qualquer problema consigo. Sua amizade por Dirceu era verdadeira.

Dalva faleceu na última quinta-feira. Sinto muito pela morte de uma pessoa que defendia suas idéias com vigor e coragem. Nem nos piores momentos de Dirceu ela jamais deixou de defender o amigo com orgulho e lealdade. Tudo que se faz dessa forma, é válido.

Que Dalva descanse em paz.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h28
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O último 'gargalo' do Brasil

O último ‘gargalo’ do Brasil

 

 

 

 

Esse emburrecimento galopante que a guerra política entre tucanos e petistas está impondo ao país poderia dar uma trégua para que se discutisse alguma coisa de útil para o conjunto da sociedade. Por exemplo: poder-se-ia discutir qual é o próximo passo que o Brasil requer nesse processo desenvolvimentista em que se encontra.

Para o país chegar até o ponto em que está teve que vencer o que os economistas chamam de “gargalos”. É uma figura de retórica que simboliza problemas econômicos e carências sociais maiores do que as saídas existentes.

Até 15 anos atrás, havia vários problemas no caminho do desenvolvimento brasileiro: inflação descontrolada, miséria extrema, uma população dramaticamente deseducada e uma dívida externa aparentemente impagável. De lá para cá, quase todos esses problemas-baleia foram sendo equacionados por políticas públicas.

Durante os anos 1990, hiperinflação como a brasileira foi desaparecendo do cenário mundial. Hoje, são raros os países que têm aquelas inflações de mil, dois mil ou mais por cento que flagelavam o Terceiro Mundo.

No fim do século XX e início do século XXI, países como o Brasil implantaram programas sociais de transferência de renda que praticamente erradicaram ao menos a fome. Não se fala mais nessa tragédia social hoje no país.

Nos últimos anos, o Brasil, em particular, conseguiu anular o maior de seus problemas econômicos, a sua dívida externa, que era jocosamente chamada de dívida “eterna”. Hoje, o país se encontra na situação, antes inimaginável, de ter deixado de ser devedor para ser credor internacional.

Mas nos resta um último grande gargalo. Nos últimos dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que são referentes a 2008, os estudantes brasileiros ficaram na 53ª posição em matemática, entre 57 países, e na 48ª em compreensão de texto, em um ranking de 56 países.

Aí a explicação para notícias recentes de que sobram vagas de empregos no país por falta de qualificação dos candidatos. Essa é, claramente, a única barreira que o Brasil precisa transpor para se transformar em potência.

Com a economia aumentando de ritmo a cada dia, além de técnicos especializados em áreas como tecnologia da informação, por exemplo, onde os salários são estupendos, também já faltam padeiros, açougueiros, serralheiros, mestres de obras e tantos outros.

As vagas chegam a ficar abertas por até 4 meses. Oportunidades para esses profissionais não faltam. Nos centros estaduais e municipais de apoio ao trabalhador existem centenas de vagas a espera de candidatos qualificados, mas eles não existem.

É aí que o país ainda trava. Como crescer e se desenvolver com uma mão-de-obra de baixa qualidade?

O problema decorre de um sistema de ensino entre os piores do mundo. Sim, houve universalização do ensino básico. Atualmente, é desprezível o contingente de crianças fora da escola, ainda que nenhuma criança nessa situação possa ser desprezada.

O problema reside na qualidade do ensino. Não há professores, por exemplo. Os poucos que existem são, em grande parte, despreparados por conta dos baixos salários. É uma profissão que, no Brasil, em vez de atrair afasta. Muita responsabilidade e esforço para pouca remuneração.

Dizer-se professor, em países desenvolvidos, é um privilégio. No Brasil, é uma profissão sem passado, sem presente e, até aqui, sem futuro.

O país deveria estar buscando fórmulas de como melhor aproveitar o momento magnífico que atravessa. E tal discussão deveria priorizar esse que é o seu último grande entrave. Seria sonhar alto demais esperar que os candidatos a presidente debatessem seus planos para a Educação em vez de se engalfinharem?



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h20
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O naufrágio de Serra

O naufrágio de Serra







Começa a se repetir o script eleitoral de 2002 para o governador de São Paulo, José Serra. Trecho de uma matéria do site Terra Magazine, de autoria de Bob Fernandes, resume o processo autofágico em que sua pré-candidatura à Presidência mergulhou:

 

Às 11h55, na inauguração da Cidade Administrativa de Minas Gerais, com o governador José Serra e cúpula do PSDB presentes, os três mil convidados quebram o ritual tucano e gritam: ‘Aécio presidente! Aécio presidente!’ (...)”


Concomitantemente com a sua lenta, gradual e segura queda nas pesquisas, o notoriamente ardiloso governador paulista vai naufragando não só nelas, mas, também, nas alianças.

Apesar da popularidade estrondosa do cabo eleitoral Lula e da aprovação imensa ao seu governo, o processo de apodrecimento da candidatura daquele que é a aposta da direita para retomar controle do Estado surpreende pela prematuridade.

Só quem não entende os princípios da política é que tampouco entende que os métodos serristas estão na raiz de sua progressiva débâcle eleitoral. Vejam só o caso de Aécio Neves. Hesito em publicar aqui os insultos que o principal blogueiro de Serra fez ao correligionário mineiro dele por este ter desafiado sua hegemonia no PSDB.

O uso excessivo dos jornais, revistas, tevês, rádios e portais de internet de Serra contra Dilma e Lula, por sua vez, escancarou a estratégia do tucano para a parcela mais politizada da sociedade. Não é por outra razão que Lula tem aprovação majoritária também entre os mais ricos e escolarizados e que, nesse segmento, Dilma se sai melhor que entre os mais pobres.

Outro componente importante para o naufrágio eleitoral do governador paulista, claro, é o colapso de sua administração em setores que todos sabem. Contudo, o caráter dele assusta até os seus correligionários.

Não se sabe se sua tropa de choque na mídia age como age a seu mando ou se extrapola simplesmente por querer mostrar serviço, mas o fato é que o autoritarismo e a crença cega no poder midiático e na tática da “desconstrução” o inviabilizou novamente.

A pressão extremada dos veículos de comunicação e da cúpula do PSDB sobre Aécio torna sua recusa em compor a chapa serrista cada vez mais irreversível. E nem Serra nem a mídia desistem.

Fosse outro o candidato do PSDB, alguém que não se mostrasse tão incontrolavelmente mau-caráter, acredito que a eleição seria uma incógnita maior. Como a conduta de Serra é pavloviana, é possível que ele afunde de vez bem antes de outubro.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h11
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Quem é a ‘devassa’?

Quem é a ‘devassa’?

 

 

 

 

 

 

Foi um massacre a reação da mídia contra a decisão do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) de suspender a exibição de propaganda da cervejaria Schincariol que se utilizou da bombshell Paris Hilton para promover o lançamento de sua cerveja batizada como “Devassa”.

Nos jornais e em dezenas de sites e blogs ligados aos grandes meios de comunicação, a reação foi de uma ironia uníssona por conta de uma medida tida como “moralista”. Os tantos textos nesse sentido parecem ter sido escritos todos pela mesma pessoa.

A tese pseudo liberal seria a de que em um país de sensualidade marcada de suas mulheres e no qual várias outras propagandas de cerveja apelam para a sensualidade mostrando mulheres de “fio-dental” na praia, seria ridículo proibir a propaganda da cerveja Devassa por conta das poses sensuais de Paris em um comportado “tubinho” preto.

O Conar deliberou nesse sentido por moto próprio e também sob denúncias de consumidores e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, órgão do governo vinculado à Presidência da República.  Ter um órgão do governo Lula vinculado à decisão do órgão regulador gerido pelo setor publicitário foi o que bastou para começar a gritaria midiática sobre “censura”.

Particularmente, sou contra o moralismo. E se, de fato, formos analisar a indumentária de Paris Hilton na propaganda proibida, veremos que, em termos de permissividade, nem se compara aos trajes de praia das propagandas das outras cervejarias, as quais encasquetaram que devem associar o consumo de álcool a jovens saudáveis e de corpos “sarados” divertindo-se saudavelmente na praia.

Contudo, a meu ver é escandalosamente claro que a propaganda da Schincariol é mais inaceitável do que as outras. Apesar de ser absurdo associar jovens saudáveis a consumo de álcool, isso vem sendo feito de forma a não denegrir grupos sociais ou de gênero. Jovens usarem roupa de banho na praia é um comportamento absolutamente normal. Exaltar a devassidão de uma mulher, não.

Uma mulher devassa é uma mulher libertina. Conforme explica o Houaiss, libertino é aquele que leva uma vida dissoluta, que se entrega imoderadamente aos prazeres do sexo, que revela irreverência a regras e dogmas estabelecidos, especialmente à religião e à prática desta, que não tem disciplina e que negligencia deveres e obrigações.

Quando uma propaganda de cerveja diz que a Juliana Paes é “boa”, é por ela ser bonita. E quando a exibe na praia em trajes que qualquer moça de vida regrada usa, não vejo estímulo a comportamentos degradantes como o da foto acima, feita no âmbito da campanha publicitária em que logo em seu lançamento a protagonista fica “de quatro” em uma festa com uma lata de cerveja na mão.

Essa gritaria midiática contra uma medida correta de proteção à imagem da mulher e contrária ao estímulo a comportamentos degradantes como a devassidão pode até ser prestação de serviço à cervejaria que fez a propaganda. Contudo, o fato de se poder usar a decisão do Conar para atacar mais um pouquinho o governo, deve ter pesado muito.

Convenhamos: se existe alguma devassa nessa história é essa mídia que só pensa “naquilo” – em atacar este governo por qualquer meio possível e imaginável. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h01
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Cotas: discutir o presente

Cotas: discutir o presente

 

 

 

 

O Supremo Tribunal Federal começa a discutir nesta quarta-feira, 3 de março, a constitucionalidade da  política de cotas para negros nas universidades públicas. As discussões irão até sexta. Delas decorrerá decisão judicial sobre processo interposto contra a política afirmativa da Universidade de Brasília pelo Democratas (DEM).

O ministro do STF Ricardo Lewandowski, que preside os trabalhos, rejeitou um pedido do DEM para que fossem revistos os critérios para tempo de exposição das entidades que discutirão as cotas raciais. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) protocolou queixa no tribunal afirmando que um número maior de pessoas favoráveis às cotas falaria na audiência daquela corte, pois representantes do governo e das universidades públicas, defensores da política afirmativa, manifestar-se-iam nesse sentido.

Assisti a parte do evento pela internet. Manifestava-se favoravelmente ao sistema de cotas Denise Fagundes Jardim, professora do Departamento de Antropologia e Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Uma frase de sua exposição, que reproduzo de cabeça, pareceu-me importante:

“O sistema de cotas étnico-raciais tem sido julgado antes mesmo de estar plenamente em marcha”.

Acrescento à fala da professora da UFRG que o sistema tem sido julgado – e combatido ferozmente – bem antes de começar a ser implantado. Não é “plenamente” em marcha, mas antes de estar em marcha de qualquer maneira. Desde que o governo Lula anunciou a adoção de ações afirmativas no Brasil que elas começaram a ser combatidas.

Antes que fosse possível verificar o desempenho dos alunos negros cotistas, o grande combate ao sistema de inclusão racial já era empreendido pelos mesmos que continuam travando esse combate, ou seja, os partidos de direita e a grande mídia, sempre com seus analistas brancos e alguns raríssimos negros que se dispuseram a impedir, de qualquer maneira, que se diminua a situação de iniqüidade racial no ensino superior público – que, no Brasil, é o de melhor qualidade.

Naquela época (em 2004), porém, o mote contra as cotas era diferente do de hoje. O sistema geraria “prejuízo acadêmico” às universidades que o adotassem. Ou seja: os cotistas negros, oriundos do péssimo ensino superior público que atinge a eles mais do que a qualquer outro, não teriam capacidade para acompanhar alunos brancos que estudaram em escolas particulares entre as mais caras e que, por isso, eram os que acabavam ficando com praticamente todas as vagas nas universidades públicas.

Não demorou muito tempo para que os inimigos da inclusão racial no ensino superior tivessem que buscar outro discurso. Conforme revelou reportagem do insuspeito portal G1, os cotistas negros, além de apresentarem rendimento igual ou superior ao dos não-cotistas, evadiam-se três vezes menos das universidades, ou seja, os brancos não-cotistas abandonavam três vezes mais as vagas em universidades que tiravam dos negros antes das cotas.

Os militantes brancos anti-cotas, tais como o partido do governador encarcerado de Brasília, José Roberto Arruda, ou como o sociólogo Demétrio Magnoli, bem como alguns raros militantes negros, abandonaram o discurso sobre “prejuízo acadêmico” e dizem agora que não querem discutir a situação que havia no Brasil de ingresso quase nulo dos afrodescendentes no ensino superior público porque não querem discutir o passado.

O discurso dos anti-cotas, agora,  é o do “futuro”, um futuro que afirmam desejar que seja róseo, com as escolas públicas, nas quais quem estuda em maioria são os negros, tendo qualidade equitativa à das caras escolas pagas dos brancos.

É uma argumentação imoral destinada a manter toda a atual geração de negros pobres com uma sub-representação inaceitável no ensino superior, sendo a população afrodescendente maioria absoluta hoje no Brasil. As USPs da vida, nos Estados governados pela direita, manterão uma população branca próxima dos oitenta por cento, subvertendo totalmente a realidade étnica do país.

Desta maneira, joga-se para “o futuro” a inclusão do negro no ensino superior público, o qual, repito, é o mais ambicionado por toda a sociedade por sua maior qualidade e aceitação no mercado de trabalho. Não se quer discutir o presente porque neste a não adoção de cotas negaria a toda a atual geração de jovens pobres e negros o sonho de concluir seus estudos.

Graças às cotas, o Brasil tem hoje cerca de 22 mil afrodescentes em uma população universitária de 1.240.968 estudantes – 1,7%. Contudo, estudos recentes da Universidade de Brasília (UNB) mostram que, em sete anos de governo Lula, foram incluídos mais negros no ensino superior público do que nos vinte anos anteriores.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h44
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A reunião dos barões da mídia

A reunião dos barões da mídia

 

 

 

 

 

 

Pedem-me que analise a reunião dos barões da mídia que teve lugar na segunda-feira no Hotel Golden Tulip Paulista Plaza, em São Paulo, autodenominada “1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão”, organizado pelo Instituto Millenium, mais uma dessas associações dos grandes magnatas da comunicação que se soma à Abert, ANJ etc.

Na verdade, em vez dos próprios barões quem compareceu foram seus bobos da corte, que de bobos não têm nada. Nomes como Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor foram assistir, de boca aberta, ao sermão de Roberto Civita. Depois, acotovelaram-se para mostrar serviço ao dono da Abril, que “palestrou”, e aos seus pares, os quais, de longe, fiscalizavam cada palavra de seus prepostos.

Segundo o impagável relato da jornalista Bia Barbosa sobre o evento, publicado pela Agência Carta Maior e largamente reproduzido na Blogosfera, o que houve ali foi uma reunião de partidários políticos – ou dos prepostos de confiança (?) deles –, que chegaram a afirmar, com todas as letras, que estavam ali para se organizar pela eleição de José Serra.

 A questão que me vêm desse evento, no entanto, é a seguinte: por que aquela gente se reuniu publicamente? Campanha política ou unificação de discurso para a campanha eleitoral?

Campanha política não pode ser e unificação do discurso, muito menos. Essa gente não ganhou um só voto para Serra. E dificilmente faz eventos públicos. Eles se reúnem é em suas marinas em Angra ou em iates em alto-mar, em convescotes regados a tudo de bom e de ruim que o dinheiro pode comprar. Para conspirar, não precisariam se reunir à vista de todos.

A chave do enigma está nas presenças ao evento do mais tucano dos petistas, o ex-ministro Antonio Palocci, e do ministro das Comunicações, Helio Costa, o qual tem, a seu favor, o fato de que transita da Confecom ao encontro dos prepostos dos Barões da mídia.

Reinaldo Azevedo chamou Palocci de “garantidor”. De quê? Segundo o blogueiro da Veja, de que, se Dilma Rousseff se eleger, não haverá “censura” aos jornais, revistas, tevês, rádios e portais de internet dos seus patrões multimilionários. E os representantes do PT e do governo Lula parecem ter levado a sério as preocupações do baronato midiático, pois foram até lá.

Palocci e Costa foram ao evento do PIG “garantir” que “não haverá qualquer controle social dos meios de comunicação”, o que denota uma visão do governo Lula de que a radicalização política de Globos, Folhas, Vejas e Estadões pode ser muito maior do que já é. Desta maneira, achou-se por bem fazer-lhes o afago de enviar os dois emissários.

Mas por que se armou aquele circo publico em vez de se fazer uma reunião objetiva no Palácio do Planalto, por exemplo?

Uma das poucas coisas menos óbvias que se pode dizer sobre o fato em tela é que ele mostra que o governo Lula discorda veementemente de quem diz que a grande mídia se tornou politicamente impotente. A classe política leva o PIG muito a sério e evita confrontá-lo ou mesmo contrariá-lo um pouco mais.

O fato me parece ser o de que os barões da mídia realmente acham que um governo Dilma pode atacá-los. Só que não por meio de censura, que isso é conversa mole, mas usando o tal “controle social” para lhes negar verbas públicas. Vendo a candidata de Lula despontar como favorita a sucedê-lo, quiseram ser acalmados. A meu ver, foi só isso.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h05
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Quem vencerá a mídia

Quem vencerá a mídia

 

 

 

 

 

 

Poderão pensar que sou dado a vaticínios, mas se enganarão. O que faço, quando prevejo alguma coisa, é usar a lógica. Entendo que os fatos se encadeiam como números em uma equação e que os resultados desta, com as variáveis corretas sendo consideradas, podem ser absolutamente previsíveis.

Ao longo da primeira semana em que estourou a crise econômica mundial, em 2008, disse aqui, na contramão do sentimento então vigente de que a crise nos pegaria de jeito, que ela seria o que o presidente Lula disse, ou seja, seria uma marolinha.

Quem se der ao trabalho de acessar o histórico deste blog e for percorrendo o mês de setembro daquele ano, constará que não dei apenas um chute. Disse por que o Brasil não entraria em crise. Dei as razões e elas acabaram determinando o que ocorreria de fato.

O Brasil não tinha por que entrar em crise tendo um comércio exterior tão incipiente (diante de seu gigantesco e crescente PIB), um colchão de reservas de 200 bilhões de dólares, bancos oficiais montados em dinheiro e absolutamente saudáveis para suprir o crédito que escasseava mundialmente e um mercado interno de proporção continental.

Faço, agora, um novo “vaticínio”: a mídia será vencida neste ano. E, dali em diante, descobrirá que terá que mudar para reconquistar a confiança da sociedade. Ao fracassar em influir eleitoralmente na opinião pública, tentará entregar os anéis e salvar os dedos.

Hoje, quando dizem que o Brasil não acredita mais na mídia, ela dá de ombros. Se usasse a lógica, não faria isso.

Durante quase oito anos ela tentou “desconstruir” Lula. Acusou-o de tudo que se possa imaginar. Assassinato, perversões, vícios, corrupção, mitomania, deslealdade... Do que se puder pensar, Lula já foi acusado.

Pergunto: qual foi o resultado? Lula perdeu um único ponto percentual de popularidade? De acordo com as pesquisas da própria mídia, aconteceu o contrário.

E Dilma Rousseff? Não posso dizer que foi mais acusada e insultada do que Lula porque ele vive essa realidade midiática há pelo menos duas décadas, mas a virulência e o empenho com que foi atacada nos últimos dois anos daria para umas dez campanhas eleitorais.

O ano mais duro desse processo foi 2009. Já em janeiro surge o “dossiê” imaginário contra FHC, depois a ficha policial falsa, depois o caso Lina Vieira, tudo martelado sobre o público por milhões de edições de jornal e horas incontáveis de programação pelo espectro radioelétrico.

Análises políticas otimistas para a mídia e para a oposição a Lula infestaram todos os grandes meios de comunicação possíveis e imagináveis prevendo que Dilma não iria crescer nas pesquisas e que teria se inviabilizado por fatores absurdos como o seu suposto “mau gênio” ou por acusações que jamais ganharam fôlego por ausência absoluta de provas.

O resultado disso todos têm visto: Dilma cresce mais e cresce mais rápido do que se previa.

A mídia acha que Dilma teria crescido ainda mais, em todos os sentidos, se não tivesse sido atacada. Engana-se. Por isso se descredenciou como analista isenta.É senso comum que tevês, rádios, jornais etc. não gostam da ministra tanto quanto de Lula. É um fato verificável em qualquer conversa sobre política que surja em qualquer lugar do país. Até entre os menos politizados.

Simplesmente porque as acusações são sistemáticas e, claro, porque o acerto das políticas públicas dos últimos sete anos e tanto tem se transformado em bem estar social e em um sentimento mundial de que o Brasil é uma país que finalmente começa a assumir seu lugar de fato e de direito entre a comunidade das nações.

Parece-me gritantemente óbvio que a sociedade não acreditou em uma só palavra do que a mídia disse sobre Lula e sobre Dilma em todos estes anos. Se tivesse acreditado, o presidente não seria tão popular e a ministra não dispararia nas pesquisas.

A mídia diz que é porque Lula e Dilma fazem campanha antecipada, porque ela dança samba no Carnaval, vai a inaugurações, a comícios, a programas de auditório etc., e que Serra cai porque não faz nada disso.

É mentira. Serra está gastando milhões e milhões de reais em publicidade de seu governo enquanto São Paulo se afoga por falta de dinheiro nas obras de desassoreamento do rio Tietê e a locomoção trava, na capital do Estado, por falta de metrô.

O ensino público simplesmente não existe. O Estado, antes muito mais seguro do que o Rio, por exemplo, talvez já ultrapasse a insegurança que há por lá.

O governador paulista também não sai da mídia. Vai a programas de auditório, passa o Carnaval no Nordeste e sai fazendo campanha entre o público (morrendo de medo de ser tocado), gasta dinheiro de São Paulo para fazer mais publicidade em outros Estados, encena premiações internacionais etc.

A mídia acha que ninguém vê, mas está fatalmente enganada. Por isso ela será derrotada e Dilma Rousseff será eleita.

Cada vez mais, acho que só uma ruptura institucional pode impedir que isso aconteça. Não se trata de torcida ou previsão. É lógica. Se o conjunto da sociedade ignora os ataques a Dilma ao não lhe impor a menor dificuldade para se consolidar como candidata, certamente que acha que tentam destruí-la injustamente.

Entretanto, não serão Lula ou Dilma que vencerão a mídia. Não têm poder para isso. Só têm se mantido à tona porque uma entidade poderosa, que é quem de fato manda no país, permite. Quem derrotará a mídia será essa entidade, e ela se chama povo. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h22
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Surge a Altercom

Surge a Altercom





Da Agência Carta Maior



Entidade terá como objetivo defender interesses políticos e econômicos das empresas e empreendedores de comunicação comprometidos com os princípios da democratização do acesso à comunicação, da pluralidade e da liberdade de expressão. Quanto mais proprietários e empreendimentos de comunicação houver no país, maior será a liberdade de expressão: essa é uma das idéias centrais que anima a criação da Altercom, que defenderá também critérios mais claros e justos na aplicação de verbas públicas em publicidade.


Empresários, empreendedores individuais, estudantes, professores e ativistas da área da comunicação criaram sábado (27), em São Paulo, a Altercom – Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação. Conforme ficou definido no encontro realizado durante todo o dia de sábado, a entidade terá como objetivo central defender os interesses políticos e econômicos das empresas e empreendedores de comunicação comprometidos com os princípios da democratização do acesso à comunicação, da pluralidade e da liberdade de expressão. Não a liberdade apenas para uns poucos grandes grupos midiáticos, como ocorre hoje, mas sim para a maioria da população que não tem respeitado hoje o direito à uma informação de qualidade.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h21
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Não há 'saques' no Chile

Não há ‘saques’ no Chile

 

 

 

 

 

 

Acabo de falar com Antonio, um de meus clientes em Concepción, Chile, cidade na qual já estive bem uma dúzia de vezes desde 1991 e que, como se sabe, foi atingida por um terremoto que ficou entre os seis maiores sismos conhecidos.

Consegui falar com o Antonio porque ele está em Santiago, a 500 quilômetros de Concepción, e seu relato sobre a volta paulatina e rápida da normalidade na capital chilena condiz com a imagem que tenho do país mais civilizado da América Latina, não obstante os tantos desastres – inclusive políticos – que sobre ele já se abateram.

Encontrei meu amigo calmo. Falei com ele ao celular por cerca de dois minutos e a chamada caiu. Levei cerca de trinta minutos para conseguir refazer a ligação. Desta vez, conversamos perfeitamente bem.

Segundo o Antonio me relatou, há, sim, varios desaparecidos em Concepción, mas ele não teve amigos ou parentes que tenham sido atingidos e só conhece uma pessoa que tem alguém nessa situação.

Só caiu um edifício naquela cidade, e outro que estava em construção terá que ser demolido porque o abalo sísmico inviabilizou a obra.

Além disso, uma das pontes sobre o rio Biobio, o mais largo do Chile, ruiu parcialmente, e a outra está permitindo acesso com sérias limitações, o que isola parte da população e limita a entrega de tudo que é necessário em uma região atingida daquela forma.

As mortes em massa, segundo meu cliente, não ocorreram em Concepción como alguns veículos noticiaram, mas, sobretudo, em Talca, na 7ª Região (no Chile, os estados são chamados de “regiões” e, em vez de nomes, têm números).

A população está sem luz, telefone e internet. Contudo, ele fez questão de me esclarecer as notícias que estão chegando aqui sobre a ter havido “saques” aos supermercados.

De início estranhei. O Chile tem a povo mais educado e o mais alto padrão de vida da América Latina. O relato de Antonio, porém, me esclareceu a questão.

O que aconteceu foi que os supermercados, pensando puramente no lucro, fecharam as portas alegando que, não havendo luz, não haveria “condições” de atender o público. Conversa fiada. Não havia condições de cobrar pelos víveres, isso sim. Numa atitude que julgo irresponsável, esses supermercados simplesmente fecham as portas e a população que se dane.

É claro que, em uma situação dessas, alguns se aproveitam. Todavia, imagens como a de um homem levando nas costas uma geladeira roubada de um supermercado são apresentadas pela mídia como se essa fosse a regra, quando são exceções.

Sem ter como conseguir água e mantimentos bem depois do abalo sísmico, a população, ao encontrar os supermercados fechados, não teve outra alternativa que não fosse a de entrar à força e retirar o que não teria como conseguir de outra forma, porque a ajuda ainda tarda a chegar.

As pessoas ficaram furiosas com a atitude dos comerciantes. Nesse processo, certamente houve retaliações histéricas como levar outros produtos e até depredar os estabelecimentos. 

Agora eu lhes pergunto: onde é que isso é “saque”? Saque uma pinóia! Os próprios supermercados deveriam ter distribuído a comida em uma situação de calamidade pública. Falo de uma conduta que se chama humanidade. E ainda os comerciantes teriam evitado muitos prejuízos, pois a população ficaria agradecida.

Está sendo espalhada uma imagem distorcida do Chile. Se se quiser culpar a população chilena por alguma coisa, pode-se fazê-lo apenas por ela ter enveredado por um capitalismo selvagem em que parece que o ser humano foi colocado em segundo plano.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h37
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Os ‘despolitizados’

Os ‘despolitizados’

 

 

 

 

Fico me perguntando se é normal que a política seja feita como se faz nas Américas. Da Patagônia ao Alasca – com exceção, talvez, do Canadá –, é tudo na base da demonização mútua entre os postulantes.

Um lado diz que o outro representa a derrocada da nação. Tenta-se assustar o eleitorado com a possibilidade de vitória do adversário. Não há respeito entre os políticos e as mídias tratam de pôr lenha na fogueira.

O que resulta disso é esse debate raso que vemos, que faz tudo menos esclarecer o eleitorado.

A incivilidade do debate político que é travado nesta parte do mundo, é desoladora. Tenta-se induzir o cidadão a votar movido por sentimentos, jamais pela razão. E são sempre sentimentos negativos.

Isso sem falar no ridículo das análises da grande mídia. No sábado, logo que saiu a pesquisa Datafolha, li um comentarista, no site do Estadão, que escreveu um texto imenso para “provar” que Dilma e Serra não tinham aparecido empatados no limite da margem de erro.

A imprensa que temos não ajuda em absolutamente nada, pois. Só noticia picuinhas e acusações que, de cada dez, onze não dão em nada. Aliás, o caso Arruda foi o único, em muito tempo, que fugiu à regra.

E é a mesma coisa na Argentina, no México ou nos Estados Unidos. Tudo movido por uma união continental de empresários de mídia que enfiaram na cabeça que podem escolher um lado na política e elegê-lo.

Não que já não tenha sido assim. Era, mas não é mais – e faz tempo.

Há momentos em que, ao me ver em meio a tudo isso, sinto-me meio ridículo. Aliás, essa maioria supostamente despolitizada olha para os que gastam tempo com essas arengas como se estivesse olhando para ETs. E não dá a menor bola.

Se existe uma pregação que convence cada vez menos gente, é a pregação política. Sobretudo a pregação política disfarçada de jornalismo.

E, querem saber?, acho que esses “despolitizados” entendem muito mais de política do que qualquer um de nós, os supostamente “politizados”. Eles já aprenderam a não dar bola à política e a votarem com base no que estão vendo.

Claro que, às vezes, não olham direito e votam errado. Mas, pelo menos, erram sozinhos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h03
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A desunião feminina

A desunião feminina

 

Atualizado às 15h36m de 28 de fevereiro de 2010 


 

 

 

 

 

Não se pode atribuir a nenhum fator político, ético, ideológico ou administrativo o fato de que a pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tenha aparecido na pesquisa Datafolha divulgada no sábado com bem menos intenções de voto entre as mulheres do que entre os homens.

Apesar de ter 28% de apoio na média do eleitorado, entre as mulheres Dilma tem 24%, e o governador de São Paulo, José Serra, 33%. Entre o gênero masculino, Dilma e Serra estão empatados com 32%, do que se depreende que são elas que mantêm a petista abaixo do tucano, ainda que ambos estejam em situação de empate técnico.

Essa situação pode ter relação com a tão conhecida rivalidade feminina, característica de um gênero sempre ameaçado por rivais congêneres nas relações amorosas e conjugais com o sexo oposto. Em parte, portanto, nós homens somos os culpados devido à nossa maior infidelidade naquelas relações.

É uma característica feminina negativa, mas cada gênero tem a sua. Os homens, por exemplo, são irracionais em suas disputas de virilidade, mas convivem melhor entre eles. E a maioria das mulheres admite esse fenômeno.

Em um momento em que a racionalidade deve prevalecer a qualquer preço, não se pode admitir que um preconceito – e é disso que estamos falando – continue prevalecendo em uma atividade como a política, atividade em que as mulheres jamais tiveram representação equitativa, o que, inclusive, explica as piores condições sociais que afetam o gênero feminino, tais como receber piores salários etc.

Na política, por exemplo, devido ao fenômeno que prejudica Dilma, todas as mulheres são prejudicadas, não tendo representação suficiente no jogo do poder para mudar situações de inferioridade sócio-econômica que fatalmente as afetarão em algum momento da vida.

Segundo dados da Justiça Eleitoral referentes 2008, apesar de o art. 10, § 3º, da Lei nº 9.504/97 estabelecer que os partidos devem reservar um patamar mínimo de 30% de suas candidaturas a um dos sexos, dos 15.143 candidatos a prefeito apenas 1.670 eram mulheres, e dos 330.630 candidatos a vereador, apenas 72.476 eram representantes do sexo “frágil”.

Detalhe: o IBGE informa que há mais mulheres no Brasil do que homens. Para cada 100 mulheres, há 99,6 homens.

Aí nem se trata mais de Dilma ser ótima ou péssima candidata. Trata-se de as mulheres, nestas eleições, refletirem se suas razões para não votar em uma congênere não decorrem de puro preconceito.

Você, mulher que me lê, tem uma obrigação consigo mesma e com as suas pares de dar uma chacoalhada naquela sua amiga machista que acha que política é coisa de homem. Essa rivalidade entre as mulheres não é pior ou melhor do que os defeitos que acometem o sexo masculino, mas, na política, é um prejuízo a toda a sociedade.

 

 

Minha experiência com as mulheres

 

 

E se você, leitora, não crê em minha experiência com as mulheres, é porque não conhece quantas embelezam e enchem de alegria a minha vida. 

Escrevi este texto sobre a desunião entre as belas por minhas filhas, neta e esposa. Escrevi pensando no futuro, quando eu não mais estiver aqui para protegê-las.

No vídeo abaixo, minha cara, encontrará meu "currículo" na ciência feminina. Você verá o último almoço de Natal da minha família.

 




 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h54
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Por que Serra deverá concorrer

Por que Serra deverá concorrer

 

Atualizado às 09h31m de 28 de fevereiro de 2010 



 

 

Antes de adentrar o assunto propriamente dito, quero esclarecer uma coisa: não faço torcida eleitoral, aqui. O que não quer dizer que eu não torça. Espero, sim, que Dilma Rousseff se eleja a primeira presidente mulher do Brasil. Mas a minha torcida não é um fato, de maneira que a você, leitor, ela não interessa. O que lhe interessa é informação ponderada sobre o que pode acontecer na política, na economia etc.

Se é isso o que lhe interessa – e é –, então vou no caminho inverso da torcida. Quero que as pessoas façam opção eleitoral com base só em fatos e não em sentimentos, porque toda vez que o país vai a uma eleição baseado no que sente e não no que vê, quebra a cara. Collor é o último grande exemplo desse comportamento irracional em uma campanha à Presidência. 

Agora vamos ao fato que intitula este texto. Por que Serra deverá concorrer à Presidência da República? Simplesmente porque a direita brasileira não pode sucumbir eleitoralmente. E, se eleger bancadas de deputados e senadores amplamente minoritárias, o Brasil terá uma oposição débil além da conta, o que não é uma condição desejável para a democracia.

Por que Serra desistiria? Tem, ainda, uma posição forte para concorrer e toda a mídia com ele. Sairá da eleição maior do que entrou em qualquer caso. Tornar-se-á referência para a direita midiática brasileira. E seus aliados lhe deverão um favor eterno, pois terá evitado que a oposição a Dilma não tenha força para aprovar nenhuma CPI, nenhuma convocação de ministro, nadica de nada.

Isto é, se ele perder, claro, porque pode ganhar...

Ora, mas eu não quero esse quadro político no Brasil. Quero uma oposição viva e atuante, mesmo sendo para tentar sabotar. Não me sinto bem vivendo em um regime, que é o que se tornará o PT no poder, de forma tão hegemônica e por tanto tempo, sem que exista um contrapeso. E isso só não ocorrerá se a oposição tiver um puxador de votos.

Acho que não há nenhuma tese polêmica em que eu não divirja frontalmente da oposição ao governo Lula e suas manobras sabotadoras e desleais para manietar ou atrapalhar a governança do país. Contudo, uma oposição fiscalizadora foi uma das razões que fizeram este governo trabalhar como trabalhou por nós, os que nem cheiramos o aroma fresco e fácil do dinheiro público.

Em resumo: duvido de que Serra não seja candidato à sucessão do presidente Lula pela coligação PSDB-DEM-PPS, no mínimo.

 

 

Meandros do Datafolha

 

 

Alguns dados sobre a pesquisa que foram pouco divulgados:

 

– Na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado cita seu candidato preferido sem receber sugestão de nomes do pesquisador, Dilma deixou Serra na poeira – agora tem 10%, e o tucano, 7%

– O conhecimento de Dilma como candidata de Lula cresceu de 52% para 59%. Nos segmentos de menor renda e menor escolaridade, a taxa subiu oito pontos percentuais, mas ainda é desconhecida COMO CANDIDATA DE LULA por mais de 50% dos entrevistados nesse segmento.

Há, aproximadamente, 14% de brasileiros que querem votar no candidato de Lula, mas não o fazem por desconhecê-lo. Em dezembro, eram 15%.

– Serra perdeu 3% de votos no Sudeste

– Apesar de a Folha de São Paulo estar dizendo que Lula tem sua mais baixa popularidade entre os mais ricos, ele é aprovado por 56% dos que têm renda acima de 10 salários mínimos.

– Como sempre acontece com as mulheres na política brasileira, entre elas a avaliação de Dilma é muito menor do que entre os homens. Só 24% delas se inclinam pela candidata, enquanto que entre os homens o percentual é de 32%.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h17
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