A Chancelaria do Irã anunciou, neste sábado, que existe a possibilidade de seu país aceitar a proposta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levará ao presidente Mahmoud Ahmadinejad: “Sobre as negociações, acredito que as condições tendem a levar a um acordo sério sobre a troca”, afirmou o porta-voz.
Lula viajou neste sábado a Teerã, onde proporá a Ahmadinejad que o Irã aceite enviar urânio de baixo enriquecimento ao exterior recebendo em troca urânio de melhor qualidade. A proposta é apoiada pela ONU.
Esse seria o maior entre os tantos êxitos da política externa brasileira, que guindou nosso presidente a uma posição no cenário internacional jamais alcançada por nenhum outro chefe de Estado brasileiro em toda a história.
Como se não bastasse, tal acordo imprimiria a paz entre Irã e Estados Unidos, que se encontram à beira de um contencioso que pode ir de duras sanções econômicas ao país oriental até um difícil – mas não impossível – conflito armado na região mais conflagrada do planeta.
Fica difícil imaginar que uma vitória diplomática como essa não resulte na indicação do presidente brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz e em uma quase certa vitória dessa indicação, pois não haverá, na história recente, feito tão expressivo em termos de promoção da paz.
No caso de um possível fracasso na negociação entre Lula e Ahmadinejad, será só mais uma picuinha criticar a iniciativa brasileira. Mesmo que a imprensa tupiniquim tente faturar em cima de um eventual fracasso, na cabeça dos brasileiros que apóiam o presidente com verdadeiro fervor e que são enorme maioria, não passará de mais uma prova de mesquinhez criticarem-no por tentar promover a paz.
No entender deste blogueiro há boas condições para que Lula tenha sucesso, pois o resultado de uma recusa de Ahmadinejad ao acordo será desastrosa para o Irã, que iria se expor não só às duras retaliações da comunidade internacional, mas à máquina de guerra norte-americana. Aceitar o acordo com Lula seria uma saída honrosa.
Ao fim deste domingo, 16 de maio de 2010, Lula pode gravar seu nome, definitivamente, não só na história do Brasil, mas da humanidade.
Instado por um leitor, fui ler post do deputado Brizola Neto em seu blog em que, com todo o conhecimento de causa de um parlamentar, vê risco de a oposição tucano-pefelê e essa quadrilha de bandidos que controla veículos de comunicação de história golpista como o jornal O Estado de São Paulo, buscarem alternativa não eleitoral para eleger José Serra.
É por falta de voto que a direita brasileira começa a flertar com o golpismo, como sempre foi neste país. E a Justiça Eleitoral, de acordo com o deputado pedetista e com a matéria do jornal paulista, estaria disposta a embarcar na mais nova aventura golpista da famigerada direita brasileira.
Caso seja verdade o que diz a matéria desse jornal calhorda, é muito grave a mera cogitação de impedir Dilma de disputar a eleição.
Que tem havido excessos nas pré-campanhas eleitorais de todos os candidatos, de todos os partidos e em todos os níveis em relação à lei esdrúxula que, a poucos meses da eleição, obriga a classe política a fingir que não haverá eleição, disso não resta a menor dúvida. Contudo, o fato de o PT estar cochilando ao não bater às portas da Justiça para reclamar que o PSDB faz exatamente a mesma coisa, não quer dizer que só a campanha de Dilma está em campo.
O Estadão prega a inelegibilidade de Dilma por conta dos programas eleitorais na tevê e no rádio de que ela participou recentemente. Isso porque, nas urnas, essa direita meliante que infesta o Brasil sabe que não vencerá a eleição.
A direita perdeu sua mais eficaz arma de fraude eleitoral com a representação do Movimento dos Sem Mídia, ou seja, a fraude em pesquisas, arma que tentaria induzir o eleitorado a votar em um José Serra falsamente colocado na dianteira. Então começa a se desesperar e a cogitar saídas golpistas, como sempre fez.
Pois aqui vai um aviso ao Estadão, à Globo, à Folha, à Veja e aos políticos que controlam esses veículos: NÃO TENTEM!!
A menos que os militares estejam dispostos a dar novo golpe de Estado, isolando o Brasil da comunidade internacional e destruindo todas as magníficas conquistas logradas pelo país depois da catástrofe tucana de oito anos no governo federal, os movimentos sociais, os sindicatos e, sobretudo, os cidadãos comuns de todas as partes do país sairão às ruas em defesa da democracia.
Querem multar, suprimir programas institucionais só de um dos lados na tevê e no rádio apesar de que o outro lado faz a mesma coisa? Enquanto o PT continuar dormindo no ponto, podem fazer, pois, apesar de o outro lado fazer a mesma coisa, estarão dentro da lei. Mas, no tapetão, vocês, canalhas reacionários e golpistas, não elegerão Serra.
Estou absolutamente certo de que não falo só por mim. O povo brasileiro não aceitará nada menos do que uma disputa legítima entre Serra, Dilma, Marina e quem mais se candidatar. Se tentarem impedir essa disputa por conta de o candidato da elite apodrecida não ter votos fora de São Paulo, abrirão as portas do inferno. Podem acreditar.
Nesta sexta-feira, a Folha de São Paulo publica outra matéria antecipada sobre um instituto de pesquisa concorrente do seu Datafolha. Contudo, à diferença das matérias anteriores questionando a metodologia de uma pesquisa Sensus que ainda não fora publicada – o que torna claro que sabia que haveria divergências de resultados dessa pesquisa com a do seu instituto –, o jornal não insinua fraude, mas recuo do instituto concorrente em sua metodologia.
Abaixo, a matéria. Em seguida, minha análise sobre ela.
Como se vê, a Folha tenta “explicar” resultados da pesquisa Sensus que conclui hoje seus trabalhos, resultados que o jornal parece saber quais serão, o que induz à crença de que seu instituto, o Datafolha, pode estar fazendo pesquisas não comunicadas à Justiça Eleitoral, obviamente porque não quer que o público conheça tais resultados.
