'Muito diferente do Datafolha'

‘Muito diferente do Datafolha’

 

Atualizado às 22h05m de 3 de abril de 2010






Se você não concorda com o postulado acima, leitor, não reclame comigo, mas com o âncora do Jornal da Band Bóris Casoy. Ele o proferiu depois de o telejornal apresentar gráficos que mostraram que Dilma Rousseff, que aparece com 31% no Vox Populi, está tecnicamente empatada com José Serra, que manteve os 34% de janeiro.

De fato, para o anti-Lula Bóris Casoy admitir que a diferença entre as duas pesquisas é expressiva, não deve ser nenhum exagero. E não pelo resultado nominal, mas porque no Datafolha Serra apareceu crescendo e Dilma estagnada ou caindo, e no Vox Populi, o tucano está parado e a petista, crescendo.

Não foi por outra razão, como demonstrei no post anterior, que a Folha, na edição deste sábado, tentou desqualificar a pesquisa Vox Populi, coisa que nunca tinha visto – um instituto de pesquisa (ou seu preposto) desqualificando o outro. Não dá para explicar as disparadas e estagnações com sinal trocado em cada instituto.

Como se vê, não exagerei quando disse, há uma semana, que a pesquisa Datafolha cheirava mal.



Do site do Jornal da Band



Da redação


Pesquisa divulgada neste sábado pelo instituto Vox Populi mostra que o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, se mantém na liderança. Dilma Rousseff, do PT, volta a crescer e reduziu a diferença para apenas três pontos percentuais.

O ex-governador de São Paulo aparece com 34 por cento das intenções de voto, mesmo percentual de janeiro. A ex-ministra da Casa Civil Dilma Roussef, do PT, subiu quatro pontos percentuais e segue na segunda posição, com 31%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Ciro Gomes, do PSB, vem em terceiro lugar, com 10%. Marina Silva, do PV, está em quarto lugar com 5% das intenções de voto. Votos nulos e brancos somam 7%, enquanto 13% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder. 

Sem Ciro

Em um cenário sem Ciro Gomes, Serra aparece com 38%. Dilma vem a seguir, com 33% e é seguida por Marina Silva, com 7% das intenções. Brancos e nulos contabilizam 7%, enquanto os que não quiseram ou não souberam responder somam 15%.

 

 



Nem a Folha acreditou no Datafolha

 

 

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h28
[] [envie esta mensagem]



Datafolha versus Vox Populi

Datafolha versus Vox Populi

 

 

 

 

Otavio Frias Filho                                           Marcos Coimbra

 

 


Como tenho a impressão de que as atualizações que faço de meus posts podem não ser suficientemente notadas por um leitorado que tem uma extensa lista de blogs e sites a percorrer além desta página, transformo em novo post o adendo que fiz ao post anterior. E também para fazer algumas considerações sobre o significado da notícia.

O jornal Folha de São Paulo, dono do instituto de pesquisas de opinião Datafolha e militante enrustido da campanha do governador José Serra à Presidência, insinuou em sua notória coluna “Painel”, publicada neste sábado, que a pesquisa Vox Populi relativa à sucessão presidencial a ser divulgada hoje pela tevê Bandeirantes teria sido manipulada contra José Serra.

Vejam:

 

Folha de São Paulo

03-04-2010

Painel

RENATA LO PRETE

Prancheta 1.

Chama a atenção, no questionário de pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial com campo em 30 e 31 de março, a inclusão de pergunta relativa aos cargos que os candidatos já ocuparam, quebrando o fluxo das respostas espontânea e estimulada sobre intenção de voto. Esse tipo de procedimento é conhecido por distorcer resultados.

Prancheta 2.

Para completar, as opções diante do nome de José Serra (PSDB) estão incompletas. Há apenas "governador" e "governador de São Paulo".

 

É uma insinuação que não tem absolutamente nada que ver e é isso que a torna tão significativa.

Aliás, a propósito do novo “campo” do Vox Populi, ontem o novelista da Globo Aguinaldo Silva divulgou no Twitter que teria tido acesso a “vazamento” da pesquisa e que Dilma teria “caído de novo”.

Por outro lado, quando o jornal que é dono do Datafolha questiona a metodologia do concorrente em uma nota nebulosa e de significado subjetivo, julgo ser bastante significativo.

Fazer uma quase denúncia como essa demanda explicar direito a acusação. Aliás, um instituto acusar o outro é alguma coisa meio inédita. Ainda mais sendo uma acusação velada.

Por que perguntar os cargos que cada candidato já exerceu distorceria a pesquisa? A pergunta permite verificar se o eleitor sabe quem é a candidata do presidente que tantos apóiam, ora, pois esse dado virá à tona com força quando começar a campanha de fato.

Como venho dizendo, as pesquisas que não colocam esse dado para o pesquisado não lhe dão todas as informações que terá quando fizer sua escolha eleitoral, de maneira que essas pesquisas têm sido algo inúteis.

Pode ser, no entanto, que a Folha tenha soltado esse balão de ensaio só por precaução. Talvez não tenha tido acesso aos resultados da pesquisa Vox Populi, mas é difícil crer que não teve porque essas pesquisas sempre “vazam”.

E pode ser, claro, que eu esteja superdimensionando o episódio e o novelista global, de lá de Paris, não tenha simplesmente lançado um balão de ensaio em meio a uma taça de chardonnay e outra. Contudo, logo mais à noite, no Jornal da Band, saberemos se o último Datafolha de fato cheira mal – se, desta vez, a emissora não segurar os dados...

De qualquer forma, esta questão é mera curiosidade. Se o Vox Populi, por acaso, confirmar o Datafolha, não será surpresa depois de todos aqueles comerciais do PSDB exaltando Serra – inserções publicitárias a que o partido tem direito por lei – e do lançamento informal de sua candidatura, amplamente festejado pela mídia.

