Do nhenhenhém ao trololó

 

Do nhenhenhém ao trololó

 

Atualizado às 16h09m de 20 de março de 2010

 

 

 


Enquanto viajo ao Brasil – devo aportar por aí no meio da tarde –, quem sabe algum leitor tucano explique por que um país que cresce e se desenvolve como nunca cometeria o desatino de pôr na Presidência da República outro irresponsável tucano que, diante de problemas sérios como o da Educação, se sai com essas onomatopéias idiotas.

A Educação em São Paulo é um desastre ainda maior do que a Saúde, o transporte público, a Segurança pública etc. E é injustificável - não falta dinheiro ao Estado mais rico da Federação. O que falta a José Serra não é só competência, é caráter, como faltava a outro tucano que fazia ruídos desconexos diante de críticas fundamentadas.

FHC tinha uma “resposta” pronta para qualquer crítica que lhe fizessem: era tudo “nhenhenhém”; Serra diz que as queixas dos professores, dos médicos, dos policiais, enfim, de todo o funcionalismo que, desde Mario Covas, só vê sua vida piorar, são “trololó”.

Como é que você, paulista, quer que professores, policiais, médicos, garis, enfim, que um funcionalismo público que a cada dia sobrevive com mais dificuldade lhe preste bons serviços? Será que nunca iremos acordar, neste Estado?

A droga midiática que os paulistas consomem em doses cavalares nos impede de enxergar que tanto o “nhenhenhém” de um quanto o “trololó” do outro não passam de “blábláblá” de político safado para fugir às suas responsabilidades. Mas Serra, FHC e sua quadrilha podem ter certeza de que, neste ano, o Brasil dirá não às drogas. De novo.

 

 

Enfim, em casa

 

 

No taxi, indo do aeroporto direto ao hospital. Até que enfim. Não vejo a hora de tomar a Victoria nos braços. Vou beijar muito o meu bebê.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 07h40
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Victoria e os anjos digitais

Victoria e os anjos digitais



Almoço de Natal da família Guimarães




 

Tenho certeza de que se a nossa Victoria pudesse entender o que lhe passa, e se pudesse se comunicar não apenas com o seu sorriso ou com o seu pranto, mas com palavras, ela diria o que direi a seguir.

Ela agradeceria, antes de mais nada, à minha querida amiga Conceição Lemes, a melhor, a mais importante e mais competente jornalista de saúde do Brasil, que sabe o que fez para ajudar.

Ela agradeceria à doutora Janice Ascari, a combativa e devotada procuradora da República que, há alguns meses, tomou-se de amores pela Victoria e não a deixou mais.

Ela agradeceria ao jornalista Luiz Carlos Azenha pela sua solidariedade, por ocupar o espaço nobre que é seu site com o drama de Victoria.

Ela agradeceria às centenas de pessoas que, aqui e no Twitter, manifestaram solidariedade com a sua situação.

Ela agradeceria à leitora Flavia Fernandes, que se materializou no hospital em que está para visitá-la, segundo minha mulher me contou pelo telefone pouco antes de eu começar a escrever.

Enfim, Victoria agradeceria aos jornalistas, advogados, sindicalistas e líderes de movimentos sociais que não querem ser mencionados e que se prontificaram a ficar ao lado de Victoria contra os que a estavam tratando como relatei no post anterior.

E por que Victoria agradeceria? Porque, depois do que escrevi na noite de quarta-feira, houve uma “miraculosa” mudança de atitude por parte de quem precisava mudar.

Victoria está internada de forma adequada, agora. Continua doente, mas está recebendo os cuidados necessários.

Gostaria de abraçar a cada uma das sete mil trezentas quarenta e uma pessoas que vieram a esta página até o momento em que comecei a escrever, ou às não sei quantas pessoas que repassaram mensagens de solidariedade no Twitter.

Fisicamente, não será possível. Mas como este nosso encontro é virtual, entendo que aqui estão as nossas almas, a parte mais importante do que somos, a única parte de nós que realmente conta, e é essa a parte de vocês que abraço.

Muito, muito, muito obrigado. Não apenas em nome da Cristina, minha mulher, ou dos meus filhos Carla, Gabriela e André, da minha neta Letícia e dos meus genros ,Fábio e Alexandre, mas, acima de tudo, agradeço em nome da Victoria.