Pela “lógica” do jornal paulista, portanto, se o Sensus abandonou o que considerou, em matérias anteriores, como “perguntas de aquecimento” que induziriam resultados favoráveis a Dilma Rousseff, certamente a petista deveria cair na nova pesquisa Sensus em relação ao cenário sem Ciro Gomes da pesquisa anterior deste instituto, a qual foi a campo no período de 5 a 9 de abril último e que detectou José Serra com 36,8%, Dilma com 34% e Marina Silva com 10%.
Por que Dilma deveria cair? Ora, se o Sensus abandonou as tais perguntas de “aquecimento” sob a alegação de que fez isso para “evitar problemas”, então, pela “lógica” da Folha, o benefício que a pré-candidata do PT colhera da estratégia anterior teria sumido e, assim, ela apareceria pior colocada na nova sondagem.
Se a nova pesquisa CNT-Sensus mostrar Dilma em posição abaixo da pesquisa anterior, a Folha dirá que está confirmada a sua tese; se aparecer na mesma situação, o jornal poderá dizer que ela foi alavancada pela propaganda do PT no rádio e na TV durante esta semana; se tiver subido, o argumento será o mesmo.
De qualquer forma, há, ainda, a pesquisa Vox Populi, que foi a campo entre os dias 8 e 13 últimos e que deve ser divulgada hoje à noite no Jornal da Band, a qual faz as tais perguntas “de aquecimento” que, segundo a Folha, favoreceriam Dilma Rousseff.
Segundo o questionário publicado junto ao registro de pesquisas no site do TSE, o Vox Populi pergunta se o entrevistado está trabalhando, se tem conversado sobre política etc., antes de perguntar em quem ele irá votar. Como o Brasil está criando uma quantidade impressionante de empregos com carteira assinada e melhor remunerados, essas perguntas podem, segundo a lógica da Folha, induzir respostas.
Essa estratégia da Folha de colocar os institutos concorrentes do seu sob suspeição só reforça o pedido do Movimento dos Sem Mídia à Justiça Eleitoral para que esta investigue quem está mentindo e quem está fazendo um trabalho sério na sondagem do eleitorado.
O que insinua a pouca seriedade da Folha e de seu instituto de pesquisa, porém, é o fato de que, em vez de acusar os institutos que considera hostis ao seu candidato – o qual não assume que apóia –, o jornal deveria ter colocado o Datafolha em campo para confrontar seus resultados com os dos institutos aos quais se opõe. Mais do que nunca, portanto, a representação do MSM ganha maior relevância, pois a Folha, com suas insinuações, coloca sob suspeita todas as pesquisas.
Fundação do Centro de Estudos Barão de Itararé
Com informações do blog de Altamiro Borges
Na noite desta sexta-feira (14), particparei da fundação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”. O coquetel de lançamento, marcado para as 21 horas, ocorre no auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo. Antes, às 19 horas, ocorre a primeira ação da nova entidade. O debate “A cobertura jornalística da sucessão presidencial” — com os jornalistas Altamiro Borges (Vermelho), Leandro Fortes (CartaCapital), Maria Inês Nassif (Valor Econômico) e Paulo Henrique Amorim (TV Record e Conserva Afiada) — abre o seminário “A Mídia e as Eleições de 2010”.
Fui convidado pelo meu dileto amigo Altamiro Borges para integrar o Conselho da entidade, razão pela qual terei que estar às 16 horas no local do evento para participar de uma reunião que precederá o início dos trabalhos de sua fundação, de forma que, a partir das 15 horas, haverá suspensão da moderação de comentários, que será retomada no fim da noite. Agradecerei, pois, a quem puder deixar aqui informações sobre a pesquisa Vox Populi, que deve ser divulgada hoje à noite no Jornal da Band.
Como este é um blog de esquerda e assumidamente simpatizante do governo Lula, tenho certeza absoluta de que não serei compreendido pela maioria de meus leitores pelo que escreverei a seguir. Todavia, antes de qualquer compromisso ou simpatia política o meu compromisso maior é com a minha consciência e com a coerência que devo aos meus princípios.
Depois de muito refletir, pois, quero manifestar uma discordância e uma concordância com duas decisões recentes da procuradora-geral-eleitoral, doutora Sandra Cureau, a mesma que acolheu a representação do Movimento dos Sem Mídia sobre os institutos de pesquisa, com o detalhe de que as duas decisões da doutora foram desfavoráveis ao PT, tendo, uma delas, sido referendada pelo TSE, que ainda não julgou a outra.
A discordância se prende à decisão absurda da vice-procuradora-geral ao recomendar que seja julgada improcedente a queixa do PT quanto ao site do PSDB “Gente Que Mente”, que expõe o primeiro mandatário da nação ao ridículo com montagens asquerosas como a de uma sua caricatura com nariz de Pinóquio, entre outras baixarias.
Já a concordância com a procuradora constitui uma revisão de posição que externei anteriormente e que se relaciona com a decisão salomônica do egrégio plenário do TSE de suspender o direito do PT de veicular seu programa institucional no rádio e na tevê só no primeiro semestre do ano que vem, por ter feito propaganda eleitoral antecipada em favor de Dilma Rousseff no programa petista de dezembro do ano passado.
No caso da recomendação da vice-procuradora-geral eleitoral que ainda não foi julgada, de rejeição à queixa do PT quanto ao site “Gente que mente”, constitui claro estímulo à baixaria eleitoral. Se amanhã o PT criar um site “Gente que Vende Patrimônio Público e Some com o Dinheiro” ou “Gente que Compra Votos para a Reeleição”, a Justiça Eleitoral terá que referendar em caso de vir a acatar a recomendação da Procuradoria.