A única relevância nesta questão diz respeito a possível contradição do Datafolha pelo Vox Populi. Se houver, estará confirmado que houve manipulação do instituto de pesquisa da Folha, jornal no qual Judith Brito é diretora. Judith, que disse, em evento do instituto Millenium, que seu jornal atua como oposição ao governo Lula.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h39
[] [envie esta mensagem]



Pesquisas inúteis

Pesquisas inúteis

 

  Atualizado às 08h36m de 3 de abril de 2010 

 


 

 

 

 

Para não afrontar o grupo político oriundo da centro-esquerda que poucos anos após a democratização (1985) virou expressão hegemônica do conservadorismo nacional, o único tipo de pesquisa eleitoral que esclarece o que é provável que aconteça na eleição presidencial é preterido em favor de cenários nebulosos.

A única pesquisa do tipo que realmente interessa foi feita discretamente pelo Ibope sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI) entre os dias 6 e 10 de março e teve divulgação pífia. Apurou-se, então, que 53% do eleitorado prefere votar em um candidato a presidente que tenha o aval de Lula.

Qualquer outra sondagem feita sem esse dado (o candidato de Lula na disputa) só serve para esconder o que acontecerá na campanha eleitoral que se avizinha, o que certamente é feito na esperança de que o quadro mude mais adiante.

A despeito disso, o script de 2006 vem se cumprindo de forma impressionante. Dilma Rousseff, hoje, tem quase a mesma posição em relação a Serra que Lula tinha na última pesquisa Datafolha feita naquele ano nesta época, pouco antes de o tucano desistir da corrida presidencial e sair candidato a governador de São Paulo.

Em fevereiro de 2006, segundo o Datafolha, no cenário mais provável do primeiro turno Serra tinha 36% e Lula, 34% - hoje, na média das pesquisas, Serra tem 35% e Dilma, 30%. Contudo, alguns institutos chegaram a apontar empate técnico entre os dois principais candidatos a presidente.  

No sábado passado, o Datafolha apontou que a diferença entre Serra e Dilma num hipotético segundo turno também seria quase igual à disputa que o mesmo instituto anunciava entre Serra e Lula há quatro anos. Hoje, 48% dos votos iriam para o tucano e 39% para a petista; em 2006, Serra tinha 49% e Lula, 41%.

Pesquisa Vox Populi foi a campo esta semana e será divulgada no sábado no Jornal da Band. Mesmo se confirmar o Datafolha – e, se não confirmar, o circo vai pegar fogo –, Dilma ainda terá perspectivas melhores contra Serra do que Lula tinha em 2006 a esta altura do campeonato.

Lula, naquele ano, sofria o desgaste pleno do mensalão e do caso Palocci versus aquele “pobre e humilde caseiro” que recebia depósitos de dezenas de milhares de reais enquanto acusava o então ministro da Fazenda. Resgate que fiz do noticiário político de 2006 mostrou que era ainda mais pesado contra Lula do que é hoje contra Dilma.

Além disso, há quatro anos Lula não tinha a grande perspectiva que Dilma tem hoje de crescer conforme for se tornando mais conhecida. Na pesquisa Ibope do mês passado, dos 39% que não sabiam ser Dilma a candidata de Lula e que declararam que votariam preferencialmente no candidato dele, a maior parte declarou voto em Serra.

O cenário político está sendo distorcido, pois as pesquisas insistem em não revelar ao pesquisado um dado que todo o eleitorado fatalmente terá, ou seja, de que a disputa de Serra não será contra a desconhecida Dilma, mas contra a candidata de Lula e da continuidade de sua obra. Pesquisas que não informem esse dado, são inúteis.

 

 

Folha ataca pesquisa Vox Populi

 

 

O jornal Folha de São Paulo, dono do instituto Datafolha, insinua, em sua coluna “Painel” deste sábado, que a pesquisa Vox Populi relativa à sucessão presidencial que deve ser divulgada hoje pela tevê Bandeirantes foi manipulada contra José Serra.

Vejam:

 

Folha de São Paulo

03-04-2010

Painel

RENATA LO PRETE

Prancheta 1.

Chama a atenção, no questionário de pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial com campo em 30 e 31 de março, a inclusão de pergunta relativa aos cargos que os candidatos já ocuparam, quebrando o fluxo das respostas espontânea e estimulada sobre intenção de voto. Esse tipo de procedimento é conhecido por distorcer resultados.

Prancheta 2.

Para completar, as opções diante do nome de José Serra (PSDB) estão incompletas. Há apenas "governador" e "governador de São Paulo".

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h41
[] [envie esta mensagem]



Basta

Basta

 

 

 

 

Todo cidadão tem o direito e o dever de defender a democracia. E como democracia se faz por meio da política, esta deve atender, antes de mais nada, aos princípios democráticos.  E tais princípios baseiam-se em que todos os que postulem um mandato popular se submetam a pleitos democráticos em que todos terão chances iguais.

Baseadas nesses princípios, as sociedades que abraçaram a democracia dotaram a Justiça de um braço eleitoral, o qual deve cuidar para que alguns competidores não granjeiem vantagens injustas nas disputas do voto majoritário, sobretudo sendo vantagens ligadas a poder econômico.

Por outro lado, a humanidade contemporânea só tem uma forma de se comunicar, os veículos de comunicação em massa. E quando se fala em meios de comunicação que abranjam grandes contingentes populacionais simultaneamente, fala-se em rádio e tevê.

 Não é por outra razão que se comunicar por esses meios não está ao alcance de qualquer um como está se comunicar por jornais, por revistas ou pela internet.  E tampouco pertence a outra discussão o fato de que a política depende da comunicação com o eleitor e que só se comunica com ele quem tem, justamente, meios de comunicação de massa.

Contudo, tevês e rádios têm uma característica muito peculiar: à diferença dos veículos impressos ou da rede mundial de computadores, são concessões públicas porque só elas podem transmitir som e imagem em tempo real e com uma qualidade e um custo para o consumidor que a internet ainda não tem e com um poder de comunicar que imprensa escrita jamais irá alcançar.

E por que a comunicação por rádio e tevê é tão boa e acessível? Simplesmente porque o Estado investe dinheiro público nesses meios. Muito dinheiro público, diretamente ou por meio das tais concessões, sem falar nas gigantescas verbas publicitárias.

Dependendo de quem vencer a eleição deste ano, grupos privados poderão se assenhorear, ad eternum, das concessões para a tevê digital, por exemplo, como faz a família Marinho, “dona” da Globo, na tevê aberta.

E se o poder de comunicar pertence aos tucanos e companhia, também pertence aos petistas, aos vascaínos, aos corintianos, aos evangélicos, aos budistas, aos nordestinos, aos sulistas, enfim, a cada brasileiro. Assim, não se pode admitir que seja usado por concessionários como se fosse propriedade privada.

Não é por outra razão que há uma legislação eleitoral que versa sobre o que fazem com concessões de rádio e tevê em período eleitoral. Aliás, uma legislação bem detalhada, mas pouco aplicada. Até porque, ninguém a aciona com medo dos barões informais da República, os “donos” de impérios de comunicação como os Marinho, entre alguns outros.

É por isso que não se pode admitir, por exemplo, que a mídia fique noticiando, em tom de escândalo, que Dilma se sustentará fora do governo com um salário do PT e que irá morar em uma casa que custa 12 mil reais de aluguel e não dê o mesmo tipo informações sobre as vidas de seus adversários na disputa eleitoral.

Em minha opinião, a Justiça Eleitoral tem obrigação de fazer alguma coisa. Os sucessivos “editoriais” de Arnaldo Jabor na concessão pública dos Marinho, sempre descendo a lenha exclusivamente nos adversários de Serra, por exemplo, constituem apropriação indébita da coisa pública, das concessões de rádio e tevê, de forma a dar a vantagem injusta a um dos lados na disputa eleitoral.

Essa inação da Justiça Eleitoral é simplesmente inadmissível e alguém tem que fazer alguma coisa. Não se pode aceitar que esse abuso persista. Ninguém irá tomar o poder no Brasil por esses métodos. Basta.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h54
[] [envie esta mensagem]



O despertar dos sindicatos

O despertar dos sindicatos

 

 Atualizado às 16h20m de 1 de abril de 2010

 


Manifestantes vaiam equipe de reportagem da Globo na Av. Paulista, em SP

 

 


Nesta quarta-feira, Marcos me liga logo cedo no celular. Estava satisfeito porque iria participar da manifestação do funcionalismo público contra Serra que ocorreria no vão livre do Museu de Arte Moderna de SP, o Masp, no período da tarde.

Pareceu-me ter esperança de que eu fosse com ele, mas eu não podia e lhe disse logo. Elegantemente, não chegou a pedir que eu fosse por certamente ter percebido que não me seria possível. E continuou, dizendo que mais tarde me ligaria para contar mais.

Parecia uma criança, de tão contente, apesar de seu cerca de 1,9 metro de altura e uns bons cem quilos.

Marcos é policial militar. Tem mais ou menos a minha idade cinqüentenária É um sujeito honesto e companheiro filiado ao Movimento dos Sem Mídia. Compareceu a todos os atos que a ONG que presido promoveu.

O companheiro comenta quase todo dia neste blog desde 2006. Mas não é só isso. Estudou jornalismo, nos últimos anos, formou-se e passou a fazer um jornal custeado, em boa parte, por ele mesmo. O resto, arrecada entre colegas aos quais vende exemplares.

Mais tarde, por volta das 18 horas, Marcos me liga de novo. Estava eufórico:

 

-- Edu!, Edu!, falamos tudo na cara “da Globo”, cara!, e eles ficaram bravinhos e foram embora. Cantamos ‘O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo’ pra eles, Edu!

 

No meio da noite, meu amigo de vida humilde e trabalho honesto me faz ver que na Polícia “do Serra” ou em qualquer corporação ou agrupamento ou associação de humanos de filosofia cidadã sempre haverá os bons e os maus.

Marcos é um grande funcionário público e não é filiado a partido nenhum. Atua na PM arriscando a vida para defender a sociedade. É um homem que tenho orgulho de chamar de amigo, ainda que nos conheçamos tão pouco.

No meio da noite, porém, encontro a seguinte nota escondida nas entranhas do Portal UOL.


Servidores de SP hostilizam jornalistas em manifestação contra Serra

MÁRCIO NEVES

Folha Online

31/03/2010 - 16h19

Jornalistas de diversos veículos foram hostilizados hoje por servidores de São Paulo durante manifestação na avenida Paulista contra o governador José Serra (PSDB). Alguns chegaram a jogar garrafas de plástico contra uma equipe da TV Globo.

Policiais militares tiveram de intervir e a equipe da Globo foi levada para uma base da PM na região.

Quando ainda estavam concentrados no vão livre do Masp, os manifestantes diziam que a imprensa protegia Serra.

Para uma repórter da Record, que perguntava para motoristas parados no trânsito o que achavam do protesto, eles reclamaram da falta de cobertura do movimento.

Na maioria das vezes os sindicalistas diziam que a imprensa era tucana e não tinha coragem de cobrir a manifestação do funcionalismo público.

O link ao vivo da Rede Globo deixou o local após os manifestantes gritarem palavras de ordem e baterem no carro da emissora.

 

Obrigado, Marcos. Vendo Serra no Jornal Nacional, que faz apologia ao tucano descaradamente enquanto escrevo, só posso agradecer a vocês por terem ido ao Masp e dito à Globo o que eu fiquei morrendo de vontade de dizer.