 

PS: Já coloquei o vídeo acima algumas vezes aqui, mas, por conta de tantos que chegaram recentemente, coloquei de novo, porque quis que conhecessem a família que apoiaram.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h52
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Victoria e os carniceiros de branco

Victoria e os carniceiros de branco

 

Atualizado às 12h45m de 18 de março de 2010

 

 

 

 

 

 

Minha filha Victoria, de onze anos, portadora de Sindrome de Rett, uma espécie de “paralisia cerebral” que só dá em pessoas do sexo feminimo, é frágil como uma flor. Por incrível que possa parecer, porém, há pessoas que, diante de suas pétalas que caem por falta de cuidados, não conseguem lhe dedicar mais do que indiferença.

Pesando apenas 26 quilos, acometida por ataques epilépticos com freqüência, com um dos pulmões gravemente comprometidos, incapaz de fazer uso intencional de seus membros, incapaz de falar, tendo apenas a única – e inebriante – capacidade de emanar o sorriso mais luminoso que um ser humano é capaz de produzir, minha filha só não foi capaz, nos últimos seis meses, de despertar sentimentos humanitários em certas pessoas que, ironicamente, juraram se devotar à saúde de seus semelhantes.

No momento em que escrevo, minha filha está jogada em um canto de uma unidade de pronto atendimento de forma improvisada em vez de estar recebendo os melhores cuidados que requer por conta do fracasso de uma cirurgia que fez no fim do ano passado, uma gastrostomia – colocação de sonda em seu abdome, até o estômago, para receber alimentação enteral.

Essa cirurgia se converteu em um desastre, tendo que ser refeita nem dois meses mais tarde, em janeiro, porque o buraco que fizeram no abdome de minha filhinha não cicatriza, não pára de infeccionar e os médicos que deveriam se preocupar e tomar medidas urgentes atendem, entediados, aos telefonemas desesperados que eu e minha família lhes damos.

Estou indignado e desesperado. A milhares de quilômetros de casa, fora do Brasil, conversei, por telefone, com um dos responsáveis pela saúde de minha filha e o que ouvi foi descaso, insensibilidade, irresponsabilidade. Cheguei a agradecer a Deus por estar longe dessa criatura naquele momento.

A frieza que alguém que jurou prezar e preservar a vida humana acima de tudo demonstrou ao telefone ao me negar o que está ao seu alcance fazer, e que não faz meramente para fugir às suas responsabilidades e às de seu grupo de carniceiros de branco, fez decrescer minha fé na espécie humana.

Nunca usei este blog em causa própria, pois sempre entendi que ele não me pertence. Apesar de já ter tratado aqui de aspectos particulares de minha vida e da própria doença de minha filha, escrevi só para desabafar, sem nenhuma outra intenção. Contudo, se por conta desses carniceiros de branco alguma coisa acontecer a ela, este desabafo se converterá em nomes, fatos e dados que surpreenderão.

Sei que não poderão reverter o mal que estão fazendo a Victoria, mas, pelo menos, evitarei que outras vítimas caiam naquela arapuca, e ainda pagando caro por isso.

Peço que me perdoem, mas estou desesperado. Vejo minha filha definhar dia a dia e tenho certeza de que é por falta de interesse e de responsabilidade de gente que, a meu ver, está adotando uma conduta criminosa em relação a uma criança inocente e gravemente enferma. Que Deus me devolva a força e a serenidade que perco a cada segundo.

 

PS: que me perdoem os profissionais corretos e humanos da saúde.

 

 

A direita brasileira

 

 

Quem quiser saber o tipo de besta-fera que tenta retomar o poder no Brasil, que leia, abaixo, o que acabam de postar aqui - se tiver estômago.

 

Caramba hein... Acabo de ler um post sobre uma menininha enferma e, quando começo a ter um pouco de compaixão, leio essa merda pró Dilma aqui... Pqp, tu tem mais é que se fuder mesmo.

Pqp | ksdjfh@iofug.com | blablabla, aqui | sdfsdf |  18/03/2010 11:11



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h20
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Se no Ibope está assim...

Se no Ibope está assim...

 

 

 

 

 

 

Como se pode ver no gráfico acima, nas pesquisas de intenção de voto para presidente feitas em 2010, até agora o Ibope destoava dos outros institutos dando uma diferença pró-Serra no primeiro turno que nenhum outro instituto detectou.

A lógica autoriza dizer que o Ibope vem forçando a barra em prol de Serra, o que se coaduna com a propaganda que o presidente do instituto, Carlos Augusto Montenegro, vem fazendo da candidatura do tucano ao dizer que ele já estaria eleito presidente da República.

Se o Ibope teve que convergir para os números que outros institutos já haviam detectado em janeiro e fevereiro, pode-se dizer que é muito provável que já não exista mais diferença entre Dilma e Serra ou que a candidata do PT pode até ter ultrapassado o adversário.

Vale dizer que é uma tremenda bobagem dizerem que “Dilma cresce porque faz campanha antecipada e Serra, não”. Neste momento, quem faz campanha contra e a favor de alguém é só a mídia, e esta ataca Dilma com acusações ininterruptas e protege Serra de qualquer acusação.

Aliás, Serra não tem mais potencial para crescer. É amplamente conhecido pelo eleitorado e é governador do Estado mais rico da Federação. Quem não o escolheu candidato e se diz indeciso até agora, é porque não quer votar nele.

Aliás, o Ibope constatou, na pesquisa divulgada hoje, que mais de 50% dos pesquisados pretendem votar em quem Lula apoiar e que mais da metade do eleitorado não conhece Dilma. É por isso que venho dizendo que o tucano perderá a eleição.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h55
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A imprensa ‘marrom’ de Serra

A imprensa ‘marrom’ de Serra

 

 

 

 

Sinto uma dor cívica por ver o tipo de campanha eleitoral em que o Brasil está mergulhando por obra e graça dos desejos e idiossincrasias daquele que talvez seja o homem público mais covarde, inepto e desleal que conheci em cinqüenta anos de vida, o governador de São Paulo, José Serra.

A serviço desse político sórdido, empresas de comunicação e pistoleiros contratados que se intitulam “jornalistas” começam a atacar colegas de ofício com artifícios asquerosos como o de espalharem em jornais e na internet insinuações baseados em nada, em absolutamente nada, como demonstrarei a seguir.

As vítimas mais recentes da política ao rés do chão serrista foram os jornalistas Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha e a historiadora Conceição Oliveira.

Os meios de comunicação e os pistoleiros contratados estão divulgando os custos de projetos jornalísticos que essas pessoas encabeçam junto à Empresa Brasileira de Comunicação como se fossem os salários que percebem. Ou tratando de variações nos custos desses projetos como se nessas variações houvesse ilegalidades.

São insinuações. Não há nenhuma denúncia formal. Até porque, não há nenhum fato suspeito a denunciar.

No caso de Nassif, por exemplo, divulgam o custo de um projeto que ele encabeça na TV Brasil sem contextualizar e comparar com outros projetos do mesmo porte. Por exemplo: se dizem que o projeto tal custou um milhão, parece que o jornalista embolsou esse dinheiro.

No factóide encetado contra o Azenha e a Conceição, os quais conheço pessoalmente e dos quais me considero amigo, a tática é parecida, mas é ainda mais tosca por insinuarem ilegalidade na variação de preço admitida em lei em um projeto no qual são apenas componentes.

Não há ilegalidade em nenhum caso. Insinuações viram matéria jornalística. Essa é a tática com a qual Serra pretende ganhar a eleição deste ano, desqualificando e criminalizando críticos que são formigas perto dos impérios de comunicação que, claramente a seu serviço, fazem ataques aos adversários do tucano.

Essa é a campanha eleitoral que Serra e sua mídia querem dar a um país que tem diante de si as perspectivas mais brilhantes que já teve desde o Descobrimento. A tática da sujeira, do denuncismo, do linchamento, da destruição moral de todos os que a ele se opõem.

Sofro pelo que esses criminosos estão tentando fazer com o Brasil. E sinto pena dos seus sequazes, que, como um Arruda da vida, serão atirados no lixo quando não mais servirem aos interesses de seu patrono em seus delírios de poder. Nosso país não merece tal pena.

 

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Siga-me no twitter: http://twitter.com/eduguim



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h37
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O fim dos ‘trolls’

O fim dos ‘trolls’

 

Atualizado às 11h27m de 16 de março de 2010


 

 

 

 

 

O primeiro dia útil desta semana foi uma das poucas vezes em que senti vontade de mandar este blog para o espaço e ir cuidar da minha vida. O post sobre a recusa de Lula em homenagear o pai do sionismo atraiu uma quantidade de trolls a este blog para me insultarem (a mim e à minha família) e até ameaçarem que poucas vezes vi nestes mais de quatro anos em que tenho feito o Cidadania.

Talvez tenha recebido mais comentários me atacando do que comentando o assunto propriamente dito, concordando ou não. Então fiquei me perguntando se preciso passar por isso.

Há oito dias que estou na Bolívia ralando para ganhar o sustento da minha família honestamente, metido em reuniões de trabalho até à noite, quando, esgotado, esforço-me para vir aqui manter o compromisso que assumi com as pessoas que me lêem e que até já ficaram ao meu lado quando fui à rua protestar por me recusar a aceitar a criminalidade pseudo jornalística que vem sabotando o Brasil durante todos estes anos.

Escrevo isto depois de uma segunda-feira massacrante. Acordei às seis da manhã para viajar três horas de táxi até chegar a um cliente que fica fora de Cochabamba. Mais três horas de viagem de volta. No começo da tarde, pego o avião até Potosi, faço outra reunião e, no fim da tarde, mais um vôo de volta a Santa Cruz de la Sierra.

Todo dia ralando, há mais de uma semana, chegando ao hotel morto, janto rapidamente e venho me inteirar das notícias para ter o que escrever  e para não faltar com minha “obrigação”. Durante o dia, porém, tive que ficar “peneirando” comentários para não deixar essas aberrações humanas atacarem até minha filha doente desejando-lhe a morte ou perguntando quanto é que minha filha que está na Austrália está cobrando por um “programa” por lá...

Dá vontade de desistir. Enquanto escrevo, há 70 comentários, concordantes ou não, no post anterior. Acredite quem quiser: acho que vetei mais do que isso. Claro que muitos eram da mesma pessoa usando nomes diferentes, mas o trabalho que tive para peneirar tudo isso me atrapalhou a concentração e me abalou o estado de espírito, sendo que, como vendedor, preciso estar sempre bem para transmitir segurança e serenidade aos meus clientes.

Mas podem desistir, seus trolls de merda. Eu vou continuar escrevendo aqui enquanto meu coração bater. Podem jogar todo vosso veneno, podem praticar todas as feitiçarias que quiserem. EU NÃO DESISTO. Posso me abalar com as barbaridades que escrevem, mas o máximo que vocês conseguiram foi fazer com que o filtro de comentários se torne mais rigoroso.

Anuncio, portanto, o fim dos trolls neste blog. Deboches, acusações, insultos, nunca mais. Quem quiser discordar, terá que se ater ao assunto e se manifestar com respeito. E vou pensar, ainda, se publicarei discordâncias de anônimos, mesmo respeitosas, usando e-mails falsos. Contudo, a argumentação inteligente e civilizada, ainda que discordante, terá sempre espaço aqui.

 

 

Ministério Público Federal e os crimes na internet

 

 

É isso aí­. Não desista. Adote um mecanismo de verificação (moderação de comentários, cadastro, identificação de IP na tela etc.) e siga em frente.

Ataques sórdidos, rasteiros e, sobretudo, covardes como vc relatou - e coisas horrí­veis ditas sobre suas lindas meninas - são prova de baixeza de espírito e de caráter. A conduta pode configurar crime - e, para isso, o Grupo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público Federal está à disposição.

Trabalhamos em conjunto com a Polí­cia Federal, FBI e Safernet. Para nós, nenhum delinquente permanece anônimo.


Janice Agostinho Barreto Ascari | São Paulo - SP | Procuradora da República



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h11
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'Gafe' seria Lula homenagear Herzl

‘Gafe’ seria Lula homenagear Herzl

 


 

 

O blogueiro de José Serra Ricardo Noblat noticiou “em primeira mão”, na noite de ontem, a informação de que Lula, em visita a Israel, teria cometido “mais uma gafe” por ter se recusado a depositar flores no túmulo de Théodor Herzl, fundador do movimento sionista, que criou o Estado de Israel. Foi o que bastou para a horda de trolls do tucano invadir a internet com uma versão inexplicável dos fatos, o que requer esclarecimentos.

O Sionismo visou estabelecer o Estado judeu na Palestina, onde havia e continua havendo uma população autóctone. O sonho de Herzl, um judeu húngaro, era o de fazer valer uma espécie de “direito ancestral” do seu povo através de colonização de terras. Os arquivos dos sionistas dizem que eles acreditavam que a população nativa da Palestina, como resultado desta colonização, simplesmente “montaria as suas tendas e fugiria”. E, se resistisse, seria defenestrada e ponto final.

O processo começou aos poucos, quando o primeiro assentamento sionista na Palestina nasceu e um pequeno grupo judáico imigrou para lá em 1882. A força econômica sionista continuou cravando assentamentos na região. O objetivo era fazer uma lenta e progressiva limpeza étnica que expulsaria os palestinos. Uma “limpeza” que dura até hoje.

O escritor anglo-judeu Israel Zangwill, um dos líderes do Sionismo inglês, dizia que a Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra”, ou seja, para o povo judeu. Os 410.000 palestinos (muçulmanos e cristãos) que viviam ali eram considerados um mero detalhe.

Alguns historiadores entendem que a liderança sionista não quis dizer que não havia pessoas na Palestina, mas que os palestinos não seriam dignos de ser considerados um povo. Os sionistas realmente acreditavam que a região em que fundaram Israel pertencia exclusivamente ao povo judeu por herança histórica e que os que ali viviam seriam intrusos.

Aí vem a azeitona da empada: Theodor Herzl escreveu, em 1895, que a solução seria mandar os palestinos, “sem nem um tostão”, para além das fronteiras da Palestina e que o processo de remoção deveria ser realizado “de forma discreta”. Israel Zangwill reforçou dizendo que “dar um país a um povo sem país” seria “loucura”, e que não se poderia permitir que aquele fosse “um país de dois povos”.

Para os palestinos, os quais Lula irá visitar na viagem que ora empreende, homenagear seu algoz seria um insulto. Como homenagear o artífice do sofrimento desse povo e depois visitá-lo? Espero, pois, que o presidente não ceda às pressões e se atenha a contatos diplomáticos com os israelenses. Gafe ele cometeria se tivesse homenageado o carrasco do povo palestino.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h36
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Candidatos quase perfeitos

Candidatos quase perfeitos

 

 

 

 

 

 

A pouca experiência que tenho com eleições presidenciais – em cinqüenta anos, só pude escolher cinco vezes meu candidato – me ensinou que, depois da redemocratização, na maioria das vezes escolhemos aquele que nos fizeram crer que era o “menos pior”.

Esse método de escolha foi usado em três das cinco eleições presidenciais que o Brasil teve desde 1989. A maioria que efetivamente elege só votou em quem achava melhor em 1994 e em 2006, respectivamente em FHC e em Lula.

Em 1989, o país escolheu Collor com medo de Lula;

Em 1994, FHC ganhou por ter parecido o melhor, isto é, por ter sido o executor do plano econômico adotado por Itamar Franco;

Em 1998, já com o Brasil quebrado, estagnado e com o desemprego e a inflação explodindo, votou-se de novo por exclusão, pois, apesar de FHC ser o responsável pela situação de penúria, convenceram-nos de que Lula faria ainda pior;

Em 2002, Lula se elegeu porque não restava opção, sobretudo depois do racionamento draconiano de energia elétrica que aumentou a quebradeira e o desemprego e tungou os nossos bolsos.

Em 2006, votamos em Lula convictos de que era a melhor opção, apesar de aqueles jornais, revistas, tevês e rádios que nos induziram a votar em Collor e em FHC tentarem nos convencer de que Alckmin seria “menos pior” do que Lula.

Em 2010, tentam fazer o país votar novamente por exclusão. Se quando abrimos um jornal ou sintonizamos um telejornal vemos essas críticas seriíssimas a Dilma Rousseff e a Ciro Gomes, restam-nos só duas opções.

Tais opções são José Serra, cujo único defeito seria hesitar em nos fazer o favor de ser candidato, e Marina Silva, cujo único defeito seria não ter um partido forte pelo qual disputar a eleição.

Logo, porém, esses impérios de comunicação não terão mais defeitos para debitar a pelo menos um dos candidatos. Marina continuará sendo quase perfeita, pois continuará não tendo um partido forte por trás de si, mas Serra deixará de hesitar e, assim, tornar-se-á totalmente perfeito.

Falta convencer o eleitorado de que, apesar de o país estar indo bem, deve votar novamente por exclusão, ou seja, para evitar que uma “terrorista” se eleja  logo depois do desatino que nos dizem ter sido  elegermos, duas vezes, um “apedeuta”.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h08
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