Contudo, no caso da recomendação daquela mesma Procuradoria que já foi julgada, sobre a campanha antecipada do PT em dezembro, se o mérito for só esse devo me render à verdade de que houve, sim, propaganda antecipada tanto em dezembro quanto ontem à noite, mesmo que à revelia de uma lei eleitoral burra, inútil, mas vigente - e que, portanto, tem que ser respeitada.
Alguém sábio me recomendou que fosse “menos cristão”, que não seja tão “certinho”, pois estou em uma trincheira contra uma facção política formada pelo que há de pior na política brasileira e que já fez muito mal ao Brasil. Porém, por mais que eu concorde com parte da premissa e que respeite quem me deu esse conselho, discordo.
O pensamento de Rui Barbosa supra mencionado sintetiza o que penso que deve balizar uma nação civilizada. Essa teoria de que o fim justifica os meios, para mim não serve.
Assim como não aceitei baixarias contra Kassab e FHC no âmbito da sexualidade de um e de um segundo filho ilegítimo do outro, não posso me negar a reconhecer que a propaganda eleitoral antecipada aconteceu, sim, ainda que ao arrepio de uma lei que o PSDB também vem infringindo, como no caso do asqueroso “Gente que mente”.
O PSDB é um partido que considero pernicioso ao pais. Usa os piores métodos - depois do PFL -, a meu ver. Não há o que copiar nele, principalmente as suas estratégias de luta política. Mas não é isso o que está acontecendo...
E o pior é que o PT não precisa disso. Tem um governo magnífico, que tirou o Brasil do atoleiro que o PSDB jogou, que é aprovado pela maioria esmagadora dos brasileiros e que, portanto, tem tudo para vencer a eleição de forma limpa. Para que, então, fazer campanha antecipada ou apelar para o mesmo jogo sujo dos tucanos?
Notem bem: voto no PT, desde 1989, por suas diferenças dos outros partidos, não por suas semelhanças.
Enquanto PSDB e PFL ocupam, respectivamente, o terceiro e o primeiro lugares entre os partidos com mais casos de corrupção que resultaram em cassações pela Justiça Eleitoral, o PT ocupa uma honrosa lanterna nesse “campeonato” repugnante. Esse dado já diz tudo.
Espero, portanto, que o partido que apóio se mantenha acima dos outros não voltando a infringir as leis, fora das quais creio firmemente que não há salvação.
Para finalizar, quero recomendar, com toda humildade, à doutora Sandra Cureau, que reveja seus pesos e suas medidas flagrantemente desequilibrados e de uma forma que pode comprometer os acertos magníficos que ela tem logrado, como o de acolher a representação do Movimento dos Sem Mídia.
Disse bem o presidente Lula quando afirmou que pelo menos agora o candidato tucano à Presidência começa a descobrir como fato tudo que sempre teimou em contradizer – ele, seu partido, seus jornais, suas rádios, suas tevês, suas revistas e seus portais de internet.
Vejam só o esculacho ingrato que o tucano Serra deu na tucanérrima Miriam Leitão na CBN só porque ela, pensando que iria agradá-lo, falou no grande fetiche tucano dos anos 1990 até 2002, aquela tara de tornar o Banco Central “independente”.
Quem se lembra de que, em 2002, a mídia e a tucanada, liderados por FHC e pelo então ministro da Fazenda, Pedro Malan, queriam votar uma lei para que o Banco Central fosse independente do próximo presidente da República?
Como a vitória de Lula já se configurava irreversível, os neoliberais quiseram perpetuar suas taras por juros de até 45% e impedir Lula, o então provável novo presidente, de fazer a própria política monetária.
Uma dica para a campanha de Dilma para quando Serra, esse monstro sagrado do caradurismo, vier com essa conversa mole: levante os jornais e consiga todas as provas necessárias para desmascarar esses que hoje estão fazendo coro contra o Banco Central.
Na verdade, a campanha o eleitoral que se avizinha será uma chance de ouro de se mostrar como Serra e sua mídia mentem descaradamente. A mídia pregava Banco Central independente trinta vezes por dia e, agora que Serra mudou o discurso, vem atacar o BC.
Então ficamos assim, campanha da Dilma: pelo amor de Deus, gaste tempo levantando os editoriais e colunas dessa turma antes de Lula chegar ao poder. É um manancial inesgotável de provas de como essa gente é mentirosa e cara-de-pau.
Agora, convenhamos: tem apelido melhor para Serra que “biruta de aeroporto”?
Apesar da representação do Movimento dos Sem Mídia ao Ministério Público Eleitoral pedindo investigação dos institutos de pesquisa Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi por conta das matérias da grande imprensa e da imprensa dita alternativa, cada qual acusando dois desses institutos de supostas fraudes em pesquisas, ao menos Sensus e Vox Populi parecem não estar preocupados.
Os dois institutos acusados, inicialmente, pela Folha de São Paulo, dona do Datafolha – e, posteriormente, acusados por Globos, Vejas e Estadões –, foram a campo e, até o fim desta semana, deverão divulgar suas novas pesquisas de intenção de voto para presidente da República. Já Ibope e Datafolha, ainda não deram sinal de vida. Contudo, espera-se que retomem em breve a sondagem do eleitorado.
Desta maneira, a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal poderão investigar melhor qual desses institutos fraudou pesquisas, cometendo crime eleitoral. Neste momento, como quem não deve, não teme, espera-se de institutos sérios, convictos da lisura de seus trabalhos, que atuem como se nada tivesse acontecido, pois a interrupção de suas atuações poderá ser mais eloqüente do que qualquer confissão formal.
Saiu das mãos deste grupo de alguns milhares de cidadãos de um país habitado por 200 milhões de almas uma medida concreta que certamente mostrará aos grandes grupos políticos, ideológicos e, sobretudo, econômicos que pensam poder manipular a vontade do povo, que o Brasil está mudando. Agora, é com a Justiça e com a Polícia Federal.
Sim, claro, pode ser que tudo termine em pizza, que as instituições incumbidas de resguardar a democracia não tenham peito de ir até o fim. Todavia, a iniciativa do Movimento dos Sem Mídia mostrou que a sociedade civil não ficará sentada vendo grupos políticos e econômicos estuprarem a democracia.
Pensei muito no que escrever depois da boa notícia que recebemos. Queria acrescentar alguma coisa importante. Nem dormi direito, na última noite, pensando nisso. E o que encontrei de relevante foi terminar o que comecei quando tive a idéia de representar contra os institutos de pesquisa.
Em suma, caros leitores, penso que, mais uma vez, está sendo provado que qualquer cidadão pode fazer a diferença, porque, apesar dos elogios, não fiz nada extraordinário, nada que outro não poderia ter feito. Aliás, não fui eu que fiz, fomos nós, todos aqueles que vêm aqui dar audiência e, assim, fortalecer a idéia que fundamenta este blog.
Vejam que o que pesou para a Procuradoria Geral Eleitoral Federal não foi só uma petição bem fundamentada, mas os apoios dos leitores deste blog. Não adiantaria nada eu me “esgoelar” de escrever aqui se vocês não tivessem se manifestado, apoiado, comentado, difundido, enfim, participado. Ou seja: o Eduardo Guimarães não fez nada sozinho – todos fizemos juntos.
Acabo de voltar de uma sessão especial de cinema exibida para jornalistas – depois, até escreverei sobre esse documentário que assisti, que trata da volúpia da comunicação contemporânea, onde a sede por criar fatos jornalísticos leva a classe e as empresas de mídia a cometerem os maiores desatinos e as maiores irresponsabilidades. Agora, só quero ressaltar um fato veiculado naquela produção que todos devemos ter em mente.
A internet propiciou o surgimento de comunidades como a deste blog – e é disso que se trata o que acontece aqui. A internet leva pessoas que pensam da mesma forma a se aglutinarem nos espaços que lhes são amigáveis. No caso da política, essa situação é levada ao extremo devido à anomalia latino-americana de as empresas de mídia terem se transformado em apêndices de correntes político-ideológicas e partidárias.
Temos, pois, a impressão de que somos muitos, mas, no conjunto da sociedade, não somos mais do que uma gota no oceano. Por isso, a grande mídia pode se dar ao luxo de nos ignorar, ou melhor, pensa que pode se dar a esse luxo porque, apesar de sermos um grupo restrito de congêneres político-ideológicos, juntos somos mais fortes do que jamais seríamos individualmente.
A unificação do discurso e a independência de grupos políticos e econômicos transformam comunidades como a do blog Cidadania em um ente maior do que a individualidade permite. E, assim, em um caso como esse da representação do MSM à Procuradoria Geral Eleitoral Federal, ganhamos maior legitimidade.
Claro que o ideal seria se tivéssemos leitores de todas as correntes, de todos os pensamentos, de todas as ideologias. Mas, por obra e graça dos grandes meios de comunicação, os quais deveriam desempenhar esse papel plural de informar, a sociedade civil está sendo obrigada a se organizar em blocos para enfrentar impérios econômicos que tratam de sufocar as vozes dos que não se alinham com eles.
Assim sendo, agradeço de coração tantas boas palavras, mas não precisam me incensar ou me lançarem candidato a alguma coisa. Sou apenas um fio condutor de um sentimento de um setor crescente da sociedade que vai tomando consciência de que todos podem fazer a sua parte se se unirem como estamos fazendo aqui.
Claro que alguém tem que se dispor ao papel de “fio condutor”. E não é fácil. Primeiro, porque essa pessoa tem que entender que não conseguirá ganhar nada particularmente, porque as pessoas querem alguém que lidere de forma abnegada, não alguém que queira consolidar projetos pessoais e obter vantagens valendo-se de massas de manobra. Então, como eu, essa pessoa terá que reduzir seu trabalho remunerado e abdicar de convívio familiar, pelo menos.
Mas há uma recompensa: o respeito das pessoas. Isso, dinheiro nenhum paga. Só quero uma coisa, juro por Deus: no dia em que eu morrer, peço que alguém coloque o seguinte na minha lápide: “Aqui jaz alguém que fez a sua parte em prol de um país mais civilizado”
Sei que muitos não acreditarão nisso. É uma ambição pequena, dirão. Quem se empenharia tanto por tão pouco? Mas como, pouco?! Ser lembrado por ter sido capaz de fazer alguma coisa pela coletividade sem ganhar nada em troca, é pouco?! Eu não acho. Para mim, é tudo que alguém pode almejar.
Com o tempo, conforme os anos forem passando – e, neste blog, já estamos caminhando para o quinto ano – e eu continuar fazendo o que faço aqui sem que se saiba de qualquer benefício particular que tenha colhido, esta afirmação será provada.
No momento, contento-me em provar que, se permanecermos unidos, seremos fortes. E a recompensa de cada um se encerra nas palavras daqueles que disseram do prazer de se sentirem cidadãos, de terem contribuído para que a verdade e a justiça prevaleçam. Nunca o dito popular de que “A união faz a força” se mostrou tão verdadeiro.
Por todo o exposto é que lhes digo: nunca mais devemos nos dispersar.
IG noticia investigação de pesquisas
Justiça seja feita: o único veículo de maior expressão que noticiou o acolhimento da representação do MSM, foi o portal IG. O jornalista Ricardo Galhardo entrou em contato comigo, entrevistou-me e fez uma matéria correta.
A evidente seriedade da representação do Movimento dos Sem Mídia à Procuradoria Geral Eleitoral foi reconhecida e as pesquisas eleitorais feitas e por fazer neste ano eleitoral serão auditadas.
É uma vitória da sociedade e uma derrota para aqueles que pretenderam ludibriá-la através de uma estratégia injusta, ilegal e imoral.
A imprensa (Globos, Folhas, Vejas, Estadões e congêneres) acusa os institutos Sensus e Vox Populi; a imprensa alternativa acusa o instituto Datafolha e o Ibope. Veremos, agora, quem tem razão.
Abaixo, reproduzo a nota que enviei a vários meios de comunicação, inclusive à Blogosfera. Em seguida, faço um último comentário
A quem possa interessar:
Conforme informações obtidas pelo Departamento Jurídico do Movimento dos Sem Mídia — MSM– na tarde desta 3a. feira, 11/05/2010, em Brasilia – DF,a Vice-Procuradora Geral Eleitoral do Ministério Publico Eleitoral Federal, Dra. Sandra Cureau, acolheu a representação de nossa Organização no sentido de que as pesquisas feitas e por fazer em 2010 pelos institutos de pesquisa Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi, sejam auditadas.
A Procuradoria determinou em despacho que“se extraiam cópias na íntegra da Representação Eleitoral do MSM e da lista de adesões dos cidadãos brasileiros que a apoiaram,remetendo os documentos à Superintendência da Polícia Federal em Brasília – DF, para que a Polícia Federal proceda a Abertura de inquérito Policial para apurar suposta prática de Crime Eleitoral de Realização e Divulgação de Pesquisa Eleitoral Fraudulenta”.
O processo junto à Procuradoria Geral Eleitoral – DF recebeu o número 4559.2010-33
Atenciosamente,
Eduardo Guimarães
Movimento dos Sem Mídia
Presidente
O MSM, com sua ação na Justiça, poderá mudar a história desta eleição ao impedir que pesquisas eleitorais sejam usadas para enganar o eleitorado. A menos que os que andaram cometendo fraude decidam desafiar a lei...
Cumprimento, pois, a todos os que, ao meu lado, ao lado do nosso diretor jurídico, Antonio Donizeti, enfim, ao lado do Movimento dos Sem Mídia, firmaram a lista de apoios à iniciativa de nossa organização. Posso garantir que as cerca de duas mil assinaturas virtuais pesaram muito na decisão da Justiça Eleitoral
Esta é, legitimamente, uma vitória da democracia brasileira.
Há uma discurseira da mídia e de Serra que só se sustentará, nesta campanha eleitoral, enquanto só os que fazem oposição ao governo Lula tiverem acesso aos meios de comunicação de massa. No primeiro dia do horário eleitoral gratuito no rádio e na tevê, porém, os marqueteiros de Dilma farão picadinho dessa conversa mole.
Um dos pontos desse discurso cínico é o de que “os petistas” estariam usando o “discurso do medo” contra Serra, o discurso de que se ele se eleger presidente o Brasil andará para trás.
Além de publicar o vídeo acima, transcreverei esse tal “discurso do medo” que os únicos que usaram contra alguém, até hoje, foram a mídia e a direita tucano-pefelê.
Trata-se de um discurso daquela que ficou conhecida como a “apavoradinha do Brasil”, a atriz global Regina Duarte, e que foi declamado na tevê durante a campanha eleitoral de 2002, no programa do PSDB. Dizia Regina, a mando de Serra:
“Tô com medo. Faz tempo que eu não tinha esse sentimento. Sinto que o Brasil, nesta eleição, corre o risco de perder toda a estabilidade que já foi conquistada.
Eu sei que muita coisa deixou de ser feita, mas também tem muita coisa boa que já foi realizada. Não dá pra ir tudo pra lata do lixo.
Nós temos dois candidatos a presidente. Um eu conheço, que é o Serra. É o homem dos genéricos, do combate à Aids; o outro, eu achava que conhecia, mas hoje eu não conheço mais. Tudo que ele dizia mudou muito. Isso dá medo, gente.
Outra coisa que dá medo é a volta da inflação desenfreada. Lembra? Oitenta por cento ao mês...
O futuro presidente vai ter que enfrentar a pressão da política nacional e internacional. Vem muita pressão por aí. É por isso que eu vou votar no Serra. Ele me dá segurança. Porque dele, eu sei o que esperar.
Por isso eu voto 45, voto Serra, e voto sem medo”.
Regina sabia do que falava quando dizia que vinha “muita pressão da política nacional e internacional”. Só que veio mais da política nacional, na forma, por exemplo, da sabotagem de negarem a Lula a mesma CPMF que foram eles, os tucanos, que implantaram.
Enquanto os que SEMPRE usaram esse discurso do medo contra Lula a cada eleição agora têm a suprema cara-de-pau de virem acusá-lo de fazer o que eles é que sempre fizeram, vejam até que ponto essa gente é baixa, nas palavras dela mesma:
De Ilimar Franco, em O Globo de 10 de maio de 2010
O candidato do PSDB, José Serra, destacou ontem, na rádio CBN, o aval que o presidente Lula concedeu aos candidatos à sua sucessão, em declaração ao jornal espanhol "El País".
Para o tucano, a coisa mais importante que Lula disse foi: "Ganhe quem ganhar, ninguém fará nenhum disparate. O povo quer seguir em frente e não voltar atrás".
Serra traduziu o presidente dizendo que "qualquer um que ganhar não vai ter nada de anormal". E queixou-se: "Há um certo jogo de quase terrorismo, se não ganhar o candidato do Lula vai dar problema".
Concluindo: "Taí o Lula dizendo que não vai ter nenhuma calamidade se ganhar outro".
Que diferença de homens públicos, não? Enquanto Lula age com decência e lealdade até mesmo com os adversários, Serra, que o acusa do que ele mesmo fez, tenta, de novo, enganar o país. Hoje, oito anos depois, é possível afirmar isso sem a menor sombra de dúvida, pois este governo consertou todas as burradas do governo anterior, do qual Serra foi expoente.
E depois eles não entendem por que é que Lula tem oitenta por cento de aprovação. E é por isso que ainda não entenderam que, em algum momento, os dois lados terão voz.
Hoje, coisas como estas que digo são, literalmente, censuradas pela grande mídia aliada a Serra, detentora do controle da banda mais importante do espectro radioelétrico. Mas é por mais alguns meses, só. Depois de quase quatro anos, o PT voltará a dar a sua versão dos fatos à farta, tanto na tevê quanto no rádio.
Viver em São Paulo não se limita a conviver com calamidades como o colapso de obras de bilhões de reais como a que deveria impedir que o rio Tietê transbordasse e que terminam por desabrigar milhares de famílias, as quais, depois, serão espancadas pela polícia quando forem protestar diante das autoridades.
Pobre, em São Paulo, tem que temer por sua vida não só por conta de incompetência do governo local em lidar com fenômenos previsíveis da natureza que em dois meses matam quase cem. Pobre – e negro –, em São Paulo, tem que temer ameaças à própria vida vindas dos dois lados da lei.
Não é um caso isolado o de mais esse motoboy paulista que acaba de ser espancado até a morte pela polícia ao chegar em casa. Poucos dias antes, um congênere de profissão daquele pobre coitado também foi espancado até que não lhe restasse um único sopro de vida no corpo estraçalhado pela violência policial.
As pessoas pobres – e, preferencialmente, negras – de São Paulo, mesmo sendo honestas sabem do cuidado que devem ter com a polícia, e tanto faz se for polícia militar, civil ou metropolitana.
Porque impera, em São Paulo, uma força de repressão a uma população que sofre com condições de vida dignas de países pobres da África, mesmo sendo o Estado mais rico da Federação e com um PIB que equivale aos de muitos países.
A vida dos pobres paulistas é dura, injusta, desoladora. E o governo do Estado é um de seus maiores algozes.
Deixa uma polícia totalmente despreparada, mal paga e corrompida até o âmago impor terror nas periferias para que estas populações se mantenham dóceis diante de uma casta que impera debochando da pobreza e da miséria com seus carros de alto luxo, com suas jóias e com seus clubes de dissipação e de perversões das mais variadas.
Esse pobre diabo estraçalhado pelas mãos de feras humanas diante da própria mãe, em outros tempos, quando este país mal dava os primeiros passos no século XX, seria santificado, viraria mito. Hoje, daqui a uma semana não se lembrarão mais dele, além da família e dos amigos.
Os outros como ele, nos guetos vizinhos, sabem que muitos entre si terão o mesmo destino. Então não se importam.
É rotina, nesta terra tão rica e injusta. Vivemos, por aqui, no século XIX. Negros têm o pescoço torcido como o de uma galinha nas mãos de forças de repressão de massas tanto quanto tinham antes da libertação dos escravos naquele distante 1888.
O país não pára por conta disso. Elegem-se bodes expiatórios dois comandantes das forças de repressão e fica tudo certo. O negro pobre de vinte e poucos anos vira um número. A família ganha um cala-boca do governador e acaba se conformando, porque, em São Paulo, dinheiro compra qualquer coisa. Até a memória de um filho.
Porque o povo pobre daqui vota, automaticamente, sempre nos mesmos. Enquanto aguarda o começo do jogo de futebol na tevê ou chegar à seção de esportes dos jornais, dá uma olhada no noticiário político e capta a mensagem subliminar de que deve votar nos políticos que pouco – ou nada – viu aqueles meios de comunicação criticarem.
Já os ricos, ah!, estes, sim, sabem exatamente o que estão fazendo, ao votarem. Sabem que devem votar sempre nos mesmos porque são eles que mantêm os pobres conformados intoxicando-os com mulheres seminuas rebolando na tevê e campeonatos de futebol cantados em verso e prosa nas páginas de esporte dos jornais.
Os veículos que mantêm o povo paulista manso desse jeito pertencem aos amigos daqueles políticos nos quais São Paulo sempre vota e com os quais os barões da mídia paulista dividem muito mais do que interesses mais evidentes, pois uns e outros se freqüentam, namoram entre si, fazem negócios e até se casam uns com os outros.
Esta é uma semana extremamente importante, do ponto de vista político. Poder-se-á ter uma visão clara sobre duas das mais importantes instituições brasileiras, o Poder Judiciário e a imprensa.
Segundo informações obtidas pelo setor jurídico da ONG Movimento dos Sem Mídia (MSM) junto à Procuradoria-Geral Eleitoral, até sexta-feira será apreciada a representação que a Organização impetrou em 23 de abril último pedindo que o TSE audite todas as pesquisas de intenção de voto sobre a sucessão presidencial dos institutos Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi divulgadas neste ano e as que forem a campo até o fim do processo eleitoral.
Para quem não acompanhou o caso, informo que a representação em tela foi feita após uma sucessão de matérias publicadas na grande imprensa e na imprensa dita alternativa colocando em dúvida a seriedade das sondagens dos quatro institutos supra mencionados.
Ainda segundo o jurídico do MSM, quem apreciará o requerimento da ONG à Justiça Eleitoral será a vice-procuradora-geral eleitoral, doutora Sandra Cureau. Vale registrar que é a mesma que, recentemente, pediu ao TSE a suspensão do programa eleitoral do PT, que, apesar da recomendação oficial da vice-procuradora, provavelmente irá ao ar na próxima quinta-feira, dia 13 de maio.
Até o momento, portanto, os indícios são preocupantes. A grande imprensa simplesmente ignorou uma medida – a representação do MSM – a qual não tenho dúvidas de que colocou os institutos de pesquisa em “stand by”, o que ficou evidente em nota publicada pelo colunista da Veja Online Lauro Jardim, que deu conta de que, da eclosão do escândalo das pesquisas para cá, mais nenhuma pesquisa sobre a sucessão presidencial foi registrada no TSE.
Então, vejamos: a grande imprensa ignorou a representação do MSM enquanto noticiou à farta a representação que o PSDB impetrou contra o instituto Sensus por conta de sua última pesquisa ter mostrado os pré-candidatos Dilma Rousseff e José Serra tecnicamente empatados, e se negou a registrar, da mesma forma espalhafatosa, a rejeição da representação tucana pela Justiça Eleitoral.
No entanto, quanto à procuradora-geral eleitoral ter aceitado o requerimento tucano pedindo a suspensão do programa do PT no próximo dia 13, não se pode dizer que signifique partidarismo da Justiça Eleitoral pelas razões que expus aqui em post publicado no último dia 6 intitulado “Não culpem a Justiça Eleitoral” e que o deputado Brizola Neto também expôs em seu blog três dias depois, no post “Mídia e PSDB pressionam TSE”.
Para resumir, minha tese e a do deputado pedetista são a mesma: o PSDB está ganhando tanto no TSE simplesmente porque o aciona mais contra o PT enquanto que este fica imóvel esperando que as ações tucanas e a pressão da mídia surtam efeito. E como a Justiça Eleitoral precisa ser provocada, se só os tucanos a provocam só eles conseguem prejudicar os adversários.
Contudo, a representação do MSM é extremamente robusta. Além de não ter viés partidário, porque não se limita a pedir auditoria só das pesquisas que agradam a um lado e desagradam a outro, foi apoiada por mais de dois mil cidadãos neste blog. E como se baseia em um farto noticiário da grande imprensa insinuando fraudes dos institutos Sensus e Vox Populi e da imprensa alternativa insinuando a mesma coisa sobre o Datafolha e o Ibope, vejo boas possibilidades de a Justiça acatá-la.
Se isso acontecer, como a grande imprensa fará para sonegar ao público a informação de que os quatro mais importantes institutos de pesquisa do país estarão sendo investigados pela Justiça? Será praticamente impossível esconder essa informação. Não tenho a menor dúvida de que repercutirá como uma bomba tanto no Congresso Nacional como entre a classe política.
Devido à forma como a procuradora-geral-eleitoral foi rigorosa com o PT, chegando ao ponto de pedir a suspensão de seu programa eleitoral semestral na TV e no rádio – o que, se for referendado pelo TSE, causará um prejuízo imenso ao partido –, a rejeição de uma representação tão justa, isenta, embasada e legítima quanto a do MSM será sinônimo de que alguma coisa está muito errada na Justiça Eleitoral.
Como se vê, duas das mais importantes instituições da República se encontram sob o olhar atento e preocupado da sociedade. E acredito que, em caso de se comportarem de alguma das formas incorretas aqui descritas, estarão criadas as condições para uma crise político-institucional no país. Esta semana, pois, configura-se extremamente importante do ponto de vista político.
Recebi ontem um telefonema de uma comissão de moradores e comerciantes de uma pequena cidade do interior de São Paulo. Fui procurado por indicação de uma leitora. Essa comissão me pediu que repercutisse um caso sobre o qual não tenho maiores informações.
Apesar de não ter ouvido o outro lado, tive informação de que essa comissão procurou a imprensa e foi ignorada. Desta maneira, exponho o assunto de forma que, ao ser iluminado, possa se verificar quem tem razão. O que não é possível é que centenas de pessoas sejam despejadas assim, sem maior discussão.
Abaixo, reproduzo o e-mail que pedi para publicar as queixas dessas pessoas.
Prezado Sr. Eduardo Guimarães,
A Comissão de Moradores e Comerciantes do município de Francisco Morato pedimos humildemente que o senhor publique em seu blog o nosso texto de manifesto contra as atitudes injustas da CPTM.
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, numa decisão duvidosa e arbitrária, ameaça a moradia e o sustento de inúmeras famílias que residem e trabalham no Centro de nossa cidade.
Comerciantes e moradores da região da Ponte Seca e da Rua Gerônimo C. Garcia, vimos a público protestar contra o ato ARBITRÁRIO E CRIMINOSO da CPTM que, sem nos ouvir, pretende nos despejar de nossos comércios e moradias, construídos de forma suada e sofrida.
Este ato é arbitrário, pois todos nós que temos nossos comércios e casas nesta região há anos ajudamos o desenvolvimento da nossa cidade, além de gerar renda e receita e de estarmos estabelecidos de forma legal, haja vista que todos nós temos provas que nos legitimam a usar esta área.
Este ato é criminoso, pois a própria CPTM, NÃO TEM COMO PROVAR QUE É PARTE LEGÍTIMA NESTA AÇÃO, já que existem inúmeros documentos que provam que esta área é da Fazenda Belém, abrindo duvidas para qualquer ação judicial.
Exigimos da CPTM a imediata suspensão das ações judiciais e que demonstrem os verdadeiros interesses, pois há fortes indícios de que a mesma pretende nos desalojar para fazer especulação imobiliária na área.
Na última quinta-feira, dia 06/05, a CPTM executou sua primeira reintegração de posse no município, desencadeando uma revolta na população, que se organizou e promoveu um protesto em frente à estação ferroviária de Francisco Morato e, na seqüência, deslocou-se em caminhada até o Fórum da cidade para pedir justiça.
Como não tivemos, ainda, nenhum posicionamento formal da CPTM sobre nossas exigências, estamos organizando diversas manifestações nesta semana. O link abaixo conduz a um texto com mais detalhes sobre o caso e os vídeos da manifestação contra a CPTM:
Terça-feira, 4 de maio, meio da tarde, rua Amaral Gurgel, bairro da Consolação, centro de São Paulo.
Faz mais calor do que prometeu a previsão do tempo. Arrependo-me de ter ido de metrô ao centro, sendo obrigado a caminhar por ele carregando uma bolsa pesando uns 5 quilos e usando uma camisa de mangas compridas, o que me faz suar e ofegar.
Devo ir à rua Rui Barbosa. Dá para ir a pé. É menos de um quilômetro.
Contudo, há um problema: terei que atravessar a desértica via expressa que passa sob a praça Franklin Rosevelt – e o local, apesar do grande tráfego de carros, é perigoso, pois habitado por moradores de rua que assediam a qualquer um que passe.
Parece-me preconceito. E, afinal, é a minha cidade. Sinto uma sensação de perda ao sentir medo de caminhar por ela.
Decido, pois, que, tomando cuidado, devo enfrentar aquele medo. Aventuro-me pelo ponto da Amaral Gurgel em que ela mergulha sob a rua da Consolação e a praça Roosevelt .
Água empoçada na calçada larga, no sentido centro-bairro, muita sujeira, paredes pichadas, má iluminação e um cheiro insuportável de urina.
Caminho cerca de vinte metros e, sob um vão do viaduto, num canto escuro em que parece haver toda a sujeira do mundo, vejo um ser humano maior e três pequenos que se movem ao seu redor.
Tiro os óculos escuros de grau – até porque, já me impediam de ver onde pisava –, coloco os convencionais e forço a vista cansada na direção do adulto cercado de crianças, agora já sentindo náuseas devido fedor.
A cena que diviso é sempre deprimente. O adulto está sentado e tem um cobertor ou manta sobre as pernas – naquele calor. Suas roupas e as das crianças, bem como as peles de todos, têm um tom cinzento – uma ilusão de ótica causada pela sujeira que os impregna.
Levo comigo um computador, dois celulares e quase trezentos reais no bolso, mas são apenas uma mulher e três crianças. A maior não tem dez anos. Sinto-me patético pelo medo que me inquieta, ainda que saiba que temer até mesmo crianças, nestas megalópoles enlouquecidas, está longe de ser covardia ou paranóia.
De repente, o grupo cinzento me nota. Sinto um frio na barriga e um ímpeto de voltar por onde vim – correndo. Mas as crianças são mais rápidas. Antes de concluir se devo ou não retroceder, já estão à minha volta. A mulher começa a se levantar...
Permaneço imóvel. A calçada, naquele ponto, é bem larga. Mais de dez metros me separavam do grupo. Haveria tempo de voltar, mas me sentiria mais ridículo ainda fugindo de uma mulher e de três crianças do que já me sentia por estar com medo.
Uma das crianças, a menina maior, uma caboclinha de cabelos duros de sujeira, usando uma blusinha de botões que só lhe serviu quando era menor e que já deve ter sido vermelha, e uma saiazinha de brim com umas tachinhas enfeitando que já não cobria mais nada, pede-me um cigarro (!).
Não respondo, mas não fujo. Fico ali, imóvel, sem saber o que fazer. Negar o cigarro será uma provocação, até porque o maço é visível no bolso da camisa. Então, decido apelar para um tom amistoso e bem-humorado para ganhar tempo e ver até onde é possível dialogar.
-- Como é seu nome, meu bem?
A menina resmunga alguma coisa com uma voz meio inaudível, meio gutural que me impressiona e assusta. Agora já estou arrependido de não ter ido de carro ao bizarro e caótico centro de São Paulo.
As crianças já me cercam e a mulher, agora coberta pela manta como uma beduína, está praticamente junto de nós. Achei que me pediu “um trocado”. Mas minha maior atenção estava no pequenino, de uns seis anos, que toca na pasta que levo a tiracolo com o dedinho indicador sujo, repelente.
A mulher já está diante de mim à distância de um braço. Noto que é jovem, apesar do rosto inchado. Deve ter uns 25 anos. Pergunto-lhe se é a mãe das crianças, ao que ela balança a cabeça em confirmação. E passa a me encarar fixamente, com o cenho franzido.
Posso lhe sentir o hálito rescendendo a álcool e um fedor de urina insuportável. Começa a falar de uma forma tão desconexa que não consigo entender uma única palavra do que diz. Sou tomado pelo horror, diante da situação, e me sinto extremamente covarde e preconceituoso.
O garotinho, de uns seis anos, já segura minha pasta com as duas mãozinhas e o resto do pequeno grupo já me cercou completamente.
Antevejo que outros tocarão em mim e decido ir embora dali. Não conseguirei conversar e só usando a força poderei conter os abusos que agora tenho certeza de que aumentarão.
Caminho mais rapidamente do que as crianças conseguiriam acompanhar sem correr. Além do que, a mulher mal se agüenta em pé.
Para minha surpresa, não me perseguem. Mas começam a me xingar, todos ao mesmo tempo. Entendo alguns palavrões, mas as vozes cobrem umas às outras e as palavras incompreensíveis da mulher sobressaem às das crianças, tornando a situação ainda mais bizarra.
Foi fácil me distanciar. Quando me dou conta, já estou diante do local a que me dirigira, na rua Rui Barbosa. Estou suando e ofegante. Sinto-me péssimo. Patético. Fugi de uma mulher caindo de bêbada e de três crianças pequenas.
Ao mesmo tempo, sinto revolta. Que sociedade é esta que permite que parte tão significativa da população perambule pelas cidades naquelas condições? Ocorre-me um pensamento curioso: que vergonha sinto dos estrangeiros que vêm a São Paulo e se hospedam no centro – e são muitos.
Revolto-me com um Estado irresponsável. Em seguida, cogito sobre o futuro daquelas crianças. A menina maior, trajando aquelas roupas curtas, logo será mocinha, apesar de que já daquele tamanho é um prato cheio para pervertidos nas ruas. Mas quantas outras crianças ela colocará nessas ruas?
Que será dos filhos daquela mãe, meu Deus? O que será deste país até que esta nossa sociedade moralmente enferma descubra o que ela semeia ao permitir barbaridades como aquela? E, finalmente, quanto irá demorar até que me esqueça daquela tarde?