 

 

 

Marcus Leandro: ‘Ninguém hostilizou a imprensa’ 

 

 

 

Marcus Leandro é filho do meu amigo policial acima mencionado. Reproduzo, abaixo, o texto que escreveu sobre a tal “hostilização de jornalistas” no “bota-fora” de Serra em São Paulo.

 

 

Cerca de 50 mil professores compareceram à Av. Paulista para protestar contra o critério de reajuste salarial, bem como as diretrizes educacionais do governo paulista (exame de mérito, salas com 60 alunos, 100 mil professores sem concurso, etc.). No jornal da Record de hoje (31), edição nacional, a repórter Creisla Garcia só viu oito mil.

O ponto alto da manifestação dos educadores ficou por conta da cobrança que fizeram aos repórteres da Rede Globo, no Trianon, com respeito ao noticiário mentiroso e cheio de maldades contra a classe que a emissora leva ao ar todos os dias, passando a sensação à sociedade de que a greve dos professores teria motivação política.

A emissora global foi acusada pelos manifestantes de estar a serviço de um governo fascista ou que Serra seria a volta da ditadura. Sem ter o que argumentar, a repórter e demais membros da equipe se refugiaram na Base da PM em frente ao parque, sendo protegidos por um cordão de policiais.

Não havia motivo para a fuga, uma vez que os manifestantes sequer chegaram perto dos profissionais da mídia, limitando-se apenas a cobrar seriedade jornalística.

Minutos depois, os educadores resolveram seguir pela Av. Paulista em direção à Praça da República.

Na Praça, o momento máximo. Um carro da reportagem da Rede Globo estava estacionado estrategicamente e cercado por diversos policiais. Mais uma vez, os manifestantes fizeram cobranças sobre as reportagens tendenciosas e carregadas de fantasias. Palavras de ordem foram proferidas: "Rede Globo, pode cair fora" ou "O povo não é bobo abaixo a Rede Globo". O motorista ligou o carro e, sob vaias e gestos para ir embora, deixou a praça.

Todavia, um ponto chamou a atenção: não se via uma faixa acusando a mídia de ser partidária. Essa conversa nós tivemos com alguns professores, que prometeram levar ao conhecimento da direção das entidades de classe.

Pelo pouco que se conversou ali, não está afastada a hipótese de os professores começarem a mirar na mídia as próximas manifestações (sem esquecer o agora governador). 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h42
[] [envie esta mensagem]



Críticos do PAC ignoram Rodoanel

Críticos do PAC ignoram Rodoanel

 

 

 

 

 

 

Ainda entenderei por que toda vez que as tevês, revistas e jornais de Serra pressionam algum petista por conta de “atraso” nas obras do PAC o pressionado não pergunta por que não atacam também essa barbaridade que é o Rodoanel, que impede que tucanos e afins critiquem um programa que a comunidade internacional considerou que foi responsável pela reação da economia brasileira em 2009, no auge da crise internacional.

O Rodoanel é uma idéia antiga. Para que se tenha uma idéia de como se enterra bilhões em uma obra que não anda, e ainda sem que se tenha segurança de que representará o que prometem, vale lembrar que o anel viário no entorno de São Paulo, que permitiria que caminhões que cruzem o país não precisem entrar na capital paulista para seguir viagem, foi concebido nos anos 1950.

Trata-se de uma estrada de 177 quilômetros que começou a ser construída em 1998 pelo falecido governador Mario Covas e que agora chega à metade do círculo no entorno da capital paulista. Além da demora absurda na execução, o Rodoanel tem sido postergado por conta de montanhas de irregularidades em relação aos custos e até quanto à qualidade da obra, que recentemente viu um de seus viadutos mal feitos caírem sobre veículos em um de seus trechos.

Enquanto a mídia só se preocupa em criticar o impressionante conjunto de obras do PAC, obras que já chegaram à metade do total previsto apesar de que começaram a ser construídas em 2007, ignora-se investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) que encontrou indícios de superfaturamento na construção do trecho sul do Rodoanel, com participação direta da empreiteira Camargo Corrêa, alvo principal da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal.

Em termos práticos, metade das obras do PAC já terem sido entregues em menos de 3 anos enquanto que uma mísera estrada não anda em São Paulo há 12 anos mostra a pouca seriedade dessas críticas exclusivas e tendenciosas da imprensa ao programa do governo federal.

Quando se fala no atraso do Rodoanel ou da ampliação da pífia malha metroviária na capital paulista, a máquina parajornalística de Serra se apressa em arrumar desculpas para a inépcia tucana desfiando o velho rosário de dificuldades ambientais e de fiscalização, mas a mesma mídia não aceita as mesmas explicações do governo Lula para não ter executado inteiro, em míseros 3 anos, um pacote impressionante de obras que vão de rodovias a hidrelétricas.

Apesar disso, o PAC foi um dos maiores responsáveis pelo soerguimento da economia brasileira entre 2008 e 2009, no auge da crise. Com a paralisação do setor privado, assustado pela mídia para que parasse de investir, o que foi feito com o objetivo de ampliar a crise e facilitar a eleição de Serra neste ano, as obras do programa federal fizeram a economia continuar funcionando. Era o Estado induzindo o crescimento de que falam Lula e Dilma.

Já o PAC 2 é um conjunto de obras que dará norte ao próximo governo. Os estudos serão acelerados no decorrer deste ano e, em 2011, não se perderá tempo com a demorada etapa inicial da execução de projetos da envergadura dos que estão sendo propostos. Ou seja: os PACs, tanto o primeiro quanto o segundo, são do maior interesse da sociedade, mas são torpedeados pela conveniência política de um grupelho de picaretas.

Enfim, será que não dava para os petistas começarem a cobrar dos detratores do PAC essa obra interminável e exorbitante que é o Rodoanel, que os sucessivos governos tucanos NÃO conseguem terminar há uma década e meia? Garanto que a primeira vez que falarem claramente daquela barbaridade, a oposição e a mídia pensarão duas vezes antes de criticar o fantástico Programa de Aceleração do Crescimento do governo Lula.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h43
[] [envie esta mensagem]



¾ da população?!

¾ da população?!

 

 

 

 

 

 

Custei a acreditar nestes olhos cansados que a terra há de comer ao ler no Twitter que simplesmente ¾ da população brasileira passaram a noite de ontem grudados aos seus televisores assistindo à final do Big Brother Brasil.

Não saberia descrever precisamente o que senti naquele momento. Poderia ser revolta, mas acho que foi tristeza.

Parcela tão significativa do povo jogando algumas horas de sua vida fora, unida em uma torcida inexplicável por uma cretinice completa, para que algum daqueles seres absolutamente inúteis como exemplos de qualquer coisa enriquecesse sem fazer força.

Um povo tão carente de cultura deveria estar recebendo informações e entretenimentos que estimulassem a evolução intelectual e elevassem o espírito, mas se vê tão assolado pela mediocridade midiática que até dentro daquele jogo patético acabou fracassando.

O único integrante daquele programa que conheci, tendo sido por força das cretinices homofóbicas que proferiu sobre formas de transmissão da Aids, venceu uma votação que congregou espantosos cento e cinqüenta milhões de brasileiros, segundo a Globo.

Aliás, pensando bem, faz sentido. Quem melhor representaria o espírito daquela atração deprimente? Faz bastante sentido. O que não faz sentido nenhum é quase uma nação inteira parar para ver aquilo. Isso é muito triste.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h38
[] [envie esta mensagem]



Essa luta precisa de foco

Essa luta precisa de foco

 

 

 

 

 


Foi uma surpresa a descoberta de que a Polícia Militar de São Paulo infiltrou um “agente” entre os professores que vêm protestando contra o governo José Serra, mas essa foi só a última gota para se concluir que o candidato do PSDB à Presidência da República e o seu aparato propagandístico constituem uma ameaça à democracia.

Enquanto Serra e seu grupo político se limitaram a usar Globos, Folhas,Vejas e Estadões para acusar adversários e defender suas posições contra o governo Lula, não era nada. O problema é que agora, não contente em calar seus adversários, o proto-ditador paulista está partindo para a violência e para a intimidação jurídica.

Os professores em passeata não ameaçaram a integridade de nada nem de ninguém, mas isso não impediu o governador do Estado de mandar a PM espancá-los simplesmente por exercerem o direito constitucional de reunião e de manifestação.

Se a manifestação dos professores fosse reprimida na Venezuela ou se o governo Lula reprimisse manifestação de alguma entidade contra si, as concessões públicas de mídia eletrônica e a imprensa escrita chamariam as repressões de “ditatoriais”.

Mas, além do espancamento de professores por sua polícia, agora o governador paulista decidiu tornar ilegal a sociedade civil se organizar e protestar contra ele, conforme dá conta a imprensa ao noticiar que o PSDB irá à Justiça Eleitoral contra a Apeoesp e outros sindicatos que eventualmente decidam ir à rua para protestar contra os baixos salários do funcionalismo estadual.

Chega-se, pois, à incrível situação de Serra atacar o sindicalismo exatamente como o regime militar atacava, usando violência física e proibições judiciais contra manifestações.

A imprensa, que simplesmente não expõe Serra de forma nenhuma e que se recusa a veicular qualquer questionamento direto a ele, acusa os sindicatos de serem “petistas”, como se um dirigente sindical ser vinculado a um partido político fosse crime.

Ao mesmo tempo em que a Justiça Eleitoral, intimidada pela mídia de Serra, multa o presidente Lula por supostamente “fazer campanha antecipada”, e ao mesmo tempo em que a mesma mídia acusa o mesmo presidente da mesma coisa, o governador paulista não sai da tevê fazendo campanha eleitoral escancarada e ninguém diz nada. Isso sem falar na propaganda do governo de São Paulo em outros Estados, que até hoje permanece impune.

Se o PSDB denuncia os sindicatos à Justiça porque eles receberiam dinheiro público para se contraporem a Serra, por que o PT também não processa a mídia, que também recebe muito dinheiro público, por fazer campanha eleitoral em favor do governador ao blindá-lo contra questionamentos públicos e ao lhe defender cada uma das teses enquanto acusa seus adversários?

Agora vamos transpor essa situação para um eventual governo federal presidido por Serra. Imaginem um governo que a mídia se recuse a questionar como acontece em São Paulo. Ao mesmo tempo, essa mídia voltará suas baterias contra a oposição tachando suas ações de sabotagens ao país exatamente como fazia quando FHC governava.

Em um governo desses, quem sair à rua para protestar contra alguma coisa, além de apanhar da polícia ainda será processado na Justiça e difamado pela mídia. Para mim, portanto, o Brasil mergulhará em uma autêntica ditadura. E como não pretendo assistir calado ao nascimento de uma ditadura, quero fazer um alerta.

Sindicatos como a Apeoesp têm um incrível poder de mobilização, mas desperdiçam tempo fazendo atos públicos contra Serra porque, sob a desculpa de “defender o governador”, a Polícia dele parte para a agressão e sua mídia esconde essas manifestações.

É aí que me lembro do Movimento dos Sem Mídia, ONG fundada com leitores deste blog em 2007. Várias vezes conseguimos reunir algumas centenas de pessoas. Imaginem vocês se a Apeoesp e outros sindicatos tivessem se juntado ao ato contra a Ditabranda da Folha e colocado dezenas de milhares de manifestantes na Barão de Limeira...

Onde estavam esses sindicatos em um momento em que poderiam ter denunciado que a mídia serve a Serra? E por que ainda não fizeram uma grande manifestação contra a Globo e o resto por esconderem os protestos dos professores ou por deturparem os fatos e mentirem sobre eles, transformando reivindicações justas em meras ações políticas e até “ilegais”?

Vivemos um momento um tanto quanto assustador, no Brasil. Um governo nacional presidido por Serra se converterá em uma verdadeira ditadura e tenho a impressão de que o PT, o presidente Lula e a ministra Dilma não estão sabendo avaliar corretamente o risco que o governador de São Paulo representa para a democracia.

Em minha opinião, a sociedade civil organizada deve ocupar as ruas para protestar contra o uso político de concessões públicas de rádio e tevê em favor da candidatura de José Serra à Presidência da República. Se conseguíssemos colocar na rua aquelas dezenas de milhares de pessoas que se viu na avenida Paulista, em São Paulo, só que protestando contra a mídia, as coisas começariam a mudar neste país.

Mas quem viria conosco? Será que Apeoesp, CUT e tantos outros abririam mão do protagonismo em favor de uma manifestação contra a mídia que não pudessem vincular a partidos? Se o MSM, que não tem qualquer ligação partidária, convocasse um ato público exclusivamente contra a mídia, será que conseguiria fazer o que fez a Apeoesp em São Paulo nas últimas semanas?

Entidades como a dos professores precisam entender que a força de Serra está na mídia. É ela que lhe permite manter CPIs bloqueadas e criminalizar movimentos sociais e reivindicações justas como a do funcionalismo.

Se não houver foco sobre quem combater, o país correrá o risco de ser atirado em um regime no qual protestar será coibido por métodos que nada deverão aos da ditadura militar em que a mídia atirou o Brasil há 46 anos. Afinal, ninguém pode garantir que as armas midiáticas da direita não surtirão efeito novamente.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h59
[] [envie esta mensagem]



Eu acredito em pesquisas

Eu acredito em pesquisas

 

 

 

 

 

 

Muitos não acreditam em pesquisas, mas eu acredito. Afinal, o homem demorou milhões de anos para desenvolver a ciência estatística e não serei eu a negar que ela tem como analisar a freqüência de eventos de forma a estimar a ocorrência de fenômenos futuros como, por exemplo, o voto majoritário de grandes contingentes populacionais.

Os exemplos de acertos de pesquisas de intenção de voto são vastos, o que prova que é possível, a cada momento de uma campanha eleitoral, saber, quando se quer mesmo, o que sente e pretende o eleitor e entender as suas variações de humor e de disposição, bem como seu nível de conhecimento dos elementos que, em conjunto, levam-no para este ou para aquele lado.

Contudo, além de acreditar em pesquisas também acredito que elas podem – e que costumam – ser fraudadas, sobretudo quando quem o faz acredita que aqueles que pretende enganar não têm cérebro suficiente para perceber a manipulação. Ou seja: fraudar pesquisas é aposta na burrice, no comportamento de manada, enfim, na mediocridade humana.

Neste momento em particular, pois, vivemos uma situação bastante curiosa em relação às pesquisas.  Só no que se fala é que são manipuladas. Nenhuma consegue passar incólume à metralhadora dos dois lados da grande disputa deste ano. Provavelmente, porque todos esses que as acusam estão certos.

Pelo menos é o que parece quando os diretores de dois famosos institutos de pesquisa fazem previsões sobre números que ainda não foram pesquisados, como é o caso de Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, ou de Marcos Coimbra, do Vox Populi.

Montenegro é o campeão dos tucanos por ter dito que Serra ia papar essa de lavada e que seus adversários estavam todos mortos. Já Coimbra, é o campeão dos petistas porque, apesar de não dizer o resultado da eleição, ao menos não diz que ela já acabou e que Dilma perdeu, chegando à ousadia de dizer que ela pode até vencer.

Antes que os petistas fiquem zangados comigo – no que teriam toda razão –, revelo que acho que um dos dois (Montenegro ou Coimbra) tem razão simplesmente porque um dos lados terá que vencer. E, em minha opinião, o dizer do diretor do Vox Populi é muito mais ponderado.

Tem-se, então, o seguinte quadro entre os institutos de pesquisa disponíveis:

Ibope – Ninguém mais acredita nele, nem os tucanos que o instituto pensa que pode beneficiar

Vox Populi – Petistas acreditam nele em peso e os tucanos não acreditam na mesma medida.

Sensus – Visto com desconfiança generalizada por ser ligado a políticos dos dois lados

Datafolha – Longo histórico de manipulações e ligado ao jornal mais serrista do Brasil

Coincidentemente, esses institutos vêm apresentando todos os mesmos números com pequenas variações, com exceção das recentes desafinadas do Ibope e com a considerável desafinada que imagino que nos próximos dias ficará demonstrado que o Datafolha deu.

Com esses institutos que estão aí, acho que fica um pouco mais difícil acreditar em pesquisas. Mas sabe-se que não podem subverter totalmente os princípios básicos da Estatística, os quais se prendem a nada mais, nada menos do que tendências. Estas, mais do que os números em si, podem ser observadas para entender o que se quer.

Olhar pesquisas isoladamente, dar credibilidade a um único instituto num momento em que um deles se presta a produzir pesquisa para embalar o lançamento de uma candidatura, é perder tempo. Mas, em meio às fraudes, sempre escapará um fio de verdade. Só que não necessariamente no ponto que aquela sondagem pretendeu focalizar.

No caso do último Datafolha, há contradições flagrantes no voto espontâneo e na saída de Ciro Gomes da disputa presidencial, saída que, no instituto de pesquisa da família Frias, praticamente não provoca oscilações.

O fato, enfim, é que quase toda a grande indústria estatística privada está caindo na tentação de se deixar usar como arma eleitoral, o que promete tornar a campanha à Presidência da República a mais confusa da história. Em 2010, portanto, o brasileiro enfrentará seu maior teste cívico.

Mas posso garantir uma coisa: mesmo estando tão difícil acreditar em pesquisas ultimamente, acredito gostosamente nelas. De uma forma ou de outra.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h09
[] [envie esta mensagem]



Vox Populi vem aí

Vox Populi vem aí

 

 

 

 

Foi rápido. A partir desta terça-feira, o instituto Vox Populi irá conferir o que é que o Datafolha andou aprontando.

Quem encomendou a pesquisa, porém, não foi o PT, mas a TV Bandeirantes...

Ah, sim, a dica é do leitor Estanislau.

Abaixo, o registro da pesquisa, extraído do site do TSE

 

Data do Registro

29/03/2010

Protocolo

7337/2010

Contratada

 Vox Opinião Pesquisa

Contratante

 Radio e Televisão Bandeirantes



Origem dos Recursos

Radio e Televisão Bandeirantes

Pagante do Trabalho

Radio e Televisão Bandeirantes

Período de

 30/03/2010 a 31/03/2010

Entrevistados

2000

 

 

 Cargos

Presidente,

Registro no CONRE

5ª Região - N°008

Estatístico

Maria Cecília Sacramento



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h45
[] [envie esta mensagem]



Aos mestres sem carinho

Aos mestres sem carinho

 

 

 

 

 

Vendo a situação da Educação no Estado de São Paulo, onde tem lugar uma guerra entre os professores da rede pública, de um lado, e o governador do Estado e a imprensa local do outro, decidi rever um clássico do cinema que se relaciona muito com o assunto e que a minha erudita mãe, uma advogada e socióloga fluente em oito idiomas que se foi há quarenta anos, fez com que eu assistisse aos sete anos de idade, quando dava os primeiros passos na escola.

Como alguém já pode ter adivinhado, assisti “To Sir with Love” (Ao mestre com carinho), com Sidney Poitier, de 1966. O filme narra a saga de um professor negro que enfrenta alunos indisciplinados e desordeiros em uma escola pública. Poitier era Mark Thackeray, um engenheiro desempregado que resolve dar aulas em Londres. Os alunos pobres e rebeldes iam às aulas determinados a fazê-lo desistir como haviam feito com seu antecessor. Mas Thackeray, contrariando seus pares, enfrenta o desafio e vence, fazendo dos rebeldes jovens maduros e dispostos a estudar.

Minha mãe me fez assistir àquele filme para que eu percebesse a sorte que tinha na vida. Fora matriculado no Colégio Dante Aligheri, uma das escolas particulares de elite de São Paulo, na qual fiz o ensino primário.

O filme é perfeito para, à sua luz, analisar a situação no ensino público paulista, um dos piores de um país no qual os mestres enfrentam diariamente problemas análogos ao que Poitier – ou “Mr. Thackeray” – enfrentou e venceu. No Brasil, com destaque para São Paulo, são raros os finais felizes. Simplesmente porque, à diferença da sociedade e do Estado britânicos do fim dos anos 1960, em um Estado rico como o meu inexiste maior preocupação com as condições de trabalho dos seus professores.

O que o ator negro norte-americano enfrenta no filme é fichinha perto do que os nossos mestres passam cotidianamente, sofrendo até agressões físicas dos jovens pobres e rebeldes que ensinam e, o que é mais revoltante, ganhando uma fração do que ganhavam professores como “Mr. Thackeray” e seus colegas bem vestidos e bem pagos pelo Estado britânico.

Em São Paulo, o Estado cobra conhecimentos dos professores em provas de “seleção” sem se preocupar em lhes oferecer formação adequada. E a sociedade paulista faz coro com o governador ao tachar de “baderneiros” professores que reclamam dos salários absurdamente baixos em vez de apoiá-los para que, tendo condições de sempre estarem estudando e se aperfeiçoando, melhor pudessem ensinar, além de estarem motivados a dar o melhor de si nessa profissão que, no mundo civilizado, é altamente respeitada.

Ao fim do filme, fiquei imaginando como terminaria se o Estado britânico dos anos 1960 tivesse tratado a Educação como os governos de São Paulo vêm tratando durante todo o século XX e começo do século XXI, ou seja, sem qualquer “carinho”.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h49
[] [envie esta mensagem]



Um pacto político pelo Brasil

 

Um pacto político pelo Brasil

 

 

 

 

Serei chamado de ingênuo, mas, em verdade, sou um perseverante na crença no ser humano. Não acredito em maldade, mas em loucura. Aquele que determinadamente faz o mal, a meu ver não está em seu juízo perfeito.

Quando se fala em ideologia, fala-se em esquerda e direita. E hoje, ontem e sempre, ao tratar tal polêmica se opõe – ou se pensa que opõe – o bem ao mal, ou vice e versa. Porque cada um a seu modo acha que faz o que é melhor para a sociedade.

É claro que me refiro às pessoas imbuídas de boas intenções, que sei que há em qualquer parte do espectro político.

Claro que, como um homem político e ideológico, acho que aquele que pensa diferente de mim é que está equivocado, mas não mais do que isso. Não confundo os mal-intencionados com os equivocados.

É por isso que, sempre correndo o risco de parecer tolo e crédulo, quero atender à minha consciência e fazer uma proposta à sociedade, mais especificamente a esses que se deixaram contaminar pelo vírus da disputa político-ideológica.

Considero sofrível o nível do embate político que flagela as Américas, apesar de que em outras partes do mundo é muito pior. Mas como, por aqui, julgo possível elevar a política ao nível das sociedades mais civilizadas, penso que vale a pena dar estas idéias.

Em minha opinião, a guerra política tem prejudicado o país. A ferocidade da oposição demo-tucana ou a do PT quando estava na oposição certamente criaram obstáculos à governabilidade.

Contudo, desta vez tanto PT quanto PSDB têm chances de chegar ao poder e não quero, para o Brasil, mais quatro anos de guerra política – e você, leitor, seja simpatizante de um lado ou do outro, tampouco deveria querer.

A partir do resultado desta eleição, talvez possamos construir um espectro político mais racional, inteligente, civilizado e profícuo para o nosso país. Só depende de nós, sociedade.

Desta maneira, proponho que, se o PT perder a Presidência da República, que faça uma oposição diferente da que fez antes de ser governo e da que faz hoje o PSDB por saber, após quase oito anos de sabotagens oposicionistas, quanto uma oposição sistemática prejudica o país.

Por outro lado, se o PSDB perder a eleição proponho que aceite o resultado e que entenda que não será através da sabotagem e da escandalização do nada que conseguirá retomar o poder, pois terá ficado claro que a sociedade não aceita mais tais métodos.

E, à imprensa, proponho que saia da política, sobretudo se seu candidato vencer. Que seja imprensa, que fiscalize seu favorito, que não lhe dê a moleza que deu a FHC, por exemplo, ou que dá a Serra, mas que não seja como é hoje com o governo petista.

E, se o candidato midiático perder, espero que, ao menos para a mídia se preservar de ainda maior desmoralização, pare de agir como partido político oposicionista.

Se esse acordo fosse fechado para viger a partir de um momento em que o destino do país, nos próximos quatro anos, estará irremediavelmente decidido, poderemos dar um passo de gigante para deixarmos de ser o país socialmente atrasado que somos.

Os benefícios desse pacto político serão muitos. Com as tensões sociais mitigadas por uma vida melhor para todos, haverá menos criminalidade e violência e a elite poderá desfrutar muito melhor da sua riqueza.

Uma campanha eleitoral limpa, que discuta idéias para melhor aproveitarmos o momento brilhante que vive o Brasil, será o primeiro passo para nos tornarmos um povo mais sábio e merecedor de tudo de bom que o futuro nos reserva.

Estou sonhando muito alto? Talvez, mas não vejo sentido em sonhar baixo. E, além disso, sonhos se tornam realidade todos os dias. Não há uma impossibilidade concreta de haver um pacto político. O que impede que ocorra são meras idiossincrasias.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h04
[] [envie esta mensagem]



Caso Datafolha promete

Caso Datafolha promete

 

 

 

 

 

 

Se você, leitor, chegou de Marte agora, permita-me atualizá-lo sobre um escândalo que promete ser rumoroso entre os setores mais politizados da população. No último sábado, o instituto Datafolha, pertencente à Folha de São Paulo, publicou uma pesquisa sobre a sucessão presidencial que surpreendeu a todos, inclusive àqueles que beneficiou.

Como Dilma Rousseff vem crescendo em todas as pesquisas de intenção de voto para presidente e seu adversário José Serra vem caindo, Márcia Cavallari, do Ibope, João Francisco Meira, do Vox Populi, Mauro Paulino, do Datafolha, e Ricardo Guedes, do instituto Sensus, reunidos publicamente em São Paulo na semana passada em evento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas, concordaram que a candidata petista é hoje a favorita para ganhar as eleições de 2010.

De repente, porém, aparece essa pesquisa Datafolha mostrando queda da petista (dentro da margem de erro) e considerável subida do tucano. O resultado foi tão surpreendente que, em sua coluna deste domingo na Folha, o colunista Clóvis Rossi diz assim que não entendeu nada:

 

O resultado da pesquisa mais recente, ontem publicada, é um denso mistério, ao menos para mim. Não consigo encontrar uma explicação forte para o fato de José Serra ter subido quatro pontos em um mês”.

 

Não foi por outra razão que, no mesmo sábado em que a pesquisa “sui generis” foi divulgada, o diretor do Datafolha tentou explicar o inexplicável com o velho clichê de que “pesquisas são um retrato do momento” etc.

Já neste domingo, a Folha publica um editorial pretendendo explicar mais do que a pesquisa “estranha”, mas o futuro, ou seja, o que outras pesquisas deverão mostrar.

 

SÃO SURPREENDENTES, ainda que não constituam reversão categórica nas tendências do eleitorado, os números da pesquisa do Datafolha sobre sucessão presidencial, divulgados ontem(...)”.

 

Mais sincero – ou descuidado – que Rossi, outro colunista da Folha, o Kennedy Alencar, explicou, na internet, a situação que levou o jornal mais engajado na candidatura do PSDB à Presidência a literalmente estuprar o seu Datafolha. Segundo ele, sem essa pesquisa o lançamento iminente da candidatura tucana à Presidência ocorreria em clima de “velório”.

A pressa da Folha em “explicar”, não a sua pesquisa “maluca”, mas os resultados de outros institutos que deverão contrariá-la em breve, denota que o partidarismo pode ter causado um dano muito sério a um dos pilares de sua sustentação no mercado. O Datafolha é – ou era - um diferencial desse veículo de comunicação.

Penso que o efeito pretendido pela Folha e por José Serra ao engendrarem essa aparente farsa estatística poderá ser conseguido, só que parcial e inicialmente. Os leigos acreditarão na reação de Serra, bem como parte dos tucanos, dos seus aliados em outros partidos e de financiadores de campanha identificados com o projeto eleitoral da direita.

Todavia, duvido de que outros institutos, além do Ibope, aceitarão se envolver nessa farsa. Daí as insistentes “explicações” da Folha para o tsunami estatístico que vem por aí e que deverá fazer este assunto retornar à pauta política em breve. Não percam, portanto. Será divertidíssimo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h22
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
As Últimas - agregador
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Clipping jornais
Celso Lungaretti
Confecom
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Jornalirismo
Leandro Fortes
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Tijolaço
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco