Como nasceu a Altercom

Como nasceu a Altercom

 

 

 

 

“Você tem que participar desta discussão”, disse-me Joaquim Palhares, o nome por trás da Agência Carta Maior e um dos maiores articuladores da esquerda brasileira não-partidarizada. Era um fim de tarde de dezembro e ambos estávamos em Brasília, no plenário do Centro de Convenções Ulisses Guimarães, durante a abertura da primeira Conferência Nacional de Comunicação.  

Nos dias que se seguiram, Palhares me deu mais informações sobre o que começava a articular de forma decisiva, ainda que tenha dito, durante a assembléia de constituição da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom), que teve lugar neste sábado, que aquele ato que estava acontecendo era a “realização de um sonho” que vem sendo sonhado há pelo menos dois anos.

A idéia de uma associação de empresários e empreendedores de mídia que me foi então explicada pelo agora presidente eleito da entidade, Joaquim Ernesto Palhares, era a de dar uma face política e jurídica a todos aqueles que, como eu, fazem “jornalismo cidadão” ou “alternativo”, seja em blogs ou sites – tanto os mais quanto os menos lidos –, rádios e tevês comunitárias, pequenos jornais e revistas etc.

Mas por que dar essa face jurídica comum a segmentos tão diferentes? Como unir empresários e empreendedores de tantos segmentos em uma única associação? A grande mídia se reúne em torno de associações segmentadas como a ANJ, que congrega os grandes jornais, ou como a Abert, que congrega as grandes tevês comeciais. Por que unir jornais, rádios, tevês, blogs em uma única associação?

A resposta é muito simples: pelo mesmo motivo que todos os democratas – e não tão democratas – do país refugiaram-se no PMDB entre 1964 e 1985, pois, do outro lado, havia uma ditadura análoga à da grande mídia, que hoje abarca para si praticamente todos os recursos e concessões públicas devido a uma legislação imoral feita para manter grandes e pequenos onde estão.

Ciente da importância do surgimento de uma entidade como essa, apesar de não ter condições de assumir qualquer outro cargo em qualquer outra entidade por razões que serão óbvias para os que me lêem há mais tempo, fiz questão de participar da fundação da Altercom de forma a integrar, em dados momentos, a Assembléia Geral da entidade, a qual será sua mais alta instância executiva, sobrepondo-se, inclusive, à própria Presidência.

Cheguei ao prédio do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, onde a Altercom foi constituída, por volta das 10h30m deste sábado. Trabalhamos no estatuto da entidade o dia inteiro, com pausa de uma hora e meia para o almoço, e só conseguimos sair de lá por volta das 19 horas. Mas fundamos a Associação.

Agora, recolho-me ao papel de mais um colaborador da Altercom em termos de divulgação e do que mais me for solicitado, condição da maioria dos que lá estivemos. Mas terminei o sábado sentindo-me parte de um processo importantíssimo para a democratização da comunicação neste país. Unidos, os pequenos terão uma força inimaginável há alguns anos. Uma força que ainda se fará conhecer.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h20
[] [envie esta mensagem]



Ajude a criar o novo blog

Ajude a criar o novo blog

 

Atualizado às 09h45m de 9 de abril de 2010



 

 

 

 

 

Acabo de voltar de reunião com a empresa que passa a cuidar do desenvolvimento do novo Cidadania. Discutiu-se lay-out, funcionalidades da nova página, exportação dos arquivos deste blog etc. Fiquei animado. Tenho um projeto na cabeça que agradará, inovará e não será caro. E é possível que entre no ar antes do que eu esperava.

A fase, agora, é de ver tudo de que necessitamos no blog novo, até para eu mensurar possibilidades. Tenho umas idéias meio arrojadas que talvez não dê para implantar já por motivo$ de força maior, mas quero explorar ao máximo o que a plataforma Wordpress oferece.

Infelizmente, porém, não será já que conseguirei levar arquivos, imagens e vídeos deste blog para o novo. O UOL tem uma política malandra: não oferece meios de exportar minha propriedade intelectual.

Teria que copiar post por post, imagem por imagem, vídeo por vídeo postados nos últimos quatro anos e pouco. Talvez, portanto, venha a ser necessário exigir com maior veemência, por assim dizer, o que é meu. E isso pode demorar um pouco mais.

Contudo, já posso garantir que o novo blog oferecerá muito mais do que este, além de, agora, ter as ferramentas para ser mais difundido, pois, apesar de a audiência do Cidadania ter chegado a surpreender a empresa que construirá o novo blog, disseram-me que a ferramenta UOL me coloca em uma situação análoga a disputar amarrado uma corrida.  

Finalmente, quero dizer que acho justo que vocês opinem e sugiram sobre o que querem no novo blog, que, na medida das minhas possibilidades, atenderei. Isso sem falar no aspecto sentimental, porque grande parte dos leitores do Cidadania o ajudaram a crescer tanto e, assim, considero-os seus co-autores.

Não estabelecerei o que deve ser objeto de sugestões. Que cada um solte a mente. Muitas vezes, o que se pensa ser impossível pode, sim, ser feito. E, se não puder, pode se tornar um objetivo a perseguir. Criação é um processo magnífico. Muitas vezes, de uma boa idéia imediatamente inviável pode nascer outra semelhante e viável.

Enfim, agradecerei a todo aquele que ajudar a criar o novo Cidadania com suas idéias e opiniões, para que, juntos, dividamos os resultados significativos que tenho certeza que advirão do passo que será dado.

 

 

Altercom

 


Neste sábado pela manhã, irei prestigiar a cerimônia de constituição da Altercom, entidade que terá como objetivo central defender os interesses políticos e econômicos das empresas e empreendedores de comunicação alternativos. O blog será atualizado à tarde, o que também dará tempo para que façam mais dessas excelentes sugestões que estão sendo postadas sobre o novo blog Cidadania.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h20
[] [envie esta mensagem]



O nome da assassina

O nome da assassina 

Atualizado às 08h07m de 9 de abril de 2010

 

 

 

 

 

 

 

Não consigo encontrar um só inocente nessas tragédias climáticas que assolam o país. E não me refiro só aos governantes de todos os níveis e partidos – cheios de responsabilidades pelo sofrimento dos flagelados –, mas a cada cidadão de cada quadrante do Brasil.

Para começar a entender ao que me refiro, basta olhar para quem são as vítimas da enfurecida mãe natureza. Elas têm uma característica decisiva que as expõe a essas tragédias que se repetem uma e outra vez a cada ano, desde sempre: são todas pobres.

E a pobreza é decisiva para definir quem serão as vítimas dessas catástrofes porque empurra as pessoas para morros ou para guetos nas grandes cidades para os quais o Estado olha menos do que deveria, até por não ter recursos para solucionar todos os dramas sociais.

Mas por que o Estado não tem todos os recursos de que necessita, se este é um país tão rico?

Sabendo-se  que bairros inteiros fatalmente  alagarão em São Paulo ou que encostas desmoronarão no Rio de Janeiro tão certo quanto a noite sucede o dia, deveria haver uma ação coordenada entre os governos federal, estaduais e municipais para impedir o morticínio que todos sabem que virá.  

Mas não adianta: enquanto houver tanta pobreza em um país tão rico, essas mortes estúpidas continuarão ocorrendo com a previsibilidade da sucessão das estações do ano.

É uma aberração o nível de pobreza brasileiro, que obriga famílias inteiras a irem viver nas franjas desestruturadas das cidades de todos os portes e de todas as regiões do país.

Podemos culpar o governo federal, os dos Estados e os dos municípios de acordo com as nossas conveniências políticas tanto quanto a imprensa pode denunciar certos políticos e poupar outros, também de acordo com os seus interesses político-partidários. Todos estarão certos e errados ao mesmo tempo.

A verdadeira culpa é do conjunto da sociedade, que admite que exista uma pobreza tão grande que obriga pessoas a arriscarem suas vidas vivendo em locais nos quais se sabe que suas próprias vidas estarão ameaçadas.

O nome da monstruosa assassina que mantém um país tão rico produzindo tragédias admissíveis somente em países miseráveis a despeito de ter todos os recursos para salvar essas vidas, é concentração de renda.

Essa pobreza tão extrema poderia ser evitada se os setores que fazem do Brasil um dos países mais desiguais do mundo admitissem contribuir de forma equânime com os cofres públicos. Mas essas fortunas absurdas que nos afrontam nem mesmo pagam seus impostos em dia, enquanto financiam políticos para impedirem que as façam contribuir.

Enfim, rodamos, rodamos e chegamos ao mesmo ponto de sempre, pois só há uma forma de mudar essa situação. Precisamos educar nosso povo para que sempre faça opções políticas que levem o país a distribuir renda.

 

 

A migração do blog

 

 

Informo que, na manhã desta sexta-feira, terei a primeira reunião com a empresa de tecnologia na internet que remodelará e fará migrar este blog. Os comentários postados a partir das dez horas serão publicados logo depois do almoço



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h16
[] [envie esta mensagem]



A dupla tragédia paulista

A dupla tragédia paulista

 

 

 

 

 

 

Se se puder mensurar as tragédias pelo número de mortes que causam, a que ora acontece no Rio de Janeiro não é muito pior do que a que aconteceu em São Paulo no último verão, com a diferença de que a tragédia das águas em São Paulo vem se mostrando crônica e a do Estado vizinho ao meu, episódica.

Pode-se, pois, atribuir muito mais a tragédia carioca a fenômenos climáticos do que a de São Paulo, onde inventaram um mega fenômeno que durou meses. Porque, segundo as últimas contagens, em São Paulo morreram cerca de oitenta pessoas ao longo de três meses e no Rio de Janeiro cerca de 130 pessoas morreram em questão de poucos dias.

Vale esclarecer, porém, que é uma bobagem de proporções meteorológicas dizerem que em tal dia choveu tudo que havia para chover em um determinado período simplesmente porque o clima não obedece a esquemas matemáticos e isso não é novidade nem para meteorologistas, nem para governantes. E quem diz isso são os meteorologistas.

Outro ponto a destacar é o de que, em São Paulo, as mortes concentraram-se mais em áreas urbanas por conta de acidentes causados pelas enxurradas nas vias entupidas por lixo e impermeabilizadas à vazão das águas, enquanto que, no Rio de Janeiro, as vidas se perderam muito mais devido a ocupação irregular em encostas, nas áreas de risco de deslizamentos.

Infelizmente, a imprensa partidarizada tratou a tragédia carioca diametralmente diferente da paulista, o que faz parecer que há alguma diferença entre morrerem oitenta ou cento e trinta pessoas. Essa gradação macabra, assim, não passa de desrespeito à vida humana.

É claro que tanto em São Paulo quanto no Rio desgraças são obra de gerações de governantes incompetentes, irresponsáveis e/ou corruptos. E os atuais governantes de um Estado e do outro são igualmente culpados, pois nem no meu Estado nem no vizinho houve preocupação com a vida humana a ponto de prevenirem tais desgraças.

É muito fácil atribuir a culpa ao povo que se instala em áreas de risco quando este não tem para onde ir tanto quanto é fácil culpá-lo pelas enchentes por atirar lixo nas ruas quando não se faz coleta de lixo adequada e não se desassoreia rios depositários de esgoto e de toda sorte de detritos.

Se as duas tragédias são de culpabilidade dos governantes presentes e pretéritos (mais destes) dos dois Estados, não se entende a predileção da imprensa pela tragédia e pelas culpas cariocas. Por que a tragédia carioca ocupa 30 minutos do Jornal Nacional e a paulista, 2 ou 3 minutos?

As conclusões são óbvias: um Estado é governado por aliados da imprensa e o outro, por adversários, por mais que seja bizarro constatar uma imprensa que se diz imprensa e que assim mesmo tem aliados e adversários políticos...

Enfim, penso que as desgraças no Rio ou em São Paulo mostram que os Estados e municípios têm sido governados muito aquém do mínimo respeito à vida humana só porque a sociedade não se importa com as populações mais fragilizadas pela pobreza e, assim, não exige que alguma coisa seja feita nas regiões onde essas catástrofes são recorrentes.

Resta lamentar que as tragédias estejam sendo graduadas de acordo com interesses políticos da imprensa, de forma que esta faz pressão sobre alguns governantes e não faz sobre outros. Diante disso, por a imprensa estar fazendo seu trabalho no Rio e não ter feito em São Paulo, acho que os paulistas ficaram no prejuízo duas vezes.

 

 

Apoio dos leitores

 

 

Quero agradecer o apoio que deram à minha decisão de retirar o blog daqui e às ofertas de ajuda que me fizeram. Por isso, reafirmo meu compromisso de lhes oferecer sempre o melhor que estiver ao alcance destes neurônios cansados. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h23
[] [envie esta mensagem]



Sair do UOL

Sair do UOL

 

Atualizado às 19h52m de 7 de abril de 2010 


 

 

 

Não há mais como este blog permanecer no UOL. E não é só pelas questões políticas – por conta de o portal pertencer a um grupo empresarial que vem flertando com a criminalidade –, mas devido à “ferramenta” ser muito ruim.

Conversei hoje com um especialista no assunto, o Emerson Luis, blogueiro e jornalista especializado em internet que, em 2009, tornou-se um amigo durante os preparativos para o ato público contra a Ditabranda, nascido neste blog.

A questão que levei ao caro Emerson foi a seguinte: será que o Google me odeia? Sim, porque, apesar de os acessos a este blog não pararem de crescer, quando se vai ao Google o Cidadania está praticamente invisível.

Conheço blogs com poucos leitores e que aparecem na ferramenta de busca muito mais do que este. E, muitas vezes, republicando postagens extraídas daqui, o que explica a contínua vinda de leitores. Mas se o Cidadania dependesse do Google, estaria perdido

Emerson me explicou que, por o UOL não ter a “ferramenta” para inserir tags (palavras-chave que orientam as buscas) nas postagens, o Google não tem como localizar este blog. Segundo ele, o UOL está atrasado em pelo menos dez anos, em termos de tecnologia.

Além disso, não descarto uma certa sabotagem. Mesmo levando em conta que o UOL é “ferramenta” ultrapassada, este blog vai submergindo no Google na mesma medida em que ganha mais e mais leitores. Mesmo se não chegassem centenas e centenas de leitores todos meses, deveria manter o ritmo na maior ferramenta de buscas do mundo.

Não será, claro, do dia para a noite que conseguirei migrar. Talvez intencionalmente, o UOL não oferece instrumentos para tirar daqui toda a imensa produção intelectual que produzi nos últimos anos. Além do que, precisarei de dinheiro e terei que consegui-lo.

Há algum tempo surgiu uma campanha de boicote ao UOL e vários leitores versados em informática se propuseram a me ajudar, pelo que agradeço. Contudo, devido à natureza deste blog fica difícil entregar uma operação tão delicada a alguém que não conheço.

Enfim, garanto que desta vez, vai. Tenho que tirar o Cidadania do UOL até pela questão ética, pois não dá para ficar pagando caro para manter o blog aqui e ainda ajudar a engordar o dragão da imprensa golpista.

Espero que vocês venham comigo. Farei um novo Cidadania muito melhor visando lhes dar mais “conforto” e interação. Farei investimento técnico, intelectual e financeiro, pois, como já disse, eu lhes pagaria por serem meus leitores, se pudesse.

 

 

Boa notícia sobre o blog

 

 

Recebi uma boa noticia de leitor que me segue no Twitter. Vejam, abaixo:

 

 




 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h49
[] [envie esta mensagem]



Jornais acusam Vox Populi de fraude

Jornais acusam Vox Populi de fraude

 

 

 

 

O jornal Folha de São Paulo publicou nesta terça-feira, 6 de abril de 2010, nova “denúncia” contra o instituto Vox Populi por conta da pesquisa que fez sobre a sucessão presidencial para a TV Bandeirantes. Diante disso, telefonei para a sede do instituto em Belo Horizonte para pedir esclarecimentos à sua assessória de imprensa. Falei com uma pessoa que se identificou como Rita e me deu um e-mail para enviar as questões.

Reproduzo, abaixo, a mensagem que enviei.

 

*

Prezada sra. Rita,

 

Meu nome é Eduardo Guimarães. Sou editor do blog Cidadania.com. Conforme instruções que V. Sa me forneceu nesta data por telefone, solicito informações do instituto Vox Populi sobre duas matérias publicadas pelo jornal Folha de São Paulo em 3 de abril último e neste dia 6 de abril, e sobre uma terceira matéria publicada no mesmo sábado pelo portal do jornal O Estado de São Paulo na internet e assinada pelo jornalista José Roberto Toledo.

A matéria de sábado passado na Folha alude a mudanças de metodologia na pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial feita a pedido da TV Bandeirantes e divulgada por aquela emissora no mesmo dia. A denúncia do mesmo jornal nesta terça-feira se refere àquela matéria e a denúncia surgida em um blog apócrifo. Esta segunda denúncia foi publicada por esse blog também no último sábado e repercutida hoje pelo mesmo jornal, porém sem citar a fonte.

A primeira matéria acusatória foi publicada na coluna “Painel” do jornal supra mencionado. Abaixo, transcrevo a nota assinada pela jornalista Renata Lo Prete.

 

Prancheta 1.

Chama a atenção, no questionário de pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial com campo em 30 e 31 de março, a inclusão de pergunta relativa aos cargos que os candidatos já ocuparam, quebrando o fluxo das respostas espontânea e estimulada sobre intenção de voto. Esse tipo de procedimento é conhecido por distorcer resultados.

Prancheta 2.

Para completar, as opções diante do nome de José Serra (PSDB) estão incompletas. Há apenas "governador" e "governador de São Paulo".

 

Abaixo, a segunda matéria da Folha contendo acusação de fraude que teria sido praticada pelo instituto Vox Populi para beneficiar a senhora Dilma Rousseff na pesquisa que o instituto fez para a TV Bandeirantes. Também foi publicada na mesma coluna “Painel” e assinada pela mesma jornalista.

 

GPS 1.

Segundo dados fornecidos à Justiça Eleitoral, a pesquisa Vox Populi de intenção de voto para a Presidência recém-divulgada pela Band repetiu o itinerário (incluindo ruas, casas e endereços dos entrevistados) da sondagem anterior do instituto, feita em janeiro. Em ambas, Dilma aparece em ascensão. Na mais recente está tecnicamente empatada com Serra.

GPS 2.

De acordo com profissionais da área, voltar aos mesmos lugares para uma nova rodada de pesquisa é procedimento que ameaça "viciar" o resultado. Além disso, pode fazer com que partidos tentem influenciar no campo determinado. Institutos como o Datafolha optam por variar os municípios e/ou os endereços pesquisados.

Outro lado.

Diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra nega que o instituto tenha voltado aos mesmos locais na nova pesquisa. Diz ainda não ver problema em fazer pergunta sobre o grau de conhecimento dos candidatos interposta entre as questões para aferir intenção de voto espontânea e estimulada. Segundo ele, tal procedimento tem respaldo na literatura internacional sobre o tema.

 

Finalmente, reproduzo, abaixo, a terceira matéria publicada por um jornal de circulação nacional. Como as outras duas, esta matéria também contém acusações a esse instituto e a afirmação textual de que lhe abalarão a credibilidade.

 

A curiosa ordem das questões na pesquisa Vox Populi

por Jose Roberto de Toledo

03.abril.2010

A pesquisa Vox Populi divulgada neste sábado pela Band provocou polêmica antes mesmo de seus resultados serem conhecidos. Isso porque o questionário registrado no TSE mostrava uma peculiaridade: a ordem das perguntas era diferente das de outras sondagens feitas pelo próprio Vox Populi e pelos demais institutos. Em pesquisa eleitoral, a ordem dos fatores altera o produto.

Na pesquisa registrada com o protocolo 7.337/2010, o Vox Populi primeiro pergunta ao entrevistado em quem ele votaria se a eleição para presidente fosse hoje, sem apresentar a relação dos nomes dos candidatos. É a pergunta 11, que mede a chamada intenção de voto espontânea. Até aí, está tudo dentro do esperado. A novidade foi na pergunta seguinte.

Antes de apresentar o cartão circular com o nome dos candidatos e perguntar em quem o entrevistado escolheria dentre aqueles nomes, o instituto inseriu duas outras questões, a 12 e a 13. Nelas, o entrevistador cita nominalmente os candidatos e pergunta, primeiro, se o entrevistado conhece ou não aqueles nomes. Em seguida, pergunta se o eleitor saberia dizer quais cargos cada um dos quatro principais presidenciáveis ocupou, e volta a nominar cada um deles.

Que mal há nisso? Difícil dizer. Para termos certeza de que a colocação das questões 12 e 13 antes da pergunta sobre intenção de voto estimulada alterou o resultado da sondagem, seria necessário fazer a mesma pesquisa, sem a 12 e 13, e comparar os resultados.

Mas isso já levou a especulações de que a menção e repetição dos nomes dos candidatos, mais o esforço do entrevistado para lembrar-se dos cargos já ocupados pelos presidenciáveis, poderiam, juntos, acionar alguma rede neural que associa o nome de Dilma Rousseff ao governo federal e, por consequência, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inflando sua intenção de voto estimulada.

É uma especulação propagada pelos adversários da candidata petista. Eles, provavelmente, recordarão declaração feita há duas semanas pelo diretor do Vox Populi, João Francisco Meira Neto, durante congresso da Abep, segundo quem “se não houver um acidente, não é impossível Dilma ganhar no 1º turno”.

Colocando os resultados do Vox Populi em perspectiva, comparando-os com os do Datafolha e do Ibope e calculando a média móvel das três sondagens mais recentes, percebe-se uma pequena diferença, mas nada que fuja às tendências. Com maior ou menor intensidade, as pesquisas mostram Serra à frente, com Dilma crescendo, mas em ritmo mais lento do que até o começo de fevereiro.

Nesse caso, o maior prejudicado não parece ter sido nenhum dos candidatos, mas o próprio instituto. Difícil acreditar que houve intenção de inflar ou deflacionar os percentuais de um ou outro candidato. Mas a mudança da ordem das perguntas, fugindo ao que é a ortodoxia nesse tipo de sondagem, dá espaço para especulações e críticas que podem arranhar, mesmo que imerecidamente, a credibilidade do Vox Populi. E, em última instância, é isso que o instituto vende.

 

Solicito, pois, informações sobre o que foi publicado e, mais especificamente, sobre parte da segunda matéria da Folha que insinua que a Justiça Eleitoral teria confirmado que a pesquisa em tela “repetiu o itinerário (incluindo ruas, casas e endereços dos entrevistados) da sondagem anterior do instituto, feita em janeiro”. Há dúvida sobre se isso aconteceu e, caso tenha acontecido, sobre se existe alguma restrição técnica ou legal a tal procedimento.

Concluo informando que o Cidadania.com é um dos blogs políticos mais lidos do país, sendo acessado intensamente por setores da grande imprensa e da classe política e por membros de governos e do Poder Legislativo. Considero, pois, que estas questões constituem uma excelente chance para essa instituição repor a verdade dos fatos, caso não seja verdade o que foi divulgado pelos órgãos de imprensa supra mencionados.

Cordialmente,

Eduardo Guimarães

 

 

E o Vox Populi se defende

 

 

Do blog de Luis Nassif

 

Quem tem de se explicar é o Datafolha”, afirma João Francisco Meira, diretor-presidente do Vox Populi. Ele critica ainda a Folha por não ouvir o instituto ao questionar sua metodologia

São Paulo – Diante dos questionamentos a respeito dos resultados da pesquisa eleitoral do Vox Populi, o diretor-presidente do instituto João Francisco Meira critica a cobertura da Folha de S.Paulo e enseja ir ao ataque. “Quem tem de se explicar é o Datafolha”, afirma em entrevista à Rede Brasil Atual.

(…)

A diferença de metodologia entre os realizadores de pesquisas eleitorais poderiam ser reduzidas, na visão de Meira, com diálogo entre as empresas, mas não há disposição para isso. “É uma discussão que deveria estar no plano técnico mas, por uma opção editorial, dão outro rumo”, lamenta.

“O Vox Populi tem um modelo, falamos na casa das pessoas, damos tempo para elas responderem, nossas pesquisas podem ser auditadas a qualquer tempo”, pondera. “O Datafolha faz entrevistas na rua, sem verificar se a pessoa mora mesmo na cidade”, compara.

Meira lembra que outros institutos como o Sensus e o Ibope trouxeram tendências semelhantes às contatadas pelo Vox Populi. Ainda segundo ele, o único com dados divergentes foi o Datafolha. “Na pesquisa de março, (os técnicos do Datafolha) não publicam detalhes, e as explicações que deram não batem”, critica. As mudanças no cenário, relacionadas ao fim dos problemas com as chuvas em São Paulo e o crescimento sem causas específicas na região Sul foram as razões apresentadas pelo Datafolha.

Segundo Meira, a principal diferença entre os institutos é que o Datafolha faz parte de um grupo de comunicação que tem um jornal de grande circulação. “Não posso brigar com um jornal como esse”, sustenta. “Enviamos uma nota ainda no sábado para o jornal (Folha), mas nenhuma linha foi publicada. Queria saber se o manual de jornalismo que eles dizem respeitar está sendo respeitado neste caso”, ataca.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h01
[] [envie esta mensagem]



A dimensão de Lula

A dimensão de Lula

 

Atualizado às 13h20m de 6 de abril de 2010


 

 

 

 

 

Apesar de ser fã de carteirinha do presidente Lula, fiquei surpreso com o seu desempenho na entrevista que concedeu ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, apresentado a partir das 23 horas do último domingo. Isso porque, sob pressão extrema, ele sempre se saiu pior do que poderia mesmo sendo esse comunicador prodigioso que até seus adversários reconhecem.

E o presidente esteve sob forte pressão naquele programa. Jornalistas tarimbados e especializados nesse tipo de debate, que se apresentam e são pagos como portentos de inteligência e de conhecimentos gerais – e não estou dizendo que sejam o que pensam que são, é bom esclarecer –, tentaram, por todas as formas, encurralá-lo ou fazê-lo se perder em sua argumentação. Mas fracassaram, pois nunca o vi tão afiado.

Contudo, que não pensem que estou reclamando de Lula ter sido inquirido daquela forma porque esse é o papel do jornalista. Imaginem se, num programa de mais de hora, os entrevistadores se limitassem a discutir amenidades e a elogiar o entrevistado. Seria aborrecido demais. Aliás, as perguntas incômodas foram boas até para o presidente ter como responder às críticas-padrão a seu governo e a ele mesmo.

É aí, então, que a porca torce o rabo – nas críticas-padrão. Os inquiridores de Lula, do alto de suas, digamos, propaladas “sapiências”, foram de uma mediocridade a toda prova. Nenhum, absolutamente nenhum dos questionamentos e críticas que fizeram saiu de suas cabeças. Estavam todos seguindo um roteiro que se vê à exaustão nessa imprensa anti-Lula e anti-PT, dia após dia, há quase oito anos.

Como apreciador incondicional do bom jornalismo, apoiaria se tivessem feito questionamentos realmente relevantes. Poderiam ter perguntado por que se permite que os bancos continuem praticando o maior “spread” (taxa de risco nos empréstimos) do mundo em um país que hoje tem um dos menores riscos médios - em vários países ricos, hoje, esse risco é muito maior do que no Brasil, e o spread desses países, infinitamente menor.

Isso eles não perguntam. Vai que desencadeiam alguma ação deste governo no sentido de coibir essa barbaridade... Seria divertidíssimo ver a mídia tentando defender os interesses de sua turma sem dar pinta.

O que me impressionou, assim, foi a evolução de Lula. Acompanho seus debates desde 1982, quando, ao lado de Franco Montoro, Reinaldo de Barros, Rogê Ferreira e outras feras deu um show no debate entre os então candidatos a governador de São Paulo. Nunca me esquecerei da resposta que deu quando lhe perguntaram se era socialista, trotskista ou sei lá mais o que e ele respondeu, de forma genial, que era torneiro mecânico.

Era, então, um Lula em estado bruto, mas já deixando a ver os predicados que o levariam aonde o levaram.

Ele conta aos jornalistas, durante essa entrevista ao Canal Livre, o que eles meramente supõem sobre os grandes líderes mundiais. Revela bastidores dos encontros com eles, explica como funciona o Estado, desmonta versões pernetas sobre o que pensa e pretende... Teria que escrever vários posts para reproduzir fidedignamente a aula dada por esse que julgo ser o único verdadeiro estadista que conheci.

E se pudesse escolher as melhores respostas que o presidente deu, escolheria só duas. E nem são aquelas em que deixou seus inquiridores com a brocha na mão. Foram suas declarações finais sobre dois assuntos que revelaram toda pequenez e burrice de quem os abordou. Refiro-me às pretensões que tentaram lhe atribuir de se tornar secretário-geral da ONU depois de encerrar seu governo e de se candidatar de novo à Presidência em 2014.

O estadista Luiz Inácio Lula da Silva disse que o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas não deve ser de um líder político forte e, sim, de um burocrata, porque, do contrário, esse super-secretário poderia querer se impor sobre as nações. E fiquei emocionado com a sua resposta sobre tentar se eleger presidente de novo daqui a quatro anos, quando disse que já tinha feito a sua parte e que merecia descanso.

Lula se tornou maior que Lula. Ele não é mais apenas um político e governante ultra-popular e bem sucedido. Sua dimensão vai se tornando uma lenda que julgo que fará registrar seu nome na história. É assim que o vi na entrevista que concedeu no último domingo. Sem o menor exagero, certo de que cada palavra que escrevi é mais do que merecida.

 

 

Transcrição da entrevista de Lula ao Canal Livre

 

 

No post anterior, recebi mensagem de um leitor que se diz deficiente auditivo e que, por isso, não teve como assistir aos vídeos da entrevista do presidente Lula ao programa Canal Livre, que foi ao ar no último domingo na TV Bandeirantes. A Secretaria de Imprensa da Presidência da República, porém, informa que todas as entrevistas que o presidente concede à imprensa são transcritas e publicadas em seu site. Quem quiser ler a entrevista, portanto, basta clicar AQUI ou acessar o Blog do Planalto



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h38
[] [envie esta mensagem]



A Band não é tão PIG assim

A Band não é tão PIG assim 

Atualizado às 13h00m de 5 de abril de 2010


 

Johnny Saad, presidente da Band

 


Para todos os efeitos, a TV Bandeirantes não passaria de mais um tentáculo do PIG, certo? Afinal, trata-se de uma empresa que emprega energúmenos como Bóris Casoy, sujeito reacionário, preconceituoso, que, na juventude, dispunha-se a “caçar” compatriotas por suas ideologias – ele integrou o CCC, Comando de Caça aos Comunistas, durante a ditadura –, ou como José Luiz Datena, bobalhão que apresenta um programa mundo-cão/policialesco em que faz julgamentos sumários e difunde intolerância.

E nem vamos falar do “Canal Livre”, que já apresentou entrevistas e debates os mais inúteis, tendenciosos e manipulados, ou do CQC (Custe o Que Custar), programa político-jornalístico-humorístico que se dedica a desancar Lula e o PT a cada edição, ou da venda criminosa de espaço de uma concessão pública a um picareta que explora a fé alheia em horário nobre todas as noites.

Contudo, dois fatos recentes, e um não tão recente, dizem que, apesar das aparências, a Band não é tão inimiga assim de Lula, o que de forma alguma a absolve por usar uma concessão pública para produzir lixo cultural em seu estado mais puro.

O fato não tão recente que começou a me mostrar que a Band é muito menos inimiga de Lula e do PT do que parece surgiu no ano passado durante a Conferência Nacional de Comunicação, em Brasília, na qual fui delegado por São Paulo. Johnny Saad, atual presidente da emissora e filho de seu fundador, o velho João Saad – que, inclusive, tinha relações de amizade com meu avô –, demonstrou grande interação com o presidente Lula durante a abertura da Confecom, além de não tê-la boicotado como a maioria de seus concorrentes.

Mas foi na semana passada que passei a achar que a Band, apesar de aparentemente seguir a linha anti-Lula e PT do resto da mídia, em pontos específicos vem mostrando que não é lá tão oposicionista assim.

O primeiro fato recente que me leva a crer que a emissora paulista não é inimiga figadal do presidente da República e de seu grupo político foi a encomenda da pesquisa Vox Populi exatamente no momento em que tal pesquisa se fazia necessária. Provavelmente os leitores ainda se lembram de que no mesmo sábado (27/03) em que saiu a pesquisa Datafolha mostrando disparada do Serra e queda de Dilma, pedi que o PT se mexesse e encomendasse outra sondagem do eleitorado, porque a do instituto de pesquisa da Folha cheirava mal.

A despeito de sua equipe de jornalismo (Casoy, Datena, Mitre, Boechat, Telles, Betting etc), a Band, ao encomendar a pesquisa Vox Populi, evitou que prevalecesse a sensação desmotivadora da militância petista que o Datafolha gerara. E, de quebra, o Vox Populi ainda provou o que venho dizendo há anos aqui neste blog, que institutos ligados à mídia tucana costumam manipular pesquisas em certos momentos, como fez agora o da Folha de São Paulo para embalar o lançamento da candidatura tucana à Presidência.

Mas foi na noite de domingo que a Band prestou um serviço à sociedade, sim, mas também ao PT ao colocar seus jornalistas para entrevistarem o presidente da República no programa Canal Livre. Quem tem alguma coisa na cabeça além de ideologia fundamentalista e preconceitos, viu Lula dar um baile naquela meia dúzia de bobões que só sabia repisar ataques imbecis que leu nas Vejas, Folhas e Estadões, cada um deles desmontado com facilidade pelo entrevistado.

Pergunta: alguém acredita que Saad, conhecendo Lula, não sabia que seria daquele jeito? Claro que um empresário como aquele sabia que alguém como Lula faria picadinho daquele bando de idiotas. Vai ficando clara, pois, a estratégia do espertíssimo  presidente de não bater de frente com Folhas, Globos, Vejas e Estadões, os órgãos vitais da imprensa golpista, e ir minando o PIG por dentro.

 

Entrevista de Lula ao Canal Livre 


Parte 1

 

Parte 2

 

Parte 3

 

Parte 4

 

Parte 5

 

Parte 6

 

Parte 7

 

Parte 8



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h47
[] [envie esta mensagem]



O ‘populismo’ de Jesus Cristo

O ‘populismo’ de Jesus Cristo

 

Atualizado às 11h45m de 4 de abril de 2010 

 


 

 

 

 

Com tantos temas políticos quentes como os que estão na praça, tais como pesquisas falsificadas ou declarações delirantes de ex-presidentes que deixaram o poder pela porta dos fundos e que agora se pretendem os salvadores não-solicitados de uma pátria que se rejubila por ver um governo chegar ao fim de forma diametralmente diferente da de oito anos atrás, alguns poderão achar que eu, como blogueiro político, não posso deixar de comentar tudo isso em momento tão preocupante da vida nacional.

Então me perguntei: como falar da mesquinhez da política no dia em que minha fé comemora a ressurreição de Jesus Cristo, o homem que mudou para sempre a face da Terra e deu início à Era Cristã? Porque, para os que compartilham esta fé que me emociona, que me norteia, que me abriga e que me sustenta, o domingo de Páscoa é um dia para dar graças por um único homem ter difundido valores que marcaram a história da humanidade.

Então me lembrei dos inúmeros estudos historiográficos e sociológicos que dão conta de que Jesus mudou o mundo através da política. Sim, porque, até então, seus conceitos não eram aceitos, ainda que continuem não sendo.

O conceito de igualdade entre os homens, por exemplo, foi uma pregação político-ideológica que gerou ao auto-proclamado Filho de Deus um tipo de oposição que, a despeito do surgimento do Cristianismo, atua até hoje da mesma forma que atuava há vinte séculos. Se Jesus surgisse hoje no cenário político, portanto, certamente lhe seria atribuída a pecha de “populista”.

Jesus enfurecia-se com a desigualdade e com os ricos capitalistas. Chegou a expulsar comerciantes de um templo a chicotadas ao se deixar tomar por um acesso de fúria e indignação contra o mercantilismo. Defendia o socialismo ao propor que todos os homens vivessem em igualdade de condições, inclusive de renda. Contestava a riqueza e a concentração de renda com o mesmo fervor que qualquer socialista de boa cepa faria nos dias de hoje ou durante a história recente da humanidade.

“Populista”, diriam Veja ou Estadão, Folha ou Globos, caso o filho de Deus vivesse nos dias de hoje e defendesse seu ideário. Sim, porque hoje não adiantaria Jesus se auto-imolar como fez há cerca de dois mil anos ao desafiar o governo de Herodes Antipas pregando contra a furiosa arrecadação de impostos por cobradores violentos que destruíam as vidas  dos que se recusassem a financiar o deleite das elites dominantes, ainda que o livre mercado vigesse como defende hoje o capitalismo.

No tempo em que Jesus viveu, não existiam direitos trabalhistas exatamente como querem hoje os neoliberais. O Estado não se intrometia em atividade nenhuma, limitando-se a arrecadar. Todo o resto era privatizado para os amigos do rei. Para deixar que o povo bebesse água de um poço situado nos latifúndios da elite, havia que pagar. O Estado não se metia em uma atividade como essa ou em qualquer outra. Apenas cobrava os impostos. Era o paroxismo capitalista.

Jesus, que ousava contestar o ultra-capitalismo vigente e o Estado mínimo, foi destruído pela versão oficial, pela única versão que prevalecia nos meios de informação disponíveis, os quais pertenciam aos que tinham riqueza e estirpe como é hoje, o que lhes facultava fazerem prevalecer as versões mais mentirosas dos fatos ignorando e impedindo que se divulgasse provas em contrário exatamente como acontece hoje na grande mídia.

A tendência da opinião pública era falsificada. Apesar da enorme popularidade de Jesus, a minoria falava mais alto. Era dito ao povo que havia um clamor popular contra o “populista” Jesus Cristo, que, segundo a “mídia” de então, prometeria o impossível a um povo que estaria sendo “intoxicado” com falsas ilusões.

Nenhum deles percebeu, porém, o plano genial de Jesus. E muitos não compreendem até hoje por que o auto-proclamado filho de Deus deixar-se matar pela elite “salvaria” a humanidade, ou melhor, a parte dela que adotasse o ideário cristão. Não perceberam que a auto-imolação do dito messias, combinada com sua lendária ressurreição no terceiro dia posterior à sua morte excruciante, dividiriam a história em antes e depois de sua passagem pelo mundo (AC-DC).

Jesus Cristo pode muito bem ter sido apenas um político extraordinário que hipnotizou as massas com seu discurso então surpreendente sobre “igualdade”, que difundiu a esperança de uma vida melhor mesmo sendo do outro lado da vida. Ele sabia – e isso é o mais espantoso – que o egoísmo humano jamais seria vencido, mas também sabia que o amor sobreviveria para travar, até o fim dos tempos, a eterna luta do bem contra o mal, a luta que é a sina de todos nós. Alguns de um lado, outros do outro.

 

 

Sobre os ataques ao Vox Populi



Como de costume, entre os tentáculos da mídia serrista um levanta a bola para os outros "cortarem".

Começou com a Folha soltando a notinha insinuante sobre questão absolutamente irrelevante no questionário do Vox Populi apresentado aos pesquisados e culminou com artigo do Estadão batendo na mesma tecla, pois é preciso desqualificar o desmascaramento do Datafolha.

O que essa gente não leva em conta é que as pesquisas são apenas um prenúncio do que de fato acontecerá, de maneira que, em alguns meses, saber-se-á quem diz a verdade.

Em campanhas eleitorais, porém, vige o mais descerebrado imediatismo dos grandes meios de comunicação de massa, dos que tentam manter o poder que já tiveram de escolher governantes através de campanhas publicitárias disfarçadas de "jornalismo". Jogam todas as fichas na burrice popular.

A pesquisa Vox Populi se coaduna com todas as outras anteriores, incluindo a última do Ibope. Quem destoou foi o Datafolha. A direita, porém, acha que o povo é burro demais para notar.

A existência do Vox Populi no "mercado" de pesquisas servirá de anteparo às novas manipulações estatísticas que pretendem reeditar o que ocorreu na Venezuela entre 2002 e 2004, quando as pesquisas davam Chávez como virtualmente derrotado até 30 dias antes do referendo revogatório.

Ao fim deste processo eleitoral conturbado, portanto, será aprofundado o aprendizado democrático da sociedade brasileira.

Note-se que, vendo como os tucanos e a mídia mentiram deslavadamente em 1998 ao dizerem que se Lula vencesse a eleição ele é que desvalorizaria o real, os brasileiros começaram a aprender a desconfiar deles.

Nos últimos anos, tudo o que a mídia disse aconteceu ao contrário. A Veja chegou a pregar que o dólar seria o melhor investimento dos anos Lula, a mídia inteira disse que o Brasil afundaria em crise econômica etc.

A cada vez que a midia vende uma mentira e ela se desfaz pouco adiante, a sociedade aprende mais um pouco. A falsificação de pesquisas pela família Frias e o endosso a essa falsificação pelas outras famílias midiáticas é apenas mais um capítulo do aprendizado democrático do povo brasileiro.

O imediatismo da mídia ao fazer apostas tão altas quanto o falso Datafolha acreditando, a cada factóide, que achou a tal "bala de prata", ensinará mais um pouco de democracia a este povo.

Valerá a pena passarmos por isso. Sobretudo pela lição que o povo brasileiro dará a essa gente em outubro.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h00
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
As Últimas - agregador
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Clipping jornais
Celso Lungaretti
Confecom
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Jornalirismo
Leandro Fortes
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Tijolaço
